terça-feira, 29 de dezembro de 2015

(daquilo do piropo)

Parece que o problema é este (é efectivamente este);

E talvez não seja este (talvez, não tenho a certeza):

Mas, se calhar, o verdadeiro problema é mesmo este (não é se calhar, é mesmo):

Como mulher adulta consigo perfeitamente desenrolar-me do lado vulgar do assunto, não lhes chamo de piropos, é bem mais em baixo, bem mais vulgar. Piropo, à partida, não ofende uma mulher, não "suja", antes pelo contrário. E sei do que falo, já ouvi quer de uns, quer de outros. Sei qual a sensação que provocam. Uns não nos fazem sentir mal, já outros emporcalham e não é pouco.

Por outro lado, se tivesse uma filha menor e ouvisse um homem dizer aquilo ali de cima a uma filha minha, era bem capaz de achar pouco os tais três anos. Embora me sinta dividida nisto da prisão... Se me dessem oportunidade era mais um murro nos queixos ou noutras partes mais sensíveis de modo a que a partir daí funcionasse só com cordéis. Está feito!

Fazendo a leitura de uma forma mais racional, digamos assim, diria que esta pena de prisão até três anos é bem capaz de funcionar apenas como medida dissuasora. Na prática não funciona, penso eu, mas existindo uma qualquer lei que possa de alguma forma penalizar, é capaz de surtir algum tipo de efeito. Pelo menos leva este tipo de homem a pensar duas vezes, embora ache que um homem que é capaz de ter uma linguagem obscena para com uma mulher que passe na rua, dificilmente usa o cérebro. Digamos que existem muitos homens sem cérebro por aí. Demasiados, infelizmente. A sorte é que não são todos. Uns são agradáveis, gostam de apreciar uma mulher bonita (não é crime), mas sabem estar. Saber estar faz toda a diferença.

Para finalizar: o engraçado é que algumas mulheres que agora se manifestam e se sentem ofendidas, são as primeiras a, por vezes, falar dos homens exactamente da mesma forma. A usar o mesmo tipo de linguagem obscena. O que é uma tremenda contradição. Logo, continuamos a ser muito hipócritas e, neste aspecto, pelos vistos não há nada a fazer. Vai continuar tudo na mesma, como a lesma.

17 comentários :

  1. Ola, Maria :)
    Tudo isto me faz lembrar uma situação para lá de desagradável que aconteceu comigo há 10 anos atrás, no Verão de 2005. Para aí em Julho.... Eu estava a tirar um curso de formação de Técnicas Administrativas e Informáticas de Apoio à Gestão no IEFP de Faro, sítio do Areal Gordo. Um curso de formação de um ano e meio ,no qual depositei muitas esperanças. Saía as 17 horas e tinha que ir cerca de um quilómetro e meio por uma estrada secundária, para apanhar o autocarro para casa, na 125, junto à Reanault... Não era uma estrada tão movimentada como uma rua da cidade, mas também não era ,de modo algum, um local deserto... Havia vivendas, nunca estava mais de um minuto sem passar um carro... E perto do IEFP havia várias empresas... A Makro, a Rolear, a Unícofa, e mais algumas... Então, numa tarde ,ia eu, muito descansada no meu trajecto, quando um jipe entre o verde escuro e o acinzentado parou e o condutor, um homem de uns 70 anos, me chamou. Aproximei-me do carro e, qual não foi o meu choque quando o homem, com um sorriso nojento, me disse, em tom de pergunta " 20 euros?" ... Espantada, eu eu perguntei "Como???" e o fulano asqueroso foi mais claro "20 euros? Por uma f....?" .... Não sei se gelei se fiquei em chamas! O que é certo é que aqui a São, recuou dois passos, debrucou-se para o chão, apanhou um pedregulho, alçou o braço com o pedregulho na mão, no momento em que o fulano metia prego a fundo, acelerando para sair dali, a pedra já ia no ar... Mas infelizmente, já ia em movimento e não é muito fácil acertar num alvo em movimento. Depois ,agradeci à sorte o facto de não ter conseguido acertar, pois ainda poderia ter sido obrigada a pagar o arranjo do estrago que a pedra fizesse... Às tantas, ainda teria que indemnizar a besta ...

    Senti-me ,mais do que ofendida, ultrajada, gozada, porque me aproximei do carro, inocentemente, convencida de que se tratava de alguém que simplesmente pretendia uma informação, como era muito comum acontecer. Aliás, se eventualmente se está a interrogar porque é que eu me aproximei do carro, quando o asqueroso me chamou, foi por isso mesmo: era muito comum, acontecia quase todos os dias, pararem carros perto de mim, me chamarem e perguntarem se sabia onde era a Makro, a Unicofa, a Rolear, o próprio IEFP e outras empresas. Daí eu ter pensado que era mais uma dessas pessoas...

    Apresentei queixa na PSP, mas claro que deu em nada... Mas foi um episódio que me ofendeu profundamente.

    Por isso, há leis que peçam por tardias. Ainda que o mais provável seja que nunca algum fulano venha a ser efectivamente castigado, já é bom a lei existir.

    Claro que depois virão outras questões a ser levantadas... Ainda ontem, alguém claramente machista, dizia "Então e as mulheres que se Babam e fazem mais sabe-se lá o quê com os tão na moda calendários de bombeiros e afins?" ... Como eu costumo dizer, uma comparação equivalente a comparar a obra prima do mestre com a prima do mestre de obras! Também há calendários com mulheres nas oficinas de auto e sabe-se lá mais onde. Mas uma pessoa, seja homem ou mulher, que alinha num projecto desses sabe, à partida, que provavelmente irá alimentar fantasias e devaneios de alguém, em silêncio , no interior das suas

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  2. Enviei o comentário sem querer, desculpe... Estava a dizer que uma pessoa que aceita participar num calendário desse tipo, sabe à partida que, naquela situação específica, vai arregalar o olho a alguém... Mas se a mesma pessoa for na rua, muito descansada e levar com um insulto daqueles que estão lá acima, está na mesma no seu direito de apresentar queixa...

    Vi também pessoas depois levantarem outras questões como "Então, nesse caso, se eu for com um amigo a passar à porta de um banco e disser , na brincadeira,que devíamos ir assaltar o banco também é considerado ameaça, não?"

    Enfim, isso levantará outras questões, claro. Mas concordo com a lei.

    Abraço :)

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    1. Olá São,

      Depois de ler o seu comentário, nada tenho a dizer. Ou pouco tenho a acrescentar. Este tipo de lei, apesar de tudo, faz sentido que exista, mais que não seja para o caso de menores. Lá está, se fosse mãe de uma menina estaria neste momento a bater palmas. Não por mim, que me sei defender, mas por ela, por ser menor e realmente existirem homens muito nojentos por aí. Da "simples" importunação sexual a algo mais - tratando-se de uma menor - pode estar um simples passo. Este tipo de lei pode, de alguma forma, demover intenções menos boas por parte de alguns homens.
      ...

      Agora, é necessário que exista bom-senso. Um homem que diz a uma mulher que a acha bonita e ponto, não pode levá-lo a cumprir uma pena de prisão. Ainda que, pessoalmente ache estranho que um estranho aborde uma mulher na rua só para lhe dizer que é bonita...

      Lá está, não gosto de fundamentalismos, nem de medidas extremistas. O equilíbrio é sempre bom nestas coisas. Se puder escolher, prefiro os homens que nada dizem, podem até olhar discretamente, mas não sentem necessidade alguma de verbalizar. Não é à toa que sou selectiva nessas coisas.

      Abraço, para si também :)

      PS: Quando me referi às mulheres que também tratam homens da mesma forma, não me referia a calendários, referia-me a estar, por exemplo, numa esplanada, numa praia (como já me aconteceu) e ouvir mulheres dizer exactamente o género de coisas daquelas lá de cima a homens que passam. Ah, pois é!

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    2. Ah, sim, claro! Não me estava a referir a si, mas a um senhor que ontem no Facebook falava dos calendários!

      Obviamente que também concordo que caso um homem se sinta também ofendido com uma coisa dessas acima, está , ou devia de estar no mesmo direito de apresentar queixa... Os nadadores-salvadores são um alvo habitual, vá-se lá saber porquê...

      Já agora... A Maria refere-se a uma filha... Lá está... Há sempre a tendência para se pensar numa filha... Mas é a mesma coisa... Durante aqueles oito meses em que o meu filho viveu o sonho de estar com os pais contou-me , chegou um dia a casa e perguntou-ms o significado de determinada palavra, acrescentando que achava que sabia o que era, mas que não tinha bem a certeza... Não sabendo em que situação ele tinha ouvido a palavra, tentei disfarçar " Filho... Em joalharia da-se esse nkme a um alfinete para usar ao peito, prende-se na blusa ou no casaco, tipo crachá, mas é normalmente com brilhantes..." Resposta "Ah, é que quando eu à hora do intervalo saí da escola para comprar gomas, um homem perguntou-ms se lhe queria fazer um..."

      Confirmei que também se aplicava ao que ele pensava e, no mesmo momento, falei com a escola e ele ficou totalmente proibido de sair da escola, a não ser na carrinha do transporte escolar, à hora da saída... Escusado será dizer que, se tivesse sabido quem era o homem, eu hoje estaria na cadeia... O meu filho tinha 11 anos... Foi há mais ou menos um ano, pouco antes de eu sair de casa... Ah, pois é...

      Abraço :)

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    3. São, referi uma filha, porque as meninas neste aspecto são capazes de ser muito mais massacradas. Penso eu... com certeza que os rapazes não escapam a esse tipo de homens. Homens nojentos.

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    4. De cada vez que me recordo daquele episódio, lembro-me sempre que a maior das ofensas, o que mais ofendeu foi o fulano ter-se aproveitado da minha boa fé .. Quem me conhece sabe que é das coisas que mais me irrita é que "me façam de psrva", ou melhor, que se aproveitem da minha boa fé. Aproximei-me do carro porque pensava que era alguém que precisava de uma informação... Até porque acontecia com frequência... Eu tinha umas calças de ganga e uma túnica... Levava o dossier na mão e a carteira a tiracolo... Nada em mim foi provocador... Ia a andar ao longo da estrada, a caminho da paragem...

      Se tive medo que o fulano pudesse sair do carro e me agarrar ou tentar fazer mal? Não, não tive. Não tive porque como eu referi não se tratava propriamente de um sítio ermo, um descampado... Em caso de perigo, teria bastado um pequeno grito meu para alertar pessoas que estivem nas moradias, e estavam sempre a passar carros... Mas na policia, quando apresentei a queixa preferi dizer que tinha atirado a pedra por medo. Não foi. Foi porque me senti ofendida. Mas a ofensa parece que não era motivo suficiente para alguém se sentir humilhado, ultrajado...

      Se não voltei a aproximar-me de carro nenhum, cujo condutor ou algum passageiro me abordasse? Porque o faria? Que culpa teria alguém que precisasse de uma informação que uma besta se tivesse cruzado no meu caminho? Não... Se voltasse a acontecer, nessa altura logo me voltava a defender. Não voltou a acontecer. Todos os carros que se voltaram a aproximar para pedir informações sobre localizações de empresas, tiveram a sua informação, desde que eu a soubesse...

      Estaria a dar razão à besta quadrada se agisse de outra forma

      :)

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  3. O seu último parágrafo tirou-me as palavras da boca. É verdade que existem mulheres bem piores que homens nessa coisa da ordinarice.
    Digo eu, do alto do meu 1,77m, que não é importante saber quem é mais ou menos ordinário.
    Tenho dito e ouvido dizer, piropos com classe. Daqueles que não fazem mal a ninguém e que até são engraçados por terem agarrados a si a inteligência.
    O problema foi ter-se vulgarizado o piropo, quando vieram lá das profundezas do caraças, os/as senhores/as sem classe e com uma enorme necessidade enorme de se afirmarem como machos/fêmeas latinos(as). Estragaram o que até era bonito.

    O que agora se está a fazer, é criar mais legislação para encher prateleiras. Porque tenho a certeza que não será prática. Já para não dizer que duvido da sua aplicabilidade.
    Como é que se pode, neste contexto, acusar alguém pelo ilícito criminal? Passaremos a ter câmaras de vigilância de 2 em 2 metros? Será suficiente a palavra de um(a) queixoso(a)? Quem se queixa tem o direito a arrolar 'xis' testemunhas? E quem infringe, ficará com a possibilidade de usar o contraditório?

    Bla, bla, bla, será que 'a montanha vai parir ou rato'? Temo que sim.
    No cerne da questão está, a meu ver, a educação, os princípios. Ou a falta deles. Enquanto mantivermos a situação educacional num limbo duvidoso, Pouco ou nada há a fazer.

    A educação dirá 'que mulher tão bonita/interessante', a falta dela optará por um 'que gaja boazona, dava-te uma ...'
    Aqui, está toda a diferença. Assim sendo, a coisa não será resolvida com papéis mas sim no berço. Ou a partir dele.

    Já me estendi no texto. I beg your pardon, Maria.
    Beijinho para si, esperando que este gesto não seja considerado um piropo :)

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    1. Não me parece que exista essa coisa de "piropos com classe", o que me parece é que existem homens que sabem estar, são bem formados. Ponto. Não adianta rigorosamente nada ter 35 licenciaturas e ser mal formado. Não é por aí. Dá para cheirar este tipo de homem (os mal formados) à distância, por muito que tentem fingir que são educados, o "perfume" não engana. Nunca... No entanto homens existem que não são licenciados e são homens com quem apetece conversar, sabem estar, outros são licenciados e valha-nos Nossa Senhora dos Aflitos, uma mulher quer é vê-los lá onde judas perdeu as botas, se possível sem transporte para voltar. Podia dar-lhe o nome de dois ou três engenheiros, e o nome de dois ou três advogados, bom, em matéria de advogados, nem lhe conto... mas há realmente de tudo.

      O piropo mais engraçado que ouvi foi ali na zona do El Corte Inglês, um senhor velhote, muito bem arranjado, de laço e tudo, estava quase a cair de podre (bem, esta parte não era para dizer) mas tinha muito bom ar, apesar de tudo, vai daí ainda conseguiu dizer-me aquela coisa muito batida "não sabia que as flores também andavam, achei piada ao senhor, deu-me para rir. Foi inofensivo. Pelo menos naquela idade pouco podia fazer :)))))

      Eu acho bem esta lei se for no sentido de proteger de alguma forma menores. Miúdas que ainda não se sabem defender. Se for por aí, bato palmas.

      Caro Observador, não se esqueça que hoje em dia tudo se pode gravar e tudo se pode filmar, basta ter um daqueles "inteligentes" à mão. Ó ó. As mulheres se quiserem conseguem de alguma forma defender-se. Penso eu...

      Eu sou pela educação. Sempre. Não tem a ver com o mudar a linguagem, tem a ver com princípios. Não é superficial, é bem mais longe. Um homem que diz a uma mulher"que gaja boazona, dava-te uma", não é o mesmo homem que diz "que mulher tão bonita/interessante", ou a ser, a dizê-lo, mais cedo ou mais tarde o verniz estala. Ó se estala. Tenho visto cada verniz a estalar que mais parece o ano em dia final :DDDDD

      Tenha uma óptima terça-feira, caro Observador.

      PS: Ah, isso do beijinho, existe gente com a cabeça muito suja que acha que os smiles e os tais beijinhos em textos virtuais escondem segundas intenções. Lá está, a obsessão por sexo em tudo o que é lado não larga muitas cabeças. Enfim. Nada a dizer.

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    2. Tenho que responder, ah pois tenho! E começo pelo fim, ali pelo 'PS'. Quem vê, nos smiles e/ou os beijinhos virtuais, segundas intenções, não pode ser uma pessoa normal, de bem com a vida. Pelo contrário. Porque tem a cabeça cheia de uma coisa que cheira mal e provoca alergias. A obsessão por sexo, basta ser uma obsessão para ser uma coisa doentia.

      Estamos de acordo quando dizemos que a educação, formação, formatação mental, nada têm a ver com os diplomas, os graus académicos e por aí fora.
      O que há por aí de 'cabecinhas mestradas' exercendo o lado porco da vida, é de espantar. Ou não.

      Sobre gravações, tenho que dizer, quanto mais não seja para que conste, que as mesmas de nada valem se não forem feitas com autorização do 'gravado'. Imaginemos que Maria me grava (áudio ou vídeo) sem meu consentimento numa altura em que a agrido. Maria estava tramada judicialmente e saía a perder.

      Ao referir a protecção a menores, dou-lhe nota máxima porque não posso dar mais.
      Isto tem que se lhe diga.



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    3. Eu falo por mim, aquela minha gravação da tal que era sonsa e tratava mal a miúda que fazia as limpezas, valeu-lhe um prazo de validade dentro da empresa. Nem durou mais um mês. E é isto. Nem quero saber. Alguém tem que fazer alguma coisa.

      Sou, inclusive, a favor de que os pais o façam quando deixam os seus filhos em casa com alguém estranho a tomar conta. Sou a favor que as mulheres que sofrem de violência doméstica arranjem forma de gravar, filmar, o que o marido agressor faz. Sou a favor que se comece a desmascarar as pessoas que são uma coisa pela frente e outra por trás. E é fazê-lo sempre, de forma exaustiva, alguma coisa acabará por mudar. Aliás, só assim as coisas mudam. Quero lá saber de leis r-i-d-í-c-u-l-a-s que me dizem que tenho que pedir autorização a alguém que me está a insultar, a agredir, para agravar o insulto, a agressão. Era só o que faltava! Devem estar a gozar comigo. Só pode. Olha eu então, que acho que algumas leis são completamente ridículas e precisam de ser urgentemente alteradas.

      Ufa, que fiquei cansada :))

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  4. Bom eu diria que é uma boa lei. Especialmente se pensar nos menores. Eu diria se pensasse que ela terá algum efeito prático. Primeiro, você vai na rua sozinha e dirigem-lhe uma dessas frases porcas e alarves, que eu reluto em chamar de piropo. O que faz? Dirige-se à polícia e apresenta queixa? De quem? De um homem que passou por si alto loiro ou moreno de quem não sabe sequer o nome? Ou antes de ir à polícia, diz-lhe" por favor dê-me a sua identificação para eu ir ali à esquadra apresentar queixa do senhor." E mesmo que conheça o tipo, e saiba identificá-lo, é a sua palavra contra a dele.
    Claro pode dizer-se que um telemóvel pode gravar ou filmar. E as mulheres andam por ai com os telemóveis prontos a fazê-lo? Não. E se se pega nele os sujeitos só voltam a abria a boca se forem burros. E atenção que há mulheres piores que os homens. Mas aí ainda é pior que não acredito que exista um homem capaz de chegar a uma esquadra e dizer que uma mulher lhe disse qualquer coisa desse género. De modo que não acredito que esta lei faça alguma diferença. Oxalá eu esteja enganada.
    Um abraço

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    1. E tem razão, Elvira, não são piropos, piropo é outra coisa bem diferente, esta coisa que teimam em chamar de piropo nada mais é do que assédio sexual. Só que, lá está, neste caso teria mesmo de usar este termo.

      Não acredito que alguém vá preso, portanto na prática isto não me parece que funcione, mas talvez funcione de outra forma. Na parte de salvaguardar um pouco os menores. Espero eu...

      A parte em que diz: "E as mulheres andam por ai com os telemóveis prontos a fazê-lo?" :)))))
      Eu diria que hoje em dia só falta filmar, gravar, umas partes que não vale a pena dizer. Já faltou mais.

      Quando uma mulher quer, arranja sempre forma de o fazer. Nem dá para perceber. Não custa nada. É só usar a cabeça. Digo eu que já gravei uma conversa de alguém que era sonsa no meio das pessoas, muito boazinha, sempre de cabeça baixa, muito calada, e quando se encontrava sozinha com a miúda que fazia limpezas na empresa era do mais abjecto que possa existir. De vez em quando via a miúda meio a chorar. Olhe, a gravação ficou um mimo, só lhe digo. Isto das novas tecnologias até que funciona. É usar. Não custa nada.

      Eu estou naquela desde que entrou este novo Governo do: a ver vamos... portanto também se aplica aqui... a ver vamos se esta lei faz alguma diferença...

      Abraço para si também, Elvira.

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  5. Mais uma legislação que a meu ver trás muita água no bico. Vou tentar explicar:)

    1- Piropos sempre houve e há uns que se aceitam e outros nojentos e logo surge aquela vontade de responder à estalada ou pedrada.

    2- Se se apresenta queixa como se comprova a verbalização do piropo incluindo "apalpões e afins"? Com gravação? Pois, havendo este modo operandis esbarra noutra lei...não serve de prova testemunhal. Ponto!

    3- Em vez de fazerem leis da treta, esta senhora mentora deste acrescente deveria era alargar a lei da perseguição (que tem outro nome que agora não recordo), da violência doméstica em que a vítima é que tem de sair de casa etc, etc. e sobretudo sobre a vigilância das crianças e jovens alargando as zonas envolventes da mesma.

    4- Andei sempre em transportes públicos e vi o que vi e numa situação, o "grande porco e nojento" que se roçava numa garota à minha frente, teve azar, porque deixei cair um saco carregado de latas de feijão e grão em cima das patas. Deu tamanho berro que perdeu a "tusa"(desculpa) de imediato e saiu mal o comboio parou. Nunca mais o vi.

    5- Já contei este episódio mas volto a contar, porque a meu ver é preferível agir do que esperar que ajam por nós.
    A minha filha mais velha e uma colega iam de comboio para a Faculdade em Lisboa. Um gajo que trabalhava perto, ia atrás delas com "uma linguagem dantesca". Não liguem dizia eu, mas resolvi cortar o mal pela raiz antes que fosse tarde demais e afinal de contas eu era pai e mãe e tinha que resolver sozinha.
    Combinei ir com elas mas que jamais dessem sinais que eu ia. Elas entraram no comboio, o gajo entrou e ficou um pouco distante e eu entrei muito mais atrás e sempre de olho nelas e nele.
    Elas saíram, ele saiu e depois saí eu. E começou o espectáculo verbal. Elas não olharam para trás, mas a determinada altura "comecei cm um passo mais pesado e barulhento e bem audível", originando que o gajo olhasse para trás e mal me viu enfiou-se numa tasca. Entrei e eram só homens e disse-lhe tudo o que tinha a dizer. Desculpe...não sabia que eram suas filhas. Mesmo que não o fossem, o caso que fique por aqui porque...trás dei-lhe com o chapéu de chuva que se partiu em dois...se houver uma próxima, a coisa mudará para pior, certo? Os vinte e tal homens fizeram silêncio, pedi-lhes desculpa incluindo ao Sr. da tasca e saí!

    Nunca mais ocorreu nada de nada, mas ainda hoje a minha filha sente nojo dele!

    Esta besta mora "completamente sozinho porque nem as filhas o visitam há anos" aqui no fundo da minha rua e hoje já não anda...arrasta-se e digo-te Maria quase 25 anos depois se me vê num passeio, move-se logo para outro.

    Gosto de um bom piropo e por vezes sorrio e os que acho "por demais" não ligo.

    Um bom dia





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  6. Vou acrescentar mais isto.

    Não sei porque razão, mas esta "lei" cheira-me a lápis azul...hum... da Srª. do PSD...hummm não será mais para caçar e banir quem aqui deixa tantos "piropos" aos políticos?

    Como "burra velha" já não digo nada mas comprovo em tribunal as inúmeras vezes que deixei escrito: quando critico é o(a) político e nunca o homem ou mulher que está por baixo da dita capa, cujas vidas particulares não me diz respeito e nem quero saber. Certo?

    Como-tal-esta-madamE- que-se-preocupe-mais-com-outras-coisas-graves-numa-sociedade-tão-doente-como-a-nossa-benza-a-Deus:))))

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    1. A gravação não serve de prova testemunhal? Fatyly, mesmo que assim seja e se a pessoa conseguir fazê-lo, convém que o faça. Não se pode de alguma forma afundar as hipóteses de alguém se defender. É gravar, é filmar, se conseguir, obviamente. Serve pelo menos como prova de que não está a mentir. Isso parece-me muito, muito importante. O caminho é sempre o de construir, nunca o de destruir. Penso eu.

      A parte dos transportes públicos enquanto se é estudante, penso que muitas mulheres (na altura criança/adolescente) passaram por isso. Eu passei. Nem sequer lhe vou dizer até que ponto é que um homem desses é capaz de ir, porque só de pensar ainda sinto nojo. Eles não se encostam só, fazem muito pior, tivesse eu coragem de o escrever...
      ...

      Lápis azul??? Isso não era no tempo do fascismo? Acho que é capaz de não se encaixar neste contexto, Fatyly.

      Acrescento só mais isto que talvez dê para perceber a minha forma de estar neste mundo: não consigo escolher a minha forma de estar na vida por ser de esquerda ou de direita. Ou seja, não escolho partidos, escolho pessoas. Pode parecer algo ingénuo mas é assim que funciono. É-me indiferente que as pessoas sejam do PSD, do CDS, do PCP, do BE e por aí fora. O que me faz falar das pessoas são as ideias que defendem.

      Logo, tenho para mim que tenho tanto de direita, como tenho de esquerda. A bem dizer o centro é que era. Resumindo: O meu lado "político" é um verdadeiro molho de bróculos :)))))

      Desde que consiga proteger de alguma forma menores, parece-me um assunto a entrar na gaveta dos "graves". Isto se funcionar, obviamente.

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