quarta-feira, 25 de maio de 2016

Descalçar os sapatos antes de entrar em casa. Afinal não sou uma extraterrestre

Uma vez abordei aqui o assunto e fui de alguma forma "gozada" por algumas bloggers porque dizia no dito post que desde sempre tinha sido educada dessa forma. Em casa dos meus pais não era permitido andar em casa com os sapatos da rua, todos tínhamos à entrada uns chinelos destinados para o efeito, calçávamos os ditos no hall de entrada antes de entrar na casa propriamente dita.

Desenvolvi no tal post um pouco mais o assunto e escrevi que não percebia algumas mães que tinham filhos pequenos, bebés que ainda gatinhavam, logo, acabavam por gatinhar num chão sujo, um chão contaminado pela sujidade que é arrastada nas solas dos sapatos. Faz-me confusão este género de coisas. Eu que nem sequer crianças tenho e ninguém entra em minha casa com os sapatos da rua, seja família, sejam amigos, seja quem for, tem que se descalçar antes de entrar. Por isso é que tive o cuidado de pendurar na entrada um saco (não é um saco plástico, é um saco próprio para o efeito) com sapatos laváveis, ou seja, são sapatos maleáveis que se adaptam a qualquer pé, que só são utilizados uma vez, vão à máquina de lavar para serem de novo utilizados. 

Só por isso me agradou que ontem ao ler um post num blog, um dos meus blogs preferidos, existisse uma parte em que o autor abordou este tema. É um blog colectivo, portanto os temas são diversos, embora se fale mais de política. O autor é um senhor que costuma falar de assuntos daqueles considerados sérios, importantes, e se só aborda assuntos sérios, importantes, foi para mim muito positivo perceber que este assunto em que se fala de higiene, também tenha sido considerado um assunto sério, importante.

21 comentários :

  1. Não pondo em causa a sua ideia, a de ter uns saquitos de plástico próprio para que neles se enfiem os pés, devo dizer que não me parece bem. Digo isto, considerando que a 'nossa casa' não será exactamente um local para grandes concentrações públicas. E porque penso no que poderia ser complicado essa forma de andar em casa.
    Higiene e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém mas, indo por aí, o que fazer ao calçado que trazemos da rua? Seguirá para desinfestação?

    Ainda bem que Maria diz ter sido «de alguma forma "gozada" por algumas bloggers». Fala no feminino (algumas) o que me permite afirmar que nunca gozei a proprietária do 'Amanhecer Tardiamente', pessoa com quem faço questão de manter a melhor relação possível, ainda que de forma virtual.
    Ser-me-á, no entanto, permitido perguntar: quando entra em casa, Maria lava as mãos? É que elas, as mãos, poderão vir do exterior cheias de coisas esquisitas que nada têm a ver com a higiene.
    Pergunta feita, saio tranquilamente não vá aparecer chumbo :)
    Um beijinho

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    1. "saquitos de plástico próprio para que neles se enfiem os pés" (???). Não são saquitos de plástico para enfiar o pés, são um género de sapatos maleáveis, bastante confortáveis (quase que estive para tirar uma foto, mas decidi evitar as fotos), informais, que se adaptam a qualquer pé. Para homem e para mulher. Tenho para mim que algumas pessoas são bem capazes de andar com eles na rua :))

      Caro Observador, esta medida de higiene são para os moradores da casa, não são para o público em geral, obviamente que na nossa casa de quando em vez entra a família, amigos, aí o gesto é igual, o gesto de descalçar antes de entrar.

      O calçado que traz da rua fica no hall de entrada/corredor, para depois ser guardado nas devidas sapateiras. Ou seja, a pessoa descalça o sapatos à entrada, troca e não é arrastada sujidade para dentro de casa na sola dos sapatos. Só de pensar que as pessoas cospem para o chão, os dejectos dos cães, gatos, que muita gente pisa, o lixo que se pisa na rua, entretanto levamos para dentro da nossa casa todo o tipo de sujidade contaminando tudo, já para não falar que não se consegue manter o chão, carpetes, limpos.

      "GOzada" no sentido de que toquei numa parte sensível, toquei na parte dos bebés gatinharem, dos filhos pequenos que brincam deitados, sentados no chão, era previsível que não tivessem gostado. Algumas mães não permitem que outra pessoa como que chame à atenção. Odeiam essa parte, elas é que sabem e ai de quem disser o contrário.

      Caro Observador, isto não era para ser dito, mas pronto, não tenho qualquer problema em assumir: seja no trabalho, seja em casa, lavo as mãos trezentas vezes por dia, tomo dois banhos por dia, um de manhã e outro à noite, lavo os dentes umas 3/4 vezes ao dia e... acho melhor ficar por aqui não vá revelar demasiado ;)

      Beijinho para si também.

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    2. Diz V. Exa. "Não são saquitos de plástico para enfiar o pés, são um género de sapatos maleáveis, bastante confortáveis (...)".
      Fará o favor de me dizer, como se eu tenha 6/7 anitos, como se consegue usar esses "sapatos maleáveis" sem os enfiar nos pés.
      Pronto, reconheço que o termo "saquitos de plástico" pode ter causado relutância, ou outra coisa qualquer terminada em ância que não me ocorre. Não foi, de todo, usado em formato dissuasor e muito menos em tom depreciativo.
      Vivam os "sapatos maleáveis" e quem os usar! :))
      Só para que conste: também quase gasto a pele a lavar as mãos; também tomo banho duas vezes por semana, perdão, por dia; também lavo os dentes, sempre depois das refeições.
      Ficou por aí, fez bem. Revelar demasiado tem inconvenientes com consequências estranhas (ou nem por isso) ;)

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    3. Para mim saquitos plásticos para enfiar nos pés, é aquilo que tive que usar em cima dos meus sapatos quando entrei na última vez numa determinada ala de um hospital, e que também me deram para usar quando visitei um determinado ginásio. É por aí.

      Ora aí está, a leitura de "saquitos plásticos" pode, realmente, ter um efeito dissuasor. Não convém que tenha, a malta quer é mudar isto tudo para melhor, portanto higiene é sempre coisa boa, principalmente quando se tem crianças (comigo é com e sem crianças, gosto de tudo limpinho limpinho :)))

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  2. É uma excelente ideia, Maria. Aliás, muitos amigos meus usam essa "política" e eu não podia concordar mais. Agora que mudei de casa, vou seguir esta ideia. Já tinha pensado nisso e é bom ver que há mais pessoas que partilham esta forma de pensar.

    Beijinhos

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    1. Carpe, para mim esta "política" já existe desde criança. A minha mãe era muito rígida nestas coisas. Acaba por ser normal, mas existe muita gente que não compreende, acham que é uma falta de higiene calçar sapatos que outros já calçaram, o que não acontece. Os sapatos vão à máquina de lavar roupa depois de serem usados uma vez e voltam a ser colocados no sitio. É muito prático. Em Portugal ainda estamos um pouquinho atrasados nestas coisas, em muito países já é uma prática habitual.

      Beijinho para esse lado.

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  3. Não tenho esse hábito, nunca o tive. Por norma entro em casa, dirijo-me ao quarto que era do filho, e agora é um quarto de vestir, dispo a roupa, visto uma bata e calço uns chinelos. Mas nunca pedi a ninguém que se descalçasse para entrar na minha casa. Mas não me incomoda nada que me peçam para o fazer. Na casa do meu filho, ele também usa esse sistema de sapatos laváveis.
    Um abraço

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    1. O engraçado nisto tudo é que existem pessoas a quem não se pede, elas próprias percebem que me descalço e de repente estão a fazê-lo de livre e espontânea vontade. Outras existem a quem digo se não se importam e nunca vi no rosto algum tipo de desagrado. Entram na maior, gostam da ideia e algumas seguem-na. Gosto muito disso. A última vez que fiz o pedido para se descalçar foi a um técnico de uma determinada empresa que foi instalar um determinado programa lá a casa, estava a chover imenso e de repente olho para os ténis dele e assustei-me, pensei de imediato: minhas ricas carpetes (ahahahah), esse refilou, disse que só duas clientes no seu tempo todo de trabalho tinha feito semelhante pedido. Azarito, teve mesmo que se descalçar :))))

      Um abraço, Elvira, tenha uma boa noite.

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  4. Respeitar para ser respeitado é a conclusão que tiro desta tua forma de pensar, ser e estar.

    Na minha terra e porque brincávamos descalços ai daquele que entrasse com as mãos, cara e pés sujos.

    Tive duas bebés e criei-as sem nunca ter exageros e precauções que hoje me assustam. Ferver chupetas sim mas mal começavam a sentar-se e a pôr-se de pé de que servia continuar a ferver as chupetas e biberons etc, etc.? Num ápice assentam-se no chão da rua, do café e esfregam a chupeta e metem na boca, aliás é uma fase terrível, chupam as mãos, agarram o que não devem e vejo mães tão "descabeladas" com isso. Há que ganhar defesas caramba e tudo que é demais não presta, porque quantas crianças pequenitas mexem nas suas "borradas" e em segundos é cara, boca, etc e tal?

    Nunca tive alcatifas e tapetes porque seria mais trabalho para além do que já tinha. Neles juntam-se bactérias que nem lavados desaparecem.

    Foram crescendo e as normas de higiene foram as mesmas: banho, lavar as mãos antes da refeição, os dentes depois e podiam andar descalças porque o chão era lavado todos os dias.

    Quando tenho pessoal em casa, entram à vontade, estão à vontade e assim que saem, nada mais eficaz do que detergente, balde e esfregona. Se eventualmente usam o WC é igualmente desinfectado.

    Conheço quem use esses métodos e quando vou respeito. Mas deixa-me que te diga algo: dou graças a Deus não cheirar a chulé, porque há quem padeça desse mal e como ficarão ao tirarem os sapatos?

    Tudo o que é demais não presta e com o avançar da idade pode-se pagar bem caro os "exageros que se cometem" em novos.


    A meu ver devia-se apostar mais na educação desde pequeno por uma rua, cidade limpa...do que só limparmos o nosso "conforto". É triste passar por ruas porcas e pejadas de lixo sem respeito algum por quem as limpa. É triste ir a um restaurante até um XPTO e ver casas-de-banho que metem medo ao susto sem respeito algum por quem as limpa. É assustador ver a estrumeira deixada depois de um concerto ou até uma concentração para festejos da bola sem respeito algum por quem tem de limpar. É assustador ver praias pejadas de beatas (e eu fumo) com cinzeiros por todo o lado...já para não falar do que fica no areal do "quintalinho" de cada um.

    Termino dizendo que é assustador ir a conduzir e levar com uma fralda de bebé com brinde por quem resolveu atirar pela janela!!!

    Inté e durmam bem:)



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    1. O tipo de "sujidade" de que a Fatyly fala nem sequer considero sujidade. Digo-lhe porquê. Fui educada pelos meus avós até aos sete anos. Ou seja, os meus pais moravam em Lisboa e eu morei fora de Portugal Continental até aos sete anos, quem me formou nos primeiros anos de vida foram os avós, a eles lhes devo esta coisa de gostar do lado genuíno da vida, esta coisa de respeitar muito a natureza. A casa dos meus avós era rodeada por terrenos, árvores de fruto, animais de todo o género e até uma ribeira, portanto habituei-me a mexer na terra desde muito pequena, a andar descalça (felizmente era só e apenas porque gostava de andar descalça e era permitido pelo meu avô que me fazia todas as vontades, a minha avó não gostava, os meus pais não sabiam, felizmente) só por isso acho que as crianças devem sujar-se na terra, andar descalças na relva, se existir relva, parece-me saudável, só que aqui a sujidade é outra, é uma sujidade que pode arrastar doenças, a sujidade das ruas das grandes cidades nada tem a ver com terra daquela que não tem preservativos usados, seringas usadas, pastilhas elásticas usadas, urina, e por aí fora. É tudo isto que pisamos com os nossos sapatos e levamos para dentro do nosso mundo, a nossa casa, que deve ser um local saudável, limpo.
      ...
      As minha carpetes vão à lavandaria - aquelas que não consigo lavar em casa e não cabem na máquina, embora o tambor da máquina seja grande - parece-me que ficam bem desinfectadas. Existem algumas que têm mesmo que ser limpas a seco senão estragam-se. Tenho esta mania das carpetes coloridas em casa já que o chão é de madeira, torna a casa mais confortável, mais aconchegante e de alguma forma divide as zonas da casa :)

      Isso de algumas pessoas não cheirarem bem dos pés em pleno séc.XXI, é muito estranho. É que existem métodos para combater a coisa.

      Tenha uma boa noite, Fatyly :)

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  5. Olá, Maria :)
    Eu respeito as opções de vida de cada um e acho que cada um deve ditar as ordens na sua própria casa. Mal andaria o mundo se assim não fosse. Se um dia visitar alguém que tenha o hábito de descalçar à porta, óbvio que não vou mostrar qualquer desagrado. Mas duvido que algum dia adopte esse hábito na minha casa. Parece-me um hábito fundamentalista e pouco prático.... Mas isto é apenas uma opinião pessoal.

    Acho que a nossa casa é o sítio para nos sentimos totalmente à vontade e para pormos à vontade quem nos visita.... O chão lava-se, com agua quente e detergente, que é para isso que os detergentes servem.
    Carpetes só tenho uma, que costumo escovar com água e detergente todas as semanas... Mas também, pouco ou nada se passa por cima dela.... O sítio onde está não é assim local de passagem... Tem a mesa de centro encima e depois mais um bocado para cada lado, mas pouco ou nada se pisa...

    Não... No meu caso não consigo conceber uma vida assim e, sinceramente, não consigo imaginá-la na maioria das pessoas.... Imagino muitas situações em que isso se tornaria.... Se não inviável, pouco prático.... Pouco funcional... Imagino uma pessoa (e acho que acontece a toda a gente) vir na rua, mortinha por chegar a casa porque está "à mijinha para rascar" como dizia uma colega minha da faculdade, e ainda se pôr à entrada a descalçar umas botas de cano alto e a calçar os tais sapatos.... Imagino uma pessoa dar um jantar para 10 pessoas (ou até mais) e ter que ter esse número de pares de sapatos.... Imagino, a seguir ao jantar, as pessoas a dançar, todas com os tais sapatinhos e lá se foi a "toilette"... Andou a esponja de um homem com quase 2 metros, que pouco mais tem que 1,50 a escolher uns sapatinhos de 10 centímetros para ir aquela festa, para afinal.... :D... Imagino uma pessoa em frente ao espelho antes de sair, a experimentar sapatos a ver os que ficam melhor com aquele vestido... Como faz? Tem o espelho de corpo inteiro à entrada da casa? Ou experimenta os sapatos encima de um tapete descartável no quarto e volta a descalçar-se para se voltar a calçar à saída (desgraçado do marido que está à espera) Enfim.... Imagino uma série de situações....

    Em relação às crianças que gatinham.... As crianças não gatinham só na própria casa? Então se forem a um parque? Então nas cresces? Se não ganharem defesas, um dia, acontece uma situação imprevista e não estão imunes e então sim, é que ficam doentes.... Já ouvi isto da boca de médicos, da boca de engenheiros do ramo do ambiente e higiene e segurança, da boca de enfermeiros. Uma criança saudável vai criando as defesas naturais em situações naturais.... Dentro de uma redoma é que não adquire defesas nenhumas.... E depois há um dia em que tem que sair da redoma e....

    Higiene sim, mas sem fundamentalismos... O chão lava-se... Para isso existem esfregonas e detergentes...

    Se calhar, as mãos acabam por transportar mais micróbios, porque as pessoas tocam em mais coisas durante o dia do que à partida parece.... Eu tenho o hábito de lavar as mãos assim que chego a casa... Mas vou dizer a cada pessoa que entra na minha casa "Olhe, faça favor, vá lavar as mãos"? Pronto, não me parece muito viável, mas provavelmente será uma questão de hábito e estilo de vida.... Tudo isto que disse é uma forma pessoal de ver as coisas, mas respeito as outras. Aliás, tenho o dever de respeitar

    Bom feriado :). Um abraço :)

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    1. Não sou a favor de fundamentalismos, São, isto trata-se apenas de higiene dentro do meu mundo. E no meu mundo sou eu que estabeleço as regras, se as pessoas não concordam são sempre livres de dizer não. Aí, arranja-se uma forma de resolver a situação em conjunto, só que, felizmente, nunca foi preciso, quer a família, os amigos, e a profissão que abracei onde incluo alguns colegas de trabalho, é tudo gente com cabecinhas muito arejadas, não se fecham àquilo que foge aos padrões ditos normais, aliás, é tudo gente saudavelmente "maluca". Andar de meias em casa, ou sem elas, calçar os tais sapatos de andar em casa, sentar-se no chão, é coisa normal, seja em gente de 20 anos, seja em gente de 70 anos se conseguirem fazê-lo. Ninguém se leva realmente a sério, costuma existir um bom humor saudável. Dou-lhe um outro exemplo, eu não fumo, nunca fumei, as pessoas sabem disso, no entanto não me lembro de ter pedido a alguém para não fumar em minha casa, deixo ao critério de cada um, se lhe disser que não me lembro de alguém o ter feito, ou abrem a janela e fumam à janela, ou vão lá para fora. Lá está, terá a ver com as pessoas, respeitar o mundo dos outros. Eu também sou igual, estou tão habituada a isto de me descalçar na minha casa que quando vou a casa de alguém o meu gesto é sempre perguntar.

      E sim, é prático. Lamento não poder concordar consigo mas é realmente prático. Para quem tem o hábito de pôr os pés em cima do sofá com sapatos e tudo (coisa que não entendo), aí poupa-se nas capas do sofá que têm que ir à lavandaria dia sim, dia não. Lá está, vidas e formas de estar na vida diferentes... nada de grave, penso eu.

      Se eu lavasse o meu chão de madeira com detergente e água quente destruía o chão em dois dias. Ficava todo manchado. Lavo, obviamente, mas de uma forma diferente.

      Admito que não percebi muito bem a parte de: "Acho que a nossa casa é o sítio para nos sentimos totalmente à vontade e para pormos à vontade quem nos visita". Tenho uma amiga que até põe a roupa dentro do frigorífico quando se distrai, é assim que ela se sente à vontade, o mundo dela é uma coisa cheia de roupas espalhadas por tudo quanto é canto, não se percebe o que está limpo ou sujo, os sapatos habitam nos locais mais estranhos, a louça não é lavada uma semana, mas ela sente-se feliz e eu nada tenho a ver com isso, só que não me sinto bem lá dentro, custa-me visitá-la. Ela no entanto gosta muito de me visitar, vá-se lá saber porquê...

      Por vezes tenho a sensação que as pessoas desconhecem por completo que existem mundos dentro deste mundo que são muito diferentes, pessoas com formas de estar na vida diferentes do "normal", daí essa sua parte do comentário: "No meu caso não consigo conceber uma vida assim e, sinceramente, não consigo imaginá-la na maioria das pessoas". Olhe que está enganada, muita gente adopta esta forma de estar na vida, o problema é que vivemos todos de costas voltadas e quando se fala nestes assuntos é como se rebentasse uma bolha. Muito caminho ainda há a percorrer...

      Ninguém falou em redomas, São. É favor ler a minha resposta ao comentário da Fatyly.

      Já jantei em casa de gente muito rica, éramos realmente muitos e os guardanapos de pano já não chegavam, vai daí o dono da casa, um verdadeiro senhor, escreve livros e tudo e tudo, que também se descalça à entrada, foi buscar rolos de papel higiénico e colocou vários ao longo da mesa. Resultado: gargalhada geral. Pensa que alguém ficou incomodado? Não, nem pensar. Lá está gente que não complica e não se leva demasiado a sério.

      Eu já disse alguém para lavar as mãos, sim. Pois se a pessoa não era limpa. Temos pena se não gostou.

      Tenha também um bom feriado, São. Abraço.

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    2. Maria, eu acho que deixei bem claro que respeito. São midos de vida, visões, opiniões. E eu aceito. Aceito até que a Naria ache que o JRS é o anti-Cristo e que o Apocalipse está a chegar por culpa dele :D Só que eu tenho outra opinião :D

      Eu disse que respeito e aceito e até que não mostrarei qualquer expressão de contrariedade se um dia uma pessoa me pedir para trocar de sapatos à entrada da sua casa... Nem teria esse direito, pois a casa é da pessoa e é ela que dita as regras.... Mas a minha forma de ver as coisas é outra...

      O chão da minha sala, quartos e corredor também é de nadeira. Há detergentes específicos para madeiras. Não acho que se tenha estragado muito e eu lavo com frequência... A casa é antiga, mas as manchas que tinha já cá estavam... Também, muito pouca gente vem cá a casa.... Mas mesmo assim eu estou sempre a lavar o chão... Gosto do aroma que fica :)

      Porque também penso assim: por essa ordem de ideias, apesar de ser a base dos sapatos que anda no chão, as bactérias não estão só no chão.... As pessoas que vêm a minha casa vêm sentadas e encostadas no carro, possivelmente de transportes públicos, estiveram sentadas no café, encostaram-se.... Vão sentar-se e encostar-se no meu sofá e nas minhas cadeiras.... Se vamos começar a pensar em tudo, então as nossas visitas à entrada recebem um fato daqueles com que se entra em certos laboratórios e salas de tratamento de hospitais.... E deixam a roupa delas do lado de fora.... Enfim.... Se vamos pensar em tudo, estamos desgraçados....

      Ainda estou a pensar naquela pessoa com botas de cano alto, um pouco difíceis de descalçar, vir na rua "à mijinha para rascar" a entrar em casa e a pôr-se a descalçar as botas...

      E as pessoas depois de um jantar, de um lado para o outro, de copo na mão, ou a dançar, tudo com os tais sapatinhos.... E depois há aquelas festas que decorrem entre o interior da casa e o jardim.... Churrascos e afins.... Acho estranho, pronto.... Mas se calhar é uma questão de hábito

      Bom resto de feriado :). Abraço :)

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    3. Ah, já agora.... Essa sua amiga é um caso paradigmático... Não exageremos.... Também conheço pessoas assim e também não entendo como se podem sentir bem.... No máximo, compreendo um escritório com papéis espalhados por todo o lado, em que parece que é feito de propósito para se alguém chegar ali não perceber nada e não tentar olhar para os papeis... Agora... Loiça por lavar e coisas do género.... Não! Mas isso já são casos à parte..

      :)

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    4. São, este texto refere-se apenas e só a sapatos e solas de sapatos que pisam o chão imundo das ruas das cidades. Não vamos extrapolar.

      -/-

      (não sei como faz mas arranja sempre forma de "meter" o JRS em tudo, vou ter que pôr ordem na casa (leia-se, blog) fica instituído que, se eu falar de beringelas e a São disser que o JRS tem uma t-shirt de cor beringela que lhe fica muito bem, o comentário não entra, está feito :)))
      (e não pense que por eu acabar o comentário a rir, estou a brincar, nada disso, é a sério, uma pessoa ganha cabelos quase brancos com isto de gerir comentários).

      Os sapatinhos são bem giros, só lhe digo, ficam bem até com copos de pé alto dos mais chiques.

      Eu dou festas no terraço no verão, com velas nos muros e tudo e tudo, existe uma casa-de-banho exterior e uma cozinha exterior, aí as pessoas estão calçadas com os seus sapatos, é no exterior não tem problema, no final pega-se numa mangueira e lava-se o chão. Tudo está bem quando acaba bem :)

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    5. O aparte foi só para dizer que respeito todas as opiniões das outras pessoas, sem deixar de ter as minhas.... Como costuma ser o assunto (a pessoa, pronto) em que mais divergimos, dei o exemplo.... Querendo dizer que, se respeito isso, respeito tudo o resto... Mas tenho outra forma de ver...

      Nem toda a gente tem casas de banho e cozinhas exteriores....

      Pronto... Os sapatos andam no chão, sim... Mas as roupas tocam nas paredes das ruas, se calhar.... E sei lá se a pessoa não se andou a rebolar no chão antes de entrar? :D

      Estava a pensar se não seria mais prático, no futuro, haver uma forma de desinfectar os sapatos à entrada.... Assim um género de um spray que matasse os micróbios.... Acho que era uma alternativa a pensar.. Não, não é brincadeira... Aliás, eu tenho ideia de fazerem qualquer coisa na fronteira com Espanha aos pneus dos carros, há uns anos, quando se falou muito da febre afetosa....

      Pronto.... Eu não falo da pessoa, mesmo que seja para dar um exemplo... E... E... Já... Já agora... Da outra pessoa posso falar?

      :D

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    6. Este tipo de casa-de-banho exterior e cozinha exterior, muita gente na província tem (não vivo propriamente na província, bem sei) não é nada de luxo, é simples e prático.

      Se a São tivesse carpetes amarelas, laranja, bege, verde, branco... perceberia que se poupa muito trabalho e dinheiro nisto de não andar em casa com sapatos da rua. Não é só uma questão de bactérias, é ainda um pouco mais à frente.

      (pode falar de quem quiser a partir do momento em que o tema seja esse, falar de beringelas e ir buscar sempre sicrano ou beltrano é no mínimo estranho)

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  6. Eu sou incapaz de pedir a alguém que tire os sapatos para entrar na minha casa e não me sinto confortável, quando me pedem para o fazer, passo bem sem esse atestado de falta de higiene.
    Acho que ambientes demasiado limpos digo demasiado acéticos não são bons para as crianças que necessitam desenvolver defesas, não vivemos em Chernobil não são umas areias da rua ( que podem ser aspiradas assim que os convidados sairem) que nos deixam a casa contaminada, basta abrir a janela

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    1. Tétisq, ninguém passa atestados de falta de higiene a ninguém, não faria sentido, pois se eu sou a própria a trocar de sapatos à entrada. O que se fala aqui é de ruas de cidades que têm todo o tipo se sujidade, aqui não se fala de casas no campo onde existe terra, terra limpa, não terra cheia de seringas usadas, de preservativos e coisas que tais. É só ler a resposta que dei à Fatyly e vai perceber que sei muito bem estabelecer a diferença. Sou completamente a favor que as crianças se sujem na terra, que andem descalças na relva, mas sou a favor que o façam se for em casa dos meus pais, em casa de amigos, em locais que sei que não vão apanhar uma doença qualquer. É por aí...

      Essa parte de Chernobil não me pareceu de todo adequada, mas aceito que as pessoas não gostem desta medida, acho que em Portugal somos pouco abertos a situações que fogem ao estabelecido como normal.

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  7. Acredito no futuro, num tempo em que as pessoas, ao entrar em qualquer edifício, passem por um qualquer portal purificador, em que as bactérias fiquem à porta a fazer crochet. Talvez assim se dispensem os "saquitos de plástico" para enfiar os pés, isto para utilizar a expressão do caro Observador. :) A grande questão é que, para se chegar aí, é necessário haver pessoas a reivindicar processos cada vez mais higiénicos. Creio que este post se insere nesse procedimento.

    Um bom feriado, Maria :)

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    1. AC, vou responder a este seu comentário com algo que parece não ir ao encontro do que escreveu, mas vai na volta até vai. Uma vez, há já algum tempo, deixei um comentário a um post no blog Delito de Opinião (não me recordo qual era o tema), terminei este tal comentário com algo parecido com isto: ... eu sei que não consigo mudar o mundo... ao que a autora do texto respondeu de forma muito simpática, que já era muito positivo que eu conseguisse mudar o meu mundo, era por aí que se começava... Nunca mais me esqueci disto, porque me pareceu uma resposta muito inteligente, muito pertinente. E é isto, naquilo que entendo que pode de alguma forma fazer a diferença para melhor, é por aí que vou, já consegui mudar algumas mentalidades, por exemplo, já consegui pôr algumas pessoas (mais do que esperava, admito) a entrar no hábito de reciclar o lixo. Este é o meu modesto contributo no dia-a-dia, é uma migalha, bem sei, mas é o que se arranja.

      Bom feriado para si também :)

      PS: Eu nem para bactéria servia, não sei fazer crochet, mas posso sempre servir de porta :)))

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