domingo, 31 de janeiro de 2016

(o meu problema com os homens)

A bem dizer nunca achei grande piada aos homens. Se porventura alguém neste exacto momento está a pensar que acho piada a mulheres - nesse sentido - tirai os cavalinhos da chuva que não é por aí. Nem é bem não achar piada aos homens, é talvez ser preciso um homem muito especial para me conseguir desviar a atenção por dois minutos. Talvez seja por isso que me dou muito bem com a maioria deles, não me ponho naquele papel de sedutora irresistível. Deve ser muito cansativo isso de querer sempre que os homens nos achem as mais bonitas, as mais elegantes, as mais qualquer coisa. Não quero. Peço encarecidamente que o vão achar a outra qualquer. Por mim, gosto de me sentar numa esplanada num dia de Verão a beber um sumo de limão, de me sentar à janela de um café a tomar um cappuccino num dia de Inverno, em paz. Gosto disto da paz. Quando estou cansada de paz, olho à volta e acho que aquele ali, moreno, de olhos negros ou menos negros é bem capaz de ser o alvo perfeito para eu me aborrecer durante uns tempos. Por vezes para além de me aborrecer, apaixono-me. Depois aguento-me, dou por mim a achar que aquilo não sabe a esplanada nem a cappuccino. Só sabe a sumo de limão puro.

Mas adiante que não foi este o assunto que me trouxe até aqui. Não sou um ser de estradas muito rectas, também gosto de curvas, contracurvas e não raras as vezes também dou comigo à beira de precipícios. 

Já no adiante...

O meu grande problema com os homens começou logo naquela idade da adolescência - teria uns dezasseis anos - quando um amigo dos meus pais resolvia visitar a nossa casa num horário em que sabia estar o meu pai a trabalhar. Dava-lhe jeito esse pequeno grande pormenor. A minha mãe achava que ele era muito simpático, muito atencioso. Eu sabia que aquele homem nada tinha de simpático, nem de atencioso. 

Os meus pais desculpavam-se sempre quando me recusava a cumprimentá-lo, diziam coisas como: desculpe, ela é um bocadinho bicho-do-mato, está naquela idade da adolescência, uma idade difícil, sabe como é que é, não gostam de nada, estão sempre insatisfeitos, de má-cara... Eu ouvia e olhava para o grande e recente amigo dos meus pais, rico de  fazer doer e chorar as pedrinhas mais pobres da calçada e continuava a não gostar dele. Evitava todo e qualquer momento a sós com aquele homem. Ele sorria, observava-me a todos os momentos enquanto dizia aos meus pais com aqueles dentes mais do que perfeitos: têm uma filha muito bonitinha... era nesse exacto momento que eu voltava as costas, a coisa era novamente interpretada pelos meus pais como uma tremenda má-educação e, lá continuavam as desculpas: acredite que não é esta a educação que lhe damos... é a adolescência...

Entretanto cresci, tornei-me uma mulher independente e do cimo dos meus vinte e poucos anos, resolvi que já era hora de contar uma verdade à minha mãe. Contei. Contei-lhe que aquele homem que nos costumava visitar sempre que o meu pai estava a trabalhar, aproveitava sempre que ela se ausentava por dez minutos para pôr as mãos em cima de mim. Lembro-me da nossa conversa. Lembro-me de lhe ter dito para não se preocupar que a tal minha suposta má-educação é que me tinha salvado. Hoje em dia acho que é o meu mau feitio que de vez em quando se faz notar que me salva. É uma espécie de bóia de salvação.

16 comentários :

  1. Maria, vou tirar aqui um minuto para falar em nome dos homens. Não somos todos assim. Será um cliché dizê-lo mas quero dizer isso na mesma. Falo por mim e por aqueles que considero serem meus amigos. Gosto muito da sua atitude perante a vida. O que eu não dava por conhecer mais pessoas assim. Que não se põem em bicos de pés, nem procuram ser o centro das atenções. Aí residem as pessoas mais especiais e digo-o que a Maria assim é. Não porque fica bem dizê-lo (também não sou propriamente fã do que é convencional porque sim, mas antes gosto de pensar pela minha própria cabeça), mas sobretudo porque é o que verdadeiramente sinto. A Maria saberá que eu gosto de dizer o que penso. Mil vezes a autenticidade do que outra coisa qualquer. E, ao ler as suas palavras finais, não deixo de pensar que a admiro pela forma como lida com esta coisa chamada vida. Espero sinceramente que esse "homem" (que não o é) apenas lhe tenha deixado uma recordação negativa e não mais do que isso.

    Beijinho

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    1. Carpe, alguns homens não são bem assim, eu sei, felizmente e de quando em vez atravessa-se um ou outro e ainda mais outro no caminho que consegue contrariar aquela má imagem que uns tantos outros deixaram. O que uma mulher tem que fazer - pelo menos eu tento todos os dias - é não deixar que o lixo anterior a impeça de viver e acreditar na vida. Muitas conseguem, outras nem por isso e vão azedando. A minha luta diária é não cair na armadilha de azedar. Daí refugiar-me e sentir tanta necessidade de me rodear de gente com sentido de humor. Sem humor do bom sufoco. O sentido de humor é como que uma alavanca.

      O tal homem já morreu. De cancro. Morreu muito rico, mas morreu na mesma. Acho que a mulher dele, se ainda for viva, finalmente teve paz. E é rica. Deve ser isso da justiça divina a dar um ar da sua graça. Parece muito mal dizer isto? Se calhar parece, mas algumas pessoas desse lado provavelmente já sabem que sou educada, mas não sou politicamente correcta.

      Obrigada pela simpatia. Beijinho para esse lado.

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  2. Olá, Maria :)
    Deixe que lhe diga que a Maria escreve cada vez melhor :) . Mesmo quando não dá para comentar, tenho lido sempre. Mas este post post tinha-me passado ao lado. Só o vi agora.
    Eu sou igual... Ou "pior" ... Há dias, em conversa com uma amiga que também é do mesmo calibre, estive a contar as vezes em que me tinha sentido apaixonada na vida, naquele sentido de dizer mesmo "caramba! Estou apaixonada! Estou apanhadinha por este homem!" ... Sobra um dedo da mão... Sim, foram só QUATRO ... E atenção, Maria... Isto já contando com as paixões da adolescência, o meu ainda marido e esta platónica agora que a Maria conhece... Sim, estou a contar essa, se não contar essa sobram três, mas se não contar por ser platónica, então ainda tenho que tirar outra e só sobram duas... Essa outra platónica apenas diferia porque o via pessoalmente mais vezes :D ...mas como nunca me senti assim em relação a uma mulher , presumo que seja heterossexual :D ... De resto, posso dizer que um homem é bonito, mas isso tem o mesmo sentido que dizer que acho uma mulher bonita, ou uma paisagem, ou uma música, enfim... A pessoa tem olhos, ou ouvidos e reconhece a beleza...

    Sabe, Maria, antes de ter que fugir pelo motivo que a Maria sabe , só tinha passado de Lisboa para cima numa viagem da escola... Tinha eu 16 anos e andamos uma semana a passear pelo país com dois professores e os três motoristas das três carrinhas de 9 lugares... Foi um bocado difícil conseguir que os meus país me deixassem ir ... O meu pai só acedeu, por fim, quando soube que um dos motoristas era um velho amigo dele... No entanto, houve colegas que, além da autorização dos país , que em grande parte dos casos não foi tao difícil como a minha, precisaram da autorização do namorado ! Algumas não foram porque os namorados não deixaram... E depois havia as feministas dos anos 80 que riam e diziam "Era o que faltava! Era mesmo o [nome do mais que tudo] é que me ia proibir de ir! Nem pense!" ... Miúdas de 16, 17 anos não puderem ir a uma viagem de estudantes porque o namorado não permitia?? A Sério?? Aqui a São dia disso... Tanta coisa para ser apanhada na teia em que fui, mas o meu marido também me encontrou na fase mais frágil da minha vida: a tentativa de suicídio do meu pai, que o deixou demente...

    Não vale a pena dizer que também tive que usar a má educação muitas vezes para me defender de homens como esse amigo dos seus país. Felizmente, talvez por isso não tenha ficado tão marcada como a Maria parece ter ficado, nenhum era amigo dos meus pais... Mas houve muitos... Imagino o que será ouvir os pais dizer "Ah, não faça caso , ela tem este feitio..." e sentir que nem passa pela cabeça dos país que... Enfim...

    Como a Maria sabe, vivi durante quase um ano numa instituição. Havia lá mães com filhos adolescentes... E houve lá dois casais de namorados ( entre os 14 e os 16 anos) ... E ouvi várias vezes "Ah, tenho que o avisar que vou" , "Ah, tenho que falar com o [nome] antes de dar a resposta" .... Hum??

    Abraço, Maria :)

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  3. Já agora, houve uma altura da minha vida em que tinha "fascínio" por homens gays, no sentido de amigos , no sentido da amizade. Achava que eram os amigos perfeitos, com quem estava totalmente à vontade. Isto porquê: porque achava ( infelizmente contínuo a achar ) que as mulheres são as piores inimigas umas das outras... Uma pessoa está a conversar muito bem e, mal dá costas e "Parvalhona... Aquele vestido fica-lhe tão mal! Ela pensa que ele vai gostar daquele corte de cabelo?" ... E com os homens heterossexuais a pessoa nunca sabia até que ponto podia estar à vontade numa amizade, porque às tantas estava muito descansada a pensar que estava com um amigo e ele estava com outras ideias... Ora, com um amigo homossexual não havia esse risco... No entanto, também não podemos ser fundamentalistas ao ponto de pensar que ser um homem gay já é, de certeza um bom amigo, porque os gays são iguais aos não gays: há boas e más pessoas... Com essas ideias não estariam, pronto, mas podiam estar com outras... Não são as próprias mulheres também inimigas umas das outras? Então....

    :)

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    1. Olá São,

      Antes de mais, obrigada pela parte da escrita, sei que é um bocadinho exagerada mas, de qualquer maneira, sabe bem ler que as pessoas desse lado estão atentas e criticam. Seja bom, ou menos bom, só crescemos se ouvirmos as criticas. Faz-se a triagem e aproveitamos aquelas que não sendo numa onda favorável, nos obrigam a perceber onde estamos a errar. As outras, as boas, são um incentivo. Quem é que nesta vida não precisa de incentivos?!?

      Obrigada pelo seu comentário, é sempre bom ler as experiências de vida de outras pessoas. E talvez seja por isso que tenho que reavaliar esta minha recente opção de não ter a caixa de comentários activa. Isso e o facto de ter recebido dois emails a dizer para não o fazer. São só dois, bem sei, mas existe correio que vale a pena ler e reler.
      ...
      Quanto a este meu caso, acho que por vezes os pais não percebem os sinais de alguma revolta dos filhos na idade da adolescência, confundem sempre com "aquela idade em que são parvos". Também é, obviamente que sim, mas por vezes não é só. No meu caso era complicado, primeiro sabia que os meus pais estavam num processo de negócio com o tal homem, estavam em vias de fechar um negócio, fosse eu contar o que se estava a passar e, provavelmente, o meu pai perderia cabeça. destruiria o negócio, podia acabar muito mal, conheço o meu pai. Essa parte eu não queria. Só iria prejudicá-los. Segundo, porque o homem era casado. Pai de dois filhos. Ou seja, na minha cabeça, apesar de tudo, quem perderia menos era eu, isto se conseguisse evitar o homem o mais possível. E consegui. Ainda me lembro do dia em que na sala lá de casa, enquanto a minha mãe foi preparar café e mais qualquer coisa para oferecer ao "digníssimo convidado", pediu para lhe fazer companhia por cinco minutos só naquela de não deixar o tal "senhor" sozinho, lembro-me do homem avançar para mim, agarrar-me a cara à força e tentar fazer o que tinha na ideia. Lembro-me de ter ficado confusa. Depois senti uma certa sujidade. Sabe que este género de homem é muito perigoso, quando a minha mãe entrou na sala ele disfarçou imediatamente, como se não se tivesse passado nada. É incrível, se olhasse para a cara dele naquele momento, era a cara de um homem o mais simpático que possa imaginar. Muito sorridente. É por isso que digo que convém que os pais fiquem atentos a estas coisas. A minha mãe nem lhe passava pela cabeça que aquele homem, na sala, era uma pessoa tão reles. Eu usei a minha suposta má-educação para conseguir de alguma forma me desenrolar. Continuo a desenrolar-me de outras formas. Por exemplo, raramente digo onde moro quando conheço um homem, primeiro tento perceber quem é, se posso confiar, e mais uma ou outra coisa. São formas de estar. De viver.

      Tenha um bom dia, São :)

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    2. Não é exagerada, Maria. Acho que escreve melhor do que escrevia há uns tempos atrás... Eu já ando aqui desde que a Maria leu A Ilha das Trevas, não cheguei aqui ontem. Sempre gostei da forma como escreve, mas tem ido melhorando...

      Não digo que fosse o caso dos seus pais, mas até chega a acontecer as filhas contarem e os pais não acreditarem... Não propriamente por acharem que as filhas são mentirosas, mas às vezes pensam que isso é "impressão delas", então os homens iam lá olhar para elas dessa forma? Naaaa... Se lhes puseram o braço por cima foi por gentileza... Mas isso são lá homens capazes de uma coisa dessas?? Isso é impressão tua, filha! Aconteceu com uma amiga minha... Comigo, felizmente nunca aconteceu com amigos dos meus pais... Aconteceu com outros... Dei algumas bofetadas... Acha que algum se queixou? Nem pensar..

      Aliás, eu não sei como a Maria agiu nessa ocasião, ou se a sua mãe chegou entretanto, mas eu teria dado uma bela bofetada no focinho do porco! Acha que ele se ia queixar? Não... O problema era se a sua mãe chegava nesse momento e lá se ia o negócio que a Maria não queria estragar... E acho que fez bem... Quando estão outras coisas em jogo, devemos sempre pesar bem as coisas...

      Eu não sou ninguém para pedir que a Maria volte a abrir a caixa de comentários. Mas acho que me é permitido dizer que gostaria muito que a caixa fosse aberta

      :)

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    3. Obrigada São. Sabe que o grande problema nisto de escrever, e para quem, como eu, apenas escreve porque as letras fascinam, é que para escrever é preciso tempo, não se consegue escrever um grande texto, ou pelo menos um que valha a pena, em cinco minutos. Deve ser por isso que os grandes escritores, aqueles mesmo grandes, e que são realmente escritores, só são bons porque não escrevem um livro a cada dois meses, demora a "cozinhar" o livro. O resultado é sempre qualquer coisa que vale a pena desfrutar. Somos nós, os que compramos os livros, os sortudos. Aqui, é apenas um blog, nada mais do que isso. Partilham-se experiências, trocam-se opiniões e, pelo meio, as palavras por vezes resultam, outras nem tanto. Acho que o gosto pela escrita se deve ao facto de gostar de ler, desde que me lembro que leio. Acho que até acelerei o facto de querer aprender a ler quando me começaram a oferecer livros com bonecos e letras, lá pelo meus seis anos. A parte dos bonecos eu percebia, o que me chateava a sério eram as letras que eu não entendia. Aborrecia a minha mãe... e que letra era aquela e o que é que queria dizer, entretanto achava a minha mãe a maior, a minha heroína, então se ela até conseguia juntar as letrinhas todas e contar uma história :))))

      Como deve calcular não entrei em pormenores em relação ao que o homem tentou fazer, nem conseguiria. Não foi pôr um simples braço por cima.

      Sempre fui uma miúda calada, atenta. Lá pelo meio existiam os tais raios de miúda revoltada, guardava muita coisa para mim, tentava resolver as coisas sozinha. Continuo a ser igual. Só que agora em modo mulher adulta.

      :)

      PS. Quanto à caixa de comentários, a ver vamos... também é bom dar um descanso. Pensar na melhor forma de fazer as coisas. Gosto de responder às pessoas como merecem, não gosto que passe a ideia que as estou despachar. Para isso também é preciso tirar uns minutos.

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    4. Eu percebi, Maria ... Por isso é que disse que se calhar a melhor resposta teria sido uma bofetada! Mas o que quis dizer foi que ,às vezes, começa com um simples braço por cima, e a filha conta aos país, porque percebe que houve segundas intencões, eles dizem que são coisas da cabeça dela, e atrás disso vêm outras coisas mais graves...

      É evidente que nem todos os homens são assim... Mas eu sempre fui um bocado medrosa nesse sentido, porque, como disse, não aconteceu com amigos dos meus país, mas aconteceu com outros... Dei algumas bofetadas... Mas acho que não foi só por isso que me apaixonei poucas vezes na vida... Tem a ver com uma maneira de ser muito própria... A ideia de namorar não me atraía muito, por aquilo que referi, a dependência, o ter que dar satisfações, pedir opiniões que via nos namoros das minhas amigas.... Ora, eu ,depois que passei a nem ter que pedir autorização aos meus país, por já ser bem maior de idade,e apenas precisava da minha vontade para decidir se ia a um sítio ou não, ou se comprava uma coisa ou não ( desde que tivesse meios económicos para isso, como é óbvio) ... Ia agora arranjar uma pessoa para ter que dar explicações de onde ia ou deixava de ir? Do que fazia ou deixava de fazer? Eh pah... Teria de ser uma pessoa muito especial para mim! Mas muito especial mesmo. E acho que não teve só a ver com isso... É algo natural meu... Apaixonei-me pela primeira vez aos 17 anos... Uma paixão platónica que durou até aos 24... Sabia que não dava em nada porque a pessoa não estava para aí virada, mas gostava mesmo assim... Os amigos diziam-me para não viver presa a essa paixão e eu, para mostrar que não vivia (e na verdade, nunca deixei de comer nem de dormir por causa dela :D) tive dois namoricos nesses sete anos , com dois rapazes que achava engraçados , naquela de "vamos ver no que isto dá" ... O primeiro durou uma semana, foi para aí aos meus 19 anos... O segundo durou pouco mais de 2 semanas, tinha eu 22... Não estava apaixonada e, ter de dizer "vou aqui" ou "vou ali" era um bocadinho demais... Aos 24 anos houve a segunda paixão que não me fez bem nenhum... Pelo menos a outra nem tinha feito bem nem mal, porque foi totalmente platónica... Aquela fez mal... Magoou-me ... Uma pessoa descobrir que está a ser usada... Eh pah... Depois, aos 29 conheci o meu marido (ainda é, infelizmente) na fase mais terrível da minha vida e, à conta dessa paixão acabei por dar cabo dela ( da minha vida) ... E foi assim... Até a maluqueira que a Maria sabe e que, como a dos 17-24 não me faz mal... Encontrar alguém e coisa em que não penso... Acho que as vantagens são inferiores às desvantagens... Há dias dei uma resposta a uma amiga que, não vou reproduzir aqui porque não quero ser grosseira... Mas... Vai um bocado no sentido do "feliz de quem não é maneta" :D ... Haverá vantagens em ter alguém... Mas sempre me pareceu que as desvantagens são mais... E agora?

      Abraço :)

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    5. São, uma bofetada teria que ser seguida de uma explicação aos meus pais. Entretanto acho que não está a ver o tipo de homem, não era um homem qualquer, é um daqueles muito ricos e que acha que o dinheiro lhe confere o estatuto de deus todo poderoso. Um dos maiores perigos deste mundo é o de gente que enriquece e não tem carácter, apenas uma ambição desmedida. E desses vemos nascer todos os dias. Os pequenos poderes vieram para ficar. Infelizmente.

      Eu acho que ter alguém ao lado é muito positivo, pode soar a cliché, mas a vida sem alguém ao lado é meio insossa. As vantagens são muitas, obviamente que as desvantagens existem, mas é capaz de compensar desde que seja amor a sério e em que a coisa funcione de forma saudável. Ter alguém só porque não se consegue estar sozinha é uma grande armadilha. É melhor uma mulher não entrar por aí. No meu caso é fácil isso de ser independente, talvez porque o sou desde muito cedo. Seria inconcebível viver com os meus pais na idade em que se tem que voar e construir um mundo à nossa maneira. Se a malta deixar passar a idade dos vinte, a vida nunca mais nos dá uma oportunidade igual. As pessoas passam a vida a adiar, a adiar, como se fossem imortais. O grande problema das pessoas é acharem que são imortais. Não são. E ainda bem que não. Que não somos.

      :)

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    6. Acho que estou a ver o tipo de homem, Maria... Por isso é que disse que se a sua mãe entrasse nesse momento.. Ou se calhar, mesmo que não entrasse..

      Lá está: se for amor a sério! Agora se não for... Pior do que entrar nessa de estar com alguém só para não estar sozinha, é entrar nessa com este pensamento: se a minha amiga tem alguém, eu tenho que arranjar alguém também! Isso então... Credo!!! Mas ainda há quem entre assim, acredite!

      Eu também sempre fui muito independente... Mesmo em relação a amizades... Nunca fui muito por modas, por hábitos colectivos... Dava-me bem com muita gente, tinha muitos amigos, mas... Eu era eu e ia onde queria ... Ouvia pessoas dizerem " Ah, está um filme no cinema, gostava tanto de ir ver... Mas nenhum dos meus amigos quer ir..." ... E deixavam de ver um filme de que gostavam ( ou de que achavam que iam gostar) por não terem companhia para ir ao cinema?? A sério??? A sério!!!

      Ou "Está um dia tão quente, gostava de ter ido à praia , mas nenhum dos meus amigos está disponível..."

      Mas há alguma lei que diga que a pessoa só entra no cinema acompanhado? Ou que não pode ir sozinha à praia??? Eh pah... E a sansão é grande? É que fui tantas vezes sozinha tanto ao cinema como à praia e nunca fui multada!!! Terei tido sorte por não ser apanhada? :D

      :D

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  4. Maria, antes de mais, um ponto prévio: gosto do que escreve, da sua forma de o fazer, da perspicácia que revela nesse seu exercício. E fá-lo de tal forma que, na maioria das vezes, nada há a dizer, ou então muito, e esse muito não caberia nesta caixa. Daí a minha ausência de comentários.
    Em relação ao que partilha neste post, devo dizer-lhe que senti, vinda daí, uma sinceridade quase em carne viva, a que não é alheia essa sua forma muito própria de ser, talhada na força das convicções.
    Cada um tem a sua história. Nas vicissitudes da vida, a harmonia, a alcançar-se, só pelo transpor dos muitos obstáculos que nos vão surgindo, e desde que para aí nos orientemos. É que, na maioria dos casos, ultrapassar obstáculos significa colocar os outros KO. :)
    O meu comentário, convenhamos, já vai longo, mas não gostaria de terminá-lo sem lhe dizer o seguinte: no meu entender, o Amanhecer Tardiamente não faz qualquer sentido sem caixa de comentários. É que, sem a interacção com os leitores, muito da sua alma tende a esvair-se. ;

    Tenha uma boa noite, Maria :)

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    1. AC, li o seu comentário e fiquei para aqui meio atrapalhada da minha vida. Agradeço desde já a primeira parte do seu comentário. Gostei particularmente daquela sua parte em que escreve: "É que, na maioria dos casos, ultrapassar obstáculos significa colocar os outros KO". Acho que acabou de me dar uma ajuda enorme, nem imagina quanto, não tem a ver com o blog, tem a ver com uma decisão que anda há uns dias a deixar-me sem dormir. De repente leio isto e fez todo o sentido.

      Quanto à parte final do seu comentário, não sei o que responder, nem o que fazer. Por um lado é mais prático escrever e desligar-me de tudo o resto. Por outro, faz falta num blog... tudo o resto. Vou decidir até ao final desta semana. É que um blog ainda que seja simples, dá trabalho. Muito trabalho.

      Boa noite para si também e, obrigada :)

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  5. Uiiiiiiiiiii Maria do que foste falar. Tinha eu os meus 12/13 anos, já de pestana mais que aberta devido à minha curiosidade em tudo, quando um casal em que ele era colega do meu pai, ou seja piloto de aviação civil, nos visitavam eu ficava com uma cara - tal postal mau que faz com que as criancinhas comam a sopa toda. Embirrava com o fulano sobretudo pela forma de olhar e a procura de estar só comigo e eu a dizer é desta que levas na tromba, ai levas, levas. Assim foi e tamanho foi o pontapé que gritou. Fiquei impavida e serena com o acudir ao "Senhor Brilhantina". O meu irmão (cúmplice) disse: papá foi a Fatyly que lhe deu um pontapé e com toda a razão...e quando o meu pai dirigia-se para mim...gritou...ele apalpou-lhe o rabo. Foi o fim da picada e a partir daí nunca mais vi tal sujeito. Os meus pais e sobretudo o meu pai, era muito além da época e sempre teve longas conversas com os filhos em não aceitar boleia, etc, etc, etc...o mesmo que transmiti às filhas e estar atenta aos sinais que davam sobretudo na adolescência, já que tinha 8 e o 80 ou seja, uma dizia tudo e a outra quase nada.
    Vencida pelo cansaço moral, quando tomei a decisão do divórcio tive o total apoio dos meus pais, porque o meu maior medo era proporcionar às filhas “a fome” pelo que passei com uma delas ainda de colo. Maldita guerra!!!!
    Até hoje a minha relação com os homens foi sempre a melhor. Não passei a olhar de lado só porque dei de caras com um palito, mas até num paliteiro real, todos são diferentes:)))) e posso afirmar que tem sido boa, mas nunca mais surgiu nenhum e se quiserem sentar-se à mesma mesa de uma esplanada e encetarem uma conversa de “gente”, como já ocorreu e por vezes assim surge grandes amizades que posso qualificar como uma mais valia!

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    1. Fatyly, digo-lhe aqui que, provavelmente já ninguém nos ouve, que este foi um daqueles posts que me arrependi de escrever logo de seguida. Não é que tenha mal algum, só que isto da blogosfera leva a que as pessoas tirem ilações que podem não corresponder à verdade. Neste tipo de post a atirar para o intimista, o perigo encontra-se logo ali ao virar da esquina, o perigo de dizerem que estamos a mentir e que num blog é fácil de inventar, mentir. Pois, pode até ser, mas não é o caso. O episódio é verdadeiro. Isto passa-se provavelmente todos os dias, com miúdas de dezasseis anos (como eu tinha na altura) ou com miúdas até mais novas. Passa-se nas barbas dos pais - passo a expressão - só que este tipo de homem é tão dissimulado que quase sempre é difícil de provar o que realmente se passou. Neste caso não passou de muita coisa porque ele sabia que a minha mãe poderia entrar na sala a qualquer momento, no entanto veja-se a maneira como actuam, tentam assediar miúdas na própria casa dos pais, com os pais por perto. Só podem ser criaturas muito tristes, muito desesperadas, muito nojentas. Seres rastejantes.

      Não fiquei com nenhum trauma, caramba, longe disso, fiquei apenas de pé atrás com os homens. De pé atrás até aos meus vinte anos. Depois passou, sou apenas selectiva, não me faço difícil, sou naturalmente difícil, não é jogo, é genuíno, para algum me conseguir conquistar tem que suar muito :))))... Acho que este episódio até accionou aquele botão de alerta no máximo. Vai na volta aquilo deixou-me mais atenta.

      Eu não sou muito de reagir fisicamente, não sou de gritar, dar pontapés (mas tenho pena), sou mais de ficar fria, dou respostas muito tortas. Portanto, logo ali, com pais atentos dá para perceber que se passa alguma coisa.

      Teve sorte em ter irmãos, acho que com irmãos a coisa é capaz de ser mais fácil. Tenho um desgosto de ser filha única que nem lhe conto.

      Gostei bastante da sua parte final do comentário, é uma mulher de armas. Isso tem muito valor, ó se tem.

      Tenha uma óptima noite, Fatyly :)

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