segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Quando eu morrer quero que as pessoas se vistam de amarelo...

... e branco, calcem ténis de todas as cores, dancem, rodopiem, batam palmas, riam alto e cantem desafinadas ao som do I will survive

A única coisa que não quero é que comam pastelinhos de bacalhau, rissóis de carne processada, que eu cá depois de morrer não me apetece processar ninguém, que não existam refrigerantes daqueles gaseificados capazes de matar uma pessoa enquanto o diabo esfrega um olho. Evitem garrafas de plástico em formato litro na mesa. Se conseguirem evitar a própria da mesa, eu agradeço. Guardanapos, não se esqueçam dos guardanapos, se arranjarem guardanapos às pintinhas amarelas e brancas eu era bem capaz de me esforçar e conseguir esboçar um sorriso.

Será que peço demasiado se aparecerem com um copo de pé alto na mão, copo esse com um pouco de vinho tinto ali da zona do Alentejo. Queijo amanteigado também pode ser. Uma fatia fininha de queijo e uma outra de bacon. Gosto muito de bacon, como já morri e tudo não me fará grande mal abusar. Eu acho que até sou capaz de sobreviver melhor.

Por favor, não se vistam de preto, não usem óculos escuros, isso lembrar-me-à um qualquer evento glamoroso. Se não for pedir muito não usem verniz verde alface, laranja pôr-do-sol, amarelo limão... é que eu quero cor e alegria, mas calma lá com os vernizes capazes de me deixar de mau humor na hora da partida. Lembrei-me agora, usem chapéu, todo o tipo de chapéus, isso é que era capaz de me deixar muito feliz no momento do I will survive. Homens e mulheres com chapéus de todas as cores. 



Livrem-se de aparecer de leggings...

17 comentários :

  1. Uma pergunta, Maria: importa-se de me dizer quando é que morre? Quero começar a tratar dos pormenores, roupa, sapatos, penteado enfim ... tudo para não a deixar mal vista.
    É preciso ter em conta que o pedido de um morto deve ser atendido, de preferência antes deste entrar no forno crematório.

    'Prontes', é isto ;)

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    1. Não se preocupe com isso, já estou a imprimir convites com uma criatividade para lá de muito boa. Esteja atento à sua caixa de correio, aquela virtual e tal. Olhe, isso do forno é capaz de ser boa ideia, sempre gostei mais do Verão do que do Inverno. O calor deixa-me muito mais feliz :)))

      ...

      Agora num registo mais sério, sabe que quando a minha mãe morreu uma das coisas que me pediu foi que eu não usasse luto, nunca, que não fosse ao funeral vestida de preto. Nem eu, nem o meu pai. E não fomos. E não usámos luto. Evitámos cores garridas, é um facto, mas nada de preto. Nada de luto. A minha mãe era uma mulher extrovertida, que amava a vida, cores sombrias nada tinham a ver com a sua forma de estar na vida. Era uma senhora clássica, com bom gosto. Preto na hora da despedida iria deixá-la muito triste. Foi cumprido o seu pedido.

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    2. Preto não é significado de luto. Apenas um hábito. Bem negativo, por sinal.

      Nota de interesses: no meu funeral quero limões :))))

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    3. Também acho um hábito muito negativo. Culturas ocidentais têm a tradição do preto como luto. Não percebo muito bem porquê. O luto faz-se dentro de nós. Não adianta vestir de preto quando não se sente nada por quem partiu. É tudo uma questão de aparência. Vivemos num mundo muito voltado para as aparências. Por vezes vestimos verde quando alguém parte para sempre e, por dentro, sentimo-nos verdadeiros farrapos.

      O seu pedido é uma ordem. Limões daqueles bem amarelos. Uma pessoa precisa de vitamina C para a viagem. O caro Observador está sempre a surpreender-me. Quem diria que conseguia levar este tema com humor. Gosto muito disso. Desconstruir é muito saudável :)

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    4. Uma pitada de humor nunca fez mal a ninguém, Maria. Mesmo em momentos onde se impõe a seriedade.

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  2. O meu pai e a minha madrasta fazem isso.

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    1. Não percebi a parte do isso. Admito. É que todo o texto tem inúmeras pintinhas. A pintinha especifica do isso, escapou-me.

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    2. Vão a funerais vestidos de branco, não dançam, é verdade, mas sentem que homenagearam a pessoa em vida e que depois de morta, está feito.

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    3. Culturas onde o branco simboliza luto, diz que a mensagem terá a ver com leveza, paz, silêncio. Penso eu. Identifico-me muito mais com esta mensagem.

      O "está feito" é que me deixa muitas dúvidas. Não acredito nesse "está feito". Coisas minhas.

      Quanto à parte de dançar e tudo o resto, não esquecer de ler o título da etiqueta deste post: os meus momentos de nonsense. Porque os tenho. Porque me ajuda no equilíbrio necessário à vida.

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  3. Não é para a desanimar, Maria, mas ainda vai ter que esperar um bom tempo. É que isto está mau para as funerárias, já nem partir quando nos der na real gana, podemos.
    Ah, mas já sei como lhes dar a volta!
    Almoço: um belo bife, de preferência ainda em sangue. É que tenho que confirmar a cor da coisa?
    Jantar: uma bela alheira, com uma montanha, tipo Himalaias, de batata frita.
    Ceia: Duas ou três fatias de presunto e um copo de sumo, daquele que é de tudo, menos do que consta nos ingredientes ditos informativos.
    Depois? Bem, depois, 4 ou 5 cigarros, um miminho que sabe sempre muito bem, olá se sabe.
    Estou a pensar alterar o hábito e optar por cigarrilhas, o que lhe parece?

    Para o dia da sua partida? Tudo preparado para que nada falte.

    Haja paciência, e muita.

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    1. Então, mas se está mau para as funerárias, é porque estas pessoas se recusam a partir. Digo eu.

      Eu cá não fumo, nunca fumei. Há muitos anos que cortei nas carnes vermelhas, portanto esta polémica passa-me ao lado. Não sou apreciadora de enchidos, mas gosto de cozida à portuguesa, coisa que não como há mais de uns cinco anos. Batatas fritas? Pois, também não como fritos há tanto tempo que já não sei sequer a que sabem. Rectifico, no Natal aventuro-me com sonhos, desde que bem feitos. Presunto, gosto, gosto muito até, mas como talvez uma vez por ano, acho que não devo morrer enfiada num presunto. Ah, e não bebo leite, cortei o leite há uns quatro ou cinco anos.

      Resumindo: tenho uma alimentação saudável desde que me lembro. Acho que estou feita ao bife (salvo seja) sou bem capaz de morrer com uma ervilha atravessada na garganta, na loucura, com uma espinha, porque a minha alimentação sempre foi mais à base de peixe. Coisas da minha mãe que me ficaram para sempre. Tenho um futuro muito negro pela frente. Acho que o peixe e os bróculos são inimigos muito bem apetrechados :))))

      Será que se parte mesmo? O título da canção que escolhi, o I will survive, não foi escolhido à toa. Ah, pois é!

      Qual paciência, GL haja sentido de humor, isso sim. Ninguém sobrevive de forma saudável sem sentido de humor. Daí pessoas a matarem-se por tudo e por nada nos dias que correm. As pessoas levam-se muito a sério e dá nisto. Matam-se.

      Tenha uma óptima semana.

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    2. Então a morte pré datada não é má para as funerárias? Oh, Maria, isso nem parece seu!:)

      Não sei se percebeu o modo ironia do comentário.:)
      Se comesse um terço do que refiro, aí a funerária lá teria um servicito.:))

      Agora num registo sério.
      É óbvio que o segredo (?) de tudo isto está no bom senso. Uma alimentação diversificada, pobre em sal, açúcares, etc. é sempre mais saudável.

      O tabaco? Pois! O número está inflacionado, mas que sabe bem um cigarrinho de vez em quando, sabe!

      Continuação de boa semana.

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    3. Morte pré-datada (???). Parece meu, parece, não percebi. Uma pessoa esteve na fila errada quando distribuíram a inteligência e dá nisto :))))))))

      Não vou falar mais de alimentação, GL, até nisso fui atacada. Existe gente que quer comer o seu sal à vontade, as suas batatas fritas à vontade, os seus enchidos à vontade... que comam. Desde quando é que eu disse que não podem comer? Tal como eu tenho o direito de escolher uma alimentação saudável e gosto - faço-o há muitos anos, não é só de agora - também os outros têm o direito de comer quilos de sal, enchidos, carnes vermelhas, doces, gelados e tudo o que lhes entupir a satisfação. Quero cá eu saber. É para o lado que durmo melhor. Existe demasiada gente no mundo, dizem... ;)

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  4. Fizeste-me rir à gargalhada e depois pus-me em pé a dançar ao som desta canção maravilhosa!!!!!

    Nunca usei luto por ninguém e fui ao funeral do meu pai com uma camisola vermelha. Flores e velas???? por ordem dele, jamais! Avisar apenas familiares e os mais chegados e seguir para a cremação. Porque tinha que ficar na casa mortuária pelo menos uma noite, que pusessem todos na rua às 21h, pois e aqui tenho rir e a recordar a cara dele quando me dizia isto tudo, para ir ao WC completamente sossegado:):)

    Essa modernice dos "comes e bebes" que usam há pouco tempo, foi coisa que não entrou e claro só quem pretende é que será servido. Dizes bem..."o luto é feito dentro de cada um de nós".

    Dou tudo, mas tudo em vida e só vou ao funeral de alguém quando não posso fugir, porque tudo que envolva o mesmo, não me diz rigorosamente NADA!

    Enquanto viva como de tudo, mas de tudo que gosto, mas SEMPRE de tudo um POUCO. Já te disse uma vez que gosto de ir ao MAC e vou uma vez por ano ao "menu Chiken...sempre" e venha uma coca-cola:))))))))))))

    Um bom serão e saio daqui a rir e vou atacar o meu jantar:)



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    1. Fatyly, confesso que após publicar este texto e respectivo vídeo fiquei com um pouco de receio que estivesse a ferir susceptibilidades. Que as pessoas ao ler não o entendessem. É que isto da blogosfera por vezes é um pouco perigoso, a malta tem sempre que parecer séria, se não parecer séria caem-nos em cima. O problema é que eu venho de uma família séria que também gosta dessa coisa do humor, vai daí nem sempre gosto de fado. tem dias em que gosto, mas noutros nem por isso. Entretanto calhou entrar num área profissional de pessoas excelentes, profissionalmente falando, mas completamente doidas. Doidas no bom sentido. Aprendi muito com elas ao longo da minha vida. Aprendi sobretudo a não me levar a sério. Muito lhes devo.

      Penso que é na África do Sul que é normal usar vermelho (ou encarnado... como preferirem) como sinal de luto. No Egipto penso que é o amarelo. Isto das cores associadas ao luto e a diversas culturas é absolutamente fabuloso, Fabuloso no sentido de que partindo do principio que somos todos iguais, somos ao mesmo tempo tão diferentes. O que ofende alguém num país, num outro é sinal de respeito. Lá está, é uma questão de respeitar o lado diferente da vida. Acho que é base para quem não vive apenas para arranjar conflitos.

      A minha mãe teve muitas flores no dia em que partiu. Parecia um mar de flores, terá a ver com a paixão que muitos sabiam ter por flores, jardins, árvores, plantas... O jardim lá de casa era a sua paixão. Continuo a cuidar dele e acabei por herdar algo que desconhecia. Tudo o que ponho na terra, vinga. A natureza é uma senhora daquelas verdadeiras. Não das feitas à pressa.

      Também não entendo isso dos "comes e bebes" em funerais. Vestem-se todos de preto, estão todos muito tristes e vai daí toca de comer e conviver. Eu então quando estou triste não consigo comer nada, se já sou magra, imagine como fiquei quando a minha mãe morreu. Estive durante um tempo abaixo dos 50 quilos.

      O segredo da vida é comer de tudo um pouco sem exageros. Não sei se leu a minha resposta ao comentário da GL, tenho uma alimentação saudável mas não sou fundamentalista. Aliás, em nada na minha vida. Se for preciso ir ao Mac, também vou. Não vou é todos os meses. Portanto faz muito bem em desfrutar da vida como bem entender. Com moderação a coisa dá-se em bom.

      Boa noite, Fatyly.

      PS: Desde que seja a Fatyly a atacar o jantar e não o bife a atacá-la a si, está tudo controlado :)))

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  5. Mais parece lista de carnaval, Maria. Não vais para o seu, vais direto dai da terrinha a Sapucai. Nada mal, viu. Calor no Rio e também divino ainda mais nessas épocas.

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    1. Carnaval não me diz grande coisa, já a vida, isso sim, diz-me muito. Quanto à morte, faz parte da vida. Não adianta assobiar para o lado. E é isto.

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