quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Qual a diferença entre frontalidade e má educação? E quem são os que que recorrem aos insultos e aos palavrões?

Algumas pessoas insistem em não querer ver a diferença entre as pessoas que são realmente frontais, e as pessoas que são realmente mal educadas. O engraçado no meio disto tudo, sem ter graça alguma, é que a diferença está ali mesmo em frente ao nosso nariz. É absurda de tão grande. Umas pessoas não têm qualquer problema em olhar de frente essa diferença, sabem muito bem separar o trigo do joio, outras porque assim lhes convém assobiam para o lado e metem tudo no mesmo saco. Vivemos num mundo em que se quer enfiar à força toda tudo e todos no mesmo saco. Mundo cada vez mais perigoso, este.

Fui buscar um texto de uma senhora que muito respeito. Helena Sacadura Cabral. Quando alguém escreve algo que vai ao encontro daquilo que eu penso, e sendo esse alguém uma senhora que uma grande maioria em Portugal respeita e admira, acho que está tudo dito.

«Vivemos numa época e num país a preto e branco. Só há uma verdade, só um lado é que tem razão, e tudo ou todos que saiam fora deste esquema são mimoseados com palavrões dignos de latrina. É surpreendente como gente educada, instruída, ocupando lugares importantes na hierarquia profissional e fazendo parte de famílias tidas por normais, bolsa uma catadupa de expressões que serão tudo menos a representação dos lugares que ocupam no mundo a que pertencem. Pode-se discordar, pode-se argumentar, pode defender-se o indefensável, desde que haja cordialidade. Mas em Portugal não se sabe discutir serenamente. Sabe-se difamar. De "besta" para baixo usa-se tudo. E se isso me não surpreende em gente sem instrução, deixa-me completamente abismada relativamente àqueles que a possuem e de quem se espera, pelo menos, algum exemplo. Ainda há bem pouco tempo li um texto de uma directora de recursos humanos de uma grande empresa que usava tais termos que mais parecia um recruta de caserna a expressar-se. Eu só me perguntava qual seria a reacção de um neto que a lesse ou ouvisse. Pertenço a uma família onde houve presos políticos e onde o espectro ideológico era o mais amplo. Como seria possível convivermos, se todos se insultassem?! Portugal levou anos e anos sem abrir a boca. Dá-se aos portugueses liberdade de expressão e uma parte significativa deles usa-a para o insulto. É uma pena!»

Eu também acho uma pena, mas eu, já se sabe, não sou ninguém.