domingo, 19 de novembro de 2017

(obrigada a Sir David Attenborough pelo magnífico vídeo e obrigada ao 'Eixo do Mal' por o ter divulgado)

Penso que há já muito tempo que não via um vídeo tão bom (admito estar cansada de vídeos ditos virais que por vezes são do mais imbecil que existe), capaz de nos fazer encolher de todas as maneiras, reduzir-nos à grande insignificância que somos todos nós. Sim, somos insignificantes perante a magnitude da natureza. Somos insignificantes quando nos vestimos de uma altivez ignorante e a destruímos sem dó nem piedade. Somos insignificantes, estúpidos ao mesmo tempo, quando percebemos que fizemos porcaria, queremos dar um passo atrás remediando tudo aquilo que, infelizmente, já não tem remédio. Tenho cá para mim que a natureza tem algo de humano - não sei se o termo humano encaixa bem neste contexto -  humano naquele sentido que pode perdoar os nossos disparates mas não esquece. O não esquecer é que me deixa preocupada. 



(sugestão: se se assistir ao vídeo em modo écran inteiro o impacto é bem maior -
são apenas 2 minutos de vídeo)

sábado, 18 de novembro de 2017

Alienação

Ultimamente.  

Instalou-se a confusão nisto de viver, não se consegue chegar à conclusão se viver consiste em se estar atento a tudo o que nos rodeia e, nesse processo, ter algo de muito nosso a dizer (?) Se consiste em nos alhearmos do mundo à volta e assim preservar alguma sanidade mental (?)

O que sei é que para onde quer que uma pessoa se volte a manipulação atinge-nos em várias frentes. Começo a achar que o mundo actual não passa de uma grande superfície comercial onde só entra quem sabe, e pode, usar cartão de crédito. 

Pergunto-me o que vão fazer àqueles que não gostam de superfícies comerciais e se recusam a passar cartão aos manipuladores desta vida? Que são mais do que as mães. Bem sei.

A mim, por vezes, também me dá para isto, antes me desse para comprar sapatos...


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

É favor pôr os olhinhos na Ana Sofia Martins e não a deixar escapar, sim?

Recebi um destes dias uma mensagem de uma amiga que dizia mais ou menos isto: logo à noite, quando chegares a casa, vai à box ver o programa da Fátima Lopes". Respondi de imediato que, nem pensar! Lamento, não é programa, nem apresentadora, que me diga alguma coisa. Lá diz o povo que quem diz a verdade não merece castigo. No entanto lá fui espreitar, gostei muito do que vi. E o que vi foi Ana Sofia Martins a substituir Fátima Lopes por uns dias. Foi uma agradável surpresa ver uma miúda nova, inexperiente nestas coisas de apresentar programas, a desenrolar-se tão bem, com uma óptima energia, com uma postura magnífica, com um sentido de humor muito luminoso, com um sorriso que nada tem de fabricado, inteligente, diferente, resumindo, uma lufada de ar fresco nesta nossa TV que por vezes cheira um pouquinho a mofo.

(o que me parece é que por vezes se dá oportunidades a gente nova sem qualquer talento, nem sequer se percebe a razão - ou talvez se perceba mas faz de conta que não) 



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Encanitar rima com sensibilizar

Não era minha intenção voltar já a isto de escrever, embora sinta uma falta danada das letras, de escrever. Não está em questão se se tem queda para a escrita, se a queda pressupõe que uma pessoa antecipe, conscientemente, um suicídio intelectual. Só que uma pessoa não é intelectual nem nada, é tão somente alguém comum, com direito a opiniões que podem ir ao, ou de, encontro a outras. Não valem empurrões, valem opiniões, eu gosto e muito, de ouvir, ler, os outros. Aprende-se muito com o outro, embora por vezes se pense que mais valia ao outro estar calado. Mais me valia estar calada. Ou não. Adiante.

Isto tudo para escrever que, ontem, resolvi andar pelos caminhos de terra batida da blogosfera e debrucei-me na janela deste blog a propósito do tal jantar no Panteão Nacional.

Ponto 1. A minha opinião nada tem a ver com disputas políticas. 
Ponto 2. A minha opinião nada tem a ver com ataques disfarçados ao evento - Web Summit - a existirem ataques seriam contra mim por não ter conseguido ir, sou o mais possível a favor das novas tecnologias, ainda que ache que devem ser consumidas de forma moderada. Facebook será provavelmente o último canto onde alguém me verá a tomar um café, não gosto do provincianismo de alguns cafés onde o tema do dia é quase sempre a tal que se meteu com o marido da outra tal, que, tadinho, não tem culpa alguma, é homem e, já se sabe, um homem não é de ferro, e a uma mulher convém não ser de pau (pronto, foi um exemplo fraquito). Sim, Facebook nada mais é do que um café de província com a sofisticação, carimbo, do digital.
Ponto 3. Não consigo "celebrar" a morte, não saberia como fazê-lo, não sou isso de mente aberta para achar natural como a água fazer uma rave em cima da campa de alguém (sim, foi propositadamente exagerado). Gosto do silêncio que existe numa igreja, capela, vazia. É especial. Com isto não quero dizer que monumentos como o Panteão devam estar vazios, seria tolo dizer tal coisa, apenas digo que o mundo é muito grande e, existem, com toda a certeza, espaços do tamanho do céu capazes de se conseguir realizar jantares com tudo o que um jantar tem direito: conversa, barulho de fundo de talheres e copos, risos, gargalhadas, fotos e selfies. É uma questão de sensibilidade, de dignidade. Talvez sim. Talvez não. Deixem-me lá não ser moderna, nem mente aberta, nisto de gostar de separar situações.