domingo, 15 de novembro de 2015

Conjugar o verbo presumir. Eles presumem (bom seria se eles não presumissem coisa alguma)

Quando digo que não sou de esquerda, automaticamente as pessoas presumem que sou de direita. Mas se digo que não sou de direita, o modo automático de presumir que existe nas pessoas, colam-me à esquerda. E uma pessoa sente-se género bola de ping pong nas mãos de pessoas que só presumem. E presumem demasiado. E presumem mal. Não perguntam, presumem. Não conversam com os outros, presumem. Tudo nelas presume. O cheiro nauseabundo que existe no ar é composto por doses industriais de substâncias que por sua vez exalam partículas diferentes do verbo presumir. É um género de chanel número zero, à esquerda.

Presumem que não somos bons cidadãos se por acaso nos der para não exercer o direito de voto, e apontam o dedo. Não presumem sequer que o problema não esteja do lado dos cidadãos mas, do lado do governo que não oferece grandes alternativas. Ou as que oferece estão muito mal cozinhadas. Os frescos não são frescos e o peixe foi mal congelado. Tudo está impróprio para consumo... Existe direita e existe esquerda. Não existe centro. Não existe equilíbrio. É quase impossível caminhar num país desequilibrado. Um país onde parece que o vento é melhor líder do que aqueles que o dizem ser, não o sendo. Um país liderado pelo vento. Não existem líderes dentro do governo. Penso eu. Líderes, aquelas pessoas com pulso firme, que mudam o que tiverem que mudar a bem de um país e das pessoas que lá vivem, independentemente dos humores dos ventos que sopram bem perto. Vou mais longe e quase arriscaria afirmar que o mundo deixou de ter líderes. A ter, estão tão bem misturados no meio das plantas verdes e das ervas daninhas que uma pessoa vê-se aflita para perceber quem é quem. Pensa que está a regar uma planta saudável, com boas energias, e percebe ao fim de algum tempo que aquilo só causa estragos.

Talvez seja exactamente por isso que o mundo está mergulhado no caos. Muita gente a correr em todas as direcções, dando encontrões, passando por cima de quem tiver que passar com a intenção de chegar mais depressa a qualquer lugar. Os que só presumem e não têm tempo de perguntar, de conversar com os outros, tal é a vida ocupada que têm, as correrias em catadupa, se calhar deveriam um dia destes subir para cima do vento e deixar-se levar por ele. Lá para bem longe. Para onde os ventos vão e não voltam.