sexta-feira, 8 de abril de 2016

(e se não fosse eu?)

Resolvi voltar ao mundo da blogosfera com este tema que visa a plataforma de apoio aos refugiados e, especificamente, um desafio que foi lançado a várias figuras públicas de diversas áreas. O que levariam elas na sua mochila - no caso de saberem pôr uma mochila às costas - se de repente tivessem que sair rapidamente do seu país? Até aqui... top (este irritante top tão em moda nos dias que correm, é uma pequena provocação aos tops desta vida, gente que normalmente não me diz muito). 

Adiante.

Não me apetece falar da polémica à volta de Joana Vasconcelos. Seria demasiado previsível. Apetece-me, isso sim, falar da origem da coisa. Aquela parte do "e se fosse eu?" que me parece ser o grande problema de tudo isto. Ou seja, não somos realmente nós que estamos naquela situação, não somos realmente nós que estamos esmagados pelo desespero, porque se fôssemos nós a ter que abandonar a nossa casa rapidamente, a abandonar o nosso país fosse de que forma fosse, aí outro galo cantaria e os objectos politicamente correctos que se colocariam numa mochila não seriam quase de certeza os escolhidos por quem quer apenas ficar bem na fotografia. Não sei se já disse, mas se não disse, digo-o agora, ando um bocado cansada de fotografias e de gente que tem muito tempo para se maquilhar e pentear para fotografias quando lá fora existe gente que não tem tempo para limpar armas só naquela de conseguir sobreviver.

11 comentários :

  1. Que coisa tão ridícula, essa do "e se fosse eu?". Inqualificável.

    Regressou para ficar, Maria?
    Beijinho

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    1. Caro Observador, não sei se utilizaria a palavra "ridícula" para definir este género de desafios, no fundo até são interessantes. O que a mim me chateia é que se vá buscar pessoas que sabem qual o ângulo exacto para ficar bem na foto. Tirar partido da coisa e tal. Isso chateia-me, admito. Entretanto é uma tremenda falta de respeito por quem está a sofrer realmente.

      No entanto esta pergunta quando colocada a crianças faz todo o sentido, ali ainda existe inocência, nada está formatado. De adultos formatados está o mundo cheio...

      ...

      Vamos ver se é para ficar. Beijinho para si também.

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  2. Da minha parte gostaria que fosse para ficar. Senti saudades deste espaço.
    Quanto à pergunta eu penso que não tem lógica. Quando a guerra aperta, as pessoas não se lembram de pertences. Estive em Luanda no tempo em que a guerra era latente. Quando os musseques eram bombardeados, as pessoas só pensavam em fugir, e era muito rara aquela que trazia alguma coisa que não fosse a roupa que tinha vestida.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Ora aí está, Elvira, quem é que no meio do desespero se consegue lembrar de pertences? De coisas materiais? Acho que este desafio é, apenas, tentar colocar-se naquele exacto momento em que a vida está prestes a desmoronar-se. Por mim só traria as pessoas que, se perdesse, não valeria a pena, de todo, continuar a respirar. E o meu cão, se ainda fosse vivo. Quando estamos juntos a vida pode acontecer novamente. De que me serviria levar um livro, se no meio do imenso mar, às escuras, mal consigo ver vida, quanto mais ler...

      Abraço e tenha também um bom fim-de-semana.

      PS: Obrigada pelas suas palavras simpáticas (novamente) em relação a este meu espaço.

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  3. Cara Maria, que alívio! Vc voltou! Suma ou fique de vez contanto que vc de o ar da graça de vez em quando já estou satisfeita. Não estou a par da polêmica com a dita Sra mas a coisa dos imigrantes é assunto sério que ninguém sabe como resolver.

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    1. Olá Giselle,
      O assunto refugiados toca-me bastante. Isto porque tento acompanhar tudo o que se vai passando por aí. No outro dia vi uma reportagem que dava a mostrar as condições terríveis em que muitos se encontram. Muitos encontram-se a viver em tendas, debaixo de chuva, ao frio, com crianças pequenas... por isso é que me chateia esta gente que se põe a dizer coisas parvas do que é que levavam na mochila.

      ...

      pS: Este intervalo teve mesmo que ser... Isto de escrever e de dizer o que me vai na alma faz-me bem. Se for feito com honestidade, evidentemente. A intenção disto de ter um blog é, tão somente, apenas a de conversar (escrevendo) com quem está desse lado. Aprende-se bastante ouvindo através das teclas. Soou a estranho isto de ouvir através das teclas, bem sei, mas não é.

      Beijinho para o seu bebé.

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  4. Fico feliz por teres voltado e que seja até te apetecer.

    Arredada das notícias e polémicas fui ver a origem do tema que abordas e fiquei sem palavras, a não ser uma pequenina perguntaria e onde carregariam as coisas tecnológicas? No dito? Pois...adiante porque estou um bocado agoniada.

    Fugi de uma guerra como bem sabes e o que trouxe? A filha agarrada ao meu peito com unhas e dentes e uma pequena mala com roupa dela, porque minha só as sandálias e o vestido de chita no corpo e o tremendo roncar do estômago - FOME!!!!

    O resto? Que resto? Já não me lembro porque tudo ficou pulverizado nos bombardeamentos e destruição.

    Já não consigo ver as imagens dantescas porque me sinto tal e qual como eles...dói, dói e a ferida abre de novo. Quanto aos outros...pois é tão fácil mandar bitaites de cu no sofá e de barriguinha cheia.

    Ó mundo cão...uns com tanto que se dão ao luxo de fazerem o que fazem e outros sem nada que esgravatam o lixo para comerem "o desperdício" de S.Exªas.

    Beijos e um Bom Domingo

    Esta gentinha sabe lá o que é ser-se refugiado, o fugir para nenhures

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    1. Fatyly, gosto muito de a ver por aqui. Aliás, a Fatyly é uma das pessoas desse lado que já faz parte da "mobília" deste blog-casa. Parece-me que esse tipo de "mobília" (que me perdoe o uso da palavra) é rija que se farta. Quem acaba por sair beneficiada é esta simples casa de madeira.

      Pouco tenho a acrescentar ao seu comentário, porque por vezes convém é ouvir muito e falar pouco. É o caso. Acrescento apenas que os objectos que muita gente colocou na mochila neste desafio, é caso para pensar que estavam a fazer a mala para umas férias com tudo incluído na Republica Dominicana. Acho que Joana Vasconcelos só se esqueceu do toalha de praia e do protector solar, não vá dar-se o caso de apanhar um escaldão daqueles no navio cruzeiro de luxo. Peço desculpa pela forma muito pouco simpática (e sem paciência) com que tratei este assunto, mas existem assuntos e pessoas que me tiram do sério.

      Tenha também um bom domingo.

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  5. Olá, Maria :)
    Eu quando vejo estas coisas na base do "e se fosse eu" lembro-me logo de um comandante dos bombeiros de uma cidade do Algarve que promovia frequentemente acções de formação e campanhas de sensibilização sobre como agir em caso de sismo, de incêndio .. A velha história do "não entre em pânico, ponha-se na umbreira de uma porta, ou debaixo de uma mesa, dirija-se calmamente para as escadas, não ligue interruptores ...."... Bem, essa história toda que todos já conhecemos...

    Numa bela tarde de domingo estava a jogar às cartas com um cunhado em casa deste, num 14°andar, quando deflagrou um incêndio no prédio.... Bom, ele contava que tinha desatado a correr que nem um doido, o cunhado também, os dois aos gritos.... Só alguns minutos depois é que conseguiu acalmar-se e lá ajudou pessoas e lá agiu como bombeiro que era... Mas diz que por dentro estava em pânico e a tal calma de que falava não a sentia por dentro... E então diziam-lhe "Mas, caramba! Tu já és bombeiro há tantos anos, por algum motivo és comandante, já combateste tantos incêndios..." e ele respindia "Pois... Mas uma coisa é estarmos no quartel, ou mesmo em casa e sermos chamados. Estamos preparados para isso, quando saimos de casa ou do quartel já sabemos para onde vamos.. Outra coisa é o incêndio surgir de repente ali ao nosso lado..."

    Ah, pois é... Isso do "se fosse eu..." é muito engraçado... Todos "sabemos muito bem" o que faríamos quando se trata apenas de uma hipótese :)

    Um abraço e bem vinda :)

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    1. Olá São,

      Atirei disfarçadamente ali para o meio do "e se fosse eu?", no título, um não. E se não fosse eu? A provocação foi no sentido de perceber se as pessoas notavam aquele não e porque é que ali estava a estragar o filem todo. Foi simples. O que quis dizer com aquilo do título e do não, é que estamos tão bem sentados nas nossas confortáveis vidas, sabendo que não somos nós, que nos podemos dar ao luxo de dizer coisas parvas. Eu também as digo por aqui, só que jamais as diria neste contexto de que se fala. Refugiados é um assunto sério. Ponto.

      Abraço para si também e tenha uma óptima semana.

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