terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Isso da protecção e da pressão e da educação

Dizia-me uma mãe um dia destes, uma mãe com três filhos de variadas idades, um ainda criança, outro naquela  idade da pré-adolescência e a filha já em plena adolescência, que não deixava os filhos andar na rua sozinhos. Ia levá-los e buscá-los à escola. Muito bem. Não tenho como não concordar tendo em conta a insegurança que existe por aí, no entanto não deixei de lhe perguntar como é que iria fazer quando fossem para a faculdade. Se iria levá-los e iria buscá-los à faculdade?! Vai daí a mãe dos três filhos engasgou-se um pouco, tentou disfarçar e disse-me que aí compraria um carro a cada um. Ficaria mais descansada.

Sim, esta mãe é daquelas que vive para o trabalho, podia até dizer qual o negócio que gere muito bem e com muito sucesso - mas acho melhor não entrar em pormenores - é uma mulher esperta, não muito bem formada, mas esperta, esperta nisso de ganhar dinheiro. Ou seja, vive para ganhar dinheiro e comprar tudo o que existe de melhor para os filhos. Só não consegue comprar tempo para estar com os seus próprios filhos. O raio do tempo é que estraga sempre tudo... Um dia destes os filhos nem se vão lembrar do rosto e da voz da mãe que lhes compra tudo o que existe de melhor. Uma boa mãe, qualquer um diria à partida... uma boa mãe, qualquer um dia diria à partida... (repeti a frase intencionalmente).

Deu-me para ficar a pensar naquela parte em que me disse que "compraria um carro a cada um". E fiquei a pensar um pouco lá mais para a frente nisto do tempo. E deu-me para imaginar que esta mãe, ou estes filhos, talvez tivessem um futuro muito armadilhado pela frente. 

Quanto à mãe: tomara que nunca envelheça e consiga ganhar sempre muito dinheiro para comprar tudo aos filhos, mesmo que eles já se encontrem numa idade muito avançada e continuem a precisar que a mãe os vá levar e buscar ao lar da terceira idade. 

Quanto aos filhos: tomara que nunca tenham que arranjar trabalho, que não tenham que lidar com a pressão, que não saibam o que é isso de andar de "tócarro", ou daquele metro que não serve para medir coisas. Tomara também que nunca precisem de fazer exame de código nem de condução. Apetecia-me acrescentar outro tomara, mas acho melhor não, pode correr muito mal para o meu lado...

(momento zen, zzzzzzzzzz)

9 comentários :

  1. Pois é, Maria, não é assim que se prepara os filhos para a vida. É bom contar com os pais mas os filhos devem ter condições para ganhar asas e voar!
    Beijinho

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    1. Carpe, admito que cortei e muito este episódio, teve mesmo que ser... existe uma parte que cortei e que tem a ver com um episódio que esta mãe me contou que se passou na escola com o filho pré-adolescente e uma professora, episódio esse que me deixou à beira de um ataque de nervos. Tenho para mim que muitos pais estão a educar filhos que só vão saber viver num mundo de consumismo e pouco mais. Filhos incapazes de lidar com nãos, incapazes de lidar com contrariedades, incapazes de lidar com pressões. Incapazes. Assusta um pouco.

      Beijinho para esse lado também.

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  2. Existem muitos pais que procedem dessa forma e no entanto outros com os mesmos poderes de compra, obrigam-nos a crescer e a fazer crescer as suas asas.

    Nunca tive grande poder de compra, mas nada lhes faltou no básico da vida e levaram resmas/toneladas de bens morais, educacionais e responsabilidade acima de tudo e chegaram a onde chagaram. Vieram os netos e ajudei no que pude, não monetariamente mas na onda que referi e estas duas que moram mais perto e com quem lido mais, estão a trilhar o mesmo caminho a mando dos pais e já têm umas asinhas.

    Andar a pé, usarem transportes públicos, virem em matilha COM RESPONSABILIDADE, apanharem chuva e vento só lhes faz bem...e os avós também devem saber que os "exageros" pagam-se bem caros e conquistam-se guerras com os filhos ou genros e noras, porque os deseducam.

    Se não disse nada de jeito, desculpa, mas vou dóóómir o sono é por demais:)

    Um bom serão

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    1. Fatyly, a conversa com esta "senhora" (não é à toa que escrevi senhora entre aspas) não foi nada fácil. É uma mulher que, dá para perceber, compra os filhos com objectos. É uma mulher com grande poder de compra mas, muito mal formada. Tudo na conversa era dinheiro e objectos, nada mais. Fiz um enorme esforço para a ouvir e não dizer algo de que me viesse a arrepender. Caramba, se existe algo que não consigo engolir é o novo riquismo.

      Ora aí está, o que a Fatyly escreveu vai ao encontro daquilo em que acredito, as pessoas podem não ter um grande poder de compra, mas nada chega a pessoas que sabem que o que realmente interessa passar aos mais pequenos/mais jovens passa por outro tipo de bens. E é isto.

      Tenha uma boa noite :)

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  3. Isto é deprimente! Deveriam ser proibidos 'posts' como este. A malta não aguenta tanta cretinice.
    Não, Maria, a cretinice não está em si, longe disso. A cretinice está no que a levou a escrever.
    Não há 'rabo' que aguente :)

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    1. Caro Observador, tenho para mim que de cretino e de louco todos temos um pouco. A cretinice varia de pessoa para pessoa. A única coisa que posso dizer é que deste tipo de cretinice que povoa este meu post, deste tipo específico não sofro, mas provavelmente outras me assistem :))

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  4. Olá, Maria... Eu hoje já estou farta de dedilhar sem servir para nada... Os textos desaparecem antes de os enviar...
    Vou tentar ser breve :)
    A Maria não é mãe... Eu sou e posso garantir-lhe que é o amor mais bonito que se pode sentir... Dizem que os nossos pais só passam para segundo plano quando temos filhos e que é natural que assim seja...

    Garanto-lhe que o desejo de uma mãe, e possivelmente de um pai... Não sei porque não sou nem nunca serei pai :D... É dar o melhor aos filhos... Ficar com o pior se isso for preciso, mas dar-lhes TUDO e O MELHOR... A questão que se põe é a seguinte : será que dar TUDO é equivalente a dar o melhor? Aí é que surgem as minhas dúvidas... Não duvido que as intenções dessa mãe até sejam as melhores... Agora... Estará realmente certa? É que às vezes parece-me que estamos a tentar criar uma geração de flores de estufa... E ainda por cima elas depois ainda nos ferem com os seus espinhos...

    Abraço :)

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    1. São, não sou mãe, mas... bom, não posso dizer qual a minha experiência neste campo, apenas lhe digo que já estive grávida e perdi o bebé. O resto fica comigo.
      ...

      Esta mãe que aqui trouxe neste texto, na minha opinião, não é uma boa mãe. É muito mal-formada, só pensa em dinheiro e basicamente nunca está com os filhos. O filho pré-adolescente já começou a voltar-se para um lado da vida que muito provavelmente irá acabar mal. Muito mal. Tenho para mim que é porque precisa da mãe, de conversar com a mãe, de estar com a mãe. Dar tudo o que existe de melhor aos filhos, por vezes, passa unicamente por estar com eles, ouvi-los... o lado material da coisa é importante, obviamente, mas colocar esse lado em primeiro lugar é uma tremenda armadilha. Penso eu.

      Olhe que da forma como ela fala, não tenho a menor dúvida e continuando o negócio a correr bem como corre que, quando os filhos tiverem idade para tirar carta e ter carro, a coisa dá-se. Vou só acrescentar que esta mãe me disse que isso dos tablets são estragados pelo filho quase dia sim, dia sim, e tungas, a mãe está lá para comprar mais um e mais outro e mais outro. Fosse comigo e era: estragaste dois tablets seguidos, não tens cuidado, temos pena, não há mais tablets para ninguém. Ia ver se o rapaz não aprendia a cuidar das suas coisas. Assim não, sabe que tudo lhe cai no colo, logo...

      Abraço, São :)

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  5. Então, mas isso foi o que eu disse :dar tudo não é sinónimo de dar o melhor, muito menos de ensinar o melhor... Duvido muito que esses miúdos estejam preparados para a vida..

    Essa dos tablets é mesmo típica de "novoriquismo"... A minha mãe usava a piada "Aquele se se esquecer de comprar papel higiénico, não há problema... Usa uma nota de 5.000...Não é tão higiénico, mas desenrasca... "

    :)

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