quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Na Dinamarca foi aprovada uma lei que confisca bens aos refugiados. Bens acima de 1340 euros

E vai daí leio a notícia e penso de mim para mim: portanto, vai que tive o infortúnio de nesta passagem pela vida ser obrigada a abandonar o meu país porque o meu país está em guerra e nem sequer fui eu que contribui para tal, nessa fuga em que o objectivo é apenas sobreviver consigo de alguma forma trazer algo de valioso, sim, porque muitas das pessoas que fogem dos seus países tinham uma vida estável, logo, ter alguns bens é normal, dizia eu que consigo fugir e trago comigo alguns bens que me permitirão deixar-me um pouco tranquila na primeira meia dúzia de dias num país estranho - se é que isto é possível, isto da palavra tranquila e o que ela acarreta quando fugimos de uma guerra e deixámos a nossa casa lá longe, já para não falar na parte de, se consigo realmente sobreviver com os meios que tenho para me levar de um ponto a outro. Parece-me óbvio que chegada a um país estranho não tenha um emprego logo ali ao virar da esquina. Penso eu... se por vezes nem as pessoas que vivem nesse país o possuem, quanto mais as pessoas que chegam de fora e têm que, forçosamente, adaptar-se a uma nova realidade, a uma outra cultura.

Eis senão quando o país que me abre as portas, é o país que me diz que se eu tiver bens acima de 1340 euros, lá terei de os entregar. Ao Estado. No entanto deixa-me ficar com aqueles bens na onda do sentimental. Alianças e tal. É exactamente neste ponto que convém uma pessoa parar para respirar e, talvez, parar de escrever. Já parei.

Antes de parar de escrever ainda consegui atirar para esta linha que isto de ajudar o semelhante desinteressadamente como muitos querem fazer crer, é tudo uma grandessíssima treta, algumas supostas boas acções estão sempre camufladas de acções nada boas. Há já algum tempo que me dediquei a observar o cultivo da batata com olhos e muitos braços e que tem um curação do tamanho do mundo. Ah e tal tens por aí um erro ortográfico. Não, não tenho. 

Eis dois excertos da mesma notícia.
O primeiro:
(...)
O segundo:

(ainda bem que parei de escrever...)

12 comentários :

  1. Não tenho, por enquanto, argumentos para comentar. Nem a favor nem contra a Dinamarca.
    O assunto é complexo e, por acaso, hoje nem é segunda feira nem nada.

    Beijinho, caríssima Maria.

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    1. Que se respeite a sua posição.

      Beijinho, caro Observador.

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  2. Olá, Maria :)
    Ponho um sorriso porque é a minha forma que me parece simpática de cumprimentar uma pessoa... Se encontrasse a Maria cara a cara, e dissesse "Olá, Maria" também iria sorrir, portanto trata-se apenas de um cumprimento para quem escreveu, e não para o tema do post, que só dá vontade de dizer meia dúzia de palavrões!

    Não tenho muito a acrescentar... Há poucos dias tinha ouvido a notícia de um rapaz de 30 anos, da República dos Camarões que estava a estudar precisamente na Dinamarca, e para pagar as propinas trabalhava 15 horas por dia em serviços de limpeza da própria universidade e, porque descobriram que algumas semanas tinha trabalhado 16 horas e meia , foi expulso do país e dizia que tinha estado quatro anos na Dinamarca para nada, pois não o deixavam acabar o curso... Os próprios professores estavam revoltados, pois tratava-se de um excelente aluno e muito esforçado...

    Quando ouvi está notícia ontem ou anteontem fiquei pasma... De que valeu terem passado 71 sobre Auschwitch ?

    Abraço :) ( o sorriso, mais uma vez, é só para si)

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    1. (não precisa de se explicar, São, percebe-se o seu olá à entrada, também sou assim quando cumprimento as pessoas)

      Nem sequer consigo comentar esse caso que aqui trouxe. É demasiado mau. Uma pessoa por vezes queixa-se e queixa-se do país onde vive e, vai-se a ver, se calhar era melhor pensar antes de tanto nos lamuriarmos.
      ...
      Um dos assuntos que mais me toca é o de Auschwitch. Vi uma reportagem de Henrique Cymerman que vale a pena ver com olhos de ver (passo a redundância). É daqueles assuntos que não se consegue ver, ouvir, sem chorar. Sim, não tenho qualquer vergonha de o dizer, sempre que vejo reportagens sobre Auschwitch não consigo ficar indiferente. É uma sensação de frio imensa. Lembrei-me agora que também vi um vídeo sobre o assunto de Manuel Luís Goucha. Acho que deveria ser obrigatório todos sabermos, até ao mais pequeno pormenor, o que se passou em Auschwitch. Do que é que um ser humano é capaz. Da crueldade que habita em muita gente. Aí sim, perceberíamos que isto de nos queixarmos é absolutamente ridículo perante tanta desumanidade. Mas, lá está, estamos tão concentrados nos nossos umbiguinhos que fazemos guerras por tudo e por nada. Mais por... nada.

      Abraço, São.
      (obrigada)

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    2. Reparei que me Enganei ali... Não eram 15 horas por dia, eram por semana, porque não podia trabalhar mais, não tinha autorização para isso... Algumas semanas trabalhou 16 e meia e... Lá se foi um sonho, depois de quatro anos de esforço!

      Se dessem mais apoios sociais aos que têm menos, até seria lógico... A questão é que lhes é retirado... ROUBADO!!! Depois admirem-se que vivam revoltados e alguns se passem da cabeça! Sei que não é solução, mas é um desabafo!

      :)

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    3. Correcção: perdão, escreve-se Auschwitz (escrevi de forma errada no meu comentário acima).

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    4. Eu é que comecei a escrever de forma errada... Tem razão... É a língua ocidental mais complicada para mim (das mais conhecidas) e eu raramente sei como se escrevem nomes de cidades, de pessoas, de tudo... Escrevi assim e a Maria depois escreveu também. Peço desculpa :)

      :)

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    5. Não tem que pedir desculpa, São, não sou pessoa de corrigir quem aqui deixa as suas palavras (era só o que faltava, posso brincar com algo, mas daí a corrigir, não). O que acontece é que por vezes é mas rápido fazer copy/paste de alguma palavra que já se encontra nos comentários, entretanto publico e só depois é que me apercebo que a minha resposta tem algum erro, não é erro ortográfico (embora também o seja...), é troca de letras quando se escreve depressa. Acho que dá para perceber isso. Por vezes dá para voltar atrás, outras nem por isso. :)

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  3. Não conheço a Dinamarca e muito menos "o tipo de vida" dos mesmos. Quando li a notícia fiquei chocada, mas depois ouvindo e lendo mais em pormenor, a coisa não vai ao extremo das "alianças" etc., mas se aplicam o mesmo aos dinamarqueses, quem chega deverá entender e aceitar as regras. Para mim é mais assustador quem faz cumprir as leis "o faça da pior maneira e se aproprie do que é confiscado sem dar cavaco ao Estado"!Não sei!

    Não consigo comparar com a espoliação nazi, que aí tiravam tudo, até a dignada humana...a alma... e em troca davam um fato de prisioneiro.

    Poderia dizer mais...mas não consigo porque faz-me voltar ao passado!

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    1. Fatyly, não aplicam o mesmo aos dinamarqueses. Longe disso. Isto é simplesmente desrespeitar as leis básicas dos direitos humanos. Isto é como que esvaziar as pessoas do seu direito à dignidade. Isto é o poder dos mais fortes sobre os mais fracos. É espezinhar os outros quando os outros se encontram na lama. Quando mais nada lhes resta. Não se pode entrar por aqui...

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  4. Maria, eu vivi pouco tempo na Dinamarca e não consigo perceber esta medida. Acredito que a maioria da população não aprovaria uma medida destas mas não posso põr a minha mão no fogo. Afinal de contas, vivi em Aarhus menos de um ano quando lá fiz o Erasmus e, por sinal, amei a Dinamarca.
    Esta medida é absurda. Sim, faz lembrar os piores tempos da humanidade (ou falta dela...) durante o regime nazi. É impensável, discriminatório e injusto. Com uma mão dá-se ajuda, com a outra tira-se a dignidade de quem já perdeu tanto por fugir da guerra.

    Beijinhos

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    1. Esta medida é de uma crueldade absurda, são pessoas a fugir da guerra, que enfrentam o mar, perdem as suas casas, por vezes perdem a vida duas vezes, perdem-na quando têm que abandonar o seu país e perdem-na por vezes no mar (no outro dia vi uma reportagem em que tentavam salvar alguns refugiados, no mar, à noite, em águas gélidas, foi um horror os gritos de desespero de alguns), já para não falar do que têm que enfrentar, traficantes, gente de má-fé, entretanto roubam-lhes o pouco que possuem para enfrentar o primeiro embate num país estranho.

      Com certeza que tem que existir um controle, não é deixar entrar todos porque nem todos os que querem entrar o fazem com as melhores intenções, mas convém perceber que são só alguns, não são todas as pessoas, muitos deles tinham vidas muito parecidas à vida que todos temos e isso deixou de existir para sempre.

      (Carpe, menos de um ano provavelmente não deu para perceber a realidade do dia-a-dia, não sei...)

      Beijinho.

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