sábado, 3 de setembro de 2016

Poker Face (penso eu de que...)

Breve história baseada em factos que, asseguro, são verídicos e que já duram há demasiado tempo. A paciência armazenada esgotou-se. 

Postura da criatura-homem-casado que ainda não entrou em modo poker face:
  • Sempre que passa por mim, se se der o caso de ir de carro, buzina para me chamar a atenção e acena-me como se fôssemos amigos íntimos, que não somos. Mal o conheço.
  • Sempre que calha a passar por mim, sem ser de carro, cumprimenta-me e faz um sorriso largo como se fôssemos amigos íntimos, que não somos. Continuo a mal o conhecer.

Postura da criatura-homem-casado que entrou em modo poker face:
  • Sempre que passa por mim, se se der o caso de ir de carro acompanhado pela mulher, olha para o outro lado da estrada como se não me conhecesse de lado algum. Ainda bem que mal o conheço.
  • Sempre que calha a passar por mim, sem ser de carro mas, a pé, ao lado da mulher, não me cumprimenta e finge não me conhecer. Ainda bem que continuo a mal o conhecer.

Eu, sempre que passo por ele seja em que modo for, a pé ou de carro, dá-me ganas de o desmascarar. Isto de homens casados com duas caras, uma delas sempre maquilhada de poker face, desejando saltar para cima de outra, mas que ao lado da mulher se fazem de homens de família, exemplares que só eles, é coisinha para me revoltar as entranhas.  Um dia destes a agitação visceral vai ser tanta que o mundo dele é capaz de abanar. Se são necessários dois para dançar o tango (dizem, que eu cá não me meto em danças alheias), se calhar está na altura de o ensinar a dançar hip-hop. 

Que tal num futuro próximo ser-nos dada a possibilidade de escolher os vizinhos da mesma forma como escolhemos a manteiga quando vamos ao supermercado? Manteiga de origem criatura-homem-duvidosa-e-rançosa, passo. 

14 comentários :

  1. É Maria, vizinhos assim irritam e muito. Mas os vizinhos não se escolhem.
    Abraço e bom Domingo

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    1. Elvira, homens com este tipo de joguinho, existem muitos, não estou é preparada para ter esta criatura rançosa a morar na minha rua. Cúm raio! (perdoe-me a expressão).

      Abraço e tenha também um bom domingo.

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  2. Olá, Maria :)
    Eu peço desculpa por estar a usar este post para contar algo que se passou comigo. Óbvio que acho que esse senhordeve ser uma criatura execrável! Há coisa de uns dois meses, talvez nem tanto, foi pouco tempo antes de entrar de férias, numa manhã igual a esta... Uma manhã de Domingo, por volta das 11:30... Ouvi a campainha. Acho que desde que cá cheguei, em Dezembro, só quem me tocou a campainha foram três pessoas... ou três entidades, só uma é realmente a mesma pessoa, a minha vizinha de cima, que às vezes até me oferece coisas que tem em excesso e vem trazer-me, ou perguntar alguma coisa... Então, só quem me toca a campainha ou é ela, ou as testemunhas de Jeová, ou os comerciais das telecomunicações
    .. Já vieram duas ou três amigas vizitar-me, mas ligam a dizer que estão a chegar e eu vou à janela, ou mesmo recebê-las lá abaixo... Então pensei que ou era a minha vizinha ou as testemunhas de Jeová, pois provavelmente não seriam os comerciais de telecomunicações a um domingo de manhã... Não espreitei pelo olho, abri logo e... Deparei-me com um homem dos seus 70 e muitos / 80 e poucos anos... Que me lembrasse, nunca tinha visto aquela cara... Disse "Bom dia, faz favor..."...." Não me está a conhecer? ".... " Hum... Não... Desculpe, mas não estou a ver quem é... ".... O homem apontou para o outro prédio, idêntico ao meu, do outro lado do estacionamento "Sou o vizinho além da frente..."... Eu então sorri e mostrei simpatia "Ah, desculpe, são tantos vizinhos, ainda não fixei as caras... Diga lá..."... E sorri e mostrei simpatia porquê? Porque pensei que, sendo um vizinho do prédio em frente (ou ao lado, depende da perspectiva), viria perguntar alguma coisa do tipo, se tinha encontrado alguma coisa no chão, que tivesse perdido, ou algum animal desaparecido, ou mesmo se tinha visto alguém, uma coisa assim... São coisas que acontecem nos bairros (aliás, poucos dias depois, veio um adolescente com uma senhora de uns 60 amos perguntar se tinha visto um gatinho amarelo, que tinha desaparecido)... Pensei numa coisa assim, por isso sorri e mostrei simpatia... Quando o homem me diz "Vinha perguntar se estaria interessada em ir comer comigo hoje"... Eu mudei completamente de expressão "Eu? Ei não!!"..."Ah, pronto, pensei que estivesse... Eu observo-a muito pela janela, sei que mora sozinha..."...." Desculpe, mas não... Com licença! "... E fechei a porta...

    Não gostei mesmo nada da atitude!!! Nada mesmo!!! Que atrevimento!! Sem me conhecer de lado nenhum (tanto que eu não o reconheci)... E ainda tive que ouvir de uma psicóloga que fiz mal, pois é uma pessoa idosa, se calhar só queria companhia... Eh pah... Não gostei nada da atitude!! Pareceu-me mesmo que as intenções não eram nada, mas mesmo nada boas!! Pelo menos, segundo os meus valores... Já ouvi contar muitas coisas, algumas sei mesmo que são verdade, pois são pessoas que conheço...

    Fiquei muito aborrecida e, a partir daí já não ando muito à vontade na minha cozinha, porque é dessa janela que o velho me vê...

    Há cada uma!!!

    Abraço :). Bom domingo :)

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    1. Olá São,

      O estranho nisto tudo é que qualquer um acharia que este tipo de postura é bem capaz de ser própria de homens mais velhos, só que não é o caso, ele não terá mais de 40 anos, um homem relativamente novo, portanto. Não se entende que saiba que eu até falo com a mulher, com os filhos pequenos (que são uma delícia, quer a menina, quer o menino) e que mesmo assim se comporte desta forma quando sabe que a mulher não está por perto. Por um lado é a visão de um pai de família exemplar e, por outro, tenta enganar a mulher à força toda... nas barbas dela. Isto é muito triste. Mal sabe ela o que tem em casa... Entretanto muitos dizem que são as outras mulheres as culpadas. Culpadas de quê?1? De caminhar na rua? Ó pá, temos que começar a pedir desculpa por existir. Deve ser isso, deve.

      Esse episódio que a São conta é, no mínimo, surreal. Tocou aí num ponto que me parece revelador de uma mentalidade lá de outros tempos, mas que, vai-se a ver, e talvez não. A partir do momento em que uma mulher vive sozinha, em que não se conhece marido, namorado, na cabeça de muitos homens aquilo é presa fácil, deve precisar de um homem para lhe fazer companhia, deve estar a precisar de... outras coisas. E atacam de várias formas. Insinuações. Bocas descaradas. E por aí fora. Eu, que sempre tive a mania da independência, que sempre gostei de viver sozinha, sei muito bem o que isso é. Estamos em pleno séc.XXI, mas isso de mulheres independentes e que assumem não querer um homem ao lado, continua a não ser muito bem visto por alguns. Mulher que é mulher tem que ter um homem ao lado para tomar conta dela - como disse uma vizinha ao meu pai um dia destes em relação a mim, sorte a dessa vizinha eu não estar por perto, bem gostaria de lhe ter ensinado a mudar lâmpadas, por incrível que pareça sei mudar uma lâmpada sozinha, não preciso de um homem nem nada... Yeah! Palmas para mim. Pfffffff

      Tem a certeza que essa psicóloga não tirou a licenciatura na mesma universidade de Miguel Relvas?! Se calhar também deveriam anular a dita licenciatura à senhora "dótora". Não deve valer nada, mesmo.

      Ponha uns estores daqueles interiores na janela da cozinha. Assim pode ter a janela aberta, entra luz, sol (se quiser) e pode andar à vontade. Até deixa a cozinha muito mais confortável e gira. Existem baratinhos em qualquer loja de decoração. Comprei uns no Leroy Merlin em promoção, são de madeira, com um ar clean, na hora de maior calor deixo-os corridos e é sentir a cozinha fresca.

      Bom domingo para si também, São. Abraço :)

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    2. Eu acho que é isso tudo o que a Maria disse, mas mais ainda... Um homem daquela idade que se aproxima de uma mulher com idade mais que suficiente para ser sua filha (como lhe disse, o fulano devia ter à volta dos 80), com aquela segurança toda, deve pensar que se trata de uma mulher que, acima de tudo, precisa de dinheiro e, então... Há reformas baixas, mas também as há razoavelmente altas... E tenho ouvido falar muito ultimamente nas novas "teudas e manteúdas"... Mulheres novas, com poucos recursos, que são sustentadas por homens mais velhos, que as " ajudam".. Aliás, conheço um caso concreto. A mulher em questão é minha conhecida e não nega que tem "um senhor que a ajuda"... Eu acho isso tão, mas tão nojento que até me dá náuseas só de imaginar...

      Essa psicóloga não pode ser ingénua, por muito burra que seja, portanto ou se estava a fingir ou pensa que eu é que sou ingénua... Um homem bate à porta de uma mulher que não o conhece, convida-a para comer e... Só quer conversar porque está sozinho?? Será que a psicóloga pensa que acredito nessa hipótese? A sério? Mas eu terei ar de ser tão burra??

      No caso da Maria, eu acho que já tinha dito alguma coisa ao fulano!! Acho que já lhe tinha perguntado directamente o porquê das diferenças de tratamento quando a mulher está e quando não está... Ou então, uma vez que fizesse isso, mandava-lhe um olhar daqueles que quase matam que, se continuasse não podia ser normal...

      Essa de uma mulher precisar de um homem que cuide dela a mjm dá-me vontade de rir... Quando tiver um homem ao meu lado foi só para me atrapalhar a vida... Acho quase impossível voltar a viver com um homem... Teria de ser alguém muito, mas mesmo muito especial para mim...

      Reparei com choque que lá acima escrevi "visitar" com z... A minha cabeça não pode estar normal...

      Um abraço :)

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    3. "um senhor que a ajuda". Isso quer dizer que o pagamento é em géneros, verdade? Verdade. Caramba, uma mulher precisa de ter um estômago muito forte para conseguir viver assim. Mas pronto, cada um saberá de si.

      São, ainda não disse nada porque não quero arranjar confusão. E ó se acho que daria muita confusão. Sou uma pessoa discreta por natureza. Não gosto deste tipo de coisas. No entanto ando um bocado nervosa com isto tudo, admito.

      Escreveu visitar com z? Ora, com tanto problema grave que está a acontecer em todo o mundo, não me parece que isso seja, neste momento, o supra-sumo dos erros :)

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    4. E este é um caso concreto que conheço... Ouço falar de mais... Ouço muito "Então, coitadas... Os novos não têm dinheiro, os velhos é que têm...elas dão o que eles querem, e eles dão o que elas precisam..." sinto asco quando ouço isto... Nojo... E notei na segurança com que o fulano falou que estava convencido que eu aceitaria o convite...

      Acho que foi porque estava com a palavra "vizinho" ma cabeça, porque todo o post está relacionado com (má) vizinhança... Mas não é desculpa para uma pessoa que deu aulas de Português... Enfim...

      Compreendo a sua posição... Mas chega às vezes um ponto em que a mais discreta das pessoas... Explode...

      Abraço e boa semana :)

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    5. Aquele seu primeiro parágrafo, São, dá muito que pensar. Ó se dá. Enfim.

      Abraço e boa semana também para si :)

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  3. Hoje acordei mal humorado. Saí de casa, para o café da manhã, entrei e sentei-me.
    Na mesa em frente, uma senhora. Linda, charmosa. Daquelas a quem não conseguimos deixar de lançar um olhar. A senhora, retribuiu o olhar e sorriu. Passados poucos minutos, levantou-se e saíu.
    Depois de bebido o café, dirijo-me ao balcão e deixo 60 cêntimos, o preço da 'bica'. Quando ma apresto para saír, o funcionário chama-me e diz que a senhora, a tal, tinha deixado o meu café pago.

    Em face do tema que Maria nos ofereceu hoje, gostava de perceber se a expressão da senhora, a tal, com sorriso e tudo, pode ser considerada como uma póker face. Até o meu olhar, aquele que começou as 'hostilidades'. Terá direito a ser considerado como a tal póker face?
    Não tinha um espelho disponível, por um lado, e por outro, não o fiz com intenção 'matadora'.

    Se Maria me esclarecer, prometo ficar grato.
    Tenha um domingo maravilhoso. Pode ser?
    Beijinho

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    1. Consultório de Maria, aberto.

      Das duas uma:
      1. Ou essa senhora linda e charmosa é a mulher do caro Observador e vai daí está a namoriscar consigo, o que eu acho a coisa mais linda de se ver. Vinte pontos, portanto.

      2. Ou é a alguma que se está a tirar a si descaradamente, vai daí o caro Observador aproveita a bica que já está paga e, faz-se à vida, não vá a senhora do sorriso mudar de ideias. Isto hoje em dia temos que aproveitar tudo, até quem nos pague bicas :))))

      O custo da explicação do que é Poker Face tem que ser adiantado. Com sorriso é mais caro, estou a avisar (eheheheh).

      Beijinho e tenha um óptimo domingo.

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    2. Aproveitando o horário de expediente do consultório de Maria:
      1. Não era a mulher do caro Observador. Vinte pontos a menos;
      2. A última que se atirou a mim mais ou menos descaradamente fê-lo de tal forma desajeitada que até o marido se meteu.

      Pagar/receber bicas, há formas bem mais interessantes e oportunas. Já me aconteceu e, imagine, numa altura em que estava impedido clinicamente de ingerir o que quer que fosse com cafeína.

      Isso do Póker face tem custos? Caramba, acho que vou bater a outra porta :)

      Continue bem, a caminho de segunda.
      Beijinho

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    3. Xiiiii,m o marido meteu-se? Bolas, bolas e mais bolas. Espero que não tenham atirado bolas uns aos outros :))))

      Beijinho, caro Observador. Tenha uma boa semana.

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  4. Há aqui algo que me escapa. O Sr.Póker sabe que falas com a mulher e filhos (comentário à São) e qual é a atitude dela para contigo quando passas pelos dois? Só ela é que te cumprimenta ou também não o faz?

    Ainda sem saber o que irás responder, pelo texto digo que há homens e homens, como há mulheres e mulheres. Quer uns e outros sabem perfeitamente quando "se fazem ao piso a ver se cola ou se escorregam".

    Também vivo sozinha e quantas vezes respondo ao cumprimento e não faço a mínima ideia quem seja. Não entro logo na onda de que se estão a fazer ao piso. Claro que já aconteceu mas aí Maria digo logo...alto e pára o baile não preciso de homem algum e se sei que é casado...ui, fujam da frente. Tudo porque fui bem enganada ó se fui...e não gosto de fazer a outras o que me fizeram a mim.

    Um sorriso, um olhar que até pode ser maroto, um acenar, uma buzinadela não paga imposto e há que não dramatizar atitudes que podem parecer o que de facto não é.

    Voltando ao Póken-face das duas uma:

    - Já viste que se anda a fazer ao piso e aí eu já lhe tinha dito alguma coisa e ou melhor...questionar...arma que deixa qualquer homem sem fala:)

    - Ou então pode estar sem qualquer ideia e descomprimir num aceno/cumprimento/buzinadela os ciúmes doentios da mulher porque as há e pomos sempre as culpas neles, quando muitas vezes são elas as maiores fomentadoras de discórdias.

    Para terminar...vejo ao longe um olhar masculino daqueles nojentos e babosos, percebes? Aí deixo-o à vontade que olhe...mas com uma certeza...não olho mais nenhuma vez para ele e continuo a minha vida!

    Para aligeirar a coisa lembrei-me das guerras entre os netos: Avó a ou o X está a fazer caretas. Como sabes? Ó avó porque olhei...ora bem, então deixa de olhar:)))

    Um resto de bom domingo



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    1. Fatyly, a criatura quando está junto da mulher (que me cumprimenta) nem sequer me olha de frente, faz de conta que lhe sou indiferente, quando me encontra sozinha na rua é buzinar, é acenar, é sorrisos e mais sorrisos, para bom entendedor meia palavra basta... Ou seja, é o tipo de homem dissimulado, que trai a mulher pela calada. Estou cansada deste tipo de homens. Não simpatizo propriamente com pessoas que se casam e entretanto querem o melhor dos dois mundos. Verticalidade implica optar. Quem não quer optar, é porque não é de confiança. E é isto. Sei que sou um pouco rígida nestas coisas, mas não peço desculpa por isso, não sei viver de outra forma.

      Fatyly, já fui casada, e se não pretendo voltar a casar por alguma razão muito forte é. Não pretendo aprofundar, mas se calhar dá para perceber.

      Boa semana, Fatyly :)

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