quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

"ouvisto" por aí (um daqueles diálogos muito à homem)

Breve diálogo entre dois homens de faixas etárias diferentes.

O do sexo masculino mais novo, novo aí na faixa dos trinta:
- Um gajo quer é uma mulher que lhe diga o que fazer, que oriente um gajo, uma gaja com a cabeça no lugar. Um gajo não quer uma gaja maluca.

(tentei usar as mesmas palavras que ouvi)

O do sexo masculino mais velho, aí na faixa dos cinquenta, talvez sessenta:
- Pois... (seguido de silêncio).

Se calhar não foi bem um diálogo. Se calhar aquilo foi mais um monólogo. Se calhar o mais velho achou que seria melhor ficar calado. Não sei porquê mas tenho um leve palpite da razão que o levou a ficar caladito e a não confirmar que um "gajo" não quer uma "gaja maluca". É que o "pois..." pode ter várias leituras. Penso eu. 

11 comentários :

  1. Olá, Maria :)
    Acho que tinha que ouvir mais um pouco da conversa e/ou conhecer as pessoas para poder dar uma opinião mais formada... À primeira vista parece que o senhor quer uma substituta da mãe, que seja, simultaneamente uma mulher que o sirva, sem ter que pagar...

    Mas não sei em que circunstâncias ou porque estaria a dizer isso... Teria saído de alguma relação com uma mulher que o tivesse prejudicado? Ou... Diz que o outro senhor era mais velho, estaria a querer dar uma imagem de "eu sou atinado, não se preocupe... Não quero uma doidivanas qualquer"

    Não sei... Aqui acho que era importante para mim ter visto a cara das pessoas :D... Ou conhecer um pouco mais da situação, do contexto

    Abraço :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá São,

      A "conversa" foi mesmo esta, não há mais sumo. Apenas isto. Encontraram-se os dois na rua, eu estava por acaso ali ao lado e, ouvi. Tem piada que a primeira coisa que me veio à ideia é que nada mudou, pode-se mudar a página aos séculos, mas os homens continuam à procura de uma "mãe" com brinde, o que quer que isto queira dizer. Apenas mudam a terminologia, digamos assim, passa de mãe a gaja. É sempre a descer. Pelo menos tenho a sensação que é a descer. Não gosto do termo gaja (embirro solenemente com o termo, acho-o vulgar), não gosto de ser criada de ninguém, tão pouco me pagam para ser bússola.

      Um abraço para si também, São :)

      Eliminar
  2. Acho que "o do sexo masculino mais novo, novo aí na faixa dos trinta" tem razão numa coisa: querer uma gaja com a cabeça no lugar. Vamos lá, entretanto, substituir o termo gaja por mulher e a coisa fica quase perfeita.
    Passo a explicar. Se uma mulher não tiver a cabeça no lugar, torna-se impossível considerá-la uma pessoa normal. Imaginemos uma mulher com a cabeça nos pés. É coisa para não ter piada.

    Maria, fará o favor de dar a este meu comentário uma forte dose de ironia. É que às tantas um homem não sabe o que escrever sem que possa ser acometido de um mal qualquer :)

    Beijinho para si.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Observador, sente-se aqui ao meu lado... Já está? Sente-se bem? Não tem febre nem nada? Não sofreu nenhum ataque de um bicho muito mau? Olhe que isso da mudança de ano não correu nada bem, anda com uns comentários muito estranhos :))))))))))))))

      Eliminar
    2. Prometo começar a comentar com escritas do género daquele jornalista que é um 'must'.
      Não? Pois, bem me parecia que não era esse o caminho certo :)

      Eliminar
    3. Mas... mas... Portugal está cheiiiinho de jornalistas "must". Levanta-se uma pedra e, tungas, resmas de jornalistas "must". Terá que me orientar, caro Observador. Terá que me dizer a quem se refere porque eu sozinha não chego lá :))

      Eliminar
    4. Educadamente, recuso ajudar. Para não ferir susceptibilidades :)

      Eliminar
  3. Eu penso que se o jovem quer uma mulher que lhe diga o que fazer, que o oriente, coitado é porque anda desorientado e sente que precisa de alguém para lhe dizer o que fazer. Ou seja está a passar um atestado de incompetência a si mesmo.
    O pois do outro senhor, é como o vestido preto das senhoras. Nunca compromete, e cada qual que lhe dê a interpretação que quiser.
    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Elvira, gostei muito desta sua visão do assunto. Fez-me sorrir. É que me tinha esquecido que a coisa pode ter essa leitura. O facto de "está a passar um atestado de incompetência a si mesmo". A teoria do vestido preto também é muito comestível :)

      Um abraço para si também.

      Eliminar
  4. Não estaria a falar com o futuro sogro?:))))

    Felizmente que nem todos os homens pensam em ter uma mulher mãe/empregada doméstica/gestora/ GPS emocional!:)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fatyly, eu tendo a discordar um pouco da sua opinião ali na parte do "nem todos os homens pensam em ter uma mulher mãe/empregada doméstica" e explico porquê. A partir do momento em que em pleno século XXI ainda se usa a palavra "ajudar", ou seja, alguns (só alguns ainda por cima) homens ajudam na lida doméstica quando se casam ou vivem com uma mulher, isso implica que a obrigação de o fazer é sempre da mulher e os homens apenas ajudam. Portanto, a mulher faz o jantar porque a família tem que comer e, quem sabe, o homem não ajude... a descascar as batatas.

      Tenha uma óptima tarde :)

      Eliminar