segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dias em que me ponho a praticar aquele exercício de pensar. Dias esses muito raros, convenhamos (falemos de pais e filhos)

De quando em vez apercebo-me de uns vizinhos, que não são meus, são do mundo e de quem os apanhou, que, dizia eu em relação a esses vizinhos, têm filhos ainda naquela idade de serem muito pequenos para enfrentar o mundo sem ser debaixo da asa dos pais que têm como obrigação, protegê-los. Até aqui tudo bem, no entanto faz-me alguma confusão que sempre que saem com os filhos pequenos e calha eu estar em casa, vejo que colam o carro mesmo à porta - que tem como função fazer-nos sair de casa - de forma a que os filhos não apanhem nem um nico de frio, de chuva, de vento. Nesses momentos dou comigo a pensar se esta gente pequena, educada desta forma, estará um dia preparada para lidar com as intempéries da vida?! Se é esta gente pequena que um dia será grande e pode, eventualmente, ter nas suas mãos o leme de um país? 

Parece que o mundo anda meio desatinado, por um lado temos mães que atiram filhos ao mar com a intenção de que o mar lhes roube a vida. Aos filhos. E por outro temos pais que não deixam, sequer, os filhos sentir o aroma do mar, roubando-lhes a vida em forma de cheiros bons. É, de alguma forma, uma outra forma de lhes roubar algo. A vida. Também.

2 comentários :

  1. Convém pensar. O que é conveniente é não abusar. Além do ruído, atrofia os neurónios.

    A super protecção nunca fez bem a ninguém. Ter cuidados é uma coisa, salutar por acaso. Prevenir é outra, também salutar e por isso a ter em conta.
    Nenhum destes exercícios rima com protecção exagerada.

    O último parágrafo do seu texto diz exactamente o que penso e, mais que isso, corresponde a uma realidade impossível de ignorar.

    Bom tema para uma segunda feira.

    CARA MARIA - as maiúsculas são intencionais - tenha uma boa semana e aceite um beijinho :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois aí é que está, a tal da super protecção nos dias que correm não está a preparar os mais pequenos para um mundo que se avizinha bem agreste. Se neste momento o nível de dureza já está alto, imagino no futuro de gente pequena que neste momento está abaixo dos 10 anos.

      Ter cuidados com os filhos é a obrigação de qualquer pai/mãe. Ter cuidados exagerados é prejudicial, isto na minha opinião. As crianças estão a ser habituadas a conhecer apenas o chão do carro dos pais, pavimento que é bom, o andar na rua com os pais, apanhar alguma chuva, vento, frio, está a ser-lhes negado. Onde é que isto ajuda a "endurecer" uma criança para quando, por exemplo, for para o ensino preparatório-secundário/universitário? Será (pergunto eu) que a história séria do bullying não está directamente ligada a tudo isto? Será que a super protecção não deixa as crianças mais fracas e sem conseguir defender-se? Tudo perguntas para as quais não tenho resposta, mas que me deixam a pensar, e muito, admito.
      ...

      (a gritar comigo - aquilo das maiúsculas são gritos em linguagem virtual, eu sei que sabe - logo numa segunda-feira? isto está bonito está ;)

      Beijinho e tenha também uma boa semana.

      Eliminar