terça-feira, 18 de outubro de 2016

Maria também se junta à Fertagus e pergunta por que raio é que as pessoas não tomam o pequeno-almoço antes de entrar no comboio? (e antes de entrar no trabalho, já agora)

Vou entrar no assunto em modo devagar e entretanto acelero um pouco o passo. Ponho logo de parte as pessoas que, infelizmente, pouco ou nada têm em casa para que possam começar o dia com uma refeição que lhes permita encará-lo com outra força, outro ânimo. Estas pessoas não tomam o pequeno-almoço não porque não querem, não o tomam porque não podem. E isto sim, faz toda a diferença e é grave.

Agora acelero um pouco o passo como prometido. Vou concentrar-me em modas e em modos de vida que em nada abonam a favor dos próprios, tão pouco daqueles que com eles são obrigados a conviver diariamente. Falo das pessoas que dizem não tomar o pequeno-almoço para não engordar. Outras porque se levantam no último minuto e vivem sempre atrasadas. Outras porque dizem ficar maldispostas por comer alguma coisa tão cedo. Outras porque gostam de tomar o pequeno-almoço na rua e enquanto entram e não entram numa pastelaria dá-lhes uma coisinha má. Outras deve ser, quase de certeza, para não sujar o frigorífico com iogurtes, sumos, queijos, fiambre de frango ou de peru - que é sempre mais saudável - embora para muitos aquilo tenha de ser de porco e é deixá-los lá a comer o que bem entendem.

Acelerando ainda um pouco mais e sabendo que até hoje sou obrigada a conviver com colegas de trabalho que ao entrar de manhã, entram com um feitio absolutamente intragável, que temos que levar com eles quer queiramos, quer não, isto porque ainda não comeram nada, ainda não beberam o seu cafézinho bem quentinho e tal, pergunto, se não é possível fazer também uma qualquer campanha de sensibilização igual à da Fertagus que apela a que as pessoas tomem o pequeno-almoço de  modo a evitar, no caso da Fertagus "atrasos em cadeia e carruagens sobrelotadas". E, no caso daqueles que, como eu, têm que aturar gente que nos estraga o dia logo pela manhã. Ter um feitio intragável de quando em vez até que é comestível, todos o temos, ter um feitio intragável todas as manhãs durante 365 dias e infernizar a vida de outros deveria pagar taxa. Olha que boa ideia, a ver se falo com as senhoras do Bloco de Esquerda...

(na falta de comboios, uma pessoa pode sempre ir a nado)

6 comentários :

  1. Isto tem 'pano para mangas' mas, com a temperatura a baixar, esqueçamo-las (às mangas).

    Será apenas na Fertagus que sucedem episódios desses? Não mas o marketing, quando nasceu, não foi para todos.
    Há muita gente sem capacidade financeira para não satisfazer as necessidades alimentares? Ó se há! Nem conseguimos imaginar quanta.
    Será que eu disse alguma coisa de jeito? Não sei não, isto por aqui não anda bem mas ... adiante.

    Acho que "as senhoras do Bloco de Esquerda" tomam o pequeno almoço a tempo e horas :)

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    1. Deixo-lhe aqui um excerto da notícia que saiu no DN só para nos apercebermos das consequências de tudo isto (ali no texto também tem um link da SIC Notícias).

      By DN:
      "Viajar sem tomar o pequeno-almoço pode afetar a viagem de todos, diz a Fertagus, empresa que detém a concessão do serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal, com passagem na ponte 25 de Abril. Por isso, deu hoje início a uma campanha contra o jejum. De acordo com a edição de hoje do jornal Público, a empresa avançou com esta campanha na sequência dos desmaios que ocorreram durante viagens, por falta de pequeno-almoço, e que levaram a atrasos na circulação dos comboios. Só no primeiro semestre deste ano, registaram-se 46 episódios de "doença súbita", que prejudicaram a pontualidade de 51 comboios num total de 209 minutos, avança a publicação."

      Dividi o texto em dois, como se deve ter apercebido, num coloquei as pessoas que não podem tomar o pequeno almoço porque as tais condições financeiras não ajudam, e as outras. São as tais outras que me aborrecem. E de que maneira.

      Não sei se concordo na parte em que diz que as senhoras do BE "tomam o pequeno-almoço a tempo e horas". Pelo que nos é dado a ver ultimamente existe uma provável e drástica insuficiência de vitamina C logo pela manhã :)

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    2. Acho que vou passar a simular um desmaio nos transportes, públicos e privados. A FERTAGUS é privada, certo?
      É que assim, tenho direito a pequeno almoço à borlix.

      Maria fará o favor de passar lá pelo meu palacete. Só naquela de perceber o que se está a passar.

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    3. Vamos simplificar a coisa. A Fertagus é um comboio que transporta pessoas para o trabalho e não só. Eu gosto de comboios. Também gosto muito daquilo da pontualidade. E desde que me lembro que tomo o pequeno-almoço em casa. Sempre. Com isso poupo para passar uma semana no Algarve sem ser à "borlix". E é isto :)

      (desde que as maçãs e os iogurtes que a Fertagus pretende distribuir sejam apenas para quem tem problemas financeiros, não me parece mal, antes pelo contrário, antes isso que desperdiçar comida como se vê por aí)

      (passarei sim senhor)

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  2. Poderá haver imensos argumentos para o assunto e falando da linha de Sintra eu e os meus nunca saímos de casa de estômago vazio. Basta ver como ficam os cafés mal chega um comboio e ou no serviço, picam o ponto e saem para ir tomar o pequeno almoço.

    Mas Maria há um factor ainda mais notório que ainda hoje é uma constante: Nos hospitais, centros de saúde e afins mandam fazer exames por exemplo no IPO, No Egas Moniz...porque aqui não fazem e quem os faz cobram ouro. Quanto têm de ir em jejum? Ainda agora uma vizinha minha foi (Deus permita que não seja nada de grave) e perguntei-lhe se queria tomar um café...não amiga tenho de ir em jejum. São às centenas.

    Enfim...tudo isto daria pano para mangas

    Um bom dia

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    1. Pois aí é que está, sair de casa como a Fatyly escreveu, de estômago vazio, pode dar mau resultado. Desmaios, por exemplo. O mau feitio também aumenta e de que forma. A falta de ânimo, de energia. Isto anda tudo ligado e as pessoas ainda não perceberam que o facto de não se sair para a rua em jejum ajuda e muito. Ajuda-as e ao mesmo ajuda os outros que têm que conviver com elas. Só que esta segunda parte, como é óbvio, não é assim tão importante para a maioria. Os outros pouco ou nada interessam. Enfim.

      Mas esses casos de que a Fatyly falou, ter que fazer algum exame, são casos pontuais, não é prática diária. Diria que não pode ser ligado a este mau hábito de não se tomar o pequeno-almoço nunca.

      Tenha também um bom dia, Fatyly.

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