quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

"Não é fácil dizer ao mundo: eu sou lésbica"

Sou só eu que acho estranho que de repente as pessoas achem importante dizer ao mundo qual é a sua orientação sexual? Ora bem, orientação vem de orientar, isso deve querer dizer alguma coisa... não digam que eu não tarda chego lá... já sei! Não, ainda não é desta. A bem dizer não quero saber o que fazem as pessoas com a sua sexualidade. A bem dizer não acho importante. A intimidade dos outros só aos próprios diz respeito. A minha, só a mim diz respeito. Enquanto se enveredar por este caminho de revelar o que fazemos, com quem fazemos, e o sexo da pessoa com quem o fazemos, já estamos à partida a admitir que outros nos discriminem. A esta parte não é difícil chegar. Penso eu, mas que sei eu...

Passo atrás: e não, não acredito que contribua para que outros ganhem coragem e o façam. Não têm que o fazer. Um ponto em que é urgente ser final.

***
Uma das youtubers (portuguesa) mais conhecida resolveu revelar há pouco dias que era lésbica. E eu não entendo a relevância da coisa. Se calhar sou de compreensão lenta. Deve ser isso.

14 comentários :

  1. Ninguém tem que dizer a ninguém qual é a sua orientação sexual.
    Maria diz que '(...) revelar o que fazemos, com quem fazemos, e o sexo da pessoa com quem o fazemos, já estamos à partida a admitir que outros nos discriminem', e eu não posso concordar mais consigo.
    Há quem não se importe e até quem goste mas, sinceramente, não é uma coisa sensata.
    E é isto.
    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A sensação que passa (refiro-me a estes casos que têm acontecido ultimamente) é que existe uma necessidade qualquer de protagonismo. Posso estar errada, provavelmente até estarei, mas que passa, lá isso passa.

      Para si também, caro Observador, um beijinho.

      Eliminar
  2. Estou totalmente em sintonia contigo e não vejo a necessidade de revelarem ao mundo. Falar com a família e ou amigos mais chegados é uma coisa, mais do que isso, apenas respeito quem o faça.

    Acho que não é assim que se mudam mentalidades, mas sim com as atitudes normais do ou no seu dia-a-dia sobretudo sem dar cavaco a olhares, piadolas de mau gosto etc, etc, sou como sou, ando com quem ando, vivo quem vivo e ninguém tem o direito de se meter na minha/nossa vida. Quero dar um beijo dou, se quero andar de mão dada, ando e maisnada. Acho que só pela postura é que se mudam mentalidades porque a homossexualidade não é uma moda...NASCE COM A PESSOA e mais nada!!!!

    Os que conheci e conheço em nada beliscou a nossa sincera amizade até hoje e sabem que se precisarem de desabafar eu estarei sempre presente.

    Se tivesse um filho ou filha que fosse, ajudaria e amaria da mesma forma, ao invés de pais que enfim...

    Um bom serão

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Lá está, concordo consigo, Fatyly, revelar à família - ainda que ache que só família muito desatenta não percebe - é o que interessa. Isso é coisa de valor. Talvez a um ou outro amigo mais chegado, agora, ao mundo e arredores, não, completamente desnecessário. Só contribui para que a tal discriminação se acentue ainda mais. Penso e de que...

      Não consigo entender esta coisa de querer escarrapachar num facebook/tv/revistas e por aí fora, tudo e mais alguma coisa. Já só faltam fotos de sexo explicito logo pela manhã. Género: acabei de acordar e olhem para mim aqui ao lado do/a x ou y.

      Tenha uma boa noite, Fatyly.

      Eliminar
  3. Bom eu penso que a sexualidade, (ou a tal orientação sexual) de cada um é, ou deveria ser, um não assunto, pois entendo que isso é do foro pessoal da pessoa e do parceiro, e nada mais. Mas parece que ultimamente toda a gente, cuja sexualidade, é diferente daquilo que a sociedade convencionou chamar de normal, sente necessidade de o apregoar aos sete ventos, dando-lhe uma importância, que eu não
    entendo. Acredito que não seja fácil dizê-lo, mas será que interessa dizê-lo? Em que é que isso contribui para o sucesso da sua vida?
    Eu penso assim, mas se calhar é porque já sou velha.
    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Um não assunto. Também acho que deveria ser por aí. Quanto mais se fala, mais se alimenta um lado que não deveríamos alimentar. Também o estou a fazer - bem sei - ao trazer o assunto a debate, só que aqui a intenção é oposta àquela que supostamente quer passar quem resolve assumir que não é "normal". Escrevi propositadamente esta última parte do normal só para que se perceba que são os próprios que se estão a auto-intitular de não "normais", o que quer que isso de normalidade queira dizer. E se é que tal coisa existe.

      Qual velha, Elvira?! Também não pode colar esse tipo de rótulos a si própria, está a abrir uma pequena janela para que os outros entrem por aí. E ó se as pessoas gostam de usar esse termo com sentido pejorativo.

      Um abraço para si também.

      Eliminar
  4. Hoje há muito a ideia de que revelar a orientação sexual é um acto de coragem e que as pessoas sejam elas quem forem aceitarão e o ou a considerarão uma heroína. Depois há o outro lado da moeda quem revela este tipo de coisas acaba por ter uma multidão de gente que apoia porque é giro, é chique ter um amigo ou uma amiga que é lésbica ou gay.

    A orientação sexual do ser humano pertence ao intimo de cada um e, por isso, não deve ser revelada ao mundo inteiro. Porquê? Porque embora ande tudo esquecido ainda existe a palavra privacidade e privacidade quer dizer: o direito à reserva de informações pessoais e da própria vida privada. Aproveito para alargar um pouco o tema e referir que a falta de privacidade tem sido um dos principais problemas sociais que requer uma intervenção rápida e ajustada por parte das autoridades competentes. A falta de privacidade dizima a vida de um homem ou de uma mulher numa questão de segundos.

    Revelar que é gay, lésbica ou o diabo a sete não interessa a ninguém que não à própria pessoa e família alargada... nem aos amigos estas coisas se devem contar.

    Bom fim-de-semana

    Maria

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Alexandra, não se esqueça que são os próprios a violar essa privacidade e, se são os próprios, a parte do seu comentário em que diz: "requer uma intervenção rápida e ajustada por parte das autoridades competentes", parece-me desajustada. Ou então fui eu que não percebi o seu comentário...

      Existe família e... família. Existem amigos e... amigos. O que quero dizer com isto é que por vezes um amigo apoia muito mais do que a própria família. Penso que nessas situações cada caso é um caso. Existe sempre gente em quem não se pode confiar. Por vezes são os amigos. Por vezes, infelizmente, é a própria família.

      Numa coisa concordo consigo, parece que é um acto de coragem revelar a orientação sexual. Quando não é. Na minha opinião também não é. Cada um fará o que bem entender da sua vida mas, ao fazê-lo, deixa que a sua sexualidade seja discutida por toda a gente. Coisa mais estranha ter estranhos a falar de algo que deveria pertencer só ao próprio.

      Bom fim-de-semana para si também.

      Eliminar
  5. Olá, Maria... Já aqui tenho dito várias vezes que a minha juventude está ligada à rádio.. Andei na rádio desde os meus 16 até cerca dos 26,27... E tenho pena de ter deixado... Coordenava toda a informação, fazia o trabalho administrativo e montes de outras coisas... Passava lá o dia, mas pouca locução fazia, porque a minha voz não é grande coisa... Mas às tantas quis um programazinho só para mim, uma coisa leve. E então passei a ter uma hora, ao inicio da tarde de Sábado, em que se falava das notícias chamadas cor-de-rosa...notícias sobre celebridades, que saiam nas revistas... Eu tantava não papaguear e dar um certo humor à coisa... Então, uma vez, um cantor ou actor (sinceramente já não me lembro quem) de quem há muito não se ouvia falar, veio a uma revista falar de si e o titulo do artigo/entrevista era "Eu não sou homossexual!"

    Então, aqui a São, abriu a notícia da seguinte forma :"Como se alguém lhe tivesse perguntado alguma coisa, Fulano de Tal veio a publico afirmar que não é homossexual... "

    É por aí... Ninguém lhe tinha perguntado nada. Nenhuma das perguntas da entrevista era nesse sentido, mas de repente, a pessoa lá desviou o assunto, dizendo que era possível que o público pensasse que ele era, por causa de já não me lembro o quê.. deu tanta importância aquilo que o título era aquele...

    Ora, menos...

    Um abraço e boa semana :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá São,

      Pois, se realmente gostava da rádio foi pena ter deixado. Por vezes tomam-se decisões na vida sem nos apercebermos que o caminho melhor é bem capaz de não ser aquele. Vai na volta viver é isso mesmo, uma mistura de boas e más decisões.

      Se a criatura fez questão de sublinhar que não era homossexual, se calhar era mesmo. As pessoas por vezes tanto querem esconder que, espalham-se ao comprido. Só gente muito desatenta não percebe quando alguém é homossexual. Eu cá acho que se dissesse quem eu acho que sim, que é, era capaz de arranjar uma confusão daquelas. Ora, como não é importante e a intimidade de cada um, a cada um diz respeito, não é coisa que se faça. Não é importante. Aliás, o que se faz dentro de quatro paredes e no que ao campo sexual diz respeito, não tem a menor importância. Não tem desde que as pessoas sejam maiores de idade e que seja consentido por ambos. O resto é paisagem.

      Abraço. Boa semana para si também :)

      Eliminar
    2. Maria, eu deixei aquela rádio na altura certa. Aquilo andava uma rebaixaria que ninguém faz ideia... A prova disso é que para aí duas semanas depois de eu ter saído, houve mesmo uma barraca enorme e... Fechou... Ainda foi comprada pela RFM, mas eles pouco fizeram daquilo... Pensei sempre em ir para outra, mas fui deixando passar o tempo e nunca mais voltei a rádio nenhuma. A rádio, para mim, de qualquer forma, era um hobbies... Nunca me passou pela cabeça fazer da rádio profissão principal. Na altura, também só ganhava alguma coisa do trabalho administrativo... Da coordenação de informação e outras coisas que lá fazia, não recebia, era um Bobbie...

      Eu sinceramente, por muito que me esforce , não me consigo lembrar de quem era, por isso não posso dizer se acho que a pessoa era ou não... O que me lembro que concluímos na altura foi que a pessoa queria ser falada, porque há muito que estava no anonimato, não era convidado para nada, ninguém falava dele... Iam aparecendo novas vedetas e ele estava esquecido... E então, achou que com aquele título, aquele assunto, chamava a atenção e lembravam-se dele

      :)

      Eliminar
    3. Essa do: "falem bem ou falem mal, mas falem de mim", é uma grande armadilha. Tenho para mim que só gente tonta é que cai nessa...

      Eliminar
  6. Concordo plenamente, Maria. Acho isso uma falácia, uma besteira sem tamanho. Que o mundo tem que saber se o indivíduo e gay, bi, transsexual, traveco, hetero, indeciso ou "ainda esta pesquisando"?! Estou farta dessa coisa, dessa propaganda do que as pessoas fazem debaixo dos lençóis, deixem que façam e sejam felizes com suas escolhas. Sair do armário e uma decisão pessoal e ninguém deveria ficar empurrando o outro a faze-lo. Não acho que Caytlin Jenner ajudou a ninguém, pelo contrario acho que o fez aquele estardalhaço todo por pura vaidade e narcisismo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ora, muito bem escrito este comentário. Nada a acrescentar, acrescentar só estragava. Muito bem. Assino por baixo. Tudinho :)

      Eliminar