sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O imposto sonso acompanhado ao piano por mademoiselle sonsonete

O imposto sonso é aquele tipo de imposto que se senta à nossa frente, não de perna elegantemente cruzada, mas de joelhos muito juntinhos, bem apertadinhos, como se sentam os Reis no seu trono de forma a passar uma imagem austera de pessoa-rei que está ali para infligir a lei do quero, posso, e mando. O imposto sonso senta-se sempre de costas muito direitas no sentido de não revelar que aqui e ali, de quando em vez, a verticalidade voou porta fora e não tenciona voltar. O imposto sonso sorri só com a boca e nunca com os olhos. O imposto sonso crê que ninguém dá por ele, gosta daquilo de serpentear, e enquanto serpenteia e não serpenteia vai exibindo só para si (pensa ele do alto da sua sobranceria) o tal sorriso que amarela os sítios por onde passa. No entanto, o sorriso amarelo do imposto sonso não deixa ver a cor dos seus dentes, o sorriso mais se assemelha a uma linha muito apertada que vai de uma orelha a outra e enquanto faz a tal volta de orelha a orelha consegue ir apertando muitos pescoços por aí. A intenção do imposto sonso não é espalhar o bem pelo mundo, a intenção do imposto sonso é tão somente perseguir pescoços alheios e apertá-los, apertá-los, não por amor, mas porque o raio do cofre lá de casa não está assim tão cheio e aquilo não pode ser.

Morra o imposto sonso, morra. Pim!

Maria, apresenta, muito a custo, o imposto sonso. O imposto conhecido por "Fat Tax". O imposto que tem como boas intenções taxar produtos com excesso de sal, açúcar e gorduras. De boas intenções anda aquilo que agora não me lembro, cheio. Outra vez pim!

Adenda na medida em que se deu um volte-face: parece que o imposto sonso vai recair apenas nos refrigerantes. Pronto, uma pessoa fica mais descansada, ou... talvez não... Tomara que depois de uma noite bem dormida a coisa não volte ao estado inicial. O imposto para além de sonso, também lhe dá para ser caprichoso.

12 comentários :

  1. Ainda bem que existe uma adenda que me evita chamar muitos nomes a muita gente. Concentremos pois e apenas as atenções sobre os refrigerantes.
    Se o interesse se centrasse sobra a saúde, a coisa era simples, acabava-se com o produto. Porque de facto aquilo faz muito mal. E não me venham falar do 'no sugar added' que é uma treta para enganar os gulosos.
    Era simples, disse eu. Mas quem sou eu se comparado com os interesses financeiros de quem fabrica o veneno?
    Portanto, acabar não, eles não deixam, sendo que este 'eles' não estão no(s) governo(s) mas frequentam os corredores do poder e outros corredores mais ou menos bem cheirosos.

    Chagados aqui, concluimos facilmente que o que interessa é aumentar as verbas com as vendas. A malta é gulosa, está-se nas tintas para a malfeitoria do produto e mais cêntimo menos cêntimo ... que se lixe.

    O 'fat tax', escrito em minúsculas porque não merece mais, apontava ao mesmo. Vendam vendam mas tragam mais receitas para os cofres irem enchendo de forma natural, sem ficarem ao dispôr de qualquer Maria Luís deste país.

    Quero o livro de reclamações, Maria. Porque dois "Pim!" num só texto deixaram-me com os nervos em franja. E como os nervos com franja sáo sintoma indesejável ... pronto, quero assinalar o meu protesto.

    Nota de rodapé: o imposto sonso é uma expressão genial, ao alcanse tão só dos génios.
    Nota de interesses: não bebo refrigerantes genéricos (esta é boa!) e evito os outros disfarçados de coisa boa mas que não é bem assim.

    Deixo-lhe um beijinho, génio Maria ;)

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    1. A adenda teve que ser incluída, apercebi-me por volta de uma hora de almoço a atirar para o tardia que o que inicialmente estava em cima da mesa, aquilo de taxar produtos com excesso de sal, açúcar e gorduras (um imposto não só sonso mas de difícil aplicação, não é preciso ser muito iluminado para o perceber) de repente, no dia de hoje, já não estava. Deram um passo atrás e afinal só serão taxados os refrigerantes. E penso que depende da quantidade de açúcar que cada refrigerante possui. Ou seja, o Governo vai assumir o papel que cabe aos pais assumir. Uma pessoa até se sente estúpida... Eu não bebo refrigerantes desde a minha adolescência, nem sequer foram os meus pais que me introduziram na profundidade de um cérebro em desenvolvimento que bebidas gaseificadas fazem mal à saúde, que têm elevadas quantidades de açúcar, que a malta engorda muito se as consumir diariamente. Cresci e tentei perceber que produtos é que podia consumir diariamente e que produtos só poderiam ser consumidos pontualmente. Posso beber uma coca-cola de quando em vez, não bebo todos os dias, mas pelo facto de me apetecer beber uma coca-cola uma vez por ano quer dizer que vou ter de pagar mais por isso. Isto é de um oportunismo absurdo.

      O Governo ao aplicar este imposto é tão ou mais responsável do que aqueles que fabricam o produto. Ou seja, existem interesses de ambas as partes. Não fosse assim e o imposto cairia nos fornecedores e não nos consumidores. Se a saúde das pessoas fosse a principal preocupação do Governo, a coisa seria na onda do: ou alteras o produto de modo a reduzir a quantidade de açúcar (directamente ao fornecedor), ou a taxa é a doer. Isto sim, seria honesto, assim só é aquilo de imposto sonso (directamente ao consumidor).

      Imposto sonso terá a ver directamente com aquilo das pessoas sonsas. São muito caladinhas, muito sossegadinhas, sempre muito simpaticazinhas, nunca levantam poeirinha nenhuma, nunca dizem mal de alminha alguma, um belo dia acordamos e constatamos que temos uma dor terrível nas costas, vamos ao espelho e temos uma faca cravada nas costas. Normalmente é morte certa. Já fomos! O imposto sonso usa pantufas muito fofinhas só naquela de não fazer barulho.

      Beijinho para si também :)

      PS: Génio (???) Já percebi que isso hoje foi um almoço regado com tinto do bom :))))

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  2. Pronto! Uma pessoa chega, bem disposta, a pensar, vou visitar a Maria e fica, mas é logo,com uma enorme arrelia.

    Então mas diga lá, acha justo que depois de tanto trabalhinho com o tal do sonso, depois do dito ter minguado, upa, upa, de que maneira, o contributo da Maria, uma cidadã cumpridora das suas obrigações: IVA,IRC,IRS,IUC, - ups, já estou cansadita! - limite o seu contributo para tão nobre causa a uma, UMA coca-cola por ano? Então mas que coisa é essa? Ora assim, e como a saúdinha é o que está na base da preocupação que criou o tal sonso, o tal que minguou numa noite, tenha a Maria a gentileza de subir o plafond destinado às coca-cola.
    O sonso merece, a economia idem, e os produtores da dita..., os produtores da dita? Ah, esses também.

    Tenha uma boa noite Maria.

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    1. GL, os políticos têm que se deixar disto de tratar as pessoas como se fossem estúpidas. Continuam presos ao passado, ao tempo em que as pessoas "comiam e calavam". Acho que ainda não perceberam que as pessoas estão cada vez mais atentas a cada gesto que fazem, a cada palavra que proferem, a cada imposto que parece ser algo inocente só naquela de fazer bem aos cidadãos, quando a intenção é tirar mais um bocadinho às carteiras dos cidadãos. Este imposto que designei de sonso é exemplo disso mesmo, não é a saúde a grande preocupação, se fosse o caminho seria outro.
      ...

      Sempre tive algum cuidado com a alimentação, nunca fiz nenhuma dieta, não teria paciência para tal, peso desde (+-) os dezasseis anos o mesmo, não passo dos 50/53 quilos. Como tudo o que me apetece, apenas não faço o disparate de comer cozido à portuguesa (que adoro) todos os dias, ou comer tarte de limão (que também adoro) todos os dias, se o fizesse já teria chegado aos 90 quilos. Portanto acho estranho que as pessoas digam que com o passar da idade tendem a engordar. Engordam sim senhores se tiverem problemas de saúde que não conseguem controlar, infelizmente, engordam se tiverem que tomar determinados medicamentos, mas não engordam só porque sim. As pessoas apenas não serão lá muito honestas quando não dizem que engordam porque comem muito e não têm qualquer cuidado com a alimentação. Também temos a nossa grande dose de desonestidade, de mentiras, não será só um exclusivo dos políticos (de alguns pelo menos)...

      Tenha um bom sábado, hoje por aqui com um espectacular dia de Verão :)

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  3. Tu és de facto sensacional e fizeste-me rir até às lágrimas.

    Imposto sonso:)))) que caiu e pronto com carradas de "ssss":)) a minha Coca-Cola que só bebo em dias de festa, como vai ser hoje à tarde no lanche ajantarado em casa da filha, com a minha turma do qual bani mais dois elementos, vai levar com o "FAD TAX". Caramba arranjam cada nome para os impostos que a minha cabeça deu um nó.

    O resto ficará de fora e eu que sou burra que nem uma porta não sabia que o vinho das castas reais das famílias etc e tal não tem qualquer imposto. Não bebo porque não gosto, mas numa sociedade regida pelo excesso de álcool numa de vale tudo (há muitas excepções) e por achar que tem açúcar deveria levar com a mesma das cervejas e das tais brancas.

    Mas por detrás há muitos interesses ó se há e as garrafeiras da casa dos políticos, dos amiguinhos e dos amiguinhos dos amiguinhos...precisam de "ofertas".

    Há que encontrar dinheiro e deveriam ir a uns sítios para terem mais receita e que se quiserem a minha ajuda darei imensas pistas!!!!

    Uma boa tarde e hoje o dia está como gosto: muito calor e sol:)

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    1. Gosto de coca-cola, Fatyly, e bebo, mas lá está, não bebo todos os dias. É uma bebida muito gaseificada e com quantidades de açúcar absurdas. Convém moderar. Daí não perceber o facto de os pais levarem os filhos tantas vezes ao McDonald's. Note-se que não sou contra, acho que as crianças não devem viver numa redoma, mas aquilo tem que ser muito bem gerido. E não é. De quem é a culpa? Ora, dos pais. As crianças não entendem o perigo de comer "comida" daquela muitas vezes, gostam e pronto, são crianças, compreende-se. Não se entende é o papel de alguns pais. Isso é que não se entende.

      Permita-me que corrija só a parte do FAD. Será FAT. "fat" que em português quer dizer gordo (pois, percebe-se porquê, engorda lá os cofres do estado) e "tax" que em português quer dizer imposto. Será portanto um imposto gorduroso :))))))

      Esse tema do "vinho das castas reais das famílias etc e tal não tem qualquer imposto", é um tema delicado, e não tão simples como à partida parece, não entra neste post. Um dia destes quem sabe não se fala nisso... Aqui são só refrigerantes. Aliás, porque o vinho tinto quando bebido com moderação, diz quem sabe do que fala, não faz mal, antes pelo contrário. Não esquecer também aquela parte de Portugal ser um grande exportador de vinho.

      Bom sábado, Fatyly :)


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    2. Apercebi-me que esta parte da minha resposta pode dar azo a alguma confusão: "Aliás, porque o vinho tinto quando bebido com moderação, diz quem sabe do que fala, não faz mal, antes pelo contrário".

      Não sou eu que o digo, é quem realmente é entendido na matéria.

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  4. Senhora Dona Maria, permita-me o desaforo de me meter com a Senhora Dona 'TIR'.

    É Senhora Dona 'TIR', já conseguiste vislumbrar um imposto para o fado?. Eu explico. Atiras com um "FAD TAX" e eu fiquei na dúvida. Pois, também pode ser algo que tenha a ver com os táxis ... :)))

    Pronto, Senhora Dona Maria, já desestabilizei.

    Saudações amistosas :)))

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    1. Pronto, agora passei à categoria de vinho - Dona Maria é... um vinho :)))

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    2. Sempre a ser promovida :)))))

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    3. Alô, Alô pufffff toc-toc-toc...o som foi regulado

      Exmº. Senhor Observador que não deixa escapar uma, com a explicação da Dona Maria:))) já vi o erro, mas vamos lá porque não deixo ninguém sem resposta. Só gosto de alguns fados e de alguns fadistas, mas preferia que a muitos táxis mais que gordurosos...sebosos FAD deveriam levar com um TAX sim senhora:)))) Tu com dúvidas no que escrevo hummm...pois leva a campainha que eu levo a bicicleta:)))(querias o contrário né? Pois não levas:))))

      Maria
      Sim agora só são os refrigerantes e claro que compete aos pais o doseamento de tudo para que os filhos cresçam mais saudáveis.

      Mas ver um cabaz mensal dado a famílias carenciadas...é tudo menos "saudável" e aqui não direi mais nada porque fico fora de mim:)

      Também só bebo Coca-Cola em dias de festa:)

      Falei do vinho porque desconhecia que não era taxado. Sim há recomendações médicas sobretudo para os mais velhos uma pequena dose ao almoço porque faz muito bem.

      Resumindo...tudo o que é demais faz mal e portanto há que saber e conhecer bem a reacção do nosso organismo e o que me faz bem a mim poderá fazer bem mal a outro.

      Saio daqui a rir e agora vou dar uma volta a pé para soltar as pernas. Está vento e vai fazer-me bem levar com ele nas trombas para aliviar o stresssiiii de ontem com os netos, filhas e genros e com a minha mãe que...enfim nem dá para falar!

      Inté...e volto mais logo para dar continuidade à leitura:)


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    4. Os mais novos também o podem beber, falo do vinho tinto. Mais novos em estado adulto, obviamente. Desde que sem exageros.

      Bom passeio, Fatyly :)

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