sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A bem dizer só volto em Setembro, no entanto decidi lançar este pequeno desafio...

...às pessoas desse lado que realmente queiram participar, algo que me parece positivo. A coisa consiste em atirar-se sem rede, rebuscar nas profundezas da memória o que a cada um mais chocou/indignou e, o que mais emocionou (aqui pela positiva), nos passados dois anos.

Temos esta pequena mania de reagir a quente em certos assuntos, passado algum tempo parece que nada aconteceu. Esta espécie de esfriamento fará parte destes tempos que se querem modernos? É um "despachar" o assunto porque existe um outro logo ali ao virar da esquina pronto a entrar? 

Por exemplo, falou-se até à exaustão da imagem de uma criança morta na areia da praia, partilhou-se a foto milhões de vezes e, de repente, nada. O vazio. Não mais se falou no assunto. Talvez tenha sido por isso que na altura resolvi não entrar nessa onda das "partilhas". Custa-me isso de preencher uma página só porque não existe nada mais entusiasmante ali à mão para a preencher. Preocupam-me estes dias feitos unicamente de entusiasmos momentâneos. Preocupa-me isto de se levantar imediatamente o smartphone para filmar um acidente, quando a preocupação imediata deveria socorrer. Já não nos lembramos de socorrer, mas lembramo-nos de publicar o mais rapidamente possível o que quer que seja. 

(Se calhar não deveria ter publicado este texto. Agora, já está.)

O desafio termina no próximo dia 01.Setembro. 

18 comentários :

  1. Nos últimos dois anos? Foram tantas as coisas que me chocaram. Desde logo, os ataques terroristas, o Ébola, o ferry que naufragou na Coreia, o avião abatido por míssil (russo, ou ucraniano?) a guerra na Síria, a tragédia em Mariana, os terramotos, sei lá foi tanta coisa. O que mais me emocionou nestes dois anos foi pessoal. A publicação do meu livro.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Elvira, admito que o terrorismo tem mexido muito comigo. O acto cobarde de matar pessoas inocentes em nome de algo que não compreendo, ultrapassa-me. Entretanto esta semana deu uma reportagem na SIC ("Escravas do séc.XXI") que me deixou a pensar que a parte do séc.XXI só pode ter sido engano. É impossível que alguém trate seres humanos de uma forma tão desumana. Pensava eu que era impossível, pelos vistos, não é.

      Tenha também um bom fim-de-semana. Um abraço.

      PS: Parabéns pela publicação do seu livro. Valham-nos os livros. Bom, valham-nos desde que não sejam livros de auto-ajuda, com esses tenho uma embirração daquelas nada aconselháveis.

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  2. Olha, olha, a Maria no seu melhor!
    É por estas, e por outras, como soi dizer-se, que gosto desta Maria.

    Vamos a isso, ao tal desafio.
    Da panóplia que nos é oferecida, de bandeja, ou sem ela, o que mais me chocou nestes últimos anos, para além dos desastres naturais, esses da acção/responsabilidade do homenzito mas de forma aparentemente menos directa (?!), dizia eu, o que mais me impressionou/impressiona é o problema dos refugiados. Quem, mas quem é que pode ficar indiferente a uma calamidade/tragédia humana daquela dimensão?

    Pela positiva? A criança portuguesa que, aquando do Europeu de futebol foi, de sua livre iniciativa, consolar o adepto francês que estava em pranto. Uma lufada de humanidade, uma lição dada por um ser humano que ainda não está contaminado com a "bondade" do homem no seu melhor.
    O homem - com letra bem minúscula - essa criatura que respira "bondade" por quantos poros tem, e tem muitos!

    E assim vai o mundo em que vivemos, um mundo recheado de gente boa - sim, o mundo também se recheia, assim ás camadas tipo bolo, só que este bem amargo - que vai da cor de rosa, a tal das revistas da mesma cor (só um parêntesis para dizer do meu apreço pelas ditas) até à que espalha maldade, esta numa gradação muito superior à citada atrás, uma maldade que cheira à morte que tudo arrasa e destrói.

    Tenho um óptimo fim-de-semana, Maria.
    Se esquecer o "bolo e as suas camadas" talvez consiga.

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    1. GL, quanto aos refugiados, o que consigo escrever é que ouvi por aí gente a dizer barbaridades das grandes. Ou seja, se existem pessoas que querem fechar as "portas" dos países a quem está desesperado, a quem acabou de perder tudo, talvez essas pessoas num futuro mereçam também que se lhes feche a porta quando precisarem de ajuda. Com certeza que acho que a entrada de refugiados tem que ser supervisionada, não é entrar à balda, digamos assim, mas daí a criar dificuldades a quem não tem para onde ir, é, no mínimo, de uma crueldade absurda. É a tal história de, para onde é que vamos quando não temos para onde ir?!

      A criança que refere - pela positiva - esteve bem, o problema nestes casos são sempre os adultos. Esperemos que não se estrague quando atingir o tal estado de adulto. Adulto, aquele que, segundo o dicionário, já atingiu todo o desenvolvimento, no entanto uma pessoa por vezes não percebe em que sentido é que foi esse desenvolvimento. Só pode ter sido no sentido do egoísmo, do individualismo. Chateia-me gente que só pensa no seu quintalinho e no seu umbiguinho, sítios esses que devem ter sujidade a rodos.

      Tenha uma óptima semana e obrigada pela sua participação nestes meus pequenos desafios que costumo "atirar" a quem está desse lado.

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  3. Antes de chegar à parte em que se escreve sobre ele, foi dele que me lembrei, dele, e agora do Omran, penso que será assim o seu nome.
    De positivo, os gestos de coragem e de boa-vontade, de sacrifício pelos outros, o do motociclista que tentou parar o camião em Nice, e os três bombeiros franceses que vieram ajudar a combater os incêndios cá em Portugal.

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    1. Gábi, não me surpreendeu que neste seu comentário existam mais letras todas encostadinhas umas às outras na parte positiva do que na parte negativa. Gostei desse facto. Temos sempre tendência a dar mais importância (não sei se importância será a palavra correcta) ao mau e quase nunca ao bom, parece que o que é bom não é merecedor do nosso tempo. Pois eu acho que é. Sem conseguirmos enxergar a tal vertente do bom, somos pessoas muito desequilibradas. Talvez seja esse desequilíbrio (a cegueira que nos mantém às escuras) em muita gente o responsável por fazer vítimas como essas duas crianças que refere. Infelizmente existem mais...

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  4. Maria, é bem verdade que a tendência é rumo ao esfriamento. Talvez seja uma forma de conseguir lidar ("digerir) tantos eventos negativos que se têm passado. Da minha parte, vou referir apenas momentos que mais me emocionaram pela positiva. Começo por algo mais recente. Os Jogos Olímpicos que tiveram muito mais momentos pela positiva do que o inverso. E aí emocionei-me com a atleta da Etiópia, Etenesh Diro, que perdeu a sua sapatilha e que com muito sacrifício correu descalça e terminou a prova sob intensos aplausos da plateia. O Júri premiou o seu esforço com a classificação para a fase seguinte, o que é uma daquelas provas de que a Humanidade (bolas, isso é tão bom!!) não está perdida.
    Emocionou-me também a ida de voluntários portugueses ao encontro dos refugiados que chegavam à Europa. Levavam mantimentos e uma palavra amiga. Levavam também esperança, que é uma palavra fundamental. Por fim, receber um abraço grátis é tão bom, Maria. Foi o ano passado, na Figueira da Foz, junto à praia. Esta eu a dar um passeio, em pleno verão e recebo dois abraços sinceros de duas voluntárias que se preocupavam, unicamente em espalhar boas emoções pelo mundo. Um acontecimento que não esqueci, confesso.

    Um beijinho (com boas energias) para esse lado,
    e os meus parabéns por este post!

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    1. Carpe, este esfriamento de que falo no texto (embora entenda o raciocínio do tal "digerir", faz sentido conseguir um distanciamento que nos permita sobreviver, não é negativo, antes pelo contrário), mas este esfriamento, dizia eu, é no sentido da indiferença. Essa parte parece-me muito negativa.

      Os Jogos Olímpicos merecem todo o nosso respeito. Os atletas que neles participam merecem todo o nosso aplauso. Existe ali por detrás muito trabalho árduo. Com medalhas ou sem elas, o simples facto de alguns conseguirem participar neste evento já é, à partida, digno de ser carimbado como algo vencedor. Isto não é ser politicamente correcta, coisa que nem sequer sou, sou educada, mas não sou politicamente correcta (por vezes dava-me um enorme jeito ser).

      Gostei muito desta boa onda que deixou por aqui... Quanto aos abraços, tenho sempre esta sensação que abraços conseguem ser muito mais íntimos do que beijos. Coisas minhas.

      Beijinho, Carpe. Obrigada pela simpatia :)

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  5. Bem, vamos a isso.
    O que mais me indignou (e continua a indignar), foi (e é) o aumento exponencial do mal, da vingança, do terror e por aí fora. É suficiente, não é?
    O que mais me emocionou (e continua a emocionar) foi (e é) o nascimento de cada criança. Mesmo sabendo ser impossível adivinhar como tem sido/será a evolução de cada uma saúdo, com um sorriso nos lábios, os muitos milhões delas que fazem o favor de nos acompanhar, de algum modo.

    Aqui está, não tenho dúvida, demonstrada uma das minhas características: o colectivo em detrimento do pessoal.

    Um beijinho, Maria e obrigado pelo desafio. Quero mais, quero muitos mais.

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    1. A vingança é algo que tem vindo a ramificar (acho que posso usar o termo ramificar) de forma assustadora. Palpita-me que esta coisa da vingança de uns sobre os outros, faz com que muita gente volte ao tempo do medo. Medo de falar, medo de agir. Medo. E quanto mais medo se mostra, se tem, mais o terror impera. Penso eu.

      Tem razão na parte do nascimento de crianças. Parece que no último ano nasceram mais bebés em Portugal. Eu cá gosto disso, desde que se tenha o mínimo de condições para dar a uma criança o que ela precisa e merece, que nasçam muitos bebés que a malta está cá para servir de rede-amparo de modo a que não se magoem muito neste mundo cheio de armadilhas.

      Beijinho para si também, caro Observador.

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    2. "(...) desde que se tenha o mínimo de condições para dar a uma criança (...)"
      É fundamental que seja por aí.

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  6. Alô, Oi Dª. Maria, BOM DIA daqui fala o camião TIR:)))) como tem passado? Bem? Fico feliz. Eu também ando sempre bem mesmo que a estrada da vida por vezes esteja atulhada de pregos, desculpe...pedras:)))
    Ora diga lá: Desafio? "A coisa consiste em atirar-se sem rede, rebuscar nas profundezas da memória o que a cada um mais chocou/indignou e, o que mais emocionou (aqui pela positiva), nos passados dois anos."

    Mama mia...ué - pausa, penso e repenso . e aqui vai disto:

    - O apoio incondicional ao drama dos refugiados porque cada vez me sinto mais refugiada (a experiªencia na primeira pessoa diz tudo) do que portuguesa, que conseguiu colmatar em mim o vi a nível mundial e sobretudo nacional como a ganância do capitalismo/política, a corrupção, o umbiguismo, o materialismo, a falta de educação, a morte de dois amigos meus e a volta de 180ºgraus na vida da minha mãe e da minha.

    Poderia enumerar outros casos positivos pessoais (pequenos mas cheios de tudo), nacionais(a entrega dos bombeiros e não só) ou mundiais (Obama, Papa Francisco) aos quais me agarro com unhas e dentes e assim os negativos (como os telejornais e jornais cujas reportagens cansam e como me cansa Judite de Sousa que com todo o devido respeito a meu ver deveria resguardar-se mais, ou seja no back office e com isso deixei de ver por completo ) vão janela fora do meu camião, gesto que se fosse visível daria multa:)))

    Acredito que melhores dias virão e oxalá que os portugueses consigam ser mais humanos, solidários e os políticos de uma vez por todas deixem de se julgarem acima de todos e até das leis. Á e que a justiça seja mais célere e cace de vez os milhões e milhões de euros desviados e com isso faça arrancar a economia e emprego já-que-existem-milhões-de-jovens-sem-nada-para-fazer-e-que-se-ocupam-no-que-não-deviam-porque-o-ócio-é-inimigo-número-um-do-bem.

    Vou desligar Dª.Maria porque vou ali ao andar de cima ver o que a senhora deixou escrito, tá?

    Força e obrigado por este momento, apesar de não ter dito nada de jeito e muito menos reli a ver se tinha erros:)))

    Aquele abraço


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    1. Pegamos nos pregos e nas pedras que a vida nos coloca no caminho e usamos para recuperar mobília em formato rústico-ó-chic. No reciclar é que está o ganho. Este foi um puro momento de poesia by Maria (eu, portanto) que é da Madeira :))

      Fatyly, permita que lhe diga que sempre que entra neste meu espaço (que também é seu) a ventania é tanta que tenho que correr para fechar as janelas todas do blog. Traduzindo, o seu "ventilar" é bom e recomenda-se. Entretanto faz-me sempre sorrir, essa parte ainda é melhor. Bem-haja por isso.

      Disse muita coisa de jeito. Ou ao seu jeito. Isso é que importa.

      Um abraço para si também.

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  7. Olá, Maria... Não tenho vindo por aqui, pensava que só haveria alguma coisa de novo em Setembro.

    É difícil dizer o que mais me chocou e mais me emocionou nestes últimos dois anos. Têm sido tempos tão conturbados para mim que seria difícil agora falar do que mais me marcou. De repente, num espaço de tempo de dois anos. parece que tudo se passou num outro mundo, numa outra era, numa outra dimensão, com um outro ser que não eu...

    No entanto, posso dizer que, de entre tudo o que me chocou e choca, aquilo que cada vez está a ser mais difícil de suportar é ver tantas calamidades, tantas injustiças, umas naturais outras pela mão do homem e não poder fazer nada para ajudar... Estar a receber ajuda do Estado e não poder fazer nada... Sentir-me inutil, sentir que a minha vida não valeu a pena e ver tantas vidas válidas a perder-se...

    Quanto ao que mais me emocionou, a nível geral foi, em contrapartida ver que ainda há vidas válidas, ainda há pessoas cuja vida vale a pena, pessoas que, no meio do sofrimento, conseguem dar a volta e ajudar alguém....

    A nível pessoal, se me é permitido também um pouquinho de egoísmo e recordar coisas minhas, tirando estas férias com o meu filho, que terminam amanhã, porque isso, obviamente foi o que de melhor me aconteceu, posso também recordar dois momentos no Outono passado, duas tardes, uma em Outubro, em Lisboa e outra em Novembro, no Porto.... É demasiado pessoal para me pôr a falar aqui, mas a Maria sabe do que estou a falar :)...

    Um abraço :)

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    1. (era para ser só em Setembro, só que neste dia em que publiquei este post aconteceu algo que me fez querer lançar este desafio)

      Estou consigo, no meio de tanta "porcaria" (permita-me usar este termo) ainda existir gente que
      consegue ajudar outros sem pedir nada em troca. São essas pessoas que não permitem que a pequena luz ao fundo do túnel se apague de vez.

      Na sua parte pessoal, sei do que fala e ainda bem que lhe aconteceu algo de bom. Por vezes são essas pequenas grandes coisas que dão força para continuar. Portanto, é acreditar que mais virão.

      Receba também um abraço :)

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  8. Ia ali a passar e resolvi entrar. Apenas para perguntar quando é publicada a classificação das respostas ao desafio.
    Ah pois, e tal, lá para Setembro. Que começa amanhã, convém recordar.
    Pronto, já perguntei. Saio com vontade de rir. Por causa da minha pergunta e antecipando a resposta.
    Fuiiiiiiiiii :)))

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    1. Fez bem em entrar, só tenho pena de não ter estado cá para o receber. Voltei hoje, dia 02.Setembro. No entanto deixo sempre a porta entreaberta e pequenos bolos de canela na mesa do blog, ao lado dos bolos de canela uma nota que diz: entre, sente-se um pouco, coma um bolo, mas não se esqueça de aspirar as migalhas no final, o aspirador encontra-se logo ali na despensa do blog, esmere-se se faz favor (ahahahah).

      (eu disse que voltava em Setembro, mas não disse quando, xiiiiii, que desculpa mais esfarrapada)

      Classificação??? Desconheço tamanho vocábulo. Também já fui, mas volto :))

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