segunda-feira, 25 de abril de 2016

O 25 de Abril, o jornalista e o sapato de Maria (que não sou eu)

Acordei hoje de manhã e lembrei-me logo de repente que hoje se comemorava o dia da Liberdade, eu que acho que o facto de podermos expressar livremente a nossa opinião é um privilégio. Privilégio esse que foi conquistado por outros, uma luta de outros para que muitos possam desfrutar, respirar à vontade, fazer bom uso dessa liberdade, tenho sempre a sensação que dizer obrigada a algumas pessoas é ainda assim muito pouco. De qualquer forma digo obrigada não pensando na parte do parecer muito pouco. Um pouco daqui, um pouco dali, somado, é bem capaz de ser um grande obrigada da parte das mulheres. E um obrigado da parte dos homens. 

(vou só recuar um pouco no dia de hoje e volto a sentar-me novamente na mesa do pequeno-almoço enquanto oiço as notícias da manhã)

(resolvi cortar o texto neste exacto ponto para resguardar as pessoas de informações de somenos importância)


O jornalista de um canal que para o caso não interessa referir, aliás, o próprio nome do jornalista para o caso também não interessa referir, não interessa porque encerro em mim a esperança de que aquilo que ouvi seja apenas fruto de um começo de manhã em que os meus sentidos ainda se encontram meio baralhados. Adormecidos, quem sabe. Dizia eu que às tantas o tal jornalista dava-nos a conhecer pequenos pormenores da sessão solene comemorativa deste dia 25, quando assim, vindo do nada, misturado com os cereais e o iogurte, levo com um sapato qualquer de uma senhora Maria que não sou eu. Ou seja, foi muito bom começar o dia com a informação deveras importante que Maria Cavaco Silva tinha perdido um sapato. Se ouvi mal peço desde já desculpa a Maria Cavaco Silva e ao seu sapato (não ) perdido. 
...
Acho que provavelmente ainda estaria a dormir. Provavelmente estou a confundir-me e não é pouco. Provavelmente deveria ter-me beliscado para ver se estava realmente acordada, ou então deveria  ter esticado o braço, entrado de rompante pelo écran adentro, beliscado o jornalista e, com a sobrancelha em arco, como sinal de reprovação, diria: ó ó senhor jornalista que tal ir para casa tomar o pequeno almoço?! Não se esqueça de trancar bem a porta, fechar as janelas, não vá dar-se o caso de levar em cima com muitos sapatos de muitas Marias assim meio chateadas com pormenores que não interessam nem a uma bota de elástico.

17 comentários :

  1. Estava eu entretido com as comemorações do viva o 25, unidos venceremos e a reacção não passará, deu-me para visitar alguns blogues, inclusive o meu. No 'Amanhecer Tardiamente' dou com uma situação verdadeiramente importante, daquelas que deverão, com toda a certeza, abrir todos os telejornais da noite, em Portugal e arredores.
    Maria, a Cavaco Silva, perdeu um sapato. Isto sim, é jornalismo puro. O 'publicozinho' merece estar (bem) informado. Nada melhor, portanto, que a senhora ex primeira dama ter perdido um sapato. O que me remete, por alguns segundos, para a história da Cinderela. Pobre Maria, a Cavaco Silva. E pobres de nós que temos que levar com estas patetices informativas. Eu disse informativas? Pronto, está dito.

    Comemora-se a liberdade? Ora aí está uma coisa que me deixa satisfeito. Tanto que peço a Maria, a Madeira, que tenha a gentileza de me dizer onde, em que país, é que se comemora a liberdade. É que assim de repente não estou a ver.
    Pronto, o homem é um reaccionário, se calhar é um fascista que anda aqui a enganar a malta, pensará Maria, a Madeira. E eu respondo, mesmo sem ter a certeza de que a ilustre senhora que amanhece tardiamente terá pensado no que eu pensei que pensou.

    Já agora, e porque ninguém desconfiaria, poderíamos comemorar o facto de haver tanta ignorância espalhada por aí. Ou por aqui. Sinto-me muito mal quando ouço pessoas perguntar a outras pessoas quem foi o primeiro presidente da república depois do 25 de 74 e obter, como resposta, um 'não sei' ou o som de um nome que não tem nada a ver com o assunto. Adultos e não jovens que por serem jovens não sabem mas que outras pessoas atribuem culpas aos professores que não ensinam a ponta de um ... isso!

    Quando Maria chegar - já chegou mas não quer dizer - à conclusão de que estava acordada, reflectirá sobre o tal jornalista e perguntará a si própria se ele saberia responder à pergunta feita por pessoas a outras pessoas. Se é o 'jornaleiro' que penso, talvez não saiba.

    Que canseira! A vida é mesmo isto. Estou mesmo interessado em saber em que país se comemora hoje a liberdade. Não me deixe sem resposta, por favor.
    E agora vou ali porque os foguetes não se calam.

    Beijinho para si.


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    1. Eu aqui deste lado a tentar levar o assunto para o lado do humor, ainda que exista uma ponta desta notícia-informação (bom, chamemos a coisa de notícia-informação para não azedar o post) capaz de nos catapultar para um género de jornalismo que se faz em Portugal que não interessará muito, e vem o caro Observador a querer falar do 25 de Abril em tom sério, em tom de gente que sabe muitas coisas (neste caso até sabe). Ora bem...

      Continuando no ora bem... ora bem... não sei se se lembra de uma vez aqui a Maria dona deste blog ter falado do 25 Abril em tom sério, num post, (convém por vezes uma pessoa fingir que sabe muitas coisas) foquei-me nessa altura nas mulheres e o quanto o 25 de Abril fez pelas mulheres, falei em tom sério de liberdade e as vantagens dessa mesma liberdade, falei que cresci em liberdade, tive o privilégio de crescer em liberdade, portanto não sei o que é fazer parte de uma ditadura Salazarista, vai daí aquilo deu bronca, entraram alguns bloggers que diziam que o 25 de Abril só arrastou mas foi libertinagem. Eu aí tentei argumentar dizendo que liberdade é uma coisa, libertinagem é outra e nada tinha a ver com o 25 de Abril. Mas foi em vão. Desisti.

      Agora falo de assuntos sérios meio a brincar, sem que o assunto tenha uma grande carga negativa, pesada, porque acho que por vezes é a melhor maneira de levar as pessoas a falar descontraidamente. E porque não me levo muito a sério. E porque não gosto nada de incêndios. Não sou uma incendiária, portanto, acho que aquilo dá cadeia e não sei mais o quê. E é isto.

      Agora mudando de assunto rapidamente não vá cair-me um foguete em cima, é que por aqui, hoje, todo o santo dia se discutiu este assunto. E as discussões foram acesas. Existem as pessoas que defendem o 25 de Abril e a liberdade (como eu) e existem outras que defendem que no tempo da "outra senhora" (raio de expressão) é que era bom. E eu que não me posso enervar nem nada, falo de... sapatos que se perdem por aí e jornalistas muitA fixes. Pronto - só para não dizer prontoS.

      Caro Observador, eu acho que temos excelente jornalistas no nosso país, entretanto existem outros que dormem mal e dá em notícias-sapata.

      Já agora, quando quero ler gente que sabe escrever (bem) e falar de assuntos sérios, dou um salto ao escreveretriste.com. Também leio o seu blog (tenho que o engraxar um pouco, ahahahah) ou vou ao blog Delito de Opinião. O blog Em Linha Recta também escreveu um texto curto e delicioso hoje, só não comentei porque no momento não podia. Como vê existe gente na blogosfera cinco estrelas.

      Beijinho também para si.

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    2. Não me diga, Maria, que não gosta do blogue da Cristina Ferreira!?!?!?!?!?!?
      E da Fátima Lopes? E da Júlia Pinheiro?
      Não, não me diga, não quero sentir-me mal.
      Logo hoje que ... ahhhhhh, afinal qual é o país onde se comemora a liberdade?

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    3. De repente desceu um nevoeiro aqui por estes lados que nem lhe digo nada. Nem consegui ler este seu comentário, não vejo nada, com muita pena minha, tenho a certeza mais do que "absolutinha" que gostaria muito de responder. Ohhhhhhhhhhh. Fica para a próxima :))))))))

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  2. Eu vi e ouvi na SIC. O jornalista (repórter de rua) estava a dar a informação em directo da chegada e respectiva entrada das "celebridades". "acaba de chegar o ex-presidente ACS e sua esposa e fez uma pausa... e vi a Maria abaixar-se e bem atrapalhada que pensei que ia cair escada abaixo. O que é que jornalista haveria de dizer? O óbvio..."palavras que ouvi: nada de grave, perdeu (eu percebi prendeu) um sapato.

    Depois ouvi o discurso do Marcelo e há muito que não via um discurso tão apropriado para o momento! Parabéns Sr. PR!!!!

    Até agora não voltei a ligar a televisão. Se repetirem a imagem até à exaustão, aí direi que sim...é mau, muito mau, mas na hora achei que o jovem esteve bem.

    É a minha opinião e vale o que vale.

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    1. Fatyly, eu resolvi trazer este assunto a lume, digamos assim, porque acho que existe uma diferença que tem que ser levada em conta, os blogs são feitos por gente amadora (pelo menos a grande parte, é) logo, não são para levar muito a sério, ou a levar a sério convém fazer o devido desconto, mas, jornalismo, é um assunto sério e este tipo de pormenores não acrescenta rigorosamente nada. Antes pelo contrário.

      O nosso Presidente Marcelo Rebelo de Sousa merece o meu respeito. Sempre gostei muito dele, embora muita gente tenha caído em cima pelo facto de ser comentador televisivo e tal, eu não quero saber, acho que temos Presidente. E gosto muito do Presidente que temos. Ámen!

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    2. Esqueci-me de acrescentar que provavelmente não estamos a falar do mesmo jornalista, este de que falo, desta notícia de Mª Cavaco Silva, já não é jovem e é bastante conhecido. Nem sequer tenho uma má imagem dele...

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    3. Estão, as senhoras, a falar de jornalistas diferentes.
      Intrometi-me mas já cá não estou ;)

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    4. Parece que sim. A Fatyly viu um jovem, eu vi um jornalista de meia-idade :))

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    5. Maria acabei de ler os comentários e se gargalhada matasse...já estava morta da Silva (não do Cavaco certo?)

      O menino Observador quer "picar" mas aqui a "je" tem resposta para ele queres ver?

      - O jornalista que vi era um jovem e a Maria viu um que já não é jovem. O Sr.que bem observa não saberá que há vários canais televisivos? E que todas elas tinham dois repórteres em pontos diferentes? Á pois é...

      para terminar e mudando de agulha no camião TIR, aproveito para lhe dizer que o teor do post que fiz não falo do interior mas do exterior...ai cum catano o Siô anda com as "bistas" trocadas:))))

      Vou dormir que amanhã é dia de SOS-Avó/Mãe e oxalá que esteja o dia de sol igual ao de hoje!

      Beijos e desculpem lá qualquer coisinha e a Cavaca que não compre sapatos XPTO (na volta eram emprestados para publicitar algum, como é que se chama??? não me recordo e como tal digo "sapateiro":))))

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    6. O caro Observador um dia destes, pica e pica e pica e calha a ficar espremido entre duas mulheres. A Fatyly faça o favor de espremer daí, que eu espremo daqui. :)))))))))

      (se calhar não escolhi as melhores palavras, isto da língua portuguesa...)

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    7. Eu, espremido me encolho! :)))
      Onde eu me fui meter ... ;)

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    8. :))) eu já desconfiada mas não tinha dito nada a ninguém...mete-te com a Maria Madeira e o TIR que vais ver...saí já daqui xô, xÔ, queres levar com o "tiquinho do salto da Maria Cavaca", queres?

      Vou dormir "mazé" :)))

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  3. Ora bem, eu acordei a horas em que a D. Maria, que não é I, porque não estamos na monarquia, mas que na república já foi I (dama) ainda devia estar a virar-se para o outro lado. E porque não ligo à TV, e mesmo que ligasse, não eram horas de notícias, ou porque gosto muito mais de caracóis do que de TV, adivinhe onde comecei este meu dia? Pois a apanhar caracóis. (Vantagens de se morar com um pé na cidade e outro no campo.) Por via disso, estava completamente alheia ao facto importantíssimo da D. Maria ter perdido o sapato. E não é que enquanto almoçava, o marido ligou a TV e lá estava a notícia no telejornal da uma? Engasguei-me com o pedaço de polvo e acabei por não perceber se a senhora foi às comemorações ao pé coxinho (o que dada a idade da dita senhora não deve ter sido tarefa fácil) ou como é que a senhora lá chegou. Será que algum Príncipe encontrou o sapato?
    Quanto ao dia em si, também fiz um post sobre o assunto.
    Um abraço e uma boa semana

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  4. Voltei. Porque entretanto li nas notícias ao minuto, que afinal a criança que deu o cravo ao soldado foi uma mulher de 40 anos que só lhe deu o cravo, porque o soldado lhe pediu um cigarro, e ela não fumava. Isto faz-se? Andarem a enganar-nos com a romântica foto da criança a colocar o cravo na espingarda? Ou seja, se a dita senhora que hoje tem 83 anos fumasse, a revolução seria do quê?
    Abraço

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    1. Elvira, deixe-me que lhe diga que estes seus dois comentários são qualquer coisa de muito bom. Eu diverti-me bastante a ler, quer um, quer outro. Entrou na minha onda, já percebi. Gostei bastante.

      Abraço e tenha uma excelente semana.

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