quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Cancro (gostava de acreditar nesta notícia)

A do jornal I que diz: "cientistas podem ter descoberto acidentalmente a tão desejada cura". A ser verdade seria provavelmente a melhor notícia dos últimos tempos. E se o mundo está a precisar de boas notícias. Para mim já vem um pouco tarde. O mundo já fez o favor de me levar a minha mãe. Com cancro. Aos 58 anos de idade. Raios parta a doença que ceifa vidas e nos impossibilita de continuar a caminhar ao lado daqueles que mais gostamos e nos obriga a conviver com aqueles que mais desprezamos. É a vida! Dir-me-ão. Não, não é. Acredito que a vida é mais do que isto. É esse acreditar que me faz levantar todos os dias de cabeça erguida e andar para a frente. Andar para a frente é uma questão de sobrevivência. Digo eu. Agora, digo eu.


10 comentários :

  1. Também ouvi e também fiquei com esperança. Ouvi também qualquer coisa sobre Alzeihmer... Não apanhei bem, mas vi que era algo positivo.

    Sabe... Acho que não é porque as coisas já vêm tarde para nós que vamos deixar de ficar contentes com uma notícia de algo que será bom para alguém. Isso seria egoísmo, no mínimo.

    Abraço :)

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    1. O meu pai ainda está vivo, felizmente. Nunca é tarde quando ainda temos pessoas (vivas) connosco. É tarde sim para os que nos são roubados. Somos muitos aqueles a quem já roubaram gente, para nós é tarde, para eles foi tarde demais.

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  2. Acidentalmente ou não, acredito que já se tenha descoberto cura para alguns dos géneros de cancro. E a minha pergunta vai noutro sentido: por que motivos (ou interesses?) o que sugere a cura vai ficando no segredo dos deuses,com a total cobertura dos lobbys farmacêuticos e também clínicos?

    Quanto a si, Maria, lamento que essa sua dor tenha tido a causa que teve e que a persiga.
    E estou consigo no que diz respeito ao último parágrafo do seu texto.

    Beijinho para si.

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    1. Ontem à noite, como de costume, fui espreitar alguns jornais online, vi o título da notícia (aquela do link em cima) e achei estranho, entrei devagar, lá estava a notícia que me deixou entre a esperança e a tristeza. A esperança de um futuro em que não se quer que tanta gente morra de cancro, e a tristeza por alguém, que era a pessoa mais importante da minha vida não beneficiar da sorte de ter conseguido escapar. Lá está, se sobrevivi à visão de ver um ser humano degradar-se dia após dia dia à minha frente, sobrevivo a qualquer coisa. Encolho-me sempre quando vejo as pessoas encherem-se de ar satisfeitas por "matar" os outros por assuntos picuinhas, tenho sempre a sensação que não tarda algo lhes vai cair em cima.

      Caro Observador, não tenho medo das dores que me perseguem com o afastamento definitivo de pessoas de quem gosto, aprendi a lidar com isso, tenho receio, isso sim, do que vejo no meu dia-a-dia e nada posso fazer. Temo que a natureza um dia destes nos dê a todos uma grande lição.

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  3. Espero que sim, Maria, que os sinais sejam mesmo de esperança. Que a Humanidade se livre desse flagelo que é o cancro. Já perdi o meu avô paterno por causa dessa doença revoltante.
    Beijinhos

    PS. Gostei muito da mudança do blogue!

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    1. Carpe, todas as pessoas que passaram ou estão a passar por cancro, são pessoas extremamente corajosas. Não sei como é que aguentam todo o peso do mundo em cima delas. Muitas até conseguem sorrir, mesmo assim. Existem seres humanos fabulosos, e seres que parecem que são humanos e vai-se a ver nem por isso.

      PS: Ah, estava a ver que ninguém dizia nada. Uma pessoa fecha a porta de casa e lava vidros e lava chão e lava as cortinas, uma pessoa tenta arrancar toda a sujidade dos últimos dias e ninguém dizia nada :))

      Beijinho.

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  4. Essa seria a melhor notícia do século, sem dúvida.
    Antes de continuar resalvo um aspecto que se me afigura da maior importância.
    Compreendo a sua dor pela partida prematura de sua Mãe. Perdi o meu Pai vítima da mesma doença, e toda a minha família materna tem morrido de cancro. Aliás, a terceira geração também já começou a ser premiada pela dita, a filha de uma prima minha foi diagnosticada com melanoma. Esta conversa toda para dizer o quê? Estamos a falar de uma realidade que conheço muito bem, mas Maria, mesmo assim, mesmo conhecendo o processo doloroso, devastador que a doença implica, considero não haver doença pior que a do foro neurológico. Apenas um exemplo: a esclerose múltipla.
    Já imaginou(ámos) o quão doloroso é ir perdendo capacidades a cada dia que passa, até para proceder a tarefas fáceis, básicas, como alimentar-se, proceder à própria higiene, até que, numa fase mais adiantada a pessoa fica completamente dependente dos outros para tudo, mas tudo mesmo?
    Maria, acredite que este calvário não é menor, é diferente, a esperança de vida - que vida? - é maior, mas a qualidade da dita?!

    Acabemos com esta conversa deprimente. Cheiremos a bela alfazema, vivamos a vida o melhor possível, saboreêmo-la como merece.

    Tudo o resto? Mesmo aqueles que de gente nada têm, que interessam?!

    Ora faça o favor de se deixar estar por aí, porque está muito bem e, escândalo dos escândalos, faz falta na blogosfera.

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    1. GL, isso, não façamos comparações. a palavra doença, seja ela qual for, já é suficientemente terrível. Não vou entrar em pormenores porque isso obrigar-me-ia a voltar a momentos que não pretendo desenterrar. Porque são muito maus, porque ver uma pessoa na fase terminal de cancro é provavelmente das coisas mais terríveis mais cruéis, que alguma vez me foi dado a ver. Quero recordar a minha mãe exactamente como ela era. Alegre, extrovertida, linda, faladora, amiga dos seus amigos, capaz de todos os sacrifícios e mais alguns pela família, uma pessoa que punha sempre os outros à frente. Não vou dar qualquer oportunidade a essa doença de me roubar a única imagem boa que possuo da minha mãe e consegui guardar. Nunca.

      Tenha uma boa noite, GL.
      (por enquanto fico)

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  5. Já tinha lido essa notícia e uma anterior que faltava ainda algo para começarem os testes. Nesta já deram o tal passinho que faltava...o testar. Digo-te de fonte segura que depois de se verificarem os resultados e os mesmos serem positivos, o que mais irão aparecer são "humanos" para serem igualmente testados.

    As descobertas da cura de várias doenças fatais são feitas por pessoas dedicadas e cada passo em frente que dão é do tamanho de um grão de areia.

    Hoje e no que toca ao cancro já existem fármacos que substituem a quimio diária ou semanal, tudo junto num comprimido com menos efeitos colaterais, mas no nosso país tão economicista em muitos hospitais continuam a usar a quimio dolorosa, dura e pura. O definhar, o tolerar esses efeitos é uma dor para quem sofre e para quem vê, totalmente impotente perante tal sofrimento, daí eu ser totalmente a favor dos cuidados paliativos...ainda uma gota neste pequeno país!

    Há que guardar as boas recordações de quem já partiu de cancro ou outras doenças fatais...para que os fantasmas de imagens não nos toldem de ir em frente e continuar a acreditar na vida!

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    1. Digo-lhe, estou desejosa que consigam dar cabo desta grandessíssima qualquer coisa, da doença. Nenhum ser humano deveria passar por tamanha crueldade. É cruel para os que passam por ela e cruel também para os que têm que assistir e nada podem fazer.

      A minha mãe quis ficar em casa. Pediu para nunca a internassem fosse onde fosse. Ninguém se atreveu a deixá-la longe do seu jardim. A sua paixão. Só por isso é que continuo a cuidar dele. Do jardim. E cuidarei para sempre, não deixo que ninguém lá ponha um dedo sequer. Aprendi a fazer de tudo. Hoje sei de jardinagem como se não tivesse feito outra coisa ao longo da minha vida. Tudo o que ponho à terra cresce, sobrevive. Gosto de pensar que assim acontece porque a minha mãe ainda continua a morar por ali. Eu acho que continua.

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