segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sim, sou contra o fim dos exames do 4º ano

Exames a duas disciplinas fundamentais, o Português e a Matemática. Porque acho que tem que existir uma avaliação contínua. Porque não acho que uma avaliação seja sinónimo de violência para com as crianças. São crianças de nove e dez anos, não são crianças de três, quatro, cinco anos, que, aí sim, seria de uma violência enorme. 

Afinal é como que um começo de preparação para a vida. Vida essa que passa por inúmeras avaliações, a não ser assim, na minha opinião, não tarda as crianças serão adultos muito pouco preparados para entrar no mercado de trabalho e muito pouco preparados para um mundo todo ele a abarrotar de pressões. Com tanta protecção estamos a criar crianças que não se saberão defender de coisa alguma. Aliás, já começámos a criar crianças que só se sabem defender quando os pais estão por perto.

É a tal história: "dê um peixe a um homem e ele terá comido por um dia mas, ensine-o a pescar e ele comerá a vida inteira" (penso que o provérbio é mais ou menos assim)...

Um excerto do que disse o BE, com o qual não concordo. Não tenho uma visão do mundo quadrada, aliás, defendo que o mundo para o mal e para o bem é redondo e também tenho para mim que não tarda caímos do mundo abaixo com tantas facilidades. 

Outro excerto do que disse o outro lado da bancada:

Ah, resta dizer que não sou nem de um partido, nem de outro, isto só para que não se pense que estou a ser tendenciosa. Defendo apenas aquilo em que acredito. 

Para terminar deixo mais um excerto que dá muito que pensar. A mim deixa-me apreensiva, confesso.

***
Um pequeno aparte: Este é um blog onde não escrevo coisas para agradar a terceiros, muito menos para colher aplausos, a ser apenas isso não valeria a pena ter um blog. Escrevo, sobretudo, sendo o mais fiel possível com aquilo em que acredito. E mesmo que não me traga uma avalanche de seguidores, de likes e de coisas que tais, dá-me uma enorme tranquilidade. 

15 comentários :

  1. Dou aulas e explicações e sou contra esses exames no 4.º ano porque convivo com crianças que se levantam às 7h e se deitam às 21h sem intervalos e com uma carga de tpc's incrível. Não têm idade, arcaboiço mental para o stress de um exame porque mal se aguentam em pé à quarta feira à noite a fazer uma cópia de 30 linhas. Os 4 anos de ensino básico são fundamentais na nossa educação, nada devia perturbar esses pilares. Beijinho

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    1. Não sou a favor de TPC's. Tenho uma teoria que vai ao encontro de que uma grande parte dos Trabalhos Para Casa são feitos com a ajuda dos pais, ou até iria mais longe, são mesmo feitos pelos pais. Isto sem generalizar. Portanto não acrescentam rigorosamente nada. Sou a favor dos ditos desde que sejam passados quando existem férias. Aí sim, trabalhos para casa fazem sentido só naquela de manter alguma disciplina mesmo em tempo de lazer.

      As avaliações são necessárias, principalmente a duas disciplinas tão importantes quanto estas. Em criança também me levantava por volta das 7h para ir para a escola e não morri, deu-me alguma arcaboiço mas, para o meu estado de adulta. Talvez por isso seja pontual e não tenha qualquer paciência para este velho hábito dos portugueses de chegarem sempre atrasados a todo o lado.

      Boa semana, pink.

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    2. Avaliações tão agressivas como exames em crianças de 8/9 anos não são necessárias na minha opinião. Boa noite também.

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    3. Eu não consigo ver por ali nada de agressivo. Também fiz exames com essas idades e a única coisa que me lembro era de um certo nervoso que penso ser normal. Agressividade é outra coisa bem diferente. E olhe se sou protectora em relação à "minha" Leonor com apenas cinco anos. Quando ela cai e se magoa, dói-me mais a mim do que a ela... como não mostro que fico aflita, ela, esperta, espreita-me pelo canto do olho, vê a minha cara normal e não chora.

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  2. Por mim, todos os exames acabavam. Calma, não estou a liberalizar o ensino, bem pelo contrário.
    Os melhores exames serão/deveriam ser feitos no dia a dia escolar. Com os conhecimentos que os bons professores haveriam de transmitir aos alunos interessados.
    Meses de ensino e aprendizagem exigentes, o que em qualquer altura haveria de se confirmar. Com testes surpresa, bem elaborados.
    No fim de uma carreira escolar, fosse a que nível fosse, teríamos gente devidamente formada e informada.

    O provérbio é mais ou menos assim mas não é exactamente assim, mas o fundamental está lá. E é uma bela lição.

    Maria, o seu aparte sublinhado só faz sentido para quem pense que ter um blogue é uma coisa para agradar a terceiros e a quartos e ... por aí fora.
    Seguidores ... prefiro-os a perseguidores.

    Uma boa semana para si, beijinho.

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    1. Ó ó caro Observador, essa coisa de, por si, todos os exames acabariam, é a mesma coisa de ser a favor da Republica das Bananas. Iria ser bonito, iria. Se mesmo assim é o que se vê, sem exames/avaliações nem quero pensar.

      No dia a dia aprende-se, estuda-se, entretanto é necessário que existam avaliações/provas/exames para se perceber até que ponto as crianças apreenderam algo. A não ser assim a coisa pode descambar, isto segundo a minha opinião, aquela que vale o que vale. Pode-se também cair no perigo de uma criança achar que escola é uma balda, pois se nem sequer existem provas nem nada. Estudar para quê?!? Isto sou eu a divagar...

      Boa semana para si também. Beijinho.

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    2. E se pensássemos nas crianças/adolescentes que mesmo com exames acham que a escola é uma balda?
      Esta minha pergunta não dispensa o que está em questão. Sim ou não aos exames do 4º ano? Por mim, não.

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    3. Pois aí é que está, se já com exames o é, imaginemos sem eles. O tempo dirá até que ponto é que esta medida trará benefícios.

      Caro Observador, estamos a entrar numa onda em que as pessoas já não se querem submeter a qualquer tipo de exames. Em crianças com nove/dez anos é porque é violento uma avaliação da matéria que se deu até aí. Entretanto, mais tarde, com a carta de condução, a malta "compra" a carta porque se calhar aquilo também é violento. No mercado de trabalho entra-se nas empresas com cunhas, afinal submeter-se a uma entrevista de trabalho é... violento. E pelo andar da carruagem seremos sempre bons só a desenrascar-nos. Porque profissionalismo é outra coisa.

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  3. Olá, Maria :)
    Queria comentar, mas sinceramente não sei o que dizer, tendo em conta que a Maria já disse tudo e eu subscrevo tudo, mas mesmo tudo o que foi dito por si. Concordo a 100%, porque não posso concordar mais :)

    Qualquer dia deixam de frequentar a escola porque isso pode traumatizar...

    Abraço e boa semana :)

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    1. Olá São,

      E eu subscrevo aquele seu parágrafo "Qualquer dia deixam de frequentar a escola porque isso pode traumatizar... ".

      Tanta protecção que qualquer dia as crianças nem sequer conseguem sair de casa tal é o medo que têm de tudo o que as rodeia. Violência com as crianças é outra coisa bem diferente. Não passa por fazer uma prova, antes pelo contrário, dá-lhes mais estaleca para enfrentar o mundo menos rosa que espreita a cada esquina.

      Abraço para si também e boa semana :)

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  4. Com exames ou sem eles...sou totalmente contra as mudanças radicais no ensino quando entra um novo governo. Em quatro anos quando começam a interiorizar os novos método, regras, estatutos...vem outro e muda quase tudo, sem respeitarem o empenho/trabalho e dedicação da maioria dos professores, pais e alunos. Digo maioria porque infelizmente há professores DO QUADRO que são uma nódoa em detrimento de muitos que foram DISPENSADOS!!!!! e logo nas disciplinas de português e matemática.

    Nuno Crato que foi e é um excelente professor de Matemática com livros publicados, vai para um governo e põe-se com experiências e alterações que só visto e todos sabem. Mas também fez coisas boas...e agora vieram outros herdeiros e começam a derrubar "obra feita".

    As minhas netas fizeram o exame do 4º ano sem qualquer problema. A mais velha está mais que mentalizada que irá fazer este ano exame no 6º ano e quando os pais lhe falaram desta hipótese, nem a aqueceu, nem a arrefeceu...ou seja faz se tiver que fazer e não faz se não tiver que fazer.

    Hoje usa-se e abusa-se da "super protecção" da garrotada, mas no entanto ninguém do governo é capaz de acabar com o bullyng, com a falta de educação versus agressão aos professores, com escolas a caírem de podres, de salas onde deveriam estar 20, enfiam-se 30, para ficarem quentinhos e assim colmatarem a chuva que caí, o frio que aguentam, porque alguém se apoderei do dinheiro destinado à reabilitação do parque escolar.

    Agora é terrível fazer o exame no 4ºano e ou eventual no 6º e 9º? Tenham dó...há problemas mais bem graves que sim, traumatizam e muito as crianças e que a escola tem e deverá ter um papel fundamental: a violência doméstica, o desemprego dos pais, a fome e o abuso sexual de menores, rapto por vezes nas idas e voltas da escola e o que faz a Escola segura? segura quem? pois todos os governantes e apenas e tão só...não digo mais nada!!!

    Maria, desculpa o desabafo e fica notório que não sou contra nem a favor, porque a meu ver é uma "caganita" no meio da balbúrdia em que está a Educação!

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  5. Já agora só mais isto: Também se deviam preocupar com o negócio das editoras dos ou sobre os manuais escolares que deveria dar para 4 anos e que afinal não dão porque é um trabalho inglório os pais apagarem o que foi escrito para que seja aproveitado, porque o que irá ficar com ele tem as marcas e "a papinha feita". Deveriam usar sim mas escrever apenas e tão só nos cadernos ou sebentas e os manuais ficariam impecáveis.

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    1. Fatyly, muito acrescentou neste seu comentário. Gostei bastante. Não vou acrescentar nada, ou quase nada, porque nada tenho a acrescentar quando tudo ficou dito.

      No entanto sublinho esta sua parte do comentário:
      "Hoje usa-se e abusa-se da "super protecção" da garrotada, mas no entanto ninguém do governo é capaz de acabar com o bullyng, com a falta de educação versus agressão aos professores, com escolas a caírem de podres, de salas onde deveriam estar 20, enfiam-se 30, para ficarem quentinhos e assim colmatarem a chuva que caí, o frio que aguentam, porque alguém se apoderei do dinheiro destinado à reabilitação do parque escolar."

      Se existe algo que me irrita e não percebo o porquê de não se consegui dar solução ao problema - esse sim um verdadeiro problema e violento que só ele - é o de uma criança/adolescente ter aulas em escolas sem quaisquer condições. Onde passam frio, onde as casas-de-banho estão em condições deploráveis, onde não existem espaços dignos para a prática de exercício físico... isso sim, merecia um olhar atento por parte de quem de direito. Agora, exames, uma pessoa até se sente incomodada por alguém associar "violência" a um exame. Violência é ambos os pais ficarem desempregados e não ter dinheiro para comprar comida, isso sim, é violência. Não vem que não tem. Raios!!! (com três pontos de exclamação porque sim).

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  6. Exames: sim ou não?
    Sabe uma coisa, Maria? Uma coisa que a vida nos ensina é que não nos devemos prender ao acessório, por mais que ele brilhe. E, nesta questão que suscita, o fundamental não são os exames, isso é coisa de somenos quando nos deparamos com a paisagem educativa deste país: importante é a aposta, que não temos (somos o país da Europa que, neste momento, menos investe na educação), num verdadeiro ensino, com boas condições de trabalho, igualdade de oportunidades, profissionalismo dos professores. E, só aqui, tanto há a fazer, longe das jogadas (onde entram vários ex-secretários de estado, de vários quadrantes políticos) onde a mira do lucro, à base de financiamentos do estado, continua a fazer de nós tolos. E, sabe, esta gente, que de parva nada tem, continua a divertir-se a entreter a malta a discutir as pequenas questões, resguardando o essencial, enquanto vai arrecadando milhões no financiamento do ensino privado, onde a turba não tem acesso.
    Acha que a grande questão está mesmo nos exames do 4.º ano, Maria, que são eles, como chega a argumentar, mais acima, que farão cidadãos participativos e responsáveis? Ah, Maria, os tempos que correm são danados, todos os sabemos, propícios ao aparecimento de purgas. E elas não se fazem com o exame aos alunos do 1.º ciclo, mas nas condições que (não) são proporcionadas a quem procura exercer o seu mister, nas sementes que não se lançam tendo em vista o futuro. Exames no 4.º ano, Maria? Isso, tendo em conta o que está em jogo, são meros peanuts, como disse certa personagem. Um ensino exigente, com responsabilização dos diversos actores (ministério, professores, alunos, pais) seria o ideal para encontrar o rumo. Os exames logo se veria.

    Um beijinho :)

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    1. AC, compreendi tudo o que escreveu, aliás, sendo professor percebe muito mais deste assunto do que eu. Eu apenas dou um opinião como cidadã. Nada mais do que isso.

      Agora, o que não compreendo, ou não vejo, são as alternativas. Portanto, acaba-se com as avaliações e quais são as alternativas que o governo dá para se passar uma criança do 4ª para o 5º ano? É que os primeiros quatro anos são a base para tudo o que virá a seguir. Como é que se faz essa distinção? essa de um aluno que está apto para passar para ano seguinte, de um que deve permanecer por mais um ano no 4ª porque não conseguiu aprender? Essa é a parte que me faz confusão, daí defender que se deve manter as avaliações.

      Aliás, ao longo da vida somos avaliados de inúmeras maneiras, estar a proteger tanto crianças de nove/dez anos só porque uma prova é "violenta", não estamos a preparar mal as crianças para o futuro? Digo eu, mas que sei eu...

      Tivesse eu filhos e gostaria que fossem avaliados. Não é colocar medo em cima das crianças como se um exame fosse um caso de vida ou morte, isso cabe aos adultos saber gerir, é mostrar simplesmente que é importante perceber se aprenderam a matéria. Nada mais do que isto. Não vejo qualquer drama nesta parte. Aliás, existem por aí muitas crianças que encaram uma prova da forma mais natural possível. Se calhar o problema não está na suposta "violência" que os exames arrastam, se calhar o problema é que os adultos não sabem desdramatizar. Se calhar são os próprios adultos que passam esse stress às crianças. Vai na volta é por aí. Tenho sempre a sensação que se uma pessoa está bem preparada, estudou, não existe exame algum que a deixe em fanicos...

      Tenha uma boa noite, AC, e obrigada pelo seu acrescentar. Gosto disso :)

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