sábado, 4 de junho de 2016

Quando alguém me diz "o mundo é dos espertos" lembro-me logo do Cântico Negro

Porque o Cântico Negro de José Régio foi uma das minhas bengalas numa altura da minha vida em que achava que nada mais valia a pena. Sim, não tenho por que esconder que já existiram momentos em que coloquei tudo em causa, e nesses momentos lia e ouvia o Cântico Negro. De tanto ler e ouvir acabou por se colar à minha pele. Memorizei cada palavra como se cada palavra me desse força para continuar. Continuei. Continuo. Continuo apoiada na parte do sei que não vou por aí! 


(se alguém se cruzar na rua comigo é bem capaz de pensar de imediato que tenho uma imagem muito tranquila, de pessoa que não terá grandes problemas, de pessoa que não terá muito a ver com um Cântico Negro, nada mais errado, por dentro sou das pessoas mais inconformadas que existe, e problemas? bom, essa parte fica guardada a sete chaves, sendo assim seria praticamente impossível ter um blog que só falasse de moda, sapatos, fitness, cabelos, dietas e amor, tivesse eu um blog que falasse de amor e era bem capaz de ser um blog de amor despenteado).

9 comentários :

  1. Lido este texto, fico sem saber o que dizer.
    Remeto-me a um silêncio não habitual em mim, talvez como sinal de respeito, muito respeito, por quem escreveu. Não apenas o 'Cântico Negro' mas principalmente o texto que acabo de ler.
    E é assim que saio, sem fazer barulho.
    Um beijinho Maria. Tenha um fim de semana maravilhoso.

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    1. (ainda estive para fechar a caixa de comentários a este texto, entretanto pensei que sempre que o faço existem pessoas que não gostam, vai daí deixei a decisão nas mãos de quem se dá ao trabalho de ler estas... coisas, e o caro Observador deu-se ao trabalho de ler estas coisas, obrigada, é um senhor muito corajoso, tendo em conta que estas coisas por vezes não fazem sentido algum).

      O Cântico Negro tem uma letra demolidora. Demolidora no bom sentido, se é que é possível ser demolidor no bom sentido. Uma outra letra que também tem a capacidade de me "destruir" com um só sopro, é o "No teu Poema". Divino.

      Beijinho para si também e um óptimo fim-de-semana.

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    2. Fez muito bem em não fechar a caixa de comentários.
      Bem haja.

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  2. Sem saber que dizer, subscrevo o comentário do nosso amigo Observador
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Elvira, pertenço ao grupo das pessoas que sabe para onde não quer ir. Penso que já não é nada mau... já me facilita um pouco o resto, penso eu, mas não tenho a certeza.

      Abraço. Bom fim-de-semana.

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  3. Gostei muito deste teu post onde pões onde desnudas emoções com as quais identifico-me completamente.
    Como dizia um amigo..."as aparências aparudem":)))

    Sempre gostei muito deste poema e atirar com ele (salvo seja) quando oiço as tais afirmações do título..." o mundo é dos espertos" tanto para o bem e sobretudo para o mal. Não atino, não aceito e pimbaaaa bomba neles:)

    Eu que não sou nada, tenho mais defeitos do que qualidades, cansada da "bestialidade humana em manadas", dos pregões dos que se julgam superiores digo em "voz audível no Pólo Norte:

    "Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
    Ninguém me peça definições!
    Ninguém me diga: "vem por aqui"!
    A minha vida é um vendaval que se soltou,
    É uma onda que se alevantou,
    É um átomo a mais que se animou...
    Não sei por onde vou,
    Não sei para onde vou
    Sei que não vou por aí!"

    e saio calmamente daqui!

    Um bom domingo e toma lá um abraço sincero e vamos em frente!!!!

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    1. Neste caso nem sequer se trata de aparências, Fatyly, neste meu caso é mais ter consciência que deixar transparecer demasiado da nossa vida pessoal/privada, pode deixar uma porta demasiado aberta para que outros se aproveitem de alguma forma. Um aproveitar que não é bom. É nessa parte que tento de alguma forma quando estou fora do meu mundo (leia-se a minha casa) não deixar passar o que vai lá dentro. Não sou pessoa de desabafar com estranhos, não o conseguiria fazer, quando tenho um problema mesmo daqueles cabeludos, por norma falo primeiro com alguém que considero ser da minha inteira confiança, com certeza que me posso desiludir, enganar, mas faz parte da vida correr alguns riscos. E nestas coisas da confiança, confiar em alguém é sempre um risco.

      Acho que apanhei esse seu abraço sincero deste lado, caiu-me em cima de tal forma que me esmagou, mas acho que sobrevivo :)))

      Obrigada, Fatyly, tenha também um bom domingo.

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  4. Olá, Maria :)
    Não tenho muito a dizer... Pelo menos há certezas : a certeza do caminho que NÃO se quer seguir.. Acho pior o poema que tem acompanhado a minha vida desde há coisa de 20 anos.... Também é super-conhecido... Não sei se diga qual é.... Para já não digo... Não é muito importante para o caso... Digamos que gostava de o ultrapassar, de arranjar outro, mas infelizmente vivo presa a ele... E o raio do poema não me larga... Não me deixa avançar...

    Curiosamente, eu nunca achei o Cântico Negro tão negro assim... Isto se partirmos do principio que negro é negativo...

    Quanto à máxima do mundo ser dos espertos... Infelizmente em 90% das vezes é! Depois há mais 5 ou 6% que é dos que, por acaso, têm sorte... E só talvez menos de 5% (4 ou 5,que é o que resta) seja dos que têm mérito... Mas que ainda assim também convém que sejam espertos

    Bom domingo :)

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    1. Olá São,

      Amo de paixão este Cântico Negro. Não o trago pendurado ao peito como se fosse coisa má, antes pelo contrário, daí ter escrito que foi uma bengala, o ter ido buscar a palavra bengala foi no sentido de ter sido uma ajuda, ajuda para ultrapassar momentos menos bons. A leitura pode sempre ser uma boa amiga - e ainda por cima vem com brinde - raramente nos puxa o tapete e tem uma paciência infinita para falar connosco, a qualquer hora. Tem piada que quando entro numa casa, o meu olhar não cai para a parte de ver que tipo de mobília as pessoas têm , se é uma casa de gente pobre ou rica, o que procuro discretamente é ver se as pessoas têm livros algures. Se existem estantes com livros, livros daqueles que são para ler e não livros daqueles que são para enfeitar. Até isso se percebe. Percebe-se até na forma como os livros estão arrumados se as pessoas os desarrumam muitas vezes.

      Estes "espertos" a que me refiro na frase feita, são os espertos que não olham a meios para atingir os fins. São esses que aos poucos e poucos estão a destruir basicamente tudo, pessoas e toda uma envolvência. Ando farta deles. Desgastam-me, infelizmente tenho que conviver com este género de pessoas diariamente.

      Gosto muito mais de gente inteligente do que de gente esperta, porque existe uma diferença, embora muitos achem que é a mesma coisa. Não é. Simplesmente não é.

      Bom domingo, São :)

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