quarta-feira, 13 de abril de 2016

(comentários que li num post e que me deixaram boquiaberta)

A Sónia Morais Santos, uma blogger muito conhecida, que normalmente leio, resolveu escrever um post em que fazia referência a uma situação a que tinha assistido num café, uma criança com uma birra que resolveu bater na avó e a atitude permissiva, digamos assim, por parte daquela avó. Pois que a Sónia fartou-se de explicar que a criança tinha batido na avó, que assistiu a tudo, que conhece a família, que não compreendia tal coisa... A maior parte dos comentários que por lá existem são simplesmente para crucificar a Sónia e o tom do seu post. Não vi em parte alguma alguém que se tivesse indignado com o facto de crianças terem, por assim dizer, autorização para bater nos avós. Não percebo, e nesse aspecto estou com a Sónia, que avós deixem que os netos lhes batam e continuem impávidos e serenos. E ainda nos admiramos que, mais tarde, na adolescência, existam notícias de adolescentes que batem nos professores...

(se não for pedir muito, poupem-me, por favor, ao discurso de que não se pode contrariar as crianças porque podem ficar traumatizadas para o resto da sua vida, e que uma palmada no rabo é sinal de violência física por parte dos pais, que isso não compro. Não sou a favor de bater em crianças, que não sou, acho apenas que uma palmada no rabo não é sinal de espancamento, na minha opinião, e o que não consigo realmente deixar passar em branco é esta coisa de ninguém se revoltar com o facto de uma criança bater na avó, isso é que não me sai da cabeça).

10 comentários :

  1. As minhas filhas não foram de fazer birras, em casa tinham as suas, mas fora nunca. Uma das minhas netas por volta dos seus 4/5 anos era por demais e por vezes começava do nada. Claro que levou palmadas e não lhe fez mal algum. Quando se acalmava havia resmas de conversas com ou dos pais.
    Comigo deixava-a chorar até se cansar, mas certa vez levantou-me a mão e levou uma bela palmada. Nunca foi de chamar nomes conforme às vezes oiço de outras crianças...mas não julgo porque sabia a educação que tinha a minha neta e que na ausência dos pais eu não deixava de cumprir.

    Foi um período negro e muito cansativo, mas para além do desespero dos pais, mais cansativo é o olhar crítico/inquisitório/acusador dos outros ou porque incomoda o choro (entendo) mas julgamentos precipitados jamais os fiz perante outras crianças e que a minha neta fazia parte desse pacote. Se por acaso era por um Não, o Não mantinha-se, mas a maioria das vezes surgia do nada! Mal estar? Sono? nunca soubemos e a pediatra dizia que tinham de ter resmas de paciência. Por vezes ficava no carro com um deles para evitarem "cenas".

    De um dia para o outro passou-lhe e hoje nos seus quase 11 anos recorda e bem o que fez passar aos pais e a mim.

    Portanto a passividade dessa avó para mim foi má, muito má. Podia não bater, mas ralhar e jamais dar um docinho para acalmar ou sei lá a finalidade.

    Há pais e pais, há avós e avós e por vezes o que vemos não é coincidente com a educação que têm em casa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fatyly, acredito que uma birra não deva ser coisa fácil de gerir por parte de uma mãe ou de um pai. Ou dos avós, neste caso foi da avó, só que a partir do momento em que a atitude de uma avó é aquela, tenho para mim que para a próxima é capaz de ser bem pior. Não se recompensa uma criança com um doce depois da criança ter feito o que fez - bater na avó. No entanto a única razão das criticas foi o tom adoptado no post por parte da Sónia, até parece que muitas mães que por lá existem são um exemplo no mundo virtual. Não vem que não tem...

      Com certeza que incomoda o choro de uma birra de uma criança, mas não fui por aí, consigo compreender que as crianças são pequeninas e é quase "normal", mas aí também cabe aos pais/avós saber se devem fazer alguma coisa para não incomodar as pessoas, ou achar que são as pessoas que têm que mudar de sitio. Olhe, nesta parte, gostei da resposta da Sónia, lembro-me da minha mãe ter feito o mesmo comigo na minha primeira e única birra. Quem estava a incomodar era eu, portanto pegou-me no braço e ala que se faz tarde para a rua. Nunca mais fiz uma birra na vida. Também, pudera, bastava ver os olhos muito abertos, tipo faróis, que eu encolhia-me toda.

      Eliminar
  2. Não conhecia o blogue e a bloguer. Fui pelos meus dedos, guiado pelo link.
    O que li, da parte da Sónia Morais Santos, tem o minha concordância e até um aplauso pela frontalidade.
    Quanto aos comentários, os seus autores são umas bestas.
    Tenho dito!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A SMS é jornalista, escreve livros e dá a cara na apresentação de um programa de tv que fala exactamente de crianças, para além disso é mãe de três crianças (penso que são três, não tenho a certeza).

      Dos cento e muitos comentários, alguns aproveitam-se, também existe por lá gente que percebeu a mensagem da Sónia. Felizmente. A SMS respondeu a alguns, e explicou a situação, mas nem assim aqueles comentadores deixaram de atacar. Parece que as mães de hoje em dia têm muito medo dos seus filhos pequenos, têm medo de lhes dizer não, são os filhos que mandam e não os pais. Espectacular.

      Boa noite, caro Observador.

      Eliminar
  3. Antes de mais, Maria, gostaria de manifestar a minha satisfação por ter regressado. É das que faz falta.
    Quanto ao assunto do post, dei-me ao trabalho de ir espreitar o "local do crime". Li um relato normal duma situação que deveria ser anormal, mas que muitos querem normalizar. Valerá a pena dizer mais? Creio que não, a leitura dos comentários (creio que já ultrapassam a centena) é bastante elucidativa.
    Será Portugal um caso perdido? Não, claro que não, mas às vezes tudo isto se torna desesperante.

    Tenha uma boa noite :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Os comentários sempre simpáticos do AC é que fazem falta. Ó ó :)

      "um relato normal duma situação que deveria ser anormal, mas que muitos querem normalizar", nem vou escrever mais nada só para não estragar as suas palavras que, de uma forma muito clara, resumem tudo.

      Tenha também uma boa noite, AC :)

      Eliminar
  4. Tenho uma neta que fez sete anos em Fevereiro e que eu criei até aos três anos e 8 meses, altura em que foi para a escolinha. Nunca lhe bati, ela nunca teve uma atitude semelhante. Às vezes amuava porque não lhe fazia a vontade, eu não ligava e fazia de conta que não via. E passado um bocadinho, ela vinha ter comigo. "Avó estás zangada comigo"? "Não Mariana, não estou zangada, mas não gostei da birra" "desculpa avó" E pronto. Mas garanto-lhe que se ela me levantasse a mão levava uma bela duma palmada. Quando o meu filho era pequeno, passou por uma fase de revolta. E tornou-se agressivo. Eu não queria de forma alguma bater-lhe e o pedo-psiquiatra que o acompanhava disse-me. Se ele vos bater-vos, batam-lhe também, se ele morder, façam-lhe o mesmo. Ele tem que sentir que o que ele faz dói. O nome do médico? José Manuel Jara. O Pedro tinha seis anos. Tem 36 anos e nunca nos faltou ao respeito, passada que foi aquela fase de revolta.
    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gostei bastante deste seu comentário, Elvira, muito mesmo. Falou uma avó e falou uma mãe. E de repente uma pessoa percebe que afinal existem caminhos certos para educar uma criança. É ler e aprender.

      Um abraço e muito obrigada.

      Eliminar
  5. Por limites a uma criança é uma prova de amor.
    É dizer que a amamos o suficiente para "lutar" por (com) ela.
    É zangarmo-nos com um comportamento e a seguir ir conversar e só parar quando temos a certeza que ficou claro porque nos zangamos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boop, quando diz que "pôr limites a uma criança é uma prova de amor", parece-me que tem toda a razão, arriscaria ir um pouco mais longe e acrescentaria que é ajudá-la a crescer na direcção certa. Até nós, os adultos, precisamos de alguns limites para não descambar, quanto mais uma criança que está em pleno desenvolvimento.

      Eliminar