quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Voyeurismo

Dizem uns tantos que acham muita piada (piada entre aspas) que alguns apenas critiquem outros e nada falem de si. Que terão algo a esconder. Não posso falar pelos outros, evidentemente, mas no que ao meu caso diz respeito não o voltarei a fazer. A fazer isso de publicar textos intimistas. Textos onde se abre a porta de nossa casa e, por vezes, a porta da nossa alma. 

Descobri há algum tempo quando o fiz inadvertidamente, que o voyeurismo a que alguns incentivam como se não houvesse amanhã, dizendo-nos com aquela voz doce de que fazem fé os lobos que dizem ser maus e não frequentam apenas as fábulas de La Fontaine, que escancarar portas que são nossas, portas que guardam os nossos objectos, as pessoas que mais amamos, nas redes sociais, é de uma inocência que tresanda a dissabores. 

As pessoas a quem não nos mostramos propositadamente, podem sempre especular, podem até chegar ao ponto de dizer que nos conhecem, podem sempre atirar o barro à parede, só que entre o barro e a parede existe todo um mar de suposições pela frente. Supor todos podemos, afirmar só o próprio pode. Entretanto existe a parte da ética, um ingrediente pouco usado neste Portugal que gosta de se esparramar à beira-rio. E, também parece que em Portugal se dá pouco uso aos tribunais quando alguém invade a privacidade de outro alguém quando esse alguém não o permitiu. Estamos sempre atrasados em relação a tudo, é um facto. Os outros países parecem estar sempre um passo à frente deste país que é dos portugueses, embora por vezes pareça não o ser. Se calhar estava na hora de arranjar uma merendinha e nos pormos a caminho da civilização.