terça-feira, 26 de abril de 2016

(o mundo do faz-de-conta e o mundo dos tordos)

Imaginemos que em vez de apartamentos num mundo comum, o mundo era composto por ilhas num mundo individual. Ilhas T0/T1/T2/T3... e nessas mesmas ilhas não seria possível ter acesso às ilhas das outras pessoas. Seria dada a cada pessoa, a cada família, um prazo de dez anos para viver como bem entendesse. No fim desses dez anos todos poderíamos ver o que é que os outros andaram a fazer. Que tipo de casa teriam construído, que tipo de livros teriam lido, que tipo de passatempos teriam, de que forma andariam vestidos, em que tipo de educação teriam investido, que tipo de alimentação teriam adoptado, e por aí fora.

Deu-me para pensar nalguns aspectos:
1. Diz-se que as mulheres se vestem para as outras mulheres, não se vestem para elas próprias, para se sentirem bem. Isto é realmente muito estranho. Como raio se passariam a vestir se não tivessem outras mulheres por perto?

2. O vizinho que tenta comprar um carro xxpto, só porque o vizinho da frente comprou um carro xpto (por favor reparar que existe um carro que tem mais um xis). Como raio conseguiriam passar sem ter acesso ao que os outros compram?

3. As pessoas que compram os mesmos livros que outros compraram e acabam por dizer exactamente as mesmas coisas dos mesmos livros comprados por outras pessoas porque essas mesmas pessoas disseram bem e aquilo volta ao principio em cada voltar de página e parecemos ratos dentro de roldanas. Corremos, corremos e não saímos do mesmo sitio, ou não saímos do sitio em que alguns nos querem pôr. Como raio é que seria ter que escolher objectos ali na maior das solidões, sem ninguém por perto?

Existem pessoas que só conseguem ter uma espécie de vida porque outros têm realmente vida, e eu dei comigo a imaginar se os outros deixassem, só assim por acaso, de ter vida, se não se começaria a ver  gente por aí a cair de morte certa,  nos passeios, em casa, como se fossem tordos, Livrai-nos Senhor de mortes certas em modo tordo.

14 comentários :

  1. Ponto 1 - "Diz-se que as mulheres se vestem para as outras mulheres, não se vestem para elas próprias".
    Direi que há muitas mulheres que se vestem para elas próprias e que há muitas outras que se vestem para as outras mulheres e para os homens. Sem esquecer os maridos das outras (onde é que já ouvi esta expressão?)

    Mau, estou a responder porquê e para quê? Não se trata de um exercício virtual? Sim e por isso, o ponto 1 passa a ponto único só porque sim.

    Do mundo dos tordos fará parte, com toda a certeza, o Fernando Tordo :)
    Pronto, lá estou eu a escrever só para não estar quieto.
    Que raio de feitio o meu!!!

    Em jeito de comentário ao que Maria escreveu, faço copy and paste desta parte: "Livrai-nos Senhor de mortes certas em modo tordo".

    Beijinho, Maria, faça o favor de ser feliz. Hoje é dia 26, a festa já foi ontem e o sol brilha.

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    1. Caro Observador, saberá, sabe com certeza, que esta guerra que existe entre as mulheres é que fará com que sejamos, sempre, muito mais fracas do que os homens. Os homens por norma tendem a unir-se (não serão todos, mas acredito que a maioria desenvolve ali uma grande cumplicidade), as mulheres, por norma, tendem a destruir-se. Nem sequer necessitam de grandes pretextos para o fazer, por vezes a coisa começa nisto da roupa. Talvez as mulheres se vistam para as outras porque existe esta necessidade de estar sempre a competir. Competir para ser a mais gira, a mais magra, a mais inteligente, a que melhor se veste. Daí que exista esta necessidade de espreitar primeiro o roupeiro da outra, antes de me aventurar no meu próprio roupeiro. Criou-se a ilusão que sozinhas somos uma nulidade, bom, se calhar somos mesmo... (medo de ter escrito esta última parte).

      Se quiser ir por aí parece-me muito bem. Parece-me bem isso de ser um simples exercício virtual.

      Inspirei-me naquela expressão do "cair que nem tordos" e tentei associar à forma como muita gente vive nos dias de hoje. Não se descolam uns dos outros. Se um cai, caem todos.
      ("um tiro de caçadeira permite matar uma grande quantidade deles, porquanto os mesmos voam em bando e relativamente perto uns dos outros. Por outro lado, a caçadeira tem a propriedade da utilização do cartucho, pelo que, após o disparo, os chumbos do mesmo dispersam-se, abrangendo uma grande quantidade de aves – são muitos a cair").

      Beijinho e tenha uma óptima semana.

      PS: Isso de ser feliz, vai na volta nem é assim tão complicado, basta colocar a ganância de lado e evitar o mais possível deixar entrar gente perfumada de azedume nas nossas vidas, não é fácil, bem sei, mas a malta insiste e insiste e volta a insistir :)

      (ah, e a liberdade continua, embora já estejamos no dia seguinte à "festa", continuemos a festejar a liberdade para que o sol continue a brilhar, se faz favor e obrigada também)

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  2. Olhem que esta menina lembra-se de cada coisa. E depois quem gosta de a ler fica enrascada com o comentário. Tanto mais que a minha camioneta não transporta muita areia, que já está velhota. Mas também nem preciso de por a engrenagem a trabalhar, já que nunca comprei nada só porque o vizinho do lado tem. Compro o que gosto, se me faz falta e se tenho dinheiro que chegue. Ou não compro.
    Abraço

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    1. Elvira, é o meu lado desarranjado, desassossegado, que me está sempre a tentar e vai daí lembro-me de coisas sem nexo algum. Não há nada a fazer, a inquietação vence-me sempre.

      "fica enrascada com o comentário", não fique, não vale a pena :))

      Muita gente mete-se em verdadeiros imbróglios por causa disto de querer o que os outros têm, entretanto existe sempre quem lucre com a situação, a tal coisa do:
      - compre, compre já!
      - ligue, ligue já!

      Abraço para si também.

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  3. Hoje, eu passei só para pedir um favor. Se tiver um tempinho passe pelo Sexta, e junte-se à festa.
    Abraço

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    1. Passo, com certeza, Elvira. Logo mais no final da tarde, quase a cair na noite. Isto hoje está um pouco complicado por aqui.

      Uma abraço para si também.

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  4. Começo por te dizer que fazes retratos/pinturas/jogos tão reais que fico pasma. Parabéns!

    Este foi e é o retrato fiel de muitos, bota aí mais "muitos" portugueses com que esbarrei aquando a chegada a Portugal. Até hoje não consigo atinar com essas atitudes invejosas e com isso educam os filhos nessa onda e ficam muito admirados pelas as exigências dos mesmos. À pois é!

    Acho sim que a maioria das mulheres vestem-se para se sobreporem às outras e ou para agradarem aos maridos das outras (isto é tão mau) numa de dizeres: tens a teu lado uma "tripinha", olha lá para a minha montra:))) Mas felizmente há muitas com a cabeça bem assente nos ombros e fazem o contrário por terem a sua auto-estima lá no alto acima de tudo que cheira mal, cheiro do qual fujo a sete pés por não gostar de gente "podre"!!!!

    Quanto ao carro, ao telemóvel ao...a ...o...é tal e qual o que descreves e só mesmo meter esse pessoal no "isolamento" é que aprenderiam a ser gente, os que aprenderiam...e dava-me um enorme gozo vê-los caidos que nem "tordos" (esta tua expressão está o máximo). Sendo como sou...lá andaria a apanhar os tordos para um fim qualquer porque detesto ver ruas, praças, jardins, ribeiros e praias sujas:)))

    Um bom dia

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    1. Eu, Fatyly? Nada disso, apenas vejo no blog algo onde me posso deixar ir. Sei que sou criticada por alguns, lá isso sei, mas no entanto isto acaba por ser mais forte do que eu. Lá está, vence-me. Não é mau, antes pelo contrário :)

      Olhe que essa coisa de algumas mulheres se vestirem para agradarem o marido das outras, é que ainda não me tinha passado pela cabeça. E estou a falar a sério. Eu sou daquelas mulheres a quem as amigas dizem" eu confio nela (o ela sou eu) não confio é em ti (o ti é o marido) :))) Ou seja, ainda existem mulheres (inteligentes, na minha opinião) que percebem que a serem traídas têm mais é que culpar a pessoa com quem se casaram e não as mulheres que apenas têm o grande defeito de existirem. Ah, pois é, esta é a grande verdade e as verdades por vezes doem.
      ...
      "Sendo como sou...lá andaria a apanhar os tordos para um fim qualquer porque detesto ver ruas, praças, jardins, ribeiros e praias sujas" (ahahahahahahah). Obrigada pela gargalhada, Fatyly, até consegui ver a sua imagem a apanhar os ditos, de seguida a metê-los na panela para fazer sopa de tordos caídos desaromatizada de coentros (nem os coentros quereriam conviver com os ditos) :DDDDD

      Tenha também um bom dia.

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  5. Olá, Maria :)
    Este post é um bocado difícil de comentar, o que é bom sinal :)... Coisas muito fáceis de comentar normalmente têm pouco conteúdo.

    Tentei toda a vida evitar fundamentalismos. Extremos não costumam levar a muito bom porto...

    Se por um lado concordo que a inveja é um dos maiores males da sociedade, por outro lado acho que é uma certa... Como chamar?... Competição... que faz o mundo girar e o equilibra... O ser humano não se fez para viver isolado, para viver sozinho. Sozinho morre.

    Criticamos muito as mulheres (os homens não?) porque se vestem não para se sentirem bem, mas para as outras... Não há quem não critique isso... Mas ao fim e ao cabo... 99%das pessoas em 99,9% do tempo veste-se e arranja-se de maneira diferente, dependendo se vai sair ou não e, dentro do sim, dependendo ainda de para onde vai. Eu nem disse 100% nem toda a gente porque corria o risco de me aparecer aqui alguém a dizer "Não fale por mim! Eu ando em casa de vestido de cerimónia, saltos altos e devidamente maquilhada mesmo que não vá sair!!"... Então, usei o 99, pronto...

    Um homem compra um carro melhor do que o do vizinho... Mas é ele que o paga, certo? Se quisesse roubar o do vizinho ou lho fosse vandalizar por não conseguir comprar um carro melhor é que já era pior....

    Vivemos numa sociedade de competição. É normal ouvir os comerciais das empresas, por altura do Natal, fim de ano, dizer que estão a tentar ganhar prémios, pois a empresa premeia aqueles que tiverem vendido mais... Vender 100 pode ser bom ou mau, mediante se os colegas venderam 90 ou 110...

    Onde é que a competição deixa de ser saudável e passa a inveja doentia? Não sei... Não há um momento certo... Em cada caso as coisas são diferentes...

    Passamos a vida a criticar os outros... Mas se todos se queixam, se todos criticam, afinal quem é que está certo?

    Termino com uma piada que o avô de uma amiga de infância costumava dizer... Eu já o conheci na casa dos 60,mas a minha mãe dizia que sempre o tinha conhecido a dizer aquilo... Era camponês, portanto, friso já que, era natural que falasse no período de um ano, porque a vida agrícola rege-se por anos... Cada temporada é única...

    Ele dizia: "Eu qualquer dia faço um ajuste destes com um vizinho: só não se troca a família. A família é sagrada. O resto troca-se tudo. Ele vem com a família dele para a minha casa, trabalhar as minhas terras, com os meus animais, as minhas alfaias, tudo... Vem gerir o meu dinheiro, os meus negócios todos, e eu vou fazer o mesmo com as coisas dele... A ver se realmente ambos fazemos melhor que o outro... Porque nós passamos a vida a dizer ah, o Manel fez assim, devia ter feito assado! E o Zé fez cozido! Então se tivesse feito grelhado não era muito melhor?? Sabemos sempre governar melhor a vida dos outros do que a nossa... Então íamos ver.... "

    Era uma ironia, evidentemente... Mas tinha sentido

    Abraço :)

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    1. Olá São,

      Gostava de responder melhor a este seu comentário, mas no momento não posso, no entanto acho que a São não compreendeu o sentido deste post, por vezes não é necessário complicar muito, por vezes acho que a São complica muito, se estiver errada peço desde já desculpa.

      Um abraço para si também.

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    2. Ora essa, Maria... Não tem que pedir desculpa de nada... Pois se é a sua opinião, tem todo o direito a tê-la e a manifestá-la.

      Acho que a Maria pretendia saber como as pessoas achavam que seria a vida se a competição deixasse de existir por não haver termos de comparação, já que as pessoas viveriam sozinhas. Acontece que eu acho que isso não é possível de imaginar porque as pessoas não foram feitas para viver sozinhas... Logo, a competição sempre existirá... Nuns casos mais, em outros menos, mas sempre existirá

      Abraço :)

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    3. Este exercício, digamos assim, não teve a ver com o lado da competição, foi noutro sentido. Se a São ler algumas minhas respostas acima verá que não tem a ver com competição, daí ter arrastado a expressão do "caem que nem tordos".

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  6. Já tinha lido este excelente texto, mas a intensidade do trabalho na escola não me tem deixado muito tempo livre. O seu olhar circundante, Maria, é qualquer coisa. Com a enorme qualidade de o assumir. Deduzo que isso lhe traga algumas "exacerbadas amizades", mas eu gosto. Muito.

    Um beijinho :)

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    1. Fiquei ali parada a olhar para a parte das "exacerbadas amizades". Por vezes acho que o AC lê muito bem as pessoas. Acho não, arrisco um... tenho a certeza.

      Obrigada, por vezes é bom ouvir coisas positivas, as costas também têm que descansar das pancadas sucessivas :))

      Um beijinho para si também :)

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