terça-feira, 24 de novembro de 2015

Falemos de palavrões e do que uma mulher escreveu sobre o assunto num jornal bastante conhecido

Vou salpicar este texto com as palavras de Elisabete Rodrigues e de um artigo que escreveu no jornal Público, mais propriamente na secção cheia de lifestyle. Porque a vida é para ser vivida com muito estilo, independentemente do estilo de cada um, convém é que seja com estilo, o que quer que isso do estilo queira dizer. Estilos existem muitos e palermas muito mais. Eu tenho dias em que toda eu sou só estilo e, outros, em que me dedico em ser só palerma. Tal como a maioria dos homens não consigo carregar com duas situações tão pesadas e importantes simultaneamente. Arrumada esta gaveta, enfrentemos o que aí vem a trote para ver se se se (ena, três ses) chega mais depressa ao monte inadiável.

Eis o monte que não se pode adiar mais:
«“Não é bonito uma mulher dizer palavrões” disseram-me um dia. Na minha cabeça ecoou, “fod***, era só o que me faltava”. Outra forma mais subtil, mas igualmente eficaz, de demonstrar a uma mulher que esta não deve dizer palavrões, é pedindo-lhe desculpa ao fazê-lo. Já me aconteceu uma série de vezes, depois de um car*** proferido por um homem, este acrescentar “ai desculpa, não me lembrei que havia mulheres no grupo”. Neste caso, costumo explicar que considero os car*** inofensivos. A verdade é que não são só os lugares de chefia das grandes empresas que são de difícil acesso às mulheres… pelos vistos, o uso de palavrões também não lhes é permitido da mesma forma que o é aos homens. Esta restrição social vai ao encontro de um ideal de mulher com o qual não me identifico. O ideal da mulher-frágil, delicada e civilizada por oposição ao homem-robusto, bruto e rude. Lamento desiludir todos aqueles que cultivam este ideal-tipo de mulher, mas informo que se trata de uma construção social e não passa de uma ilusão. A mulher é capaz de ser tão ou mais obscena na linguagem como o homem, e isso não faz dela menos mulher. Continua a ser uma verdadeira princesa, foda***!»

(só trouxe até aqui uma parte do texto, não sei bem porquê...)

Estava já a preparar-me para dissertar sobre dois, bom, talvez três, pensando bem uns quatro pontos mas, achei melhor fazer marcha atrás, colocar os óculos que não uso mesmo ali na pontinha do meu nariz pequeno e delicado (achei por bem referir esta parte do nariz, é importante, tal como os palavrões) e esquecer. Esquecer porque a autora deste texto é demasiado à frente para mim. Consegui perceber isso quando escreve que: "não são só os lugares de chefia das grandes empresas que são de difícil acesso às mulheres… pelos vistos, o uso de palavrões também não lhes é permitido da mesma forma que o é aos homens."

Perante este tipo de argumento uma mulher sente-se muito pequenina, quase insignificante. Sente-se delicada, e isso é muito mau. Não esquecer de colar um post-it na porta do frigorífico com um aviso a amarelo fluorescente que dirá: "livra-te de ser delicada e civilizada, tu vê lá não te desgraces!".

Continuando no argumento de peso, é que é mesmo. Introduzo aqui um - ó ó se é! Só para emprestar mais ênfase à coisa do argumento... Uma mulher para ser uma verdadeira mulher tem que ser exactamente igual ao homem. Foi para isso que tanto lutámos e continuamos a lutar. Queremos o direito de ser iguais aos homens mas, em tudo. Nada de duodécimos. Não queremos que nos falte nada. Queremos o direito de poder dizer palavrões em alto e bom som, mesmo à frente dos nossos filhos, pais e avós. Queremos o direito de escarrar para o chão ainda que pintemos os delicados lábios de vermelho cereja. Queremos beber cerveja pela garrafa sem que para isso nos achem menos femininas. Queremos coçar os... ok, passemos esta parte porque não os temos, mas se os tivéssemos acreditem que também quereríamos. Queremos tudo, queremos roubar tudo aos homens. Não queremos mais usar esse perfume com essência de mulher. Por favor, facultem-nos o direito de ser homens... de saltos altos.

PS(zinho): Este texto foi escrito em parceria com a Bela Adormecida.
ps(ainda mais zinho): se calhar é melhor dizer que gosto muito de ironia, de palavrões, nem por isso.
ps (muito mais zinho): custou-me escrever escarrar e coçar no mesmo texto, foi algo muito violento para uma pessoa tão civilizada quanto eu. Muito violento mesmo...

20 comentários :

  1. Pois é, Maria, a igualdade tem destas exigências. Pobres mulheres, ao que são obrigadas!
    Fui ler o texto. Se me permite acrescento mais uns excertozitos todos catitas.

    Diz a dita que:
    "A mulher é capaz de ser tão ou mais obscena na linguagem como o homem e isso não faz dela menos mulher."
    Acrescento que não é só na linguagem, alegrem-se os céus e a terra.

    As coisas que se aprende com estas doutas e sábias opiniões.

    Atenção ao parágrafo seguinte:

    "Os palavrões são, a meu ver, um importante auxiliar da comunicação oral. Talvez insubstituível."

    Pronto! Perante isto resta-me ir pedir uma indemnização ao meu querido professor de linguística.
    Professor, o senhor falhou na sua missão de bem me ensinar a comunicar, e agora, professor, como colmatar esta lacuna?
    Saiba o professor que: "Esta é igualmente uma questão de género."
    Não sabia? Acredito! Lá está, nem o senhor nem eu, o que confirma a sábia teoria. É que neste pequenino "diálogo" não dissemos um único palavrão.

    Haja paciência! Onde quer a mulherzinha - atenção, não me refiro à Mulher, essa não cabe aqui - ir com este tipo de discurso?

    Uma boa noite, Maria.


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    1. GL, quando encontrei este texto numa das minhas habituais deambulações pelos jornais e revistas online, fiquei para ali parada a tentar perceber qual a mensagem que a autora estaria a tentar passar. E cheguei à brilhante conclusão que não existe mensagem alguma. É tolo, na minha opinião. Banal. Não faz sentido. Ainda por cima porque a pessoa em questão diz ser o mais possível a favor de palavrões e entretanto usa trezentos asteriscos para os disfarçar. Associar esta forma de estar na vida com os direitos da mulher é completamente absurdo. Se é que percebi o artigo.

      Digo-lhe mais, para mim elegância é tudo. Não é aquela elegância descartável, aquela que só se usa quando estamos com outros, ser elegante é sê-lo sempre, não importa se se está sozinha ou acompanhada. É natural. Não saberia viver sem esse lado. Logo, é-me difícil ver uma mulher muito bem vestida, muito bem maquilhada, muito bem penteada, abre a boca e sai alhos e bugalhos. Algo ali não joga. Não me choca ouvir palavrões, aliás, sempre tive amigas que os dizem, eu apenas escolhi o outro lado. Não sou melhor, nem pior, fiz uma escolha e sinto-me bem com ela.

      Tenha também uma boa noite :)

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  2. Estamos a falar de uma questão educacional que nada tem a ver com género. Eu não digo porque não gosto, ponto.
    Ser-se mais mulher ou menos mulher por uma manifestação destas é coisa que não passa pela cabeça de ninguém. Ninguém sensato, convém acrescentar.
    Nunca percebi esta ânsia de igualdade, esta paranóia. Há situações em que se justiça, como por exemplo a trabalho igual salário igual, e em mais uma outra situação, mas como princípio? Por favor!
    A cada um o direito à sua dignidade, muito mais importante do esse chavão da igualdade.
    Tem razão, a elegância é o essencial, só que essa, Maria, ou se tem ou não se aprende. Costumo dizer que há pessoas, e de ambos os sexos - que se calem as feministas - que têm como que um "selo" que as distingue das demais. Não é só uma questão de bom gosto, de saber estar, de ser elegante, é mais uma questão de postura. Quantas vezes não nos cruzamos com pessoas vestidas de forma extremamente simples mas que têm o tal selo? Vem do berço? De uma maneira geral sim, mas nem sempre.
    Respeitemo-nos, algo que falta a quem escreve disparates como os que acabamos de ler, e tudo o resto virá naturalmente.
    Abraço

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    1. Ora aí é que está, não tem nada a ver com género. Tivesse eu filhos e educaria da mesma forma. Fosse no sentido de fazer tudo em casa, fosse no sentido de que quer fosse menina ou menino linguagem obscena não seria admitida, ou então as coisas ficaram muito feias. Então eu lá admitiria que filho meu dissesse alhos e bugalhos na minha frente! Mas isto sou eu que de vez em quando tenho um feito que não se aguenta.

      Igualdade, GL, não passa por situações destas. Isto é completamente idiota. O que escreveu sim, trabalho igual, salário igual. Igualdade passa por situações dessas e outras semelhantes. Essa deve ser a luta. Lutar pelo lado importante da vida. O lado digno. Uma mulher com uma linguagem obscena (e aqui refiro-me só a mulheres) em nada dignifica, antes pelo contrário. Tive sorte até agora de conhecer homens que também não são muito de dizer palavrões, dizem um ou outro numa situação mais efervescente, digamos assim, mas nada de exageros. Gosto muito disso. Lá está, a parte de que alguns homens também estão a deixar esse lado é de aplaudir.

      Ser elegante nada tem a ver com o vestir roupas caras. Aliás, cada vez se vê mais o oposto, as pessoas mais simples são muito mais elegantes, isto na minha opinião. O que me agrada é essa elegância, aquela que vem de dentro para fora e não o oposto.

      Um abraço para si também.

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    2. Esta questão da igualdade tem muito que se lhe diga, olá se tem.
      Em síntese, Maria, e se me permite, sempre lhe digo que só aceito a luta pela dita quando os homens também o fizerem.
      Estarão eles uns pontinhos acima da mulher no que respeita a esta questão? Apenas um exemplo fraquinho, fraquinho.
      Porque motivo dão os homens passagem à mulher quando entram no elevador, ou noutra qualquer porta? Porque são eles que esperam no altar?
      Ria-se, mas não é verdade?
      Haja bom senso, nada de paranóias.
      Direitos iguais em termos de trabalho, salários, protecção social, tudo bem, mas não queira a mulher transformar-se num ser híbrido, um ser que perdeu aquilo que tem de melhor, a sua essência.

      Boa noite, Maria.

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    3. Cavalheirismo. Apenas isso. Não é obrigatório, mas é um gesto simpático. E porque existem portas que custam a abrir que nem lhe conto, aquilo é feito de ferro, pesa toneladas (;)) e porque o vestido de noiva, a maquilhagem, o cabelo e tudo à volta, demora séculos, o homem veste o fato, dá um jeito no cabelo e já está :)))))

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  3. Boa noite. Calhei passar por aqui, e não resisti a comentar. Gostaria, antecipadamente, de alertar que não fui (ainda) ler o texto original, mas diria que a autora do mesmo não está a dizer que o fim último da luta pelos direitos das mulheres passou pelo direito a dizer palavrões, mas creio que sim, também passa. E porque não? Tal como o direito a fumar em público, a votar, a trabalhar, a beber cerveja, até pela garrafa, se assim lhe souber melhor. E porque razão não haveriamos de ter o mesmo direito?
    Este seu post não colide com o seguinte?
    Então, mas se concorda que se peça desculpa por dizer um palavrão em frente a mulher quer depois "entrar" num meio, historicamente, de homens? Ou somos iguais ou não somos. Claro que não os vamos coçar, porque a anatomia é diferente.
    Dizer palavrões em frente a pais e crianças? Considero errado, concordo. Mas é errado quer seja dito por uma mulher ou por homem, pelo que não compreendi a relevância desse ponto.
    Na minha opinião a igualdade passa sim por igualar os salários, as oportunidades de ascender a certos cargos, a expressarmos as nossas ideias, mas também passa sim por sermos vistas como iguais.
    Uma coisa é um homem ser cavalheiro. Fica bem, por vezes, e para quem aprecie. Outra é reduzirmos as mulheres a seres "sensíveis"ou mais "frágeis", cujos ouvidos não podem ouvir certo vernáculo ou tão pouco as suas bocas proferirem tais palavras.
    Que não goste de os dizer ou ouvir, é legítimo. É a sua opinião. Mas contestar que não faz parte da luta da igualdade de direitos tratamento igual no que diz respeito a questões comportamentais é algo que vai além da nossa opinião e gostos pessoais.

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    1. Vamos lá tentar separar isto por pontos:
      1. Dizer palavrões, beber cerveja por uma garrafa, cuspir para o chão, não pode, de forma alguma, entrar para o patamar de direitos, quando, segundo a minha opinião, são meramente escolhas. Eu escolho não o fazer. Ponto.

      2. Uma mulher, na minha mais do que humilde opinião, deve conservar a sua verdadeira essência e, a sua verdadeira essência não passa por ser igual ao homem (não tarda ninguém se entende, já faltou menos) mas adquirir os mesmos direitos. Direitos, aquilo que tem a ver com lei/justiça. Ou seja, eu tenho o direito de ganhar o mesmo salário que um homem quando a função que desempenho é a mesma mas, escolho desempenhar essa função não usando a mesma linguagem obscena que esse mesmo homem usa. Isto foi um exemplo.

      3. Em nenhuma parte do meu texto leu que concordo que um homem tenha que pedir desculpa quando diz um palavrão à frente de uma mulher. Os verdadeiros cavalheiros e, felizmente, vão existindo de todas as idades, simplesmente não o fazem. E sim, trabalho desde os meus vinte e muito poucos anos numa área onde trabalham muitos homens. A maioria licenciados. Não me lembro de algum não ser bem formado. São escolhidos de modo milimétrico, não sei, isto sou eu a divagar. Pelo menos dentro da empresa raramente se ouve linguagem obscena. Fora do trabalho, provavelmente...

      4. As mulheres têm realmente outro tipo de sensibilidade (uma grande maioria tem), felizmente, digo eu. E são realmente mais frágeis. Mais frágeis fisicamente, porque no resto tenho para mim que são mais fortes. Não parece, mas são. Logo, nesse aspecto não precisam de mudar. Mudar e querer parecer-se com um homem, vai estragar realmente tudo. Enfraquece.

      Que se luta por dignidade. Dignidade não passa por possuir uma linguagem obscena. Logo, vulgar. Não me choca ouvir palavrões, as meus ouvidos aguentam tudo e mais alguma coisa, mas prefiro de longe, elegância. É a minha escolha, tenho direito a ela.

      PS: Entretanto se puder leia o artigo completo... uma verdadeira pérola, é o que é.

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    2. Já o irei ler.
      Repare, como disse anteriormente, tem todo o direito a não gostar de dizer ou de ouvir certas palavras. É um direito seu.
      O que é diferente de dizermos que não é um direito da mulher poder dizer palavrões sem que olhem para ela de forma diferente da que olhariam para homem. É esse o meu ponto.

      Escarrar, para mim, é um acto absolutamente nojento (em publico). Mas para mim é nojento quer seja um homem ou uma mulher a fazê -lo.

      Nem todas as mulheres gostam de ser feminas, e isso também é um direito que lhes assiste. Há mulheres que gostam de vestir roupa masculina, que têm um ar mais masculino e também as há que não gostem de maquilhagem. Não vejo mal nisso.

      Muito se poderia dizer sobre as igualdades de direitos. Para mim é claro que homens e mulheres não são iguais fisicamente mas tirando isso não vejo porque não possam ter o direito a terem comportamentos similares sem que um dos lados (e apenas um dos lados, é aqui que reside o ponto chave) seja criticado, censurado ou olhado de lado.

      Tal como eu não olho de lado para um homem que decidiu ir arranjar as unhas (é cuidadoso com a sua aparência, faz ele muito bem) também é legitimo que não se olhe para uma mulher de lado só porque ela diz palavrões.

      Quanto aos seus colegas, acho isso perfeitamente normal. Eu digo imensos palavrões mas no trabalho ninguém os ouve. Tal como também não os digo em frente ao meu filho, ou pais. Mas isso não quer dizer que caso eu diga algum em público tenha de ser olhada de forma diferente da qual olhariam para um homem.

      Se me disser que fica "incomodada", "chocada", o que seja, quando ouve um homem a dizer um palavrão, acho legítimo que sinta o mesmo relativamente a a mulher.
      O que condeno (é a minha opinião, claro) é que alguém nem sequer pestaneje ao ouvir um homem mandar um valente bojardo mas fique profundamente chocada se for uma mulher.
      Mas porque razão?
      Não fica bem? Então voltamos ao antigamente.
      Eu também tenho tias que acham horrivel ver mulheres a fumarem em público, mas acho que isso é ter um tratamento desigual e que compromete a igualdade de direitos.

      É a mesma coisa que achar que um homem pode andar a pinar com várias, em sendo descomprometido, mas se se for uma mulher já é uma vaca (para não dizer pior). Acho descriminatorio.

      É como a questão, aprovada recentemente, da adopção. Não se devem diferenciar direitos pelo sexo, religião, crença ou tendência sexual.
      Ora porque se ha-de critucar uma mulher por dizer palavrão quando não se faz o mesmo a homem? Não vê aqui onde está a questão da discriminação (no caso, com base no sexo da pessoa)? Não compreende porque digo que é um direito de igualdade como tantos outros já mencionados?

      Isto já para nem falar na questão da cultura. Para uma mulher do Porto (não todas, claro), por exemplo (muito feminina e com estudos) poderá ser mais do que normal dizê-los. Tal como os homens de lá também não olham de lado por elas o fazerem...

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    3. O problema é que os palavrões não dignificam ninguém. É a minha opinião, não é um caso de vida ou morte, é uma simples opinião. Os palavrões para mim até podem fazer sentido num momento de discussão acesa. É quase normal. As pessoas descontrolam-se. Estão irritadas, Funciona como catarse. Usar os palavrões como se fosse linguagem normal, linguagem do dia-a-dia, não gosto. Aliás, o problema é que a coisa está tão descontrolada que miúdas adolescentes já o usam até à frente dos pais e dos avós (conheço dois casos). E fazem-no porquê? Porque os pais o fazem. Que raio de educação é esta que se passa aos adolescentes que podem dizer alhos e bugalhos à mesa, à frente dos pais e, os paizinhos, nada dizem?! Não me apetece ver malta tão nova assim. Estou no meu direito. Prefiro malta nova bem formada. Ponto.

      E não se pense que são betinhos ou coisa do género os adolescentes que não dizem palavrões ou dizem muito pouco. Existe realmente malta nova muito bem formada, que não usam esse tipo de linguagem (felizmente também conheço alguns) muitos pertencem a famílias humildes. O futuro precisa de gente assim. Gente com formação académica, caso consigam, obviamente, e gente bem formada noutro aspecto. De vulgaridade está o mundo a rebentar pelas costuras. Estou cansada de, quer na rua, quer em cafés, onde quer que se vá ter de levar com gente aos alhos e bugalhos. Chateia-me. Pronto. Não me choca. Chateia-me. Portanto o que me querem dizer é que os que não gostam têm que levar com eles, mas eles não respeitam ninguém e procedem como se o mundo e arredores fosse deles. Bela educação, sim senhores.

      O ser feminina pode passar pela forma como uma mulher se veste mas, não só. Uma pessoa pode não usar maquilhagem ou usar muito pouca e ser feminina. Não é por aí...


      Acho que está a misturar tudo. Direitos e escolhas. Não se esqueça que este texto é sobre um artigo que foca a mulher e os palavrões, daí eu ter dito que as pessoas devem ler primeiro os artigos senão é uma tremenda confusão. Como foi o caso.

      Norte, Sul, Centro ou retaguarda para mim é tudo igual. Não gosto de linguagem obscena. Consigo entender pessoas de outra geração que usam os palavrões de forma natural, falo do Norte, no entanto não percebo o porquê das gerações mais novas continuarem a dar seguimento. Se acabar não se perde nada, antes pelo contrário. Que fiquem os pregões, isso sim, bem português e que convém dar continuação.

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    4. Já li. E honestamente acho que a Maria é que está a misturar coisas, mas enfim são opiniões.

      Acho que é claro da leitura do texto que a autora apenas discorda dessa diferenciação de sexo que é feita, referindo precisamente o "não é bonito uma mulher dizer palavrões" para mim esta afirmação está ao nível de "não é bonito uma mulher fumar em público", "não é bonito uma mulher sair com mais do que um homem na mesma semana", "não é bonito uma mulher estar no café a beber sem o seu marido" e, pessoalmente, considero isto profundamente bacoco e antiquado. E se não vê aqui um padrão de retrocesso nos direitos das mulheres...bom, é mesmo uma questão de visão.

      Para mim misturar coisas é confundir a sua opinião pessoal e conduta com o que é ou não correcto para a sociedade.

      Eu não sou prostituta e no entanto sou a favor da legalização da prostituição.

      Os exemplo que refere dos jovens que dizem palavrões a torto e a direito, também não aprecio, mas uma vez mais, n me incomoda por serem raparigas a fazê-lo. Em sendo rapazes acho igualmente condenável (mas isto é uma questão de educação).

      E aliás, se leu o texto, reparou que a própria autora refere que a utilização dos palavrões não deve ser banalizada, pelo que acho que isso, facilmente, descarta esses exemplos que refere conhecer.

      A autora apenas frisa, e bem, na minha opinião, que essa diferenciação coloca as mulheres como "sensíveis" e "frágeis" e acho que é verdade.
      E feminismos à parte, mas não creio que tenha sido para serem vistas assim, que as senhoras andaram a queimar soutiens...

      E falando em misturar e fazer confusão, aproveito para lhe dizer (na minha opinião, claro) que ser bem formado não tem a ver com dizer ou não palavrões.
      Uma pessoa bem formada é alguem íntegro, com valores. Uma pessoa correcta. Bem formada, lá está. E essa pessoa pode ser assim e nem sequer ter grandes estudos e dizer inúmeros palavrões (que não são sinónimo de insultos).
      Já uma pessoa mal formada, é uma pessoa mau carácter, intriguista, falso, que semeia discórdias e se move apenas para realizar os seus objectivos, passando por cima de quem quer que seja. Isso é ser alguém mal formado.
      Conheço uns quantos, infelizmente, e posso até dizer-lhe que uns são a mais fina flor no que toca à linguagem, muito polidos e nem um porra dizem, com muitos estudos também. Se isso faz deles bem formados. Não, não faz, de todo. Aliás, são um belo monte de esterco, mas educadinhos.

      São opiniões de facto. Eu prefiro uma pessoa amiga, honesta e íntegra que diga umas caralha*** de vez em quando, do que um aprumadinho, muito educadinho, que não diz fod** mas à primeira oportunidade que têm me fo** sem dó nem piedade, via esquemas e maldade pura (má formação).

      Mas enfim, nem todos podemos gostar do azul...

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    5. O cerne da questão para fechar este assunto, é que eu não sou a favor de linguagem obscena, palavrões, como quiser, e a "me" é.

      Quanto ao ter 20 homens num só dia, fumar 20 cigarros por dia, sentir-se moderna quando diz alhos e bugalhos, são escolhas que se fazem na vida. Eu escolho não o fazer e sinto-me bem com essa escolha. Vou sublinhar a parte de que sou eu que escolho, não é a sociedade, não são os outros, não são influências de amigas, de vizinhas ou da cabeleireira lá do sitio, sou eu. Vivo com as minhas escolhas e com as consequências, ou não, que daí possa resultar.

      Vivo em Lisboa, algumas coisas que refere neste seu comentário não fazem muito sentido para mim, parece que estamos a falar de uma aldeia isolada em que parece mal uma mulher ter muitos namorados, ir ao café sozinha, fumar em público, caramba, não conheço essa realidade...

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    6. Pois lá está, são pontos de vista.
      Para mim a questão é, e sempre foi (ou não teria comentado o post) que o que diz no seu post não é bem isso da sua opinião ou da sua escolha (ou não é só isso) falou em igualdade de direitos e eu apenas defendi (defendo) que as questões comportamentais, independentemente de concordarmos, também fazem parte do direito de igualdade de tratamento.

      Quanto aos exemplos que referi foi para exemplificar que achava as situações similares, como deixei bem claro.
      Mais uma vez, não estava em questão se as faço ou concordo com elas. Esse nunca foi o ponto para mim.

      Mas aproveito para lhe dizer que ouço, amiúde, pessoas (mulheres na maioria) a criticar as coisas que lhe referi, especialmente a parte dos parceiros. E olhe que são nascidinhas e criadas em Lisboa (e muitas nem sequer têm mais de 45 anos)...asseguro-lhe que é uma sortuda se não conhece pessoas destas (no meio de Lisboa).

      E já agora, digo de facto palavrões e nao tenho qualquer problema com isso. Mas lendo "a "me" gosta", não fiquem as pessoas a pensar que ando para aí a gritar palavrões no meio da rua...informo que não, não ando.

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    7. Acho que continua a dar muita importância a algo que não tem importância alguma. Temos que gastar energias é com a outra parte, a parte da igualdade que vai ao encontro de salários e assuntos semelhantes. Isso sim, merece que seja discutido de forma aguerrida. Dizer palavrões ou não dizer é uma escolha de cada um. Eu escolho não os dizer. Dai desse lado escolhe dizer. Ninguém precisa de arrancar cabelos a ninguém. Siga a vida da forma que cada um entender.

      Obviamente que o facto de ter um blog e sendo um blog generalista, portanto falo do que bem entendo, dá-me o direito de emitir a minha opinião. Como já percebeu fui buscar um artigo de uma autora mas não lhe chamei nomes. Não escrevi por exemplo que era uma pessoa de merda (com todas as letras e sem asteriscos) só porque escreve o que bem entende. Disse que não concordava, argumentei e não insultei ninguém. Se calhar isso de não dizer palavrões faz alguma diferença. Acabamos por respeitar opiniões diferentes, podemos não gostar mas, não baixamos o nível. Não sei, digo eu que por vezes tenho a mania de dizer coisas e nem sempre acerto.

      As mulheres que conheço em Lisboa e, vão dos vinte(s) aos setenta(s), mais ou menos, são na sua maioria mulheres modernas. Não vejo preocupações com isso de fumar em público e por aí adiante. Por mim sou daquelas que se me apetecer jantar ou almoçar sozinha porque me apetece estar sozinha, faço-o e nunca me olharam de lado. Já viajei de férias sozinha quando terminei uma relação e correu muito bem. Vai na volta esse problema coloca-se em meios mais pequenos, com pessoas com uma visão da vida completamente diferente. O facto de uma mulher ser independente financeiramente e não só, é bem capaz de lhe emprestar uma outra forma de estar na vida. Não sei...

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    8. Mas eu nunca disse que esta questão era vital para os direito das mulheres ou para a igualdade. Creio que nem mesmo a autora do texto o disse.

      [Também não vejo a relevância da questão dos insultos dado que eu nunca disse que insultou a autora e também não a insultei, mesmo discordando do seu ponto de vista.
      E já agora (e dado que não os usa), o uso do palavrão não é, necessariamente, para insultar.]

      E aliás, lendo a frase "A verdade é que não são só os lugares de chefia das grandes empresas que são de difícil acesso às mulheres… pelos vistos, o uso de palavrões também não lhes é permitido da mesma forma que o é aos homens.", e não sendo eu a autora da mesma nem conhecendo a senhora, diria que as mesmas querem precisamente salientar que, para além do óbvio (que é a desigualdade salarial e ocupação de cargos...), pelos vistos até nestas minudências uma mulher tem tratamento diferente.
      Eu nunca disse, e sinceramente também não o vejo no texto em questão, que devíamos fazer disto o estandarte da luta. Apenas referi que, como tantas outras coisas, é legitimo que uma mulher diga que quer ter o mesmo tratamento!

      Mas pronto, claramente eu devo ter alguma dificuldade em conseguir transmitir-lhe a mensagem por isso, deixemo-nos estar, cada uma com a sua opinião.

      Nota: não insultou a autora, e é certo que pode no seu espaço dizer o que bem quer (eu sempre defendi isso), mas acho que é inegável que há algum gozo, vá, tom mais jocoso no seu texto...

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    9. Tom jocoso mesmo assim não é nada mau, tendo em conta o que vejo por aí na blogosfera. Cá coisas minhas, não ligue.

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  4. Li o artigo todo que a meu ver não me trouxe nada de novo. Homens e mulheres são muito diferentes, que devem ter direitos iguais como no trabalho, na saúde, na educação, nos afazeres de uma casa etc. Dizem muitos entendidos que nem todos os trabalhos conseguem ser feito por mulheres...como? Mentira, só não os faz quem não está para aí virado. Conheço "mecânicas, camionistas e até aviadoras, já para não falar de electricistas, descarregadoras etc.

    Digo palavrões sozinha (sobretudo quando bato com o dedo do pé na quina da porcaria de um móvel), mas nunca o fiz em frente às filhas e netos. Em miúda dizia algumas com os meus amigos e mal me fazia ouvir, era chamada à pedra e pimenta na língua:)

    Estar num grupo e mal começam a falar de futebol...minha nossa...mas nada que me ofenda ou me faça deixar de ser quem sou. Também há mulheres que dizem aquecidas pelo tema e não me soa a falso.

    Onde é que oiço mais piropos desses é no trânsito, aí sim, são mais os homens que se julgam os maiores e largam bojardas em termo de insulto aos quais não dou nem devemos dar "ouvidos".

    Quanto aos adolescentes dos dois géneros...ui...é por demais, mas a maioria deles não tem esse exemplo em casa (já apanhei tantos conhecidos) porque a educação é excelente...mas todos juntos são de facto irreverentes e quem já passou por essa fase...nunca o terá feito?

    Eu não uso, não me incomoda quem o faça, e sou mulher que não entra nem faz parte deste "gritar por uma igualdade" quando não existe nenhuma igualdade que me incomoda muito mais...como as salariais por exemplo.

    Uma boa tarde

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    1. Fatyly, acredito que trabalhos que exigem maior força física talvez não sejam tão fáceis para uma mulher. Pelo menos para algumas. Muitas, talvez.

      Eu, por muito que as pessoas possam não acreditar, não uso palavrões, não os digo, nem quando estou sozinha, tão pouco acompanhada. Se isso me faz melhor do que todos as pessoas que o dizem? Não. São apenas formas diferentes de estar na vida. Se tivesse filhos também seriam educados nesse sentido. Os filhos acabam por ser um reflexo dos pais, penso eu, logo, se eu não gosto, obviamente que não permitiria que os dissessem. A coisa seria a doer :)))

      Tenha também uma boa tarde, Fatyly.

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  5. Palavrões, questão relevante na emancipação feminina?!?
    Peço desculpa, Maria, mas não digo nem mais uma palavra. ;)

    Uma boa noite :)

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    1. E faz muito bem. Também gostei bastante da parte do: ponto de interrogação-ponto de exclamação-ponto de interrogação. Uma forma muito interessante de dizer quase tudo o que há para dizer. Está fechado e muito bem fechado.

      Boa noite, AC :)

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