terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Da acidez que tanto agrada a muita gente (o tal do humor corrosivo, humor negro)

Muita gente se diz fã deste tipo de humor, um humor que corrói, um humor que parece agradar a muitos. Eu, que não gosto do género nem de longe, nem de perto, porque acho que humor é algo que nos arranca uma gargalhada saudável sem ser à custa da humilhação doentia de outros, muito acho estranho que tanta gente se insurja contra o artigo escrito por Rui Sinel de Cordes. Muitas destas pessoas que chamam nomes ao humorista, foram as primeiras a "apedrejar" Marta Rebelo a propósito de um texto que escreveu a um gato, texto esse que deu azo a que fosse humilhada publicamente como se tivesse cometido um crime horrendo. 

São estas coisas que não entendo, francamente não entendo, muita gente tem dois pesos e duas medidas, num dia humilham, gozam, perseguem um ser humano por dá cá aquela palha e no dia seguinte acham terrível que alguém faça exactamente a mesma coisa a outra pessoa só porque essa pessoa é amiga, conhecida, e a outra... não. Portanto, protegemos os amigos e damos pontapés nos estranhos. Muito me conta esta gente no que a carácter diz respeito... Para mim são seres humanos e merecem exactamente o mesmo tipo de tratamento. Seja Sofia Ribeiro o seu nome, esteja a passar por um momento terrível e, por iniciativa própria ou aconselhada por alguém resolva partilhar com o mundo a sua vida privada - a partir do momento em que o fazemos estamos como que a colocar-nos nas mãos de outros, logo, as criticas tanto podem ser razoáveis como destruidoras... seja outro nome de uma outra pessoa qualquer. Para mim, arrasar, perseguir, fazer humor doentio à custa de outros, revela muito do que somos. Neste aspecto habita muito de Sinel de Cordes em pessoas que nos querem fazer crer que não. Que são gente muita correcta e nós a ver que não. E nós a ver que não...

Eis o texto que está a revoltar muita gente e a receber a aprovação de outros tantos:
"Ter Cancro está cada vez mais difícil. Antigamente, bastava fumar, apanhar sol sem protetor ou ser o Manuel Forjaz. Hoje em dia, é preciso ter um amigo editor de vídeo e investir em duas Go-Pro. Ter amigos fotogénicos e contactos na imprensa. Contratar uma publicitária, um assessor de imprensa e um relações públicas. Aprender sobre maquilhagem. Estudar Paulo Coelho. Criar uma catchphrase e um logótipo. Angariar sponsors e um patrocinador oficial. Ter tour manager. E acompanhar ao máximo a doença, para podermos atualizar diariamente a nossa página do Facebook e alimentar debates em programas com comentadores homossexuais. Acima de tudo, temos de mostrar que não temos um Cancro que qualquer pessoa possa ter. Tumores anónimos? Biópsias que não passam por gabinetes de imprensa? Metástases que nem à capa do CM chegam? Não, nós não temos nada disso. Nós nem sequer temos Cancro. Nós temos Cancro VIP",

21 comentários :

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    1. O fantástico mundo das redes sociais.
      Um abraço, Elvira.

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  2. Ontem quando fui à minha mãe, folheei uma revista onde Sofia aparece como bem entende.Não li a reportagem toda. Respeito a sua forma de ser e estar e fazer o que bem entende. Desejo as suas melhoras!

    Fiz uma pesquisa sobre ambos, porque desconhecia estas personagens.

    Achei péssimo este texto ser direccionado a ela, quando está a passar por um mau momento. Não concordo e jamais alinho neste tipo de ataques até com desconhecidos, porque somos todos seres humanos frágeis, sensíveis e o respeitinho é bonito e eu gosto, porque no melhor pano caí a nódoa.

    No entanto Maria, na minha já longa vida, por ter acompanhado várias pessoas com cancro incluindo crianças, por ter percorrido vezes sem conta as alas já no fim da linha de vida, digo-te que este Sinel tem uma dose de razão. Há sim senhora um tratamento desigual com os Vip's em relação a anónimos, porque quantos familiares de anónimos desunham-se, gritam, pedem ajuda e não são ouvidos? Os Vip's para já totalmente resguardados em locais XPTO porque podem. Podem? Por vezes não têm onde cair mortos...mas os familiares e ou amigos são ouvidos de imediato e...fico-me por aqui.

    Isto que digo não é dirigido ao pessoal médico, enfermeiros e ou auxiliares que fazem o que podem, mas andam a mando de...

    Deixo apenas uma pergunta no ar...algum Vip com cancro ou outra doença grave, debilitado, quase sem poder andar...vai a uma das "famosas juntas médicas"? Começa por aí...pois!!!!

    DE qualquer forma não entro porque jamais o fiz, faço ou farei "ataques gratuitos" porque respeito todo e qualquer ser humano, para que me respeitem também!

    Um bom dia e hoje o sol brilha




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    1. E está dito, Fatyly, agradeço-lhe a sua opinião, conseguiu separar bem as duas situações. Este "ataque" a Sofia Ribeiro por parte deste humorista teve a ver com um vídeo que a actriz publicou onde aparece a cortar o cabelo, maquilhada e por aí fora, ora eu não concordando com o vídeo, porque não concordo, respeito esta opção da actriz, ainda que a ache demasiado arriscada. Até que gostaria de desenvolver esta parte em que digo que é arriscada, mas penso que não é o momento para isso. Este assunto daria pano para mangas, ó se daria.

      No entanto sublinho que não se pode - ou não se deve - ter dois pesos e duas medidas, este mundo está a rebentar pelas costuras neste aspecto. A manipulação, o incendiar a opinião pública só porque sim, está, no meu entender, a precipitar tudo para um lado que pode não ter volta. Admito que esta parte me preocupa, não se critica de forma construtiva, a intenção é gerar conflitos e pôr as pessoas como que a "matar-se" umas às outras. Um jogo demasiado perigoso, com consequências cada vez mais perigosas.

      Tenha também um óptimo dia, Fatyly.

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    2. Ai, Fatyly, apetece-me dizer "não vá por aí" , mas sei que não tenho esse direito ... Digo apenas, eu não iria por aí... Cancro para mim é sinônimo de morte e , lamento informar, mas ela não escolhe... VIP, não VIP, o cancro não escolhe... Costumo usar tudo para exemplificar injustiças e desigualdades sociais... Mas o cancro? Ou outra doença grave? Não... Que importa se não têm que ir a juntas médicas? No final não morrem na mesma? Não... Acho que não é um bom exemplo para mostrar as desigualdades sociais... Eu não o usaria... E sabemos lá se os chamados VIPs não passam também por burocracias e chatices e... A vida deles não é só aquilo que as revistas mostram ... Aliás, em muitos momentos da vida já dei graças por ser uma pessoa anónima...

      Maria... A questão do vídeo... Eu acho que é uma coisa com que não temos que concordar ou deixar de concordar. É a maneira dela lidar com a sua própria doença... Não houve má intenção. Se prejudicar alguém é ela. Tem recebido muitas críticas. Mas também tem recebido manifestações de carinho...

      Um bom dia para as duas :)

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    3. (sei que esta resposta é para a Fatyly, mas vou "meter" a minha colher... acho que a São não percebeu o que a Fatyly escreveu, acho... tente ler outra vez o que está escrito, faz sentido...)

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    4. Eu acho que até percebi, Maria... Mas não concordo muito. Talvez sejam mais receptivos a pedidos de familiares de VIPs, porque receiam que o nome das instituições caia nos media... Mas parece-me que nestas coisas, interessa mais o dinheiro do que ser VIP... Seja um anónimo com dinheiro e tem logo tratamento VIP... Isto a nível de burocracias de bastidores e isso... Porque ,pelo menos no tempo em que andei lá com a minha mãe, achei que todo o pessoal daquele serviço de oncologia não era 5, era 10 estrelas!! Desde médicos, enfermeiros, administrativos, auxiliares, auxiliares de auxiliares... Enfim... Pessoas super impecáveis!

      :)

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    5. (tente ler também, e outra vez, o artigo do Sinel de Cordes e essa coisa dos VIP´s... é que apesar de não ser fã deste género de humor, existe algo por ali que faz algum sentido, é aquela coisa de separar águas, foi por isso que escrevi que percebo o comentário da Fatyly)

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    6. São

      Li e compreendi as tuas palavras, mas não foi isso que quis transmitir. Cancro é uma doença terrível e que apanha qualquer um - rico, pobre, conhecido, VIP etc.

      Nada do que disse foi direccionado, e está no meu comentário, aos médicos, auxiliares, enfermeiros e voluntários, que para mim são 20 estrelas. Mas lidei com imensa gente que padecia das várias formas de cancro. Uns morreram e outros salvaram-se.

      Para exemplificar melhor digo e volto a repetir que os VIP's que por vezes não têm onde cair mortos, têm imensas cunhas...daí eu dizer...que acima de todo o pessoal médicos etc, etc. há quem mande, caso contrário não teríamos várias barracas que aconteceram em hospitais. Certo?

      Fui com uma vizinha que partiu em 3 meses, bem mais nova do que eu...e na urgência sabiam quem ela era e o estado em que estava. Prontos a levarem para dentro, surge um/dois/três cavalheiros a acompanharem uma senhora, pois-pois, e iam passar à frente. Não São, não passou porque estava lá eu, caso contrário passaria sobre quem aguardava há horas. É nisto que falo.

      Não é preciso fazer bagunça, mas se for preciso faço e depois de tudo acertado, escrevo no livro de reclamações.

      Poderia dar-te mais alguns exemplos reais com nomes e tudo, mas não o faço apenas por respeitar a privacidade de tantos que já foram privados de viver.

      Alguém conhecido das televisões ou jornais, de circos ou teatro, políticos devem seguir as regras impostas ao povo, porque eles também são do povo e não é por terem "nome, estatuto" que sejam rapidamente atendidos em detrimento do "Zé das couves ou da Miquelina da venda".

      Quanto às juntas médicas da Segurança Social, é tal e qual o que digo, os VIP's não vão não, mas por exemplo a minha falecida vizinha teve que ir, porque de baixa do trabalho cortariam-lhe os 200 € que recebia. Esperou, esperou e quando a chamaram e a viram nem 3 minutos demoraram e veio de novo para casa. Tinham toda a documentação do hospital, toda e mesmo telefonando que mal podia andar...a resposta foi: tem de vir mesmo.

      Algum VIP passaria por isto? Não, São...jamais em tempo algum!

      Daí Sinel ter uma dose de razão...existe o cancro VIP e o cancro do cidadão anónimo ou com apenas um número.

      Caramba, agora existe a penalização para os familiares que "abandonam os seus" nos hospitais. Pode ocorrer casos reais, mas arriscaria a dizer que 90% dos familiares não têm como cuidar deles, não conseguem arranjar lares (um tremendo e vergonhoso negócio), e ou pagar a alguém que cuide deles, dentro das possibilidades financeiras e horário e filhos, etc, etc.

      Mas este assunto já foge ao cerne do post da Maria e como tal mantenho o que escrevi e gostei de ler os teus comentários. Obrigado

      Beijos e desculpa a minha tentativa de esclarecimento.

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    7. Antes de mais, obrigada, Fatyly, pela atenção dispensada ao meu comentário :)
      Eu compreendo a sua ideia perfeitamente e também já me devolveu com algumas situações. Mas deixe que diga que VIP nestes casos de cunhas é um estatuto muito vago e, ao mesmo tempo complexo. Numa pequena cidade ou vila, se calhar basta ser a sogra ou a prima da cunhada do presidente da câmara para já ter tratamento VIP... Não é preciso ser actor ou cantor e aparecer nas revistas. A questão "não ter onde cair morto" também ,a meu ver, não se põe, porque acho que se tiver bastante onde cair morto também deve ter o mesmo tipo de tratamento ( quando digo tratamento refiro-me a tudo o que tenha a ver com a situação) ... É verdade que quem tem dinheiro tem acesso a clínicas privadas, tratamentos alternativos caros e, ainda que " se for a da morte" morra na mesma, se calhar tem mais hipóteses do que uma pessoa que não tenha dinheiro. Mas se estiver no SNS, num estabelecimento de saúde pública, deve receber o mesmo tipo de tratamento quer seja da família directa do Belmiro de Azevedo ou um habitante de um bairro social. Portanto,acho que também não é por aí...

      De modo que, ser VIP é muito relativo, acho eu... E os VIPs depois também têm outras chatices que os anónimos não tem... Paparazzos atrás, essas coisas... A vida vasculhada...

      Mas percebo a sua ideia , Fatyly, e até concordo com ela, só que, nesta variante própria da minha forma de ver as coisas :)

      Uma vez perguntaram-lhe o que me levava a seguir este blog. Na altura respondi que era o facto de a Maria ter por hábito responder a todos os comentários ( pelo menos uma vez, porque se fosse respondendo a todas as minhas contra-respostas, coitada :D ) , mas acho que ,acima de tudo o que me leva a seguir este blog é o facto de a grande maioria das pessoas que aqui comenta o fazer de forma civilizada, respeitando e fazendo-se resoeitar... Ao contrário do que acontece em algumas páginas por aí... E não, Maria, não é só de Facebook, há por aí com cada blog em que a pessoa chega lá, dá uma opinião e, qual mercearia da Teresa ou retrosaria da Donatilia, caem-lhe encima como abutres, é linxado em praça pública ...

      Abraço as duas e bom fim de semana :)

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    8. Ah, Fatyly, ainda em relação ao "abandono" de familiares nos hospitais, concordo consigo a 100%, apesar de já fugir ao tópico. E não é apenas isso. Muitas vezes é também o facto desse familiar necessitar clara e visivelmente de cuidados médicos e ser "recambiado" para casa como se os familiares fossem médicos e tivessem em casa todos os equipamentos médicos necessários ao doente!

      A última vez que a minha mãe foi mandada para casa, visivelmente em estado terminal, com uma pneumonia avançada, o tripulante da ambulância que a levou disse-me "Minha senhora, eu até me dá vergonha de trazer uma doente para casa no estado em que a sua mãe se encontra. Acredite que me custa e muito. Não sei como podem mandar uma pessoa para casa neste estado... Mas eu cumpro ordens e não me podia recusar a trazê-la. Aconselho-a, pessoalmente, como cidadão que sou, a ligar o 112, mal eu e o meu colega arranquemos. Porque nós não a podemos levar de volta, tendo-nos sido ordenado que a truxessemos para casa. A senhora seria acusada de não ter recebido a sua mãe, e eu e o meu colega seríamos acusados de incumprimento. Mas como cidadão, aconselho-a , chame o 112 mal nós viremos costas, porque é uma vergonha mandarem um doente para casa no estado em que a sua mãe se encontra"

      Telefonei para o 112 e para o próprio hospital e passou-me... Disse poucas e boas! Antes do 112 chegar ainda fiz uma canjinha e tentei que a minha mãe comesse... Mas qual comer se ela mal abria os olhos... O 112 veio.. Levaram-na... Fui ve-la no dia seguinte... Estava a ser alimentada por sonda e ligada a uma máquina de oxigénio ( não tinha tal artimanha em casa... Será que devia? Afinal, tinha torradeira, microondas...) ... Vi logo o filme todo, que aliás tinha visto quando a tinham levado para casa ... Quando me telefonaram , pouco mais de 24 horas depois a dizer que os médicos queriam falar comigo, já estava tristemente à espera...

      É assim... Tinha 75 anos... Mas era a minha mãe... E nem que tivesse mais... Ainda há dias vi na televisão a neta de um senhor que tinha morrido com 100 anos no hospital, a reclamar/ lamentar a negligência de que, segundo ela, o avô tinha sido vítima no hospital...

      Abraço :)

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  3. Bom dia, Maria :)
    Eu não sei como começar a comentar este post... Ando com dificuldades em ser sucinta... Há aqui várias coisas a ter em conta, vários pontos, várias questões... O cancro... O humor negro... As redes sociais... Os diferentes pesos e medidas...

    O cancro acho que é o maior terror do ser humano... Pelo menos para mim é... Acho que deve ser a maior injustiça do mundo, talvez a par com doenças degenerativas incapacitantes ... E é a maior injustiça principalmente porque nem sequer sabemos contra quem ou o quê nos revoltarmos... Para mim é a maior evidência, para não lhe chamar prova da não existência de Deus! Não me venham com histórias de que Deus escolhe os melhores para irem para o pé dele e dá cruzes maiores aos mais fortes ,porque isso para mim são balelas! Também vivi isso de perto com a minha mãe, apesar da doença da minha mãe, como a médica dizia, não ser exactamente um cancro. Era uma anemia crónica muito rara, ainda mais rara em mulheres. Mas ela era tratada em oncologia, porque em Faro o serviço de hematologia é agregado ao de oncologia. Ia com ela fazer as transfusões de sangue... Primeiro quinzenais, depois semanais... E eu vi lá casos que... Dão a volta ao estômago de qualquer pessoa... Não há ladainha religiosa que me convença... Jovens... Crianças... Não... Não há nada que me convença de algum tipo de justiça ... E casos que não vi lá ,mas dos quais tive conhecimento... O filho de um antigo patrão do meu ainda marido morreu com 12 anos... Uma leucemia fulminante levou-o em coisa de um mês... Não... Enfim...

    Talvez por isso, por ser um assunto tão melindroso eu não costumo criticar a forma como cada um lida com a sua própria doença. É algo que a pessoa diz "Oxalá que eu nunca saiba por experiência própria para então saber como reagiria e lidaria com a doença" ... Porque as pessoas são diferentes, lidam com as coisas de forma diferente ... Têm as suas próprias formas de lidar com a doença, e eu espero nunca vir a saber qual seria a minha. São coisas que a pessoa nunca pode dizer ,eu faria assim , ou faria assado ... São assuntos tão melindrosos que eu acho que mudam completamente uma pessoa e não costumo criticar ninguém... O David Bowie resolveu não partilhar com o mundo? Ele lá sabia. A Sofia Ribeiro resolveu partilhar? Ela lá sabe. As pessoas são diferentes e lidam de forma diferente com a vida... São coisas que, a prejudicarem, será sempre a própria pessoa, nunca outros, por isso não crítico... Ainda mais tratando-se de um assunto tão melindroso...
    (Continua)

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  4. A Sofia Ribeiro provavelmente decidiu partilhar com o público , para receber o carinho das pessoas. Para a ajudarem nesta luta tão difícil. Foi a forma dela de lidar com a doença. É a maneira dela. Óbvio que devia estar consciente de que ia ter manifestações de pessoas parvas. Mas também tem recebido muitas manifestações de carinho.

    Há quem se julgue no direito de opinar que ela não devia lidar assim com a doença, porque se está a expor e blá blá blá ,como se isso fizesse algum mal a alguém... E parece-me que o autor desse texto é mais um deles, só que decidiu dizer a coisa no sentido de ter graça... Só que não teve... Foi mais um a opinar sobre uma coisa que, felizmente não lhe diz respeito...

    O humor negro é aquele tipo de humor que eu só aceito em causa própria... Quero eu dizer que se eu fizer uma piada sobre uma desgraça minha é uma coisa... Agora fazer sobre as desgraças dos outros já é diferente... Pode haver algumas coisas que tenham um certo sentido, mas a maioria... Enfim...

    Em relação a se dizer que " Ah e tal, as redes sociais são uma desgraça para as pessoas! " a Maria já sabe a minha opinião, mas eu vou voltar a expressá-la... As redes sociais não tornam as pessoas más, mostram é a mais pessoas o que cada pessoa é... Ai se aquelas vizinhas da minha infância que se juntavam lá na mercearia da Teresa ou na retrosaria da Donatilia se apanhassem no Facebook! Ah, punhão! :D :D ... Nao, não diziam pior... Ficava era mais gente a saber o que elas diziam e daí parecer pior... Ah, e depois no facebook, ou no twitter ou no blogger não precisavam de sair para a rua para ir da mercearia para a retrosaria... Juntavam-se mais e tudo! Ah, isso é que era!!!! : D ...

    Abraço, Maria :)

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    1. O seu comentário, São, toca em pontos muito delicados, um deles é a existência ou não de Deus. É interessante o seu ponto de vista quando associado a esta doença que ultimamente parece que aposta muito mais em ceifar vidas.

      Quanto ao video da actriz, bem, nesse aspecto já conhece a minha opinião. Consigo respeitar (não sei se respeitar é o termo adequado) mais uma Fernanda Serrano, uma Simone de Oliveira, e outras figuras públicas que se aninharam/resguardaram nos braços da família e amigos e só informaram o seu público quando sentiram que era a hora de o fazer. Penso ser mais inteligente, mais sensato... Acho que no caso de uma doença destas, que quase desmorona um ser humano, em que as pessoas ficam muito fragilizadas, publicar vídeos e relatar passo a passo nas redes sociais o que se passa é demasiado... arriscado. Ao contrário da opinião de outros, não me parece que ajude ninguém, se for feito de forma pedagógica, ajuda, de outra forma não vejo em que medida é que pode acrescentar algo, o mais que pode fazer é alimentar um certo tipo de voyeurismo. Não é de todo positivo, no meu entender. Sou pela discrição em assuntos que envolvem uma carga muito pesada em termos físicos e psicológicos. Existe sempre uma factura muito alta a pagar quando as pessoas voltam às luzes da ribalta. Escancarou a porta da sua vida, não mais lhe é permitido ter sossego. É como se se vendesse a alma ao diabo (peço desculpa pela expressão demasiado forte).
      ...
      Penso que em momentos destes não se precisa do tal "carinho" do público, isso é pura ilusão, o público hoje está consigo e amanhã já está a atirar-lhe uma pedra sem dó nem piedade. Facilmente passam as pessoas de bestiais a bestas. Penso que é uma mais-valia que as pessoas não se deixem iludir. A nossa família/amigos, por outro lado, está sempre lá. Com ou sem redes sociais estão sempre lá. Este "lá" é um local muito reconfortante.

      Termino com esta sua parte do comentário com a qual não concordo mais porque não consigo:
      "O humor negro é aquele tipo de humor que eu só aceito em causa própria... Quero eu dizer que se eu fizer uma piada sobre uma desgraça minha é uma coisa... Agora fazer sobre as desgraças dos outros já é diferente..."
      ...
      É por aí, São, aqueles que mais tentam arrasar os outros, são aqueles que não conseguem "arrasar-se" a si próprios, não conseguem brincar consigo próprios, com os seus defeitos... Basta alguém fazer-lhes algum tipo de critica e não têm qualquer poder de encaixe. Diria que são uns perfeitos cobardes.

      Um abraço para si também, São :)

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    2. Eu por tendência própria nunca fui muito dada a religião... Se calhar é como a sexualidade: não é uma questão de opção, mas de orientação. Portanto, estas coisas para mim só me fazem pensar que sempre tive razão , não me levam a ficar desiludida no sentido da existência/não existência de Deus... Sempre achei que não existia,portanto...

      Maria... Mas lá está o que eu disse: cada um tem a sua forma de estar na vida e de enfrentar as coisas... A Simone de Oliveira ou a Fernanda têm uma personalidade diferente da da Sofia, e ,portanto, lidaram de forma diferente... Talvez a Sofia tenha feito mal ... Se calhar reagiu a quente, quis carinho do público... Se essa decisão foi prejudicial para alguém, só pode ter sido para ela, para mais ninguém, e é nesse sentido que eu digo que não tenho o direito de concordar ou deixar de concordar... E sim, o público hoje está connosco, mas amanhã não está... Mas a família e os amigos às vezes fazem o mesmo... Enfim...

      A questão do humor... Eu vou aqui contar um episódio que aconteceu comigo há uns meses atrás... Comigo e com as minhas colegas... A Maria sabe a situação por que passei. Não é segredo para ninguém, nem em lado nenhum... Não faço questão de apregoar, mas também não faço disso segredo. A Maria sabe em que situação eu estava há uns meses atrás, o tipo de sítio onde vivia,com outras mulheres na minha situação, a maioria com crianças. E então, uma tarde, estávamos varias na sala a conversar estavam dois bebés a brincar na alcatifa... O menino com 13 ou 14 meses na altura e a menina com 9 ou 10 meses, por aí... E às tantas, na brincadeira, o menino deu assim uma ligeira chapada na menina, ela até sorriu, não foi com força, até foi mais naquela de ela olhar para ele ,porque estava a olhar para outro lado. E então nós começamos na brincadeira neste sentido "Não lhe batas! Não lhe batas, olha que ela via-se embora! Depois vem para cá chorar que só lhe deste uma chapada e que ela se foi embora de casa! Isto já não é como antigamente! Tu bates-lhe ,ela vai-se embora! Mas ela ainda se ri, olha, e não se vai embora! Pois o mal é perdoar uma vez! Ele agora vai continuar a bater-lhe cada vez mais!"

      Se calhar era um pouco negro aquele humor... Mas nós rimos... Sabe Deus como estavamos por dentro, mas por fora, brincávamos com uma situação séria, mas éramos nós... Mas agora diga-me, se chegasse ali uma funcionária da instituição e fizesse a mesma piada? Se dissesse que aquilo era um homem a bater numa mulher e tal... Era a mesma coisa? Não, era uma piada de mau gosto...

      :)

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    3. Lá está, a capacidade de rir das nossas próprias desgraças, defeitos, por vezes revela alguma capacidade de também dar a volta às intempéries da vida de uma outra forma. Penso eu...
      ...

      São, vou ser politicamente incorrecta no que vou escrever a seguir, assumo, eu acho que a Fernanda Serrano e a Simone de Oliveira são duas grandes senhoras de idades completamente diferentes, sabem gerir a sua vida de forma inteligente, não andam à procura de protagonismo... e é isto que penso. Não estou a julgar ninguém, estou simplesmente a emitir a minha opinião. Tendo a admirar muito mais gente discreta em assuntos delicados quanto este. Lamento.

      Tenha um resto de boa tarde :)

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    4. Pronto... A Maria lá sabe... Mas eu não consigo criticar neste tipo de caso tão melindroso. Não consigo. Espero, sinceramente, que nunca chegue a saber como lidaria com tão triste situação. Há bocado falou na questão de ajudar ou não... Eu também não me parece que ajude, mas lá está :espero nunca precisar de saber... Quem sabe se a ideia não é também dizer às pessoas que não se deixem ir abaixo, que enfrentem com coragem e esperança... Não sei...

      Falando agora de uma coisa muito menos séria (para mim é)... Em relação ao texto da Marta Rebelo... Eh pah... Eu sinceramente, na altura, quando li aquilo ri... Achei aquilo surreal, sinceramente... Mas pronto, também não vou criticar... Aquilo está tão sentido que, pronto... Ela lá sabia... Vai um bocado no sentido da tal rapariga que queria ir ver a Adele :D... Mas não acredito que um namoro acabe por causa de um gato... Acaba porque as coisas já não corriam bem... Porque se realmente foi porque o senhor deixou fugir o gato, tendo em conta que não terá sido de propósito, é estranho.

      Mas não é um texto que ofenda como este...

      :)

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  5. Sinel de Cordes não consegue revoltar-me. Desde logo porque a sua forma de estar me arrepia. Depois, o que o ... humorista, não é?, escreveu dirigindo-se a Sofia Ribeiro, enojou-me. Além de que quem brinca com estas situações só pode ser uma besta.
    Já Nuno Graciano, num programa da CMTV, tinha afirmado: “Rui Sinel de Cordes é uma besta”.
    Juro que não combinei nada com o Graciano mas, ao que parece, temos a mesma opinião.

    Beijinho, Maria.

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    1. Caro Observador, teríamos que entrar pelo caminho de tentar perceber se o humor tem limites ou não? E talvez levar a debate esta coisa de que ao nos expormos nas redes sociais, se não estaremos de alguma forma a fomentar o voyeurismo e ao mesmo tempo o lado das criticas de teor destrutivo. Tenho para mim que uma acção dá sempre origem a uma reacção, seja ela boa ou má. Seremos suficientemente adultos para aguentar com as reacções???

      Não me pronuncio em relação ao Nuno Graciano (também não sei o que é isso da CMTV), ou pelo menos não me pronuncio muito... não simpatizo lá muito com a pessoa.

      Aceite também um beijinho. Boa semana :)

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    2. Nuno Graciano era o que estava mais à mão. Houve mais.

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