quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Reeditar. Vou começar a reeditar as entrevistas que foram feitas por mim a alguns bloggers. Porque as pessoas merecem. Sai a primeira

Refiro-me às pessoas que tiraram algum do seu tempo disponibilizando-se para escrever o que lhes vai na alma. Pensei bastante e acho que não seria correcto da minha parte não as incluir nesta nova cara do blog. Sim, vou continuar a ser chata e irrelevante, a habitar um pardieiro, a dizer o que me apetece sem entrar no campo dos insultos que nada têm a ver comigo, a ter opinião estando-me nas tintas para o que possam pensar de mim. Vou continuar a pertencer a minorias porque acredito que as minorias também fazem falta. Dito isto, bola para a frente e que entre a primeira entrevista.

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Maria entrevista a Alexandra do blog Ouso Escrever. Maria no papel de entrevistadora educada e correcta usará sempre o termo senhora de ora em diante (isto do "entrevistadora educada e correcta" e do termo senhora foi unicamente para brincar com a situação de alguém que não é entrevistadora). 


Senhora que ousa,  deite-se aí no divã e conte-nos tudo em três ou quatro linhas? Agora numa só linha (pode levantar-se se quiser), fale-me deste mundo vil e cruel que é a blogolândia?
Não considero a blogolândia um mundo vil e cruel. Considero uma extensão do nosso mundo real e palpável porque se olharmos na perspectiva de que os blogues são escritos por pessoas, as características e comportamentos que observamos no mundo offline também por aqui abundam. Há que ter um crivo e seleccionar aquilo que interessa do que não interessa e assim vamos protegendo a nossa privacidade e bem estar.

Senhora que ousa, diga-me porque escreve e o que espera que as pessoas percebam em relação ao que escreve?
A Alexandra escreve desde os 12 anos. Tinha um diário fechado a cadeado que um dia foi atirado ao mar para que os meus desejos se realizassem e os meus fantasmas se dissipassem. Como a Maria e outras pessoas já devem ter percebido a minha escrita foca-se sobretudo no comportamento humano e nas relações pessoais. Escrever para mim é uma forma concisa e objectiva de comunicar com o outro. Gosto, sobretudo, de colocar os outros a pensar sobre aquilo que acabaram de ler e que foi escrito por mim. Disseram-me uma vez que por ser uma mulher de personalidade vincada e com um background emocional bem estruturado daria uma excelente psicóloga. Iniciei o curso e penso retomá-lo num futuro próximo, mas naquela altura a vida conduziu-me a uma licenciatura e mestrado que embora se centrassem na parte comunicacional não abordavam o lado emocional da nossa existência. Nós somos fruto de todas as nossas experiências e as nossas emoções conscientes e inconscientes determinam e muito o nosso percurso.

Não pretendo ser uma Gustavo Santos, até porque acho e acredito, que para se escrever sobre aquilo que ele escreve há que ter as ferramentas que somente a formação em psicologia nos fornece. Não podemos esquecer e passo o exemplo: pessoas com depressão são muito susceptíveis a interiorizar de forma errada a mensagem que um determinado livro pretende transmitir, assim sendo, acho errado que este género de pseudo-psicólogos exerçam as funções de um psicólogo. Aliam o marketing, uma cara bonita a meia dúzia de balelas que todos deveriam saber.

O meu blogue, aquilo que lá escrevo são meros apontamentos de situações e realidades que necessitam ser discutidas com seriedade. Toquei por lá em assuntos que melindraram alguns leitores. Uns choraram. Outros riram. Mas nunca tive uma única critica negativa aos assuntos que abordava. 

Senhora que ousa,  o que tem a dizer acerca de hate-blogs e das pessoas que bem (ou mal) o escrevem? 
Há cerca de três anos li uma reportagem sobre este assunto onde alguns bloggers relatavam casos de perseguição, violação de privacidade. A vida destas pessoas era exposta ao ponto de até fotografias serem publicadas de cada passo que davam. Falamos de situações graves que revelam personalidades desequilibradas movidas pela inveja e pela necessidade de serem considerad@s importantes. Mas creio que nenhum dos entrevistados apresentou queixa. 

Camões nos lusíadas falava da inveja Portuguesa como uma doença com consequências nefastas. Ao contrário daquilo que se pensa nenhum tipo de informação está segura na internet. Um utilizador é facilmente detectado através do seu Ip e assim começa a caça ao fantasma, salvo seja. Os hate-blogs alimentam-se da desgraça alheia. Porque segundo sei há gente que até goza e utiliza as doenças dos familiares para criticar e deitar abaixo o alvo objecto de escárnio. Os hatebabes querem ser uma espécie de Gil Vicente da actualidade com uma barca do inferno em chamas, só que com contornos doentios. É preciso saber e entender que não se deve publicar tudo e mais alguma coisa na internet. Como diz a expressão: menos é mais!

Senhora que ousa,  alguma vez foi atingida por um raio que a partisse? Se não se partiu conte-nos o seu segredo.
A Alexandra ao longo do seu percurso foi atingida por diversos raios que nunca a partiram. O segredo? Nunca deixar que alguém com a sua maldade roube a nossa esperança e, sobretudo, a nossa vontade de sonhar. Os sonhos podem comandar a vida dando animo a cada passo que damos.

Senhora que ousa, quem são as pessoas capazes de a derrubar com um só sopro qual lobo mau e os três porquinhos?
As únicas pessoas com capacidade de me derrubar são aqueles que me conhecem, falo da minha família directa. Para eles não existe hipótese da camuflar emoções menos positivas, para eles é impossível ser algo que não eu mesma. Este derrubar não tem ênfase pejorativo, muito pelo contrário. Perante a minha família posso expor as minhas vulnerabilidades e levar nas orelhas quando é necessário, sem medo de ser julgada severamente ou que esse mesmo julgamento venha parar às ruas da amargura. De resto não tenho medo de lobos maus que papam avózinhas e usam capucho vermelho. (risos)

Senhora que ousa, matematicamente falando, quantos anos de macaca com calo na cauda é que tem?
A senhora que ousa já caminha para os 31 anos e, apesar, de tão pequena idade já viveu muito. Um viver que acredito assustar muita gente. O sofrimento mete medo. Mete medo porque essa "coisa" das emoções nem todos as conseguem gerir empurrando com a barriga o que deveria ser resolvido. A cauda não tem calos ou carraças que são autênticos fantasmas. A macaca nunca deixou a criança interior morrer e não, não falo de espiritualidade que por aí se apregoa. A Alexandra tem sangue de não desistente que, por vezes, é muito incompreendido. Quando vivemos num mundo em que há poucos ensaios sobre a cegueira quem rema contra a carneirada, quem usa vocabulário considerado brusco é posto de lado. Talvez não necessariamente posto de lado, mas pode ser considerada uma pessoa non grata.

Os trinta trouxeram plenitude e uma paz difícil de explicar. Hoje já não digo talvez quando tenho de dizer não e realmente mudei. Não sou a mesma desde que entrei nos 30, olho para trás e vejo que vivi tudo como deveria ser vivido, não há que temer a morte. Não há que temer o horizonte de um mundo que ainda tem o azul do mar. Existem flores na primavera e no campo alecrim. Matematicamente falando tenho muitos anos de bagagem numa idade tão pequena. 

Senhora que ousa, se tivesse que mandar alguém à merda, quem seria?
A senhora que ousa já mandou à merda quem deveria ter mandado, no entanto, a senhora que ousa acredita que para diversas situações ou pessoas um merda não chega. A merda é muito pouco quando quem para lá deveria ir já é uma bela merda.


PS: Os comentários não os consigo reeditar. Peço desculpa.

10 comentários :

  1. E eu já não me lembro do que escrevi.
    Só pode ter sido coisa boa. A senhora que ousa merece(u).

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    1. A intenção não é lembrar-se do que escreveu, a malta não é papagaio nem nada, a intenção é perceber se se mantém a mesma opinião ou se por qualquer razão essa opinião se alterou. Não deixa de ser um exercício interessante.

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    2. Se mantenho a mesma opinião? É evidente que sim. Não tenho motivo para a alterar. Nem mesmo aquela conversa mais ou menos acesa sobre política, me fez olhar para a senhora que ousa de outra forma.
      Mantenho sim senhora e não tenho medo de ninguém :)

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    3. O problema é que ninguém sabe qual é...

      (eu sei, mas as pessoas que estão a ler esta entrevista pela primeira vez e parece-me que já são muitas, não sabem)

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  2. Gostei imenso desta entrevista cuja entrevistada nos seus 31 anos tem os pés bem assentes na terra, agarrada à esperança e sonho. Para além de escrever muito bem, diz a verdade com muita "pinta" e parabéns a Alexandra e a ti Maria, por esta iniciativa que tanto gosto, as mesmas de sempre.

    Beijos às duas

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    1. São palavras de quem parece ter mais idade, tal como antes referi. Existe quem, com menos idade já tenha vivido muito, experiências que marcam, logo passam para as letras de quem escreve, e quem com mais idade tenha uma bagagem de vida muito vazia, talvez com medo de se dar à vida. Penso eu.

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  3. Não tinha lido antes e também por isso, acho óptima a ideia de reeditar as entrevistas. Gostei muito das respostas da senhora que ousa. Vou procurar conhecer o seu blogue.

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    1. Depois desta polémica toda à volta deste desafio achei que não deveria fazê-lo, mas entretanto penso que não seria justo para com as pessoas que nele entraram. Só tenho pena de não conseguir reeditar os comentários também. Existiam uns muito bons.

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  4. Já tinha comentado anteriormente, gostei muito das respostas da Alexandra. Provavelmente ninguém se recorda mas, na altura, escrevi que a Alexandra se tinha preparado bem. Foi apenas um pormenor, mas um pormenor nunca deixa de o ser. É que, nestas coisas, há o AE (antes da entrevista) e o DE (depois da entrevista). E na entrevista não vislumbro danos colaterais. (Agora para a Alexandra: entende, agora, o que disse, na altura, acerca dos 31?)
    Espero, sinceramente, ser bem entendido, quer pela Maria quer pela Alexandra.

    Um bom final de semana :)

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    1. Eu recordo-me desse seu pequeno grande pormenor. Acredito que a Alexandra também. Se não se lembrava pode agora ler novamente. O facto de se ter preparado bem. A Alexandra não brinca em serviço. Volto a repetir que esta foi uma magnífica entrevista.

      Boa noite, AC :)

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