domingo, 6 de dezembro de 2015

Não é uma questão de descer, é mais uma questão de subir

A propósito da imagem de Natal do post em baixo, post esse que iria incluir o link do respectivo artigo que entretanto achei por bem não incluir quando comecei a ler os comentários ao mesmo. Comentários do mais "aziado" possível. Falava o artigo que a Câmara teria gasto uma determinada quantia para as iluminações de Natal na cidade de Lisboa, logo se insurgiram pessoas que, se por um lado teriam alguma razão, por outro perderam-na quando não sabem argumentar como gente civilizada. Ninguém ouve gente aos berros, sejam esses berros em forma de letras escritas ou em forma de palavras daquelas que se querem fazer ouvir. Aliás, a própria palavra berrar fere-me os ouvidos. Desligo-me do que quer que seja quando me tentam enfiar pelo cérebro adentro opiniões como se fossem facas. As opiniões estendem-se em cima da mesa, debatem-se com maior ou menor fervor e convém que não entornem. Opiniões transtornadas não chegam a lugar algum. Não servem para rigorosamente nada.

(o lado frio da vida que não pára de cair)

Se por um lado existem muitas famílias a passar por inúmeras dificuldades e não se entende como é que se vai gastar dinheiro em iluminações de Natal, por outro existem famílias que, felizmente, vão conseguindo sobreviver e esse sobreviver inclui a possibilidade de poderem desfrutar do seu Natal com alguma tranquilidade. A possibilidade de pegar na mão das crianças e levá-las a ver  as iluminações de Natal nas ruas da cidade, deixar  as crianças sonhar um pouco com o brilho que deve fazer parte do seu mundo. Existem pessoas que estão tão cegas de ódio que não conseguem perceber coisas tão simples quanto esta. Querem destruir tudo à sua volta porque as suas vidas não correm pelo melhor. Levam tudo à frente. Atropelam até aqueles que acabaram de chegar ao mundo apagando-lhes toda e qualquer luz. Uma mensagem de escuridão que vai ao encontro de um: se eu não tenho não vejo razão alguma para que tu possas ter...

Eu diria que se a nossa vida não corre pelo melhor e estamos na lama, não ajuda em nada arrastar todos os outros para a lama também. Como se isso nos confortasse de alguma forma. Viver, para mim, não é puxar os outros para baixo porque eu estou em baixo. Viver, para mim, é dar a mão e puxar os outros para cima porque eu estou em cima. Não é uma questão de descer, é mais uma questão de subir. 

6 comentários :

  1. Estou totalmente de acordo consigo e, por isso, não adianta dizer acrescentar o que quer que seja.
    Por vezes, subir é mais difícil mas, talvez por isso mesmo, é mais agradável só naquela de se sentir que se conseguiu.
    Tenha, Maria, um bom domingo.
    Beijinho

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    1. É necessário, urgente mesmo, mudar mentalidades neste país à beira-mar sentado. A não ser assim não tarda afogamo-nos todos.

      Beijinho para si também, caro Observador. Tenha um óptimo domingo.

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  2. Também li a notícia e 90% dos comentários é o que dizes e também não vou por aí, se estou em baixo não arrasto ninguém e vice-versa, mas porque sou optimista por natureza e aé consigo ver uma luzinha num painel negro da vida.

    Ainda hoje não gosto de Lisboa e durante anos e anos vi as iluminações de Natal porque trabalhava no centro e quantas vezes saí do trabalho a altas horas. As filhas nunca quiseram ver, contentavam-se em ver as daqui de Sintra.

    Que as câmaras deveriam poupar, claro que deviam porque só há uns dois ou três anos é que repuseram as lâmpadas "de poupança de energia", o que já é meio caminho. Depois há ruas em que à noite não se vê viva alma e para que serve tal iluminação? O ferro da minha varanda servia de sustento a uma das muitas "arcadas" e acreditas que quando acendiam eu não precisava de acender a luz da minha sala? Já sozinha por vezes ficava na janela a ver os pardais aninhados junto às lâmpadas. Felizmente a Câmara reduziu e têm posto apenas em pontos cruciais e ir à Vila é uma delícia ouvir os risos das crianças, o lado bom da coisa. Depois é a guerra entre as ditas Câmaras...com árvores de Natal a perder de vista e sou totalmente contra isso assim como muitas das decorações são "encomendadas" a decoradores estrangeiros e negam a "prata da casa"...o lado mau da coisa!

    O que gosto imenso de ver são os presépios e o Pai Natal nas montras, mas o comércio local quase desapareceu e só se for ao Fórum Sintra o que ainda não fui, porque para além de não ter criancinhas, prefiro passear no "ar puro e gélido da serra"!

    Não é fácil lidar com a fome, precariedade, desemprego de milhares e milhares de portugueses, mas apesar dos pesares nunca deixei por mãos alheias "o sonho de criança das minhas filhas" e hoje ainda caem lágrimas quando me lembro que a 1ª árvore de Natal que fiz em solo português, foi com ovos vazios que guardava e decorados com pedacinhos de papel, fitas, etc que apanhava no lixo e colados com cola (farinha e água).

    Foi muito bom vir até aqui e desculpa o atraso na leitura mas só hoje tive um tempinho para ler! Valeu a pena, chorei a rir e chorei comovida e o meu muito obrigado.

    Beijocas e uma boa tarde de domingo. Vou dar uma volta a pé com uma vizinha



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    1. Fatyly, as pessoas que comentam em jornais online assustam-me. A sério. Não estou a brincar. Isto sem generalizar, obviamente. Mas diria que uma grande maioria de comentários em jornais online são género esgoto. Um género de "vomitório". Uma pessoa entra limpinha e sai de lá a precisar de uma banho de lixívia tal é a quantidade de porcaria que se colou ao corpo e à mente. A evitar a todo o custo. Não se aprende nada. São pessoas altamente incendiárias. Assustador.

      Digo-lhe, se um dia alguém resolvesse acabar com as iluminações de Natal, o espírito do mesmo perderia todo o encanto. Não nos podem roubar também esse lado. Já nos roubam tanta coisa que esse lado se mantenha, pelo menos. Com certeza que tudo tem que ser feito com contenção principalmente em tempos difíceis, mas é para isso que depositamos nas mãos dos que se querem sentar na cadeira do poder... poder (passo o que tiver de ser passado) para agir em conformidade. Não é cortar definitivamente, é arranjar soluções sem entrar em radicalismos.

      Eu sei que o passado da Fatyly não foi fácil, dá para perceber quando lemos o que escreve, no entanto duvido que não queira ver as suas netas felizes, com os olhos a brilhar por esta altura do Natal. Com luzes incluídas. Portanto que não se apague o lado dos sonhos, sem eles somos gente à deriva.

      Aceite um beijinho e tenha um bom domingo na companhia da sua vizinha :)

      PS: Eu amo de paixão Lisboa, Isso a Fatyly já sabe...

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  3. Há textos que, pela mensagem que transmitem, não carecem ser comentados. É o caso.
    Esteve muito bem, Maria.

    Um radioso domingo :)
    (Ninguém se queixa da luz do sol, pois não? Era o que faltava!)

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    1. Há textos que nos saem cá de dentro e não há como travá-los, se os travamos, sufocam-nos.

      (ai de quem se queixar da luz do sol, merece um sol de cara fechada para sempre)

      Um óptimo domingo, AC e obrigada pela simpatia :)

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