sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Reeditar. A segunda entrevista

Ter em conta que as últimas duas perguntas foram comuns a todos os que entraram no desafio. Foi engraçado perceber a forma como encararam as mesmas. Deu para perceber quem é que encara a vida com algum sentido de humor e quem não usa esse ingrediente no dia-a-dia. Eu admito que uso e gosto muito de sentido de humor. Tenho muito medo de quem se leva (sempre) demasiado a sério. O sempre é que tem tendência para estragar esta coisa boa de viver. Assuntos sérios são para serem falados com seriedade, todos os outros com uma gargalhada ou um simples sorriso. Fujo a sete pés de quem não consegue rir ou sorrir, nunca. Também fujo a sete pés de risos e sorrisos forçados com uma tonalidade amarela. Aqui entra aquela coisa de que o amarelo nem sempre é sinal de alegria. Existe gente que é perita em arrancar pela raiz todo e qualquer sinal de alegria que porventura possa detectar nos outros. Odeiam gente alegre. Odeiam gente que ri. Odeiam gente que sorri. Odeiam gente bem disposta logo pela manhã. Odeiam cozinhas brancas. Odeiam o branco. Odeiam o amarelo também, embora não se note, só o usam misturado com um oportunismo cozinhado à maneira. Resumindo, odeiam tudo. Eu não as odeio, não tenho essa grande capacidade de odiar, mas que as quero bem longe de mim, lá isso é verdade. Não me importo nada que vão viver de vez para uma ilha paradisíaca. Até que podia desenvolver esta coisa da teoria da ilha e da paradisíaca, mas agora não há tempo.  

Um dia explico o porquê de falar na terceira pessoa. Um dia, se estiver para aí voltada. Não esquecer que na blogosfera e na vida dita real existem milhares, quiçá milhões, de marias. Gosto desta coisa do quiçá. Quiçá não sou maria nem nada. Quiçá a coisa passa-me ao lado quando me querem arrasar tratando-me por maria. É que não me revejo. Quiçá não é por aí. Agora vou ali a Espanha e já volto...

***

Maria entrevista a Fatyly do blog Uma Nova Cubata. Maria no papel de entrevistadora educada e correcta usará sempre o senhora de ora em diante. O tratamento por "moradora em habitação rústica" terá a ver com o nome do blog da entrevistada.


Começando.

A Senhora dona de coisa alguma começa a responder com imenso prazer, sendo igualmente educada e correcta mas que junta o verdadeira:

Senhora  moradora em habitação rústica, o que dizem os seus valores? São elevados? E se são não acha muito arriscado nos dias que correm ter valores elevados guardados em casa?
Os meus valores dizem-me muito, dizem como sou e quem sou. Não são elevados, são elevadíssimos. Não os guardo em casa mas nos dois órgãos que acho que ainda tenho: coração e neurónios! Tal pele que me reveste.

Senhora moradora em habitação rústica, alguém lhe deve um grandessíssimo, daqueles mesmos íssimos, pedidos de desculpas? (blogosfericamente falando).
Nos já quase dezassete anos que ando neste mundo de cabos, ninguém me deve um pedido de desculpa.

Senhora moradora em habitação rústica, o que mais a inquieta na soma dos seus dias?
A fome e a guerra. Junto a falta de ética educacional e moral, a ganância, a corrupção, a mentira e os horrores praticados pelo lado negro do homem sobre o seu semelhante. Piora muito se for praticado sobre crianças, porque o que já vi e vivi fez que desse mais valor a um “gesto” do que a um pote cheio de dinheiro ou ouro!

Senhora moradora em habitação rústica, acha que os homossexuais se devem casar?
Claro que sim e alguém pergunta aos heterossexuais se devem casar? A homossexualidade não é uma “moda, não é algo que se pegue”, mas nasce com a pessoa (validada por vários cientistas e uma em particular que admiro profundamente) Os direitos deveriam ser iguais para todos, mas todos e acredito que irei morrer sem ver terminada esta “perseguição doentia” de décadas para não dizer séculos!

Senhora moradora em habitação rústica,  se lhe fosse dada a oportunidade de governar este país, o que faria em primeiro lugar?
No estado em que está, punha toda a “turminha política e amiguinhos dos amiguinhos dos últimos 20 anos, para não dizer 40” a comerem o pão que fabricaram, duro que nem cornos e difícil de suportar, revoltante, com cheiro a “podre” e sem direito a nenhum subsídio. Há muita coisa para limpar a sério. O resto fica para outra entrevista.

Senhora moradora em habitação rústica, matematicamente falando, quantos anos de macaca com calo na cauda é que tem? (se quiser passar esta pergunta por ser intimista demais, eu compreendo).
Aqui a “macaca” fica difícil porque é outro termo da minha terra, ligado a quem nem faz a ponta de um corno, que se julga o maior e ou está super irritado. Mas vamos lá, desde o meus 10 anos que comecei a formatar o calo de forma a ninguém pisar-me, abater ou simplesmente gozar. Nunca fiz parte de "manadas", sempre pensei e agi por mim e marimbando-me na opinião dos outros. Claro que se vir que têm razão, retrocedo com um pedido de desculpa e um agradecimento porque aprendi algo mais. Sempre respeitei para ser respeitado e tudo o que fiz e tive foi pelo meu empenho, dedicação. Não sei tudo, aprendo todos os dias, não entro em julgamentos pelas aparências mas jamais guardo para amanhã o que tenho de dizer e fazer hoje, porque amanhã posso estar entre 4 tábuas! Matematicamente falando na base do que disse, respondo há 54 anos (ena tantos) que somados aos 10, esta “macaca” já sabe muito (mas não tudo)tem 64 anos. Em Janeiro farei 65 e aqui a “macaca entra em fúria e que fúria” porque tem de dar mais dinheiro ao Estado com a renovação da carta de condução. Ponto final!

Senhora moradora em habitação rústica, se tivesse que mandar alguém à merda, quem seria? (por favor tenha em atenção que “entrevistadoras educadas e correctas não contam... eu, portanto”)
Soltei uma sonora gargalhada e porque razão a mandaria a si Senhora entrevistadora? Já contive o riso e mandaria várias, mas como me pede “alguém” pois seria Mário Soares sem dó nem piedade!

PS: Reitero o meu pedido de desculpas por não conseguir recuperar os comentários.

18 comentários :

  1. Tanta coisa para dizer que vai ali a Espanha e já volta!? Juro que com menos palavras poderia ter dito que não gosta de gambozinos.

    Reeditada a entrevista com a senhora moradora numa habitação rústica, nada tenho a acrescentar. Apenas reiterar a ideia de que a senhora rústica, perdão, senhora moradora numa habitação rústica, está cada vez mais refilona.

    Tenho dito.

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    1. Já acrescentou. É preciso não esquecer que algumas pessoas estão a ler estas entrevistas em forma de desafio pela primeira vez. O mundo é feito de mudanças, dizem, e eu acredito que assim seja. Felizmente que assim é.

      Quem gosta de escrever não percebe essa coisa do "com menos palavras". Isso não existe. Síntese é para relatórios. Sempre embirrei com relatórios.

      Boa noite.

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    2. O Sr. Observador...fala o roto ao nu porque não te vestes tu? Eu refilona? nããããããã tu é que dominas esse estado, principalmente à segunda-feira:)

      Beijocas rapaz e obrigado

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  2. Foi um prazer voltar a ler a entrevista!!!
    Beijinhos, Maria (quiçá Maria, quiçá?)

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  3. PS. Vou ali curar a minha gripe e volto já :)

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    1. Ler não faz mal a ninguém. Nunca fez, não seria agora que a coisa iria mudar.

      As melhoras, Carpe, bom fim-de-semana :)

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    2. Obrigado Carpe e as tuas melhoras. Aqui a senhora moradora numa habitação rústica é mais renite e atchimmmmmmmm, desculpa:)

      Beijos e para ti Maria as palavras de sempre:)

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  4. Boa noite, Maria!
    Antes de mais, gostaria de manifestar a minha satisfação pela reedição das entrevistas. Não pelo conteúdo destas, apesar da pertinência de certas respostas, indiciadoras duma forma digna de estar na vida, mas sim pela sua decisão em enfrentar a fumaça de certas personagens. É que, perdoe-me a franqueza, a história da humanidade está pejada de adamastores, de velhos do restelo, de cães que latem, mas que, quando genuínos, até merecem o nosso respeito. Contudo, e se observar bem, os nossos navegadores, nas viagens d'aquém e d'além mar, de entre a sã mercadoria sempre transportaram pimenta podre, e quejandos, e tal espécie nunca chegou a bom porto, foi sempre despejada em mar alto. Isto porque quem a transportava sabia bem que tal produto não passava no filtro da qualidade, se é que me entende. ;)
    Dito isto, gostaria de referir o alto conceito que tenho do que conheço da Fatyly: mulher espontânea, verdadeira, que tudo faz para dormir de consciência tranquila. Infelizmente, ao olhar em volta, ela desespera: é que vive num mundo em que, mais importante que ser, é preciso parecer. E isso não se coaduna com a sua forma de estar na vida.

    Um bom final de semana :)

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    1. Boa noite, AC,

      O reeditar das entrevistas não foi uma decisão fácil, digamos assim, tendo em conta toda a situação que envolveu este desafio. Longe estava eu de imaginar tal desfecho. Mas sabe que o engraçado no meio disto tudo, sem ter graça alguma, é que nada acontece por acaso (mais uma vez se confirma que nada acontece mesmo por acaso) e em vez de sair prejudicada de tudo isto (embora isto seja um blog na onda de um hobby) acabou por se abrir uma porta. Uma porta que eu não estava à espera. Lá está, a vida sempre a acontecer em sentido contrário.

      A Fatyly é uma mulher genuína sem papas na língua. Gosto disso. A energia das pessoas passa para o lado de cá. Passa através daquilo que escrevem. Dá para perceber quando as pessoas são boas pessoas ou nem por isso. Não vou desenvolver esta parte por razões muito minhas. A única coisa que consigo dizer é que por muito que as pessoas queiram parecer, quando o não são, chega até ao lado de cá. E de que maneira.

      Bom fim-de-semana, AC :)

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    2. AC é muito raro ficar sem palavras, mas fiquei porque já vi como conseguiste conhecer-me tão bem. Eu sou o que sou e não sei deixar de ser quem sou e quando me deparo com a exigência do "parecer", engato a primeira no TIR e ai vai disso. Não gostam, paciência mas ficam a saber que mais vale "ser do que parecer"!

      Não dou "pérolas a porcos entrando em discussões, encontrões e outros ões", respeito para ser respeitada, mas abrir mão do que sou, acho que ao longo da minha vida, hoje posso dizer em voz bem alta: foram mais as conquistas do que as percas e sobretudo a nível de amizades sinceras e verdadeiras. Refilona? Muito e muito, mas sempre educadamente.

      Quanto à última resposta que dei, falo e mandei, mando e mandarei à merda o Mário Soares, sempre, mas sempre e apenas como POLÍTICO, porque como SER HUMANO, se precisar de um braço para atravessar a rua e ficar à espera de...eu dou-lhe o meu e volto ao meu estado, porque não deixo de SER o que SOU e não me cai os ditos na lama!

      Beijos e Obrigado e para ti Maria as palavras de sempre

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  5. E pronto! Gostei muito de conhecer melhor a Fatyly, uma Mulher que se adivinha de muito nervo, muita garra, mas também de um imenso coração.
    É gratificante, muito, ver que esta "espécie" ainda subsiste.

    Senhora Dona Fatyly tenha a gentileza de se manter igual a si própria - poderia ser de outra forma? - e, a Senhora entrevistadora faça o favorzinho de nunca deixar de ser quem é, com uma verticalidade de carácter de se lhe tirar o chapéu.
    Chapéu tirado, resta-me deixar um abraço para as duas.

    Bom fim-de-semana para ambas.

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    1. Bom fim-de-semana, GL. Obrigada pela sua simpatia :)

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    2. Também tens muita fibra, ó se tens e obrigado mais uma vez pelas tuas palavras. No que toca à Maria subscrevo tudo o que dizes, pois eu não diria tão bem.

      Beijocas às duas

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  6. Todos os equipamentos e elemento que você mencionou aqui são grandes para viver. Precisamos ins e fora dos itens como decorative candles para fazer o dia do nascimento do seu filho agradável.

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    1. Thanks, David. Have a nice saturday.

      (great... capacidade de síntese... by the way)

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    2. Pedindo desculpa a David, sinceramente não percebi nadica de nada, mas mesmo assim agradeço:):)

      Beijos e para ti Maria as mesmas palavras de sempre:)

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