terça-feira, 12 de abril de 2016

Thriller: A inveja que para além de branca, também queria ser boa

Em tempos longínquos habitava numa pequena cabana perdida na floresta um ser estranho que jamais mostrava o rosto. Não se sabia se era homem ou mulher - embora toda a gente tratasse o ser por Inveja - não se sabia sequer se teria muita, pouca, ou nenhuma idade. Sabia-se, no entanto, que se arrastava por entre as pessoas sempre vestido de branco. As pessoas atarefadas nas suas rotinas diárias deixavam que o ser vestido de branco lhes entrasse pela casa adentro, se se vestia de branco, a cor da pureza, só podia ser bom. O ser. O ser era bom. Era Inveja branca e era boa. The end ou talvez não. Talvez não...

Foi decretado em Assembleia da República, na alínea correspondente aos tempos longínquos que ninguém poderia dizer mal da Inveja, desde que fosse branca. Um dia chegou à floresta uma pessoa que tinha criado um blog com um nome muito estranho, aquilo amanhecia tardiamente, não podia ser coisa boa, a dona do blog, teimosa que só ela, resolveu consultar o dicionário Priberam para descobrir mais qualquer coisa sobre a Inveja branca. Escreveu no espaço destinado à pesquisa: inveja (espacinho) branca e... nada. Insistiu e... nada. Entretanto despiu a inveja de toda a brancura e escreveu apenas: Inveja. O resultado apareceu de imediato diante dos seus olhos: "desejo de possuir o que  o outro tem, geralmente acompanhado de ódio pelo possuidor". Ah, bom - com ponto de exclamação no final - bem me queria parecer que andavam para aqui a endrominar a malta, isso da existência da inveja de cor branca simplesmente não existe. Sendo a malta invejosa, é invejosa, não é bom, revela um traço de carácter que não orgulha ninguém e, ou se tem tomatinhos cereja para se assumir que se é invejoso(a), ou não se vai a correr comprar uma lata de tinta branca para a disfarçar de pura. E de boa. Pura e boa?! Pfffff... só nos contos de fadas, mesmo.

10 comentários :

  1. Por que raio de motivo alguém há-de ter "desejo de possuir o que o outro tem, geralmente acompanhado de ódio pelo possuidor"?
    Inveja é um termo que deveria ser abolido e por forma a arrastar consigo o seu significado.
    Inveja, nem branca nem boa.

    Sinceramente, este post tem matéria para mais algumas palavras. Só que corria o risco de estas se transformarem em palavrões. A evitar, portanto.

    Tenha uma boa tarde e não pense muito nela, na inveja.
    Beijinho

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    1. Acredito piamente que existem pessoas que nos roubam a energia. Nesta categoria encontram-se as possuidoras de inveja e as vingativas, quando andam de braço dado e habitam a mesma pessoa é fugir dali o mais rapidamente possível, só que, parece-me algo impossível de concretizar. Infelizmente temos que conviver com gente desta todos os dias, muitas horas por dia, no local de trabalho e, até, na própria família. Eu estou a braços com uma pessoa assim diariamente, daí as crises de ansiedade e o coração acelerado, não consigo, por enquanto, livrar-me dela. Estou a trabalhar nisso, não é fácil.

      Agora esta expressão de "inveja branca" usada por algumas criaturas, para além de ridícula, é apenas uma tentativa de nos estupidificar. Dizem: tenho inveja daquilo ou daquela pessoa... logo de seguida e para não serem apanhados na curva acrescentam rapidamente... mas é inveja branca, inveja boa, portanto. Nessas alturas o meu cérebro tem tendência a dar um nó. Não existe "inveja branca", a inveja nunca é coisa boa, existe inveja, logo existem invejosos. Ponto final e faça-se um parágrafo.

      Tenha também uma óptima tarde, caro Observador.

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  2. O que há mais por aí é INVEJA e pintada (disfarçada) em várias cores. Possuídos por ela viram brancos, encarnados, roxos ou até amarelos. Trabalhei com alguns e algumas e hoje ainda me deparo com personagens do género. Pois lido com eles e elas da mesma forma: digo-lhes a verdade que dói, deixo-os quase a explodir. Batem na minha couraça da indiferença silenciosa e é para o lado que durmo melhor. Até com familiares procedo da mesma maneira e sinceramente não me atingem rigorosamente nada.

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    1. Tendo a discordar um pouco da Fatyly ali na parte do "não me atingem rigorosamente nada". Acho que quer queiramos, quer não, estes traços de carácter que existe em muita gente, a inveja e o facto de serem gente vingativa, acaba por nos atingir de alguma forma, pelo menos pessoas vingativas são capazes de fazer verdadeiros estragos na vida de muita gente. A inveja corrói, o próprio do invejoso(a) e as pessoas que são o seu alvo. São pessoas que já aprendi a identificar, demorou tempo, mas já dá para perceber algumas coisas.

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  3. Olá, Maria :)
    Não consigo perceber que exista inveja boa. A inveja, na minha opinião, é sempre má. Salvo quando se trata de uma força de expressão, numa conversa circunstancial... Por exemplo, uma pessoa vai de férias e o colega diz "Ai, que inveja!"... Ou uma pessoa aparece com um bronzeado espectacular e os amigos dizem "Ui, como te invejo!"... Mas isso são formas de expressão... Não são realmente inveja no seu verdadeiro sentido.

    A inveja é sempre má. Acho eu. Torna as pessoas mesquinhas. Há pessoas que chegam a um ponto em que não é o facto de estarem mal que realmente os aflige, mas sim o facto de outros estarem bem. Não é o fracasso deles que os faz infelizes, mas sim o sucesso dos outros. Ou seja, não se importam de estar mal, desde que os outros também estejam... Ora, acho isso abominável... Mas infelizmente cresci numa família assim... Família e amigos da família... Isso, das duas uma : ou me tornava igual, ou me revoltava fortemente, ao ponto de abominar tal maneira de ser...

    Abraço :)

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    1. Olá São,

      Claro que não existe inveja boa, ou o que algumas mentes iluminadas resolveram chamar de "inveja branca", a inveja é sempre má, como a São bem escreveu, corrói, rouba energia quando a malta é o alvo dessa mesma inveja. Eu acredito em energias e se acredito em energias tenho algum cuidado com gente dada a isso da inveja/vingança.

      Acredite, São, que raramente uso a palavra inveja quando quero dizer que algo me agrada no outro. Não sou capaz de dizer: que vestido bonito que tens, que inveja... não me dá para esse lado. Não sou perfeita e tal, apenas não utilizo o termo inveja no meu dia-a-dia.

      Esse seu segundo parágrafo deveria ser emoldurado para toda uma posteridade, são palavras de alguém que sabe muito bem raciocinar (excepto na parte da sua família que, pelos vistos, a deixa triste e revoltada).

      Aceite também um abraço :)

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  4. Voltou em força, ó se voltou, o interregno fez-lhe bem. :)
    Fico contente que tenha voltado.

    Um beijinho :)

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    1. Voltei com vontade de dar valentes vassouradas em gente que gosta de se perfumar com inveja. Ó gentinha carregada de más energias.

      Beijinho, AC :)

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  5. Posso sugerir a leitura do livro "Inveja" de Zuenir Ventura?
    Este post fez-me recordar uma sessão de um atelier de escrita que frequentei em Serralves em que devíamos escrever sobre os nossos defeitos e ninguém queria ser invejoso :)
    Eu acho que pode haver inveja boa, mesmo que lhe demos outro nome, quando admiramos algo e o queremos para nós, sem desejar mal a quem já o tem.

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    1. Obrigada, Gábi, não conheço e acho que vou aceitar a sugestão. Por vezes gosto que as pessoas desse lado sugiram livros. Vou anotar, comprar, entretanto quando acabar de o ler prometo falar dele por aqui. A ver se não me esqueço :)

      Acho que não é bem uma questão de não querer, acho que é mais uma questão de se ter a noção de que não é bom ser invejoso(a) e, vai daí, existe alguma dificuldade em assumir. É capaz de ser por aí. De qualquer forma tenho para mim, que as pessoas que o são, dificilmente passam despercebidas.

      Hummm... tenho alguma dificuldade em achar que a inveja pode ser boa, porque não acho que o seja. Aliás, a própria definição de inveja que resolvi colar neste texto diz muito acerca... acho que a própria palavra carrega algo de negativo, mas isso sou eu que tenho a mania desta coisa das boas e más energias.

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