quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Um género de dum-dum para afastar homens que não se quer ter ao lado

Existe um método infalível para afastar alguns homens que uma mulher não quer ter na sua vida. Falo daqueles que a única coisa que pretendem é saltar para a espinal medula de uma pessoa sem olhar a meios para o conseguir. Desde sempre que os observo discretamente. Aprendi a ler nas entrelinhas e nas entrelinhas das entrelinhas. Percebi que inicialmente tratam uma mulher muito bem, mas logo se cansam quando se apercebem que as artimanhas não estão a funcionar, que o tempo despendido é muito, não têm tempo para despender tempo em algo que para eles é de curta duração. Precisam urgentemente de passar à seguinte, mas passar à seguinte desde que a anterior seja um caso arrumado. E neste não ter tempo começam a mostrar a sua verdadeira faceta, tornam-se impacientes, a linguagem torna-se mais áspera, as conversas cansam-nos, de vez em quando atiram com um pudica para cima, na falta de eles próprios não conseguirem saltar para cima. O pudica funciona como um insulto atirado na cara da mulher que dificilmente irá ter algo com eles. Na fúria de não terem ali à frente uma mulher que basta estalar os dedos e já está, resta-lhes humilhar.

É nesses momentos que gosto de carregar discretamente onde mais dói. Consulto o dicionário para saber o que quer dizer pudica e uso até à exaustão. Sem me esforçar muito, consigo afastar homens que não pretendo ter na minha vida. Se existe coisa que estimula este tipo de homens são mulheres modernas, que dizem uns dois ou três palavrões cabeludos, falam de sexo com muito à vontade, dizem que para elas não existe essa coisa de tabus... Ora, para afastar um homem destes é fazer exactamente o oposto de tudo isto. É ser o mais certinha, o mais chata possível. É sucesso garantido. 

E uma pessoa pode continuar a viver longe daqueles que não percebem sequer que quando uma mulher não quer um determinado tipo de homem, ao mesmo tempo não lhe apetece aborrecer-se muito pelo caminho, arranja sempre forma de os afastar sem eles darem por isso. Ser pudica até à exaustão. Não falar nunca de sexo. Ter inúmeros tabus. Ser chata em  modo milimétrico. Tudo isto concentrado num género de dum-dum-mata-todos-menos-aqueles-que-valem-realmente-a-pena. É um método infalível para os chutar para longe. Chutar com um leve bater de pestanas.

18 comentários :

  1. Aconteceu-me um caso desses: de um "gostava tanto de te conhecer" com toda a educação, passou a um monstro mal criado, mas eu adorei ver a sua transformação. Os homens que são genuinamente educado sabem levar uma tampa.
    Bjs e boa tarde :)

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    1. Saber ouvir um não e reagir de forma saudável, o que quer que saudável queira dizer, é próprio de gente que se diz adulta. Assustam-me homens que reagem mal aos "nãos" desta vida.

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  2. Este texto, e tudo o que o rodeia, parece-me cheio de forças negativas. A malta lê e sente a necessidade de respirar fundo porque tem a sensação de dificuldade respiratória.
    Compreendo perfeitamente que haja, porque há, um tipo de homens que olha para uma mulher e a vê apenas como um órgão sexual. Aqui, a culpa é da mente da pessoa feita homem que não pensa noutra coisa senão no sexo, sem conseguir perceber que uma mulher é muito mais que isso.
    Não se diga porém que o homem tem o exclusivo de pensar e agir assim. Também existem mulheres que olham para um homem e pensam em grande, na sua perspectiva, com a ideia que aquele é que me levava e era já.
    Conclui-se, por isso, que faz falta 'um género de dum-dum' também para afastar certas mulheres, sendo necessárias muitas doses de dum-dum para aquelas mulheres que têm alucinações e em todo o homem que vêem sentem um Brad Pitt ou um George Clooney, ou um José Castelo Branco (ahahah) ... por aí.
    Não se diga a uma mulher que não pode/deve falar de sexo. Diga-se sim que há muita forma de lá chegar e, tantas vezes, de forma a tornar a mulher uma tentação.
    Também não convém sugerir que a mulher deva ser chata. Porque ser chata é muito chato, uma chatice pegada.
    Um meio termo não seria a cereja no topo do bolo?

    E agora vou andando. A qualquer altura posso receber uma chamada com um convite para o governo. É que a coisa parece não estar fácil lá para os lados das empresas de casting :)

    Beijinho, Maria.

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    1. E o caro Observador que não achasse este texto "cheio de forças negativas" e não tentasse logo de seguida alterar o rumo do mesmo. Espero que depois de respirar fundo se sinta "benzinho" no momento, porque eu não lhe vou facilitar a vida, vou concentrar-me só no tema do texto. O tal dum-dum para homens dissimulados. Acho melhor correr para a mercearia mais próxima, abastecer a despensa de limões, cheirar intensamente para evitar que lhe dê uma coisinha má :)))

      A maior parte dos homens (estou a esforçar-me para não generalizar, nem imagina o quanto) vê a mulher como uma coisa para saltar para cima, dar uma volta e sair a correr sem dizer até amanhã. É o tal usar e deitar fora. Se estou a dizer algum disparate? Não, não me parece.

      Uma mulher também pensa desta maneira, sim senhores, não lhe tiro a razão, só que uma grande parte dessas mulheres acaba por cair na própria teia que montou. Ou seja, apaixonam-se. Enquanto este tipo de homens não se apaixona, são frios, calculistas, aquilo é mesmo só para usar, abanar e sei lá que mais é que eles fazem depois. Existe uma enorme diferença.

      Quem é que disse que uma mulher não pode/deve falar de sexo?! Pode, com certeza, deve é evitar falar de sexo com homens deste género se não estiver interessada neles. Só lhes dá força. Quem é que falou em ser chata?!

      Caramba, acabei de chegar à conclusão que o caro Observador não percebeu nadica deste meu texto. Saio em modo cabisbaixo, quase a cortar os pulsos.

      Pronto, só se concentra no governo e depois dá nisto. Zeritos noutras matérias :)))))

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  3. Tive que sorrir e a juntar ao Dum-Dum Púdica acresce mais dois ingredientes...Independência e inteligência!

    Mas também sei que muitos homens padecem do mesmo mal e apercebi-me que para as afastarem, o "silêncio e indiferença" deles ainda é mais fatal!

    Dá que pensar Maria...ó se dá...

    Uma boa tarde

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    1. Eu acho que a Fatyly percebeu muito bem este meu texto. Tenho quase a certeza disso. E sim, tem toda a razão. uma mulher independente assusta muitos homens. Conheci um que a única forma que tinha de controlar era, devagarinho, pela calada, destruir a auto-estima da pessoa. E isto para quê? Para que a pessoa de alguma maneira ficasse dependente dele. É uma armadilha e pêras. Se uma pessoa não se apercebe a tempo pode ficar com a vida destruída.

      As mulheres apesar de tudo estão ainda muito lá atrás neste aspecto. Muitas armam-se em fortes, frias e tal, mas desmancham-se à primeira cantiga. Essa é que essa. Eles não, eles vão destruindo os sonhos de muitas mulheres e continuam a sua vida como se nada fosse. Apostam no tal silêncio e na tal indiferença. La está, no que toca ao patamar de frieza, ninguém os bate.

      Tenha também uma boa tarde, Fatyly.

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  4. Olá, Maria :)
    Então quer dizer que lá por uma mulher falar abertamente sobre as coisas e ter um ar muito liberal, quer dizer que é obrigada a deixar que um homem lhe salte para cima, a use e deite fora? Isso faz lembrar a velha teoria estupida do "anda a pedi-las"...

    E quer dizer que uma mulher tem que se fingir de pudica e chata e certinha e tudo o mais, para espantar esses homens? Tem de fingir ser aquilo que não é? Pelo amor de Deus... Esses homens é que confundem as coisas!!

    Abraço :)

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    1. Pronto, lá está a São a tentar dar um sentido ao texto que o texto não tem. Não tarda um dia destes zango-me consigo a sério. Acho, inclusive, que vou começar a treinar.

      Agora num registo mais sério... leia se faz favor o texto, desta vez com mais atenção, entretanto se voltar diga-me se o seu comentário tem alguma razão de ser.

      Esta táctica e aquela de aparecer para jantar como se tivesse acabado de sair da cama, com um ar desleixado, aplica-se a homens espertalhões, os que usam e deitam fora mulheres como se de meros objectos se tratassem.

      São, experimente ouvir uma conversa de homens, só de homens a falar de mulheres, faça-o sem que eles se apercebam, e vai ter uma enorme surpresa. Não sei se vai gostar de ouvir o que eles dizem.

      Abraço.

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    2. Eu acho que percebi, Maria :) ... Mas não faria mais sentido pura e simplesmente não aparecer no janta?r ... E de preferência , ficar a espreitar de longe a figura do fulano? Ou então , aparecer toda produzida e, no momento m, dar-lhe uma valente joelhada nas partes fracas... Isso nem era dum-dum, era RAID...

      :)

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    3. A São já teve homens daqueles que não sabem o que significa desistir, mesmo depois de alguém lhes dizer trezentas vezes, com todas as letras, que não está interessada? Pois. Só resta mesmo recorrer a determinadas tácticas...

      Não sou mulher de joelhadas, sou mulher de agir de uma maneira completamente diferente. Acho que as marcas deixadas são capazes de doer mais. Só o faço com homens que não respeitam mulheres, convém sublinhar esta parte ;)

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  5. Olá Maria,

    o que aqui descreve, neste seu texto, podemos enquadrar num contexto de Complexo de Édipo mal resolvido. Acredito firmemente que estes homens além de possuírem um enorme vazio dentro de si, devem ter tido dificuldades no que toca ao relacionamento com os progenitores. Pais ou mães ausentes. Pais ou mães que não sabiam ser um modelo coeso e saudável de parentalidade.

    Os homens que a Maria descreve e muito bem, muitos deles não sabem lidar com as mulheres precisamente porque o modelo de relação que tinham com a mãe ou era de total dependência ou de completa anestesia de sentimentos. Embora possa estar a cair no erro da generalização, porque afinal cada caso é um caso, a maioria destes homens não consegue manter um relacionamento afectivo equilibrado e muitas das vezes só conseguiu relações sérias que se contam pelos dedos de uma só mão. Não podemos, por isso, esquecer os traumatizados que não conseguem superar o trauma de terem sido traídos, usados e tudo e mais alguma coisa terminada em ados.

    Sabe, muitos até são boas pessoas. São homens de valor. Mas estragam tudo quando o tema é "como um homem deve abordar uma mulher".

    Também existe o inverso mas, como já disse, ali o senhor Freud tem uma boa explicação para estas situações. Contudo, devo dizer, que aplicar dum-dum nestas casos é o melhor remédio porque a malta precisa de estabilidade e prosperidade.

    Tenha uma boa noite :)

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    1. Olá Alexandra,

      Gostava de ter a capacidade que a Alexandra tem de os conseguir compreender. Admito que não consigo. Não consigo sequer dizer que são homens traumatizados, homens de valor, boas pessoas. Boas pessoas não usam e deitam fora outras pessoas como se fossem lixo. Acho que são tudo menos boas pessoas. São mestres na arte da manipulação. São frios, calculistas e, por vezes, dão cabo da vida de muitas mulheres que por se encontrarem em momentos frágeis são vitimas perfeitas para este género de predadores. Convém que uma mulher não se distraia. A distracção por vezes é a morte do artista. Neste caso, da artista.

      O senhor Freud que vá beber um cacau bem quentinho porque a noite está fria e vai na volta constipa-se :)

      Boa noite, Alexandra.

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    2. Bom dia Maria,

      não tenho a capacidade de os compreender, até porque também não aceito aquilo que a Maria descreveu. Para lhe ser mais objectiva iniciei o meu primeiro relacionamento quando estava quase a completar 26 anos. Até lá a Alexandra nem sequer um beijinho na boca tinha dado, porque até aquela altura nunca ninguém tinha preenchido as minhas "medidas". Para mim era mais importante estabilizar a vida e terminar os estudos para depois haver espaço para cuidar da parte afectiva/emocional. Além de que beijos e entrega fisica a alguém só deve acontecer quando essa mesma pessoa desperta em nós o melhor de nós.

      A teoria do Freud que foi beber cacau quentinho dá uma explicação ao que aqui está a ser alvo de diálogo e não quis entrar em generalizações. Existem pessoas más que tratam os outros abaixo de cão, vejamos os números de crimes de violência doméstica que dispararam nestes últimos meses. Alguém tem uma explicação para isto? Qual o perfil psicológico dos agressores? Qual o passado destes mesmos agressores?

      Convém aqui também reflectir sobre este ponto: porque razão as vitimas destes homens dum-dum são sempre ou maioritariamente mulheres independentes e bem sucedidas a nível de carreira? O que se passa na cabeça, no interior destas mulheres para se deixarem ir na conversa do bandido? Fragilidades? Que espaços em branco elas têm com a necessidade urgente de serem preenchidos?



      É como aquela velha história da malta que se divorcia e que logo após o divórcio querem fazer vida de gente nova ou recuperar o tempo perdido, tempo que nunca irão recuperar. Quando surgem com este género de diálogo a primeira coisa que me surge na cabeça é de que esta maltinha esteve casada mas não sabia bem ao certo o que era isso do casamento. É uma pena. O casamento, fugindo um pouco ao tema, não deve ser visto como uma instituição mas sim como um passo em que escolhemos aquela pessoa para estar connosco em algo de mais profundo na nossa vida.

      Esperei muito tempo porque acho que estar com alguém, estar com um homem é muito mais que dar uma boa queca e diga-se de passagem, que sustentar um relacionamento é algo que dá muito trabalho... um trabalho que nem todos estão com disposição de sustentar. Não tenho medo de ficar sozinha e para sofrer por causa de um par de tomates com um pau de cabinda prefiro fazer uma inseminação artificial e ser mãe solteira. Já esteve mais longe esse dia. As pessoas desiludem-me e quando o fazem nunca mais nada volta a ser o mesmo, a magia desaparece e sem um pouco de magia a vida deixa de ter cor.


      Tenha uma boa quinta-feira :)

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    3. Olá Alexandra,

      Tentei, como se deve ter apercebido, amenizar um pouco o assunto com o final do Freud e do cacau. Explico porquê. Porque me assustou aquela parte de "boas pessoas", de repente lembrei-me de mulheres que são vitimas de maus tratos durante anos e anos e entretanto desculpam a pessoa que têm ao lado com um: ele faz-me isso, mas lá no fundo é boa pessoa... Assusta. São sempre estas mulheres que tudo desculpam e tudo compreendem que têm desfechos trágicos nas suas vidas. Se não são trágicos, devem ter com toda a certeza vidas muito infelizes. Algo tem que mudar urgentemente. As mulheres precisam de perceber que existem homens que realmente não interessam, são más pessoas, são frios, calculistas, egoístas e que se estão nas tintas para elas. Caramba, existem homens bons por aí, para quê continuar a desculpar quem não respeita mulheres?!

      Não concordo consigo quando diz que são maioritariamente mulheres independentes e bem sucedidas. As notícias não apontam nesse sentido. Antes pelo contrário. Acredito que também existam mulheres com esse perfil, com certeza que sim, não tenho qualquer dúvida, mas daí a um maioritariamente vai uma grande distância.

      Alexandra, as pessoas que se divorciam não querem recuperar o tempo perdido, ou a querer não vejo mal algum nisso, afinal estão vivas. Acho é que querem recomeçar uma vida. Recomeçar é bom.

      Ninguém sabe ao certo o que é o casamento. Podemos pensar que escolhemos a pessoa certa e a pessoa certa revelar-se uma pessoa horrível depois do casamento. Não vamos por aí que é demasiado complicado. Demasiado delicado. Um dia puxo até aqui o tema casamento, existe muita coisa que talvez se deva falar abertamente. Não existe apenas preto e branco. Pelo meio abafa-se muita coisa.


      A vida, mesmo após muitas decepções, desilusões, merece muito a pena. Mesmo muito :)

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    4. Olá Maria,

      penso que não estávamos a falar do mesmo tipo de homens. Os homens a que me referia são aqueles que tiveram problemas de infância e que esses mesmos problemas foram transportados para idade adulta por diversas razões.

      O tipo de homens que a Maria fala são aqueles que usam e abusam do sexo feminino até ao dia em que se dão mal, e quando se dão mal dão mesmo muito mal.

      Quando frequentei o ISPA em uma das aulas de psicologia das relações interpessoais foi abordada esta questão: Porque razão mulheres detentoras de brilhantes carreiras têm problemas sérios no que toca à manutenção de relações amorosas? Apontaram-se algumas causas como: falta de tempo para se dedicar inteiramente a um relacionamento; Escolha de parceiros que com o passar do tempo se tornam dependentes; disputas territoriais onde podemos abranger o valor do salário, etc, etc!
      A sociedade mudou e as vitimas de violência doméstica não são mais as típicas donas de casa que se dedicaram uma vida inteira à casa e família,

      Recomeçar é bom Maria, mas para recomeçar não é necessário enfiarem-se todos os dias numa discoteca e terem one night stand como se não houvesse amanhã. A maior parte dos divorciados não faz o luto e esse é o grande mal da população em geral. Não choram, não fazem o luto.

      Quanto ao tema casamento, escreva porque sei que tem muito para dizer.

      A vida merece mesmo muito a pena e é por isso que para o ano serei mamã! ;)

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    5. Li o seu comentário, preparava-me para responder e eis senão quando chego à última linha e só me apetece dizer... Parabéns, Alexandra, isso de ser ser mamã é um privilégio muito grande. Não se esqueça de ser feliz. Caramba, gosto muito quando alguém me diz que vai ser mamã.

      Deixo-lhe um beijinho :)

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  6. Aquilo que escreveu parece-me uma evidência, Maria. E quando assim é...!
    De qualquer forma, creio que é um daqueles assuntos que, à volta de uma mesa, dá para falar, falar, falar... É que os convites para os atalhos são mais que muitos. ;)

    Uma boa noite :)

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    1. Tem toda a razão, AC é mesmo um assunto que dá para falar e nunca mais se esgota. Não deixa de ser um assunto interessante, por causa dos tais atalhos que refere :)

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