sexta-feira, 27 de maio de 2016

Facadinhas (não escadinhas) mesmo no centro do coração

Estou desde ontem à noite a pensar nesta imagem e não consigo imaginar umas escadas rolantes a conviver lado a lado com estas que, sim, concordo com os turistas, a zona vai acabar por perder todo o "encanto".

Com certeza que compreendo que as pessoas de mais idade que moram ao lado das Escadinhas da Saúde, escadinhas essas que se encontram num bairro típico de Lisboa, gostem da ideia das escadas rolantes, vão poder subir e descer com menos esforço (isto no caso de que as tais escadas rolantes realmente funcionem, fiquei para aqui a pensar no inverno e tal) só que com estes gestos acabamos por "matar" aos poucos e poucos a nossa cidade. O tal lado mais encantador da cidade de Lisboa. Sei, sou uma romântica incurável neste tipo de situações e também sei que, quer queira quer não vou ter que aceitar, mas que custa, lá isso custa.


By DN:

8 comentários :

  1. Com a dificuldade que eu tenho em subir, ladeiras ou escadas devido aos problemas respiratórios, pode ser que seja assim que eu cumpra o sonho de visitar o castelo que ando a adiar há anos. E decerto que haverá muita gente com problemas vários de saúde que serão beneficiadas.
    Abraço e bom fim de semana

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    1. Elvira, esse é o lado que temos que ter em conta, e compreendo muito bem, não duvide disso, só que (e há sempre um só que, aqui nem é um mas) gosto tanto de Lisboa que estas coisas me doem. Gosto do lado de preservar a Lisboa tradicional. Já me perdi nem sei quantas vezes por estes bairros, já os visitei vezes sem conta e tenciono voltar a fazê-lo outras tantas como se fosse a primeira vez, conheço muito bem estas escadinhas e outras parecidas, e quanto mais escrevo mais me dói isto de ver escadas rolantes ao lado destas escadas. Mas pronto, aceito, e aceito pelas pessoas que não terão a mesma facilidade que eu tenho em subir e descer escadas. No entanto pergunto-me se não era possível arranjar outra solução...

      Tenha também um bom fim-de-semana. Um abraço.

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  2. Se não estou em erro, as Escadinhas da Saúde ligam a Mouraria à Rua do Marquês de Ponte de Lima, certo? Estou orientado. O que nem é relevante para o que vou dizer.
    Não consigo concordar com a ideia da colocação de umas escadas rolantes naquele local. Eu sei que a malta está muito virada para o turismo e que pelos turistas tudo fazem, até vender a alma ao diabo.
    Se esse projecto for para a frente, é apenas mais um duro golpe na tradição e, pois claro, uma facada naquilo a que os lisboetas (e não só) têm de mais agradável.
    Inconcebível e inadmissível.
    É bom ter em conta que parte das escadinhas existentes (cerca de um metro) 'vão à vida' para dar vida às escadas rolantes. Um atentado.
    Há nisto, uma coisa que não percebo. Ser a EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa) a responsável pela obra.
    789 mil euros para destruir? This is Portugal!

    Há, no link que aqui deixo, informação que vale a pena conhecer:
    http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/espaco-publico/novas-acessibilidades-a-colina-do-castelo

    Beijinho

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    1. «Ai Mouraria
      Dos rouxinóis nos beirais
      Dos vestidos cor-de-rosa
      Dos pregões tradicionais»
      (está orientado, sim senhor)

      Só que a ironia neste caso é que os turistas são os primeiros a não concordar com isto de existirem escadas rolantes a conviver lado a lado com as tradicionais. Dizem que perde o encanto, eu não conseguiria concordar mais. Quem mais aplaude a iniciativa são os moradores da zona, pessoas com mais idade e que terão alguma dificuldade em descer e subir as escadas. Esta parte compreende-se muito bem, o que a mim me entristece é não se arranjar outra solução. Entretanto pensava (ignorância minha) que escadas rolantes só funcionavam em espaços interiores, que aquilo da chuva e da humidade era bem capaz de as deixar sem funcionar, mas isto sou que não percebo nada disto. A acontecer quer dizer que vamos ter para ali um mamarracho sem funcionar a um canto. Mais um. Pronto, admito que o meu lado negativo deu um ar da sua graça com este tema.

      Pois, essa parte que o caro Observador escreveu: "É bom ter em conta que parte das escadinhas existentes (cerca de um metro) 'vão à vida' para dar vida às escadas rolantes. Um atentado". É também na minha opinião um atentado. E uma tristeza.

      Nem vou falar na quantia de 789 mil euros porque essa parte levar-nos-ia a outros cantos e a coisa era capaz de ficar azul escura por estes lados. É melhor pensar em sol e amarelo que é a cor da alegria e do dinheiro, dizem.

      (obrigada pelo link, vou espreitar)

      Beijinho para si também.

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    2. Bem lembrada, a Amália!

      Mais um mamarracho pois, no cimo das Escadinhas, mora um imóvel com 6 andares, completamente fora do contexto.

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    3. Isso dos imóveis fora do contexto já se tornou algo normal, quando não deveria ser. Por vezes é uma balda que nos fere todos os sentidos.

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  3. Tantas vezes que as subi e desci. Os "inginheiros portugueses" devem fazer uma obra prima tá bem tá e o dinheiro irá para os bolsos de alguns.

    Não haveria outra alternativa de acesso de forma a servir moradores e turistas? Claro que há. Que aprendam com os franceses que em alguns locais de Paris têm tapetes rolantes a céu aberto para quem não pode subir as escadas sem danificar, encolher ou destruir o património.

    Lisboa vai perdendo graça dando lugar à desgraça.

    Um bom sábado

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    1. Fatyly, este, a meu ver, é o lado tradicional de Lisboa que deveria ser preservado e não alterado. Escadinhas típicas lado a lado com escadas rolantes é, para mim, destruir o tal encanto que só alguns cantos de Lisboa possuem. Não sou contra o saudável convívio do moderno com o lado antigo, por vezes o resultado é muito equilibrado, neste caso não me parece.

      Tenha também um bom sábado.

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