sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Catarina Beato diz que "dar de mamar é uma decisão íntima" e eu fiquei um pouco perplexa com a palavra íntima naquele contexto

Decidi de forma adulta e muito compenetrada consultar o dicionário. Escrevi pausadamente a palavra í-n-t-i-m-a, o dicionário ripostou-me com o adjectivo íntimo, embora não existisse motivo para ripostar, mas o dicionário lá saberá se me deve atacar quando eu nem sequer o ataquei. Coisas de dicionários. E de pessoas. Pessoas daquelas que dizem ser a favor da amamentação em público e se alguém diz que é contra cai o Carmo e a Trindade. Até tenho receio de visitar o dicionário para saber o significado de Trindade, não vá o Carmo cair-me em cima. O Carmo deve ser pesado "p'ra xuxu".

Entretanto continuei a ler Catarina e parei na parte em que escreve "mamífera consciente". Hesitei por um momento. Os meus dedos, teimosos, queriam porque queriam digitar m-a-m-í-f-e-r-a. Não lhes dei qualquer hipótese.

...
(a amamentação em público será sempre um assunto capaz de incendiar a pátria de cada um, e como de pátrias está o mundo cheio, lá teremos que respeitar a forma de estar de cada qual, ainda que eu continue a matutar na palavra íntima, vá-se lá saber porquê).

4 comentários :

  1. E pronto, mais um 'case study'!
    Sinto os meus neurónios a fazer faísca só pela expressão "mamífera consciente".
    O que quererá dizer esta pérola da escrita de Catarina, Beato de apelido?
    Não é por nada, ou será, mas estou convencido de que isto tem a ver com feminismos.
    Siga pelos seus dedos, Maria e espreite com os seus olhos este link:
    http://actacientifica.servicioit.cl/biblioteca/gt/GT11/GT11_MarquesM.pdf

    Ahhhh, os dicionários já não são o que eram ;)
    Beijinho

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    1. Também emperrei um pouco nessa expressão, admito. Nunca tinha ouvido tal coisa. Mas eu também não costumo ler Catarina Beato, fi-lo porque um dia destes deparei-me com um programa onde costuma colaborar como comentadora e vai daí fui ler umas coisas no seu blog (seu... dela).

      Este tema da amamentação em público é um tema que ao contrário do que muita gente diz, não o acho delicado, antes pelo contrário. Eu, pelo meu lado, não gosto de fundamentalismos, sempre que oiço uma mulher que é acérrima defensora da amamentação, fico de pé atrás. E porquê? Lá está, porque fundamentalismos nada me dizem.

      No dia em que assisti ao vivo e a cores a um episódio num autocarro da carris, episódio esse que envolvia uma mulher a amamentar o seu bebé, um homem de aspecto seboso, sujo, de unhas que não viam água para lá de muitos anos, de palito na boca e que não tirava os olhos daquele momento entre mãe e filho (e o resto do mundo que ali se encontrava, incluindo o homem de mau aspecto), nesse momento tive a certeza que se um dia tivesse filhos nunca o faria em público, ou a fazer iria para um local mais reservado e faria aquilo que vejo muitas mães fazer, mães de várias faixas etárias, o gesto de colocar uma fralda, um lenço, por cima, de forma a tornar o momento na tal coisa que se pode designar de íntimo, momentos que só à mãe e ao bebé pertencem. Momentos que não devem, na minha opinião, obviamente, serem partilhados com olhares menos limpos, como foi o daquele homem de aspecto seboso. E é isto.

      (espreitei rapidamente o link, parece-me interessante, tenho que o ler com calma, obrigada)

      Beijinho para si também.

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  2. Depois de ler e reler o texto não vejo mal algum que tenha usado "Mamífera consciente", porque foi e é mamífera que actuará mais consciente. Inseri tal expressão entre o espaço/tempo que deu de mamar ao filho - 3 anos e tal já é mais tipo de guloseima - e da actual bebé que tem agora. Melhor dizendo já com experiência irá contra tudo e contra todos no que toca a dar de mamar em público ou privado e até quando a pequenita quiser, mesmo que seja considerado "guloseima".

    Vejo muitas mães darem de mamar em público. A maioria tapa com uma fralda, outras fazem-no sem ela e completamente indiferente a quem olhe e ou critique.

    Na minha terra ainda hoje é...sacar da mama e toma lá sem toda esta panóplia de "faz bem, faz mal, é assim, é assado". Vejo por aqui algumas "patrícias minhas" com os pequeninos nas costas, começam a berrar, giram para a frente e lá vai o biberon sempre cheio e quentinho.

    Nada é complicado, nós - eu não porque já não dou de mamar e oxalá que não me surja mais nenhum neto - é que complicamos tudo!:)

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    1. Não tem mal algum, Fatyly, o facto de a autora ter escrito "mamífera consciente", apenas gosto mais da palavra mãe, acho uma palavra única e indestrutível. Substitui-la desta forma, pareceu--me rude, mas cada um usará a linguagem que bem entender, nada de criticas destrutivas, esse não foi o objectivo deste post. Aliás, o link que o senhor que gosta de Observar aqui deixou pode explicar de alguma forma o uso da palavra mamífera por parte das feministas. Não sou feminista, compreendo o movimento feminista se defendido sem aquilo dos fundamentalismos assoberbados, e se defendido com conhecimentos profundos de tudo o que se defende, não compreendo o feminismo como uma moda, coisa que me parece acontecer em muitos casos.

      Para mim o momento da amamentação é um momento entre mãe e filho. Apenas. Por isso é que acho que não deve ser partilhado com todo o mundo. Talvez tenha a ver com a personalidade da mulher, talvez uma mulher mais extrovertida o faça sem sequer se importar com a envolvência,. Se for uma mulher mais discreta, mais concentrada em separar o mundo lá de fora do seu mundo privado, mundo esse onde só entra a família, os amigos e alguns conhecidos, essa, duvido que o consiga fazer na rua, de ânimo leve, digamos assim. Mães que amamentam em espaços públicos são livres de o fazer, quem somos nós para apontar o dedo, agora, uma opinião é sempre válida, ainda que seja na onda daquilo do vale o que vale. Dizem que "a nossa liberdade termina onde começa a liberdade do outro", esta expressão dava pano para mangas. Muito pano e muitas mangas.

      Fatyly, viver numa grande cidade, não é a mesma coisa do que viver numa localidade pequena. As diferenças são abismais. Existe demasiado lixo nas grandes cidades.

      Tenha um óptimo sábado :)

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