quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A cavaquear é que a gente se entende...

Numa conversa descontraída de um final de dia com muito calor, com um amigo, perguntava-me este o que é que eu menos gostava nas pessoas. Eu respondi de imediato, sem qualquer hesitação. O que eu menos gostava nas pessoas era o facto de quererem mais do que aquilo que realmente precisavam. Não foi uma resposta óbvia como se esperava. 

Antes de explicar resumidamente o que quis dizer com isto, devo antes de mais esclarecer que não sou de esquerda, nem tão pouco de direita, talvez seja necessário desmitificar de uma vez por todas isto de ser de esquerda e de direita, como se tudo tivesse a ver com as condições sociais de cada um. A meu ver não tem. E não tem porque uma boa condição financeira não indica necessariamente que alguém seja de direita, nem aqueles que vivem despojados de uma vida menos confortável são necessariamente de esquerda. Finda esta explicação à minha maneira, note-se o facto de ser à minha maneira, logo vale o que vale, e sendo assim vale tanto como qualquer outra que vá de encontro a esta.

Adiante a passos largos para a tal explicação.

Quando digo que o que menos gosto nas pessoas é o facto de quererem mais do que aquilo que realmente precisam, refiro-me à ganância. Não simpatizo especialmente com gente gananciosa, gente que está sempre à cata de lucro, que não lhes basta ter três casas, querem seis e não se sabe bem para quê. Que não lhes basta ter trinta pares de sapatos, querem sessenta e não se sabe bem para quê. Que não lhes basta ter quatro telemóveis, querem oito e não se sabe bem para quê. Que só têm uma cara, logo precisam de um só creme, vá. dois, um para o dia e outro para a noite, mas em cima da bancada da casa-de-banho têm quinze cremes e não se sabe bem para quê... Não entendo, talvez seja por ser fraca de entendimento. Se por acaso alguém argumentar que esta minha postura na vida tem a ver com inveja, eu responderia, também de imediato, que esse é o argumento mais óbvio que alguém pode ter. Logo, desinteressante e com pouco sumo. 

Não sei se já disse que não sou de esquerda, tão pouco de direita. Sou de pessoas e de causas. O que quer que isto queira dizer.

Antes de sair vou finalmente usar um palavrão neste blog. Já não era sem tempo! Vou ser aquilo de moderna e muito cool. Preparem-se. Aqui vai... Apartidária. É isso, sou apartidária. Ufa! Olha que bem que me soube dizer um palavrão...

6 comentários :

  1. Tenho a certeza de que não é preciso jurar para que a Maria acredite no que vou dizer. Isto porque temos opiniões quase gémeas.
    Tenho questionado várias vezes o que é isso de esquerda e direita. Refiro-me à política, convém reter.
    Também não sou uma pessoa de esquerda nem de direita, regendo-me igualmente pelas pessoas e pelas causas.
    Em eleições, o voto entra na urna devidamente preenchido mas, é bom dizer, nunca na mesma linha política. Nas autárquicas voto de uma forma, nas legislativas de outra, nas Europeias e nas Presidenciais depende dos camaradas - lá estão as pessoas - que se apresentem a sufrágio.

    Gente gananciosa passa-me ao lado e, se possível, longe. A ostentação, a que pode também chamar-se de sinais mais ou menos exteriores de riqueza, é coisa que não merece a mínima atenção.
    Gosto das pessoas que são o que mostram e que mostram o que são. Adoro a simplicidade, a solidariedade, a bondade e ... bem, para rimar, a electricidade (convém retirar a electricidade do contexto).
    Ahhhh, adoro pessoas que dizem o que pensam desde que não seja em modo besta. Para besta estou cá eu, às segundas feiras ;)

    Et voilà, Maria disse um palavrão! Eu sabia, mais dia menos dia, a coisa dava-se.

    E agora vou andando antes que chegue alguém que não tenha as características referidas.
    Eu sei que não somos todos iguais mas, vendo bem, há uns menos iguais que outros.

    Beijinho, sim?

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    1. Não é uma questão de acreditar ou não, é uma questão de pensar que somos adultos e não vejo razão para que as pessoas faltem à verdade. Alguns teimam em dizer que as pessoas nos blogs mentem, eu cá acho uma perfeita estupidez, a não ser que as pessoas estejam a falar, disfarçadamente, delas próprias e, vai daí, se mentem por norma, por que raio os outros não hão-de mentir também (?!) Os desconfiados, desconfiam até da própria sombra, é o que é.

      Não consigo identificar-me totalmente com as ideologias políticas, nem de direita, nem de esquerda. A maioria dos políticos confunde-me. Não os entendo, embora goste de ouvir política. Só que, quanto mais os oiço, mais baralhada fico. Entretanto as trezentas mil manipulações com que nos cozem, dão-me cabo da cabeça (não serão todos os políticos, penso eu...). Aliás, ando muito cansada de gente manipuladora. Cada vez se reproduzem mais. E são em todas as áreas. Não é só na área dos 760------ desta vida :))

      Ganância, ostentação, novo-riquismo, não são a minha praia. Gosto de pessoas que tendo uma boa condição financeira (não é pecado algum ser rico, desde que a coisa não cheire a sujo) são discretas. Obviamente que se percebe, quer se queira quer não, percebe-se, mas não ostentam de forma deliberada.

      "Adoro a simplicidade, a solidariedade, a bondade e ... bem, para rimar, a electricidade (convém retirar a electricidade do contexto)"... ahahahahahahah

      Estou muito orgulhosa de, finalmente, ter decidido dizer um palavrão. Sinto-me outra :))))))

      Beijinho para si também.

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  2. Tudo o que escrevo por este mundo de cabos e agora neste teu espaço é sempre a minha VERDADE, o que sinto, o que vivi, o que vejo e até o que não vejo. Sou como sou e não sei deixar de ser quem sou...frase que há muitos anos deixei escrito a alguém que me quis tramar a vida profissional e pessoal.

    Quando dizes: "Não simpatizo especialmente com gente gananciosa, gente que está sempre à cata de lucro," o que subscrevo totalmente e mesmo até familiares...ó...ó...ó...mas de imediato corto radicalmente. Tudo fazem para voltarem...mas batem numa parede de betão armado.

    Não sou de esquerda, mas era esquerdina e levei tantas, mas tantas na escola e quase sempre com a mão atada à carteira e tive de usar a direita. Liberta das amarras uso as duas o que também significa que não sou de direita. Já agora nem do centro porque há por aí uns centristas, mas como sou uma balança(calma nada de signos, porque o meu é aquário:) ) rebelde, pouco domável, ainda com neurónios muito meus a funcionar, perante "gentinha dessa" boto o meu motor de arranque e passo por eles sem conseguir vislumbrar e de janelas abertas para que o cheiro nauseabundo não se fixe.

    É o que sinto e em alturas certas como a ocorrida este ano é que se vê os genes de algumas personagens que para mim são apenas..."gentinha".

    Um abraço

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    1. Como já deu para a Fatyly perceber (espero eu que dê para perceber nos textos que escrevo) não sou dada a ostentações, a ganância é algo que me provoca urticária (aliás, esse foi também um dos motivos que levou ao meu divórcio, ele era (e é) extremamente ganancioso, eu gosto de qualidade, mas de discrição ao mesmo tempo. Ele precisava de sete casas com piscina e dez carros topo de gama, eu não preciso de tanta "tralha" à minha volta. Namorar nem sempre significa conhecer a outra pessoa, uma pessoa casa e começa a perceber que aquilo não tem nada a ver com ela e parte para outra Sei, este é o sonho de muitas mulheres, ter um homem deste género ao lado, o meu não é, para além disso homens destes não se ficam só por uma mulher, a ganância é em todos os sentidos... E é isto.

      Fatyly, eu respeito toda a gente independentemente das suas ideologias políticas. Tenho amigos de esquerda, de direita, do centro e da esquina mais ao lado também, por vezes as "discussões" são acesas, mas ninguém se insulta, trocam-se pontos de vista apenas.

      Receba também um abraço :)

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  3. Maria,
    Depois de ler, resumo assim: se todas as pessoas pensassem como a Maria (e não pensam, obviamente) o planeta Terra seria completamente viável. Se não existissem outras razões (e existem, pode crer...) bastava-me esta para gostar de si.

    Um beijinho :)

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    1. E uma pessoa não sabe o que escrever quando alguém do outro lado nos passa energia da boa, energia positiva, há quem ache que isso de energia positiva são balelas, eu acho que até nas letras escritas se sente a energia das pessoas, seja ele negativa, seja ela positiva.

      Obrigada, AC. Beijinho e um óptimo domingo :)

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