sexta-feira, 6 de maio de 2016

Consegue alguém ser feliz vendo o que se passa ao seu redor?

Se eu fechar os olhos ao que se passa no meu país... no mundo, até consigo dizer que me sinto feliz, mas a mim basta-me um dia de sol e não ter qualquer problema de saúde para me sentir razoavelmente bem. Para quem já esteve com os dias contados, como eu já estive, é fácil dar valor à vida e contentar-me com pouco. Não preciso da despensa a abarrotar de comida, não preciso de ter 500 pares de sapatos, não sinto grande necessidade de produtos de luxo, talvez porque sei o que isso é e não faz ninguém feliz (a mim pelo menos não faz), ou seja, felicidade passa somente por pessoas, penso eu, tragam-me a minha mãe de volta, o meu avô de volta e, aí, verão uma pessoa realmente feliz. Dinheiro na conta faz as pessoas felizes, sem dúvida alguma, mas a coisa funciona melhor se lá estiverem as pessoas que dão mais brilho à vida. Sem elas resta-nos apenas partilhar o ar com aquelas pessoas que nos puxam para baixo a cada dia que passa. Este ar anda cada vez mais pesado. A sorte é que parece que vai chover este fim-de-semana... (eheheh)

(não me perguntem o porquê de ter terminado este texto com um eheheh, 
só respondo na presença do meu advogado)

17 comentários :

  1. Há gente que não consegue ser feliz ao olhar para si próprio - umbigo, diz-se - ficando, por isso, impossibilitados de olhar à sua volta.
    Olhar à nossa volta é um dom. Saber olhar, um dom de valor acrescentado.

    Esta parte do seu texto ("felicidade passa somente por pessoas, penso eu, tragam-me a minha mãe de volta, o meu avô de volta e, aí, verão uma pessoa realmente feliz") é significativa e só os mais distraídos, ou mal intencionados, serão capazes de inverter a ideia. Ou não lhe dar o verdadeiro valor.

    O dinheiro vale o que vale mas o resto - e o resto são os valores morais de cada um - vale muitíssimo mais.

    O seu advogado vai ter que falar com a minha advogada :))
    Beijinho

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    1. Saber olhar... é essencial saber olhar, tem toda a razão. Por isso é que me parece que a vida é feita de momentos em que nos sentimos realmente felizes, são momentos apenas, dizer que somos felizes sempre, é, no mínimo, estranho, aí entra aquela sua parte do comentário em que refere o umbigo, só uma pessoa centrada unicamente em si própria, no seu quintalinho, é que diz a toda a hora: sou feliz. Como raio consigo estar sempre feliz (?) sentir-me sempre feliz (?) se ali ao lado existe gente que nem casa tem para viver, que nem comida tem para comer?! Isto parece pura demagogia, mas não é. É a realidade, infelizmente.

      Caro Observador, o mundo fica mais pobre quando nos levam as pessoas de que mais gostamos, a nossa forma de estar na vida muda. Percebe-se muito bem quem já passou maus bocados e quem ainda não passou por eles. Bom, existe gente que já passou maus bocados e em vez de ser mais tolerante, flexível, consegue ser ainda mais azeda. Vá-se lá perceber porquê...

      O dinheiro é importante, com certeza que sim, é ele que nos paga as contas, que nos dá alguma qualidade de vida, mas só com dinheiro e sozinho a coisa é muito triste, vazia. Esta ainda é a minha visão romântica da vida, espero que nunca passe ;)

      Beijinho e bom fim-de-semana.

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  2. Bom eu sou muito sincera. Acordar sem dores, e ter o marido vivo ao meu lado, faz de mim uma mulher feliz. Se ainda por cima, receber a visita da neta, um abraço do filho, e estiver um dia de sol, já sou das mulheres mais felizes da vida, mesmo não tendo dinheiro para mais do que para o essencial à vida.
    Claro que quando o marido liga a rádio ou a TV e começam a chover as notícias, sinto um aperto no peito, fico triste pelo que oiço. Por isso quando vou de férias, desligo completamente do que se passa pelo mundo, e dedico-me apenas a viver a dois. É egoísmo? Pode ser. Mas o mundo não melhora por eu andar sempre em cima das notícias e a carpir as desgraças que vão pelo mundo.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. E quem assim é sincero a mais não é obrigado :)

      Férias servem exactamente para isso, para nos desligarmos durante um curto espaço de tempo da realidade, da rotina, só assim faz sentido. Não acho que seja egoísmo, parece-me inteligente. Uma questão de sobrevivência. Não sei...

      Tenha também um óptimo fim-de-semana, Elvira.

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  3. Ironizando nos vamos entendendo. :)
    É por aí, Maria, é por aí... Agora, o que falta, é saber filtrar a onda negativa que por aí grassa. Mas isso, se calhar, dava para um tratado. Talvez seja por isso que muita gente vende "livros" a granel, com supostas receitas para a felicidade. :)
    É bom lê-la, sabe?

    Um beijinho :)

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    1. AC, isso de filtrar a onda negativa é bem capaz de não ser tarefa fácil. A onda tende a reproduzir-se, talvez nem seja a onda propriamente dita, talvez sejam os que dão volume à onda que se reproduzem à força toda.

      Tenho um medo que nem lhe conto de gente que «vende "livros" a granel, com supostas receitas para a felicidade». Entretanto acho sempre muito estanho que com tantos livros desses vendidos, continue a existir tanta gente infeliz. Vai na volta não andam a ler os livros certos. É bem capaz de ser isso :)

      Beijinho, AC, bom fim-de-semana e obrigada pela sua simpatia.

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  4. Agora vou dar uma volta a pé aproveitando a carga de água que caí e volto mais logo para deixar o meu pobre testemunho:)))) Aproveito para passar "no-belo-de-um-enfermeiro-podre-de-bom-que-não-divulgo-para-não-irem-todas:))) porque ontem o Sr.Lucky e a Dª. Zara no meio da brincadeira deram-me uma valente pisada no pé e tenho uma unha recheada de "sombra preta e castanha":)))) girissimo um pé com ténis e o outro num chinelo (as tais havianas a que eu chamo "chupa cóco), certo? Não chores Maria e nem digas óóóó coitadinha e oxalá que não pare muitas vezes no caminho numa de..."e se fosse contigo/consigo" ...fuiiiiiiiiiiii

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    1. (eh lá que até me assustei com este seu comentário... cuidado com isso dos enfermeiros podres, ahahahahah)

      Com a chuva que cai lá fora, se uma pessoa chorar ninguém dá por isso. Agora estive bem :)))))

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    2. Estou de volta e o enfermeiro-podre-de-bom continua a manter um sorriso que faz ressuscitar um morto. Fartei-me de rir com ele e mal viu o pé de cinderela:))) disse-me: outra vez com a unha do dedão partida ao meio? Já estava a nascer e a crescer toda direitinha. Pois é pá...aconteceu isto e aquilo e a burra fui eu por andar descalça. Vamos lá tratar e...respire fundo, trássss. Respirei foi de alívio porque na hora passou as dores. Agora vá cortando a parte que ficou e deixando que o capô venha por igual. Capô? sim novamente ficou aí com o carrinho semi descapotável! Vá pondo o que já sabe e tome cuidado porque há sempre a tendência de batermos de novo quando estamos magoados. Ok chefe! Enfim vim de lá mais FELIZ pois então!

      Quem já passou pelo que eu passei e ainda me estou a erguer do recente "trambolhão que a vida me presenteou", digo que todos os dias temos momentos felizes e o que relato acima, hoje foi um dos vários que já tive.

      Faço tudo em prol do meu semelhante até onde os meus braços chegam e digo-te Maria ver imagens actuais pelas quais passei no passado, dói, mas que posso fazer mais do que faço? Nada, como nada fizeram quem assistiu do alto das suas poltronas e ou pipas de massa.

      Para podermos ajudar e ou fazer alguma coisa, devemos primeiro nunca deixar a nossa auto-estima e força por mãos alheias e lutarmos conforme pudermos.

      Bens materiais dão-nos conforto assim como algum dinheiro, mas o exagero torna-se uma bela armadilha e sempre aprendi a viver com o que tinha e a valorizar o que me dão, sobretudo gestos, palavras etc.

      Os que me tentam derrubar ou puxar para baixo podem tirar o cavalinho da chuva, porque jamais conseguirão, nem sequer familiares mais próximos que já levaram p'ra contar e tudo porque vou adornando e reforçando o meu escudo invisível!

      Pelo muito que já escrevi por aqui, já me conheces um pouco e aprendo todos os dias e sobretudo com as quedas e fraquezas e gostei imenso deste teu post!

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    3. O seu primeiro parágrafo, aquele das suas aventuras com o enfermeiro podre, sem ser exactamente podre podre no verdadeiro sentido do termo, no entanto é podre e não se fala mais nisso, bom, fala-se só para dizer que é um podre na onda do bom, é de ir às lágrimas, ir às lágrimas no sentido de ser hilariante e não no sentido... disso, grande confusão que para aqui vai :)))

      ...


      Entretanto volto-me para a segunda parte do seu comentário e percebo que pessoas genuínas têm este dom de saber falar a brincar e saber falar a sério quando a situação assim o pede. Desconfio sempre um bocadinho de quem só fala de assuntos muito sérios sem nunca esboçar um sorriso, sem nunca usar de algum sentido de humor, sem nunca dizer uma graça, tal como desconfio de quem só leva a vida na palhaçada, sem nunca saber ter uma conversa séria. Quer uns, quer outros, não me inspiram grande confiança, dificilmente os consigo respeitar. A Fatyly é uma senhora sábia, sabe muito melhor do que eu que a vida é feita de gradações (não sei se será esta palavra a correcta, mas dá para perceber o sentido que lhe pretendo dar).

      Sendo assim, muito obrigada pelo seu comentário.

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  5. (nota para a Giselle do blog "to the lighthouse", o seu comentário foi publicado no post em baixo, o do fecho das esplanadas, a Giselle enganou-se na caixa de comentários, não há problema algum, embora o comentário ficasse melhor aqui, o post de baixo é mais agitado, digamos assim :)

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  6. Olá, Maria :)
    Eu cá parece-me que a felicidade absoluta não existe, nem pode existir e se existisse seria um grande tédio. Existem momentos de felicidade, momentos de contentamento, momentos de descontracção, de alegria, tudo isto em vários graus. As coisas interferem umas com as outras, é impossível que não, porque na vida combatemos em algumas frentes. Por exemplo, eu um dia posso sentir-me muito feliz, ou muito contente, ou muito satisfeita porque vou tomar café com uma amiga que não vejo há muito tempo, está um dia de sol e até já falei nesse dia com o meu filho. Daí a um mês, ou uma semana até combinei com outra amiga (que também não vejo há muito tempo e que para mim é tão importante quanto a outra), até está também um dia de sol, por acaso também já falei com o meu filho nesse dia e ele parecia estar todo contente.... Parece um dia exactamente igual ao outro.... Mas, entretanto, ligo a televisão e deparo-me com uma notícia daquelas mesmo tristes e revoltantes. Não é nada comigo. Mas passou-se no mesmo mundo em que vivo. À minha volta. Irei na mesma tomar café com a amiga, gostatei na mesma de estar com ela e não ficarei a matutar nisso o tempo todo ... Mas por dentro, confesso que alguma coisa estará diferente do outro dia... Para pior... Por isso, acho que o que se passa à nossa volta interfere com os nossos sentimentos, sim. Mas é a minha opinião e vale o que vale...

    Abraço e bom domingo :)

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    1. Olá São,

      Não sei se seria um tédio, o que me parece é que, quer queiramos quer não, só crescemos no real sentido da palavra quando passamos por algumas provações. Não deveria acontecer assim, mas acontece. Nem todos aprendemos, nem todos crescemos com as tais provações, mas estou convencida que uma grande parte das pessoas muda após pancadas que obrigam a dobrar, podemos não cair, estatelar-nos no chão, só que dobramos e nesse dobrar passamos a ver a vida de uma outra forma, vai na volta de uma maneira mais feliz.

      E sim, também acredito que o que se passa à nossa volta interfere e muito. Só uma pessoa que ande de vendas nos olhos, ou que se esteja nas tintas para os outros à sua volta, para o mundo em geral, é que diz ser totalmente feliz. Desligar-se de quando em vez do mundo real é saudável, preserva de alguma forma a nossa sanidade mental, isso convém fazer e convém não esquecer.

      Tenha também um bom domingo :)

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  7. https://www.youtube.com/watch?v=ICnlyNUt_0o&sns=fb

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    1. Creio que já me sinto em condições de voltar a escrever. Nunca pensei que tivesse de me afastar tanto tempo.


      Um beijinho

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    2. Ora ainda bem, Alexandra, acho que por vezes escrever faz muito bem. A tudo. Penso eu.

      Beijinho para si também.

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