sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A malta continua a balançar entre o 8 e o 80

Algo me diz que assim não vamos lá. Se por um lado temos revistas que apostam em capas com mulheres que parecem respirar perfeição, a perfeição da magreza que nada tem de perfeita a não ser que seja algo natural e não imposto por uma sociedade que diz: se não fores magra, jovem e bonita, a vida é bem capaz de não te sorrir de cinco em cinco minutos. Os homens, tal como a vida, provavelmente não te vão olhar uma segunda vez. És bem capaz de ficar para tia, com a agravante que tens de te assegurar que tens irmãos, caso contrário és lixada em todos os quadrantes.

Entretanto porque é necessário inovar ou lá que raio é (eu faço a leitura de puras manobras de marketing) decide-se trocar as voltas e começar a arrastar para capas de revistas modelos de tamanho XL, para que, com isto, a auto-estima de muitas  mulheres, mulheres essas que vão ao encontro de tamanhos maiores, fique lá mais em cima. Esta é a mensagem que eles querem passar, e eu, até me estou a esforçar para acreditar. Só que o meu esforço nestes momentos não me facilita a vida.

Resumindo: na minha opinião, tanto é perigoso modelos demasiado magras em capas de revista que possam de alguma forma influenciar mulheres mais novas ou menos novas, levando-as por vezes a cometer verdadeiras loucuras, como é perigoso apostar em modelos com demasiado peso, criando a falsa sensação que ser obeso não tem mal algum. 

E parece-me que o mundo continua a caminhar para o precipício. Não existe equilíbrio. Existem interesses camuflados de boas intenções. O 8 e o 80 deveriam ficar definitivamente fora de moda, 

Isto tudo a propósito desta notícia e desta modelo de tamanho XL:


14 comentários :

  1. Agora percebo por que motivo as televisões tuga mostraram a senhora da foto. Reportagens que não percebi por causa do ruído em meu redor.
    Afinal, foi Ashley Graham a causadora do susto que apanhei ontem, depois de jantar. Nunca pensei que uma mulher me provocasse distúrbios. Nem imagino como terá ficado a minha 'pisique'.
    Há, nesta foto, duas coisas que me agradam. Os olhos da jovem e ... o mar calmo mar.
    Robyn Lawley sim, é mulher de corpo inteiro.

    Um beijinho, Maria.

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    1. Acho que a notícia está espalhada por todos os canais de tv, estendendo-se à imprensa. É uma campanha que fica ali a balançar entre o oportunista e o perigoso, na minha opinião. É um mundo de extremos. Ora se diz que o que é bom é ser muito magra, ora se volta para o outro lado e se diz, como quem não quer a coisa, que ter excesso de peso é que é, não tem mal algum. Pois, num país como o nosso em que a obesidade infantil já é preocupante, em que se vê miúdas de 15/16/20 anos com peso a mais, ainda tentam como que normalizar a coisa com capas de revistas destas. E as mulheres andam atrás de modas-ditas-normais como se fossem verdadeiras marionetas.

      Não é bom ser demasiado magra, tal como não é bom ter excesso de peso. Ponto.
      Ainda falam de alterações radicais de humor nas mulheres, pudera...

      Também me suscitou curiosidade e fui espreitar Robyn Lawley, e sim, concordo consigo, ali estava uma modelo equilibrada, nem demasiado magra, nem com excesso de peso.

      Beijinho, caro Observador. Bom fim-de-semana.

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  2. A minha avó sempre disse que no meio estava a virtude. Ou seja, nem esqueléticas, nem obesas.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. As avós são sábias...

      No entanto existe um provérbio português lá muito do antigamente que apostava numa frase que já não faz sentido algum nos dias que correm, a frase batida do "gordura é formosura! Não é. Tal como uma outra frase: "nunca se é demasiado rica, nem demasiado magra", também não corresponde à verdade, pelo menos na parte do demasiado magra. O resto, a parte do demasiado rica... se vier por bem, uma pessoa faz um esforço grande, e aceita :)))

      Bom fim-de-semana, Elvira. Abraço para si também.

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  3. Bom dia, Maria :)
    Eu quer me parecer que se trata apenas de um caso isolado, como tantos que tem havido por aí... O estereótipo da moda é a mulher esquelética e isso não muda assim com uma mera campanha isolada... Nem acho que alguém acredite nisso!

    A questão saúde e beleza não estão muito relacionadas... Não me parece que a senhora da foto tenha problemas de saúde derivados de excesso de peso... Se os tiver será por outro motivo. Se perguntar a um médico se uma mulher com 1.75 m está bem com 66, 67 quilos, ele irá dizer que está perfeitamente bem. Mas se perguntar a um criador de moda, ele irá dar uma gargalhada, portanto, não me parece que seja por aí... Não esquecer a velha questão também de ser uma espécie de dado adquirido que televisão ou fotografias aumentam 5 quilos ( pelos vistos, tenha a pessoa a altura que tiver) e então uma modelo ter que na realidade ter que estar um bom bocado abaixo do seu peso normal para "parecer" que está no peso normal...

    Acho que, pelo menos neste caso, precisamente por haver um extremo é que há quem crie o outro... A ideia é precisamente combater...

    Essa de "gordura de fomusura" é uma questão que compreendo porque me parece que tem origem em meios socio-culturais em que as pessoas eram extremamente pobres, trabalhavam muito e passavam fome... E então, quando viam uma pessoa um pouco mais cheeinha, ficavam bem impressionadas, porque isso era sinónimo de uma vida melhor, mais abundante, de menos miséria. Ainda não há muito tempo ,falei disso com a minha prima, em relação às pessoas lá serra, quando nós éramos crianças: havia alguém que fosse realmente gordo? Ninguém! E antes disso ainda tinha sido pior!

    Abraço, Maria, e bom fim de semana :)

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    1. Olá São,

      Não se esqueça que vivemos na era das novas tecnologias, qualquer noticia hoje em dia que cai na net, é espalhada automaticamente pelo mundo inteiro num curto espaço de tempo, as partilhas, visualizações, atingem os milhões num curto espaço de tempo. Logo, arrisco dizer que não existe nos dias que correm isso de "mera campanha isolada". A internet chegou e revolucionou tudo, este tipo de campanha, de mensagem, chega a todo o lado, a toda a gente, basta ter um computador ali à mão.

      O excesso de peso, ou o ser demasiado magra(o), quer queiramos, quer não, está sempre interligada com a saúde. Convém não tentar minimizar o assunto. A obesidade está a aumentar nas crianças/jovens de uma forma um pouco preocupante, não se pode entrar nesta onda de levar as pessoas a pensar que não tem mal algum ter excesso de peso, porque tem. Capas destas são feitas com a intenção de vender. Vender revistas, vender biquínis, vender lingerie, o dinheiro aqui é que conta, não nos iludamos com falsas boas intenções. A distracção costuma ser sempre a morte do artista.

      A São acha que se consegue ver por uma simples foto se uma pessoa está bem ou mal de saúde??? Vá, esse argumento foi fraquito, convenhamos :)))

      Fotografia aumenta cinco quilos??? Eu cá estava convencida que existia o photoshop e a coisa funcionava ao contrário, costumam é "aliviar" o peso de forma instantânea a quem precisa de perder peso em cinco minutos ;)

      Isso da tv aumentar cinco quilos não deveria ser um problema, isso é pedir às pessoas que sejam esqueléticas para que a imagem delas na tv seja "comestível". Ora, uma pessoa está a ver tv ou está a querer "comer" gente da tv? (peço desculpa mas não tive como contornar isto, saiu a cru).

      Bom fim-de-semana, São. Um abraço.

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    2. i, Maria, deu-me a sensação que desconversou um bocadinho nesta resposta... Eheh.. Bom, vou por partes... Por parágrafos, a ver se não me alongo demais :D

      1° parágrafo: obviamente que sei que estamos na era das novas tecnologias e que hoje em dia o que cai na NET depressa chega ao mundo inteiro, ninguem melhor do que eu sabe disso, mas por isso mesmo , Maria, vem logo à minha cabeça o ponto alto da tal música dos Eagles :) : They will never forget you... Till somebody new comes along. É isso mesmo: está moda agora chega depressa ao mundo inteiro, mas a que vier a seguir chega também, porque a tecnologia continua e depressa esta é abafada por outra que venha a seguir... Aliás, por isso mesmo, hoje em dia, a fama é tão imediata como efémera. Ser uma vedeta é fácil, mas esse vedetismo é efémero, precisamente porque a seguir chega outra vedeta, que também sobe de forma rápida.

      Maria, eu não disse que o excesso de peso ou magreza extrema não estão relacionadas com a saúde. Se dei a entender tal coisa, retiro já! O que eu quis dizer foi que o que a moda tem em conta não é olhando à saúde, mas só e somente à imagem. Aliás, eu pensei que tinha sido clara. O que os médicos consideram o peso ideal para uma determinada altura, ou estatura não tem nada a ver com o que os mestres do mundo da moda consideram ideal. Aliás, ao que sei, está muito longe de ser. Eu lembro-me, aliás , de uma modelo profissional, embora a nível regional lá da minha zona do Algarve , a quem até diziam sempre (as donas das lojas para quem ela trabalhava) que tinha que perder um ou dois quilinhos , que uma vez foi ao médico, porque estava com um atraso menstrual considerável e a quem o médico disse que isso estava a acontecer porque ela estava MUITO abaixo do peso ideal para a altura que tinha.

      Foi aqui que achei que a Maria desconversou... Eheh... Claro que não consigo ver por uma fotografia se a pessoa está bem ou mal de saúde, mas acho que neste caso, se esta senhora estiver com algum problema de saúde, duvido muito que seja pelo excesso de peso... Se fosse obesa, possivelmente. Mas não é. Pode estar em risco de ser um dia s então, aí sim, poderá vir a ter problemas relacionados com isso... Mas para já, não me parece.

      As fotografias têm photoshop hoje ( está não terá? ) , mas antigamente não. No caso da TV... Pois... Se os desfis de moda passam na TV ... Os olhos também comem às vezes, sem que isso prejudique o espírito crítico do que se está a ver :D ... A pessoa não pensa com os olhos :D :D :D ... Ah... Hoje é Sábado, não me posso deitar cedo... Como se me deitasse cedo algum dia da semana :)

      Abraço :)

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    3. São, acredite que a intenção não foi desconversar. Aliás, por aqui a minha intenção é sempre conversar. Já me deveria conhecer por esta altura, digo o que tenho a dizer sem qualquer intenção de faltar ao respeito ou ofender quem se encontra desse lado, e se por acaso passar essa ideia, peço desde já desculpa. Não sou uma pessoa mal formada, ou mal educada. Portanto sinta-se à vontade para dizer o que achar por bem dizer :)

      A única coisa que pretendi assinalar aqui é o facto de estarem sempre a tentar atirar areia para os olhos das pessoas. Os tais interesses camuflados de boas intenções. É preciso ter os olhos bem abertos e não se deixar levar em cantigas. Foi isso e apenas isso.

      São, eu vi o vídeo da campanha e esta modelo da foto tem, visivelmente, excesso de peso. A outra, a Robyn Lawley, essa sim, tem formas sim senhor, mas não tem excesso de peso. E acho que é por aí que o caminho deve ser feito. É essa a mensagem a reter. A mensagem a passar às gerações mais novas, nada de magreza excessiva, nada de peso a mais. Equilíbrio, tão somente.

      Abraço, São :)

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  4. Há a malta que fornece, há a malta que recebe. A que fornece, apercebendo-se de que, quem recebe, cada vez mais "engole" tudo, deixa de se preocupar com o critério, limita-se a fornecer.
    Ah, depois há uma minoria, em decrescendo, que teima em pensar. Estes, ou criam alternativas, ou em breve serão engolidos, varridos do mapa, ou, ainda, apresentados como atracção turística. Ficavam baratos, bastava dar-lhes uma dose diária de comprimidos.
    Desculpe a ironia, Maria. Eu até nem estou mal disposto, apenas tento manter a lucidez à tona d'água. :)

    Um bom final de semana :)

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    1. Lucidez entra directamente para o grupo de artigos de luxo nos dias que correm. Acho que o AC anda a viver acima das não sei quê... possibilidades. Não tarda alguém é capaz de lhe cair em cima com alguma taxa :)))

      Tenha também um óptimo fim-de-semana :)

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  5. Quem vende o quer que seja faz por vender, com publicidade agressiva ou não e muita gente vai nessa onda. Os pais deveriam estar atentos, incentivar ao exercício físico, mas num país onde existem mães e pais, cheios de refegos a quererem entrar na roupa dos filhos por ser "cool, bué da fixe, à mano"...salta-me a tampa. Entrar numa loja e deparar-me com essa onda é de fugir.

    Não tenho nada contra a quem quer ser modelo, mas gordinhos ou magrinhos sabem muito bem ao que vão e para onde vão. Já li imensos testemunhos do pior e do melhor que existe nesse mundo e como jamais seria essa a "minha praia".

    Crianças, jovens e adultos deverão saber encontrar o "meio termo", mas Maria se visses os alimentos que algumas associações fornecem a quem menos tem, preocupa-me muito mais. Um diabético insulinico receber uma vez por mês, 10 pacotes de bolachas com alto teor de açúcar e resmas de pacotes de massa?

    Já passou... e a "piquena" é linda sim senhora, veste o 44, também eu, qué lá isso? Pois é, depende do fabricante da peça de vestuário e de certeza que não chego às dela, mas estou bem e isso é que me importa:)

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    1. Não sei se concordo com a Fatyly na parte de que quem escolhe a profissão de modelo já sabe ao que vai. Tenho muitas dúvidas. Já li que aquele mundo não é nada fácil. Acho que as miúdas são apanhadas numa armadilha e vai na volta depois não conseguem sair. Isto sem generalizar.

      Esta modelo da foto tem um rosto bonito, mas acho que a outra modelo (Robyn Lawley) está muito mais equilibrada. E é isso que se deve transmitir à malta mais nova, equilíbrio. Já se sabe que as adolescentes são muito influenciáveis, logo, capas com modelos magérrimas, ou obesas, são de evitar.

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  6. O que me inquieta, Maria, é fazerem da mulher - e do homem, pobrezinho! - autênticas marionetas que vão atrás de tudo o que é moda.
    Onde fica o sentido crítico de cada uma/um? Onde fica a lucidez de saber o que é melhor, muito em particular para a saúde?
    Em síntese: onde fica o raio do bom senso?
    O caminho há muito que é esse, os resultados estão à vista. Gostam de ser comandadas/os por cordelinhos, de seguir o ditame da pseudo moda? Façam favor, não se acanhem!
    Deixar de pensar pela própria cabecita - alguns nem a têm? Mas isso é outra coisa! - não é sinónimo de grande inteligência.
    Tenha um bom Domingo.
    Beijinho.

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    1. É exactamente por aí, uma questão de bom senso. A moda não é para ser levada à letra, pesca-se uma ou outra coisa e adapta-se conforme o corpo que se tem. Não é emagrecer dez quilos de uma só vez só para entrar naquele vestido da modelo da capa de revista que pesa apenas 35 quilos e mede 1,80. Nem tão pouco achar que se tem 90 quilos para uma altura de 1,65, excesso de peso portanto, mas não tem mal algum porque a modelo da capa também tem excesso de peso e é... modelo. Ainda por cima tem homens muito elegantes que caem para o lado quando ela passa (como foi o exemplo desta campanha). O caminho não é definitivamente por aqui. Penso eu. O caminho não é o oito, nem o oitenta.

      Acima de tudo é uma questão de saúde. Essa é a parte mais importante.

      Bom domingo, GL. Beijinho para si também.

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