quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Uma questão de ética ou nem por isso? A Cordoaria Nacional vai expor cadáveres e órgãos humanos reais

A exposição vai chamar-se "real bodies" e eu que também tenho direito à minha opinião digo que não me agrada este tipo de exposição. Não consigo entender. Não consigo entender este género de curiosidade mórbida. Não consigo entender que uma pessoa depois de morrer não tenha direito ao seu descanso. Existem situações que me ultrapassam, esta é, sem dúvida, uma delas.

Eis um excerto do artigo que saiu no DN:

Portanto, deixa cá ver se entendo, sou um pouco lerda das ideias, é dar um desconto, isto por vezes funciona muito devagarinho... dizem eles que para sabermos como funciona o corpo humano deslocamo-nos à Cordoaria e miramos cadáveres e  respectivos órgãos. É isso? Calculo que não cobrem nada pela entrada, se aquilo é tudo em prol do conhecimento...

Estas coisas arrepiam-me. Gostaria de perguntar a uma destas pessoas com ideias muito à frente se gostaria de ver um dos seus familiares ali expostos para toda a gente visitar num passeio de domingo à tarde. Quem sabe se depois de visitar a exposição a malta não vai até Belém comer um pastel quentinho com muita canela. Faz tudo parte do passeio. Nada temeis!

Lamento não ser uma pessoa iluminada, nestes assuntos tudo à minha volta fica envolto na mais profunda escuridão.


8 comentários :

  1. De repente lembrei-lhe que já tinha ocorrido uma exposição do género e confirma-se na notícia, foi em 2007 em Lisboa.

    Sinceramente e talvez por ter visto tantos, mas tantos cadáveres que é algo que não desperta em mim qualquer interesse e não me incomoda, incluindo familiares meu pai que sempres auis ser cremado. Quando perdi os gémeos que morreram dentro de mim e foi o meu organismo que deu o alerta de que estava a caminhar a passos largos para uma septicemia por estarem a desfazerem-se, tudo o que me tiraram doei e o pai também ao IML para os estudantes da medicina. Não vi nada.

    Voltando à exposição a maioria dos visitantes eram enfermeiros, médicos, investigadores etc, etc, e muito poucos cidadãos comuns. Dizem que não chocava ninguém, porque sabermos teoricamente como funciona o corpo humano é uma coisa, mas na prática, eu pelo menos, não consigo imaginar.

    Portanto não condeno nem apoio, e não ponho nisso algo mórbido.

    Eu não irei e não vejo que com isso estejam a ferir familiares, porque infelizmente há tanta gente que não reclama os cadáveres, em Angola foram aos milhares e nas guerras actuais? Acho que pelas fotos que vi da exposição de 2007 que alguém me mostrou..não se consegue saber se era o X ou Y. Esse amigo disse que foi uma mais valia em termos de conhecimento.

    É a minha modesta opinião e agora vou dormir que já se faz tarde.

    Um bom serão

    Não sei se me fiz entender, mas vejo que é algo instrutivo

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    1. Aí é que está Fatyly, esta situação na minha opinião não seria eticamente reprovável se os corpos tivessem sido doados para estudos, para um qualquer avanço da medicina. Doados no sentido de que tivessem sido as pessoas a dar essa autorização. Não aconteceu. A acontecer dessa forma não existiria uma qualquer exposição, exposição essa aberta ao público onde se cobra a entrada como se de um circo se tratasse. Existem packs de entrada. Cobra-se para ver cadáveres, órgãos humanos. Esta exposição não é um exclusivo para médicos, estudantes de medicina, enfermeiros, se fosse seria algo digno, necessário, importante. Não, esta exposição é aberta a todos. Onde é que se encontra a dignidade neste tipo de exposição? Não a vejo, por muito que tente, não a vejo.

      O ser humano tem dentro de si um género de curiosidade mórbida. Não é à toa que se dão desastres e as pessoas param todas para ver, não é para ajudar, é só para ver. Faz-me muito confusão tudo isto. Não gosto.

      O mundo, na minha opinião, está cada vez mais a perder a sua verdadeira essência. Tudo se faz por dinheiro. Apenas por dinheiro. Nada mais do que dinheiro. Esta exposição tem em vista obter lucro. É a leitura que faço desta notícia.

      Fez-se entender com certeza. Não vou ao encontro da sua opinião, mas tentei entender a seu raciocínio.

      Tenha uma boa noite, Fatyly.

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  2. Se eu dissesse o que penso, corria o risco de escrever algo muito mais confuso que esta ideia de expor cadáveres. Bem, confuso talvez não fosse mas seria, com toda a certeza, forte e duro.
    É melhor resistir à tentação até porque, de há uns dias para cá, a minha capacidade interpretativa não anda nos seus melhores dias.

    Tenha uma boa 5ª feira, Maria.

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    1. Tal como se deve votar, também temos esta obrigação de dizer o que pensamos sobre tudo aquilo que se vai passando no nosso país. Não temos que estar todos de acordo, obviamente que não, mas convém que as pessoas falem. Falar não implica insultar, gritar, nada disso, saber falar é apenas ter uma opinião e fazer-se ouvir. Acho que muita coisa mudaria para melhor se as pessoas falassem. Não nas costas uns dos outros, mas à frente uns dos outros.

      Caro Observador, eu não me preocupo com o que as pessoas possam pensar de mim, o que possam pensar com esta ou aquela minha opinião, se fosse assim viveria enclausurada num mundo de medo. Recuso-me a viver num mundo de medo. Portanto sim, goste-se ou não desta minha opinião em relação a este assunto, é tão válida como outra qualquer.

      Espero que mude de ideias e diga o que realmente pensa sobre este assunto. Eu gostaria bastante, se assim não for... paciência.

      Para si também, uma boa quinta-feira.

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    2. Não gosto da ideia. Expor mortos só para serem analisados em processos de anatomia e pelos alunos/estagiários do curso de medicina.
      O resto, ou seja o que a Cordoaria Nacional vai fazer, é um absurdo a raiar a estupidez.
      Não me é difícil dizer que a 'Real Bodies' é uma treta que nem para efeitos comerciais serve.

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    3. Registado. Caramba, esta foi mesmo tirada a ferros. Calha a concordar consigo. Não iria até à ilha da treta, mas isso agora não é importante :)

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  3. Tudo parece ser espectáculo, até a morbidez.
    Passe-se ao lado.
    Um elogio à sua indignação, Maria.

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    1. AC, cheguei à conclusão que devo ter um qualquer fusível estragado, é que dizem que as pessoas com a soma dos dias, dos anos, tendem a deixar de se indignar, tudo entra na gaveta do "normal". Comigo ainda não aconteceu nada disso. Ainda não perdi a capacidade de me indignar. Não é indignar-me por qualquer coisa, é por situações destas.

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