segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A linguagem dos taxistas é exactamente igual à linguagem de muitos cidadãos que não são taxistas...

... portanto nada a temer. Acredito que essas pessoas não se indignarão, não ficarão em estado de choque se ouvirem coisas como "filho da put@, anda cá fora filho da put@, seu grande corn#" (ouvi há pouco nas notícias um taxista a gritar desta forma). As pessoas que não exercendo a profissão também usam este tipo de linguagem no seu dia-a-dia estão a favor que os taxistas não mudem. Presumo. Espero estar a presumir bem só naquela de existir uma ligação saudável entre todos aqueles que partilham a mesma forma de estar na vida. Seria inaceitável o contrário. Tenho para mim que só podemos exigir melhor, quando a nossa forma de estar na vida é diferente daquela que criticamos. A não ser assim é apenas hipócrita qualquer opinião.

Adiante que o pssssst chama por mim...

Se por um lado concordo que as pessoas devem lutar pelos seus direitos, por regras iguais no exercício da sua actividade, por outro não se entende que muitos taxistas não percebam que têm muito a melhorar na parte da formação cívica. Que a concorrência deve, obrigatoriamente, existir em qualquer sector. Acredito que ninguém esteja a favor de favorecimentos, as regras devem ser iguais para todos, só que a partir do momento em que um taxista é mal formado, em que a linguagem é reles, palpita-me que a concorrência já ganhou. 


6 comentários :

  1. O que se está a passar hoje em Lisboa, é uma sujeira. As diversas incursões já registadas a nível de violência, pelos taxistas, demonstram claramente com quem estamos a lidar.
    Não tenho dúvida, nem por um instante, que vários dos taxistas em serviço não sejam adeptos deste tipo de acção/reacção. Só que a esmagadora maioria abafa os bem intencionados.
    Esta classe profissional tem, como todas as outras, o direito de lutar pelos seus direitos. É inegável. Mas não é por esta forma, muito pior quando se passa da marcha lenta à agressão (verbal e física) como aconteceu hoje mais que uma vez.
    Florêncio Almeida, presidente da ANTRAL, é um lança chamas. Longe de exercer a sua função, prefere deitar achas na fogueira já de si com labaredas altas.

    A concorrência há muito está a ganhar, sendo essa uma das causas da 'raivinha de dentes' dos homens do táxi.
    A Cabify, outra plataforma, esfrega as mãos de contente.

    Boa semana, Maria. Um beijinho.

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    1. Vivemos num Estado Democrático, e vivendo num Estado Democrático as pessoas podem manifestar-se, protestar, se assim acharem por bem. Desde que a coisa seja feita de forma pacífica, obviamente. E é aqui que entra a tal parte do civismo ou a falta dele. Nesta parte, infelizmente, os taxistas (pelo menos alguns, não vamos sacrificar toda a classe) não ficam bem na fotografia. É um facto.

      O que acho é que deveria existir um debate a sério em que se informasse as pessoas de forma transparente. Ou seja, colocar em cima da mesa benefícios/desvantagens de todos aqueles que têm como profissão transportar pessoas. Cruzar dados.

      O engraçado é que as pessoas só estão focadas na parte de regularizar/regular, parece não existir preocupação alguma com a parte da falta de formação por parte de alguns taxistas, com a linguagem que por vezes roça o reles e não é pouco, com alguma agressividade, com provocações que podem levar a conflitos graves. Não ouvi, até agora, nenhum jornalista perguntar a um taxista se acha que a sua forma de lidar com os clientes é correcta. Deve ser porque não é importante.

      Convém sublinhar que não acredito que as pessoas queiram deixar os taxistas na miséria, sem trabalho, acredito é que muitos querem a mudança que já peca por tardia. É uma questão de se adaptarem aos tempos modernos, de serem bem formados, e a coisa só pode correr bem. E com certeza que os direitos/regras têm que ser iguais para todos. Taxistas, Uber e Cabify podem e devem trabalhar para o mesmo fim. O fim de bem servir clientes que pagam pelos seus serviços. A concorrência é amiga dos clientes.

      Beijinho e boa semana para si também.

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    2. Concordo. As regras devem ser iguais para todos. Regras que naturalmente incluem direitos e deveres.
      Os taxistas só falam em direitos.
      Tenho estado a acompanhar a manifestação e, sinceramente, sinto-me envergonhado.

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    3. Tenho para mim que uma grande parte dos taxistas pertencem à velha guarda e vai daí este não saber lidar com mudanças. A concorrência assusta-os. Tenho fé na entrada de gente mais nova e com outro tipo de mentalidade. Talvez os filhos (aqueles que querem seguir a mesma profissão) consigam dar uma lufada de ar fresco à classe dos taxistas.

      É preciso ter em conta que o mesmo tipo de protesto já aconteceu em outras capitais europeias. Taxistas contra a entrada da Uber. Não é um exclusivo dos taxistas portugueses.

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  2. Quando a meio da tarde ligo a televisão e vi o que ouvi e a agressividade verbal etc, etc, contra uma autoridade, fiquei estupefacta pelo falta de civismo, educação e sobretudo postura. Não sou contra as manifestações, mas aquilo foi tudo menos manifestação.

    Tive de sair de novo e ao passar pela praça de táxis vi que os poucos que ficaram, quase todos jovens tiveram muito trabalho e lá está...carros limpos, impecáveis, educados e simpáticos. Reparei que um deles até saiu do carro e abriu a porta a um senhor já muito velhote.

    Nem sequer pensaram que estas imagens irão percorrer o mundo, porque agora está tudo à distância de um clik.

    Manifestarem-se, sim, mas prejudicarem a vida a centenas ou milhares de pessoas, não!

    Um bom serão

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    1. Fatyly, penso que a imagem fatal para os taxistas foi aquela em que se vê alguns a cercar um carro da Uber. Foi um momento que lhes retirou toda e qualquer razão, por muito que tenham o direito de se manifestar. Passou muita agressividade. Taxistas a abanar o carro da Uber com violência, com murros nos vidros e pontapés nas portas, foi inqualificável. Eu que até tento perceber quer um lado quer o outro, fiquei boquiaberta. Provavelmente fizeram com que mais meia dúzias de pessoas se mudem para a Uber. A inteligência faz tanta falta em determinados momentos. A impulsividade não é, não deve ser, aliada de quem quer que seja. Perderam. Nada a fazer.

      Tenha uma boa noite.

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