quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Hoje também me deu para isto: fui ler atentamente a proposta do BE e do PAN para legalizar a cannabis... recreativa



Pensei escrever este texto de forma toda ela austera, contundente, sem qualquer rasgo de palhaçada no horizonte, só que tal é impossível quando os nossos deputados, alguns dos nossos deputados me dizem que tenho de me divertir e nada melhor do que fumar uns charros. Eu, que nunca precisei de me embebedar para me sentir aquilo que as pessoas gostam de dizer que são não sendo, divertidas, embora beba de quando em vez um copo de vinho tinto, ou mesmo um licor, e outras coisas que tais, nem nunca precisei de fumar para me sentir moderna, nem nunca precisei de fumar charros para me sentir nas nuvens, acho as propostas, quer de um, quer do outro  partido, meio ganzadas, se é que o termo existe e se não existe passa a existir porque se os partidos sugerem que posso cultivar cannabis no meu quadradinho de terra, com um limite de cinco plantas por habitação (?), também posso inventar vocábulos que não trará grande mal ao Universo e arredores. Quanto ao cultivo de apenas cinco plantas por habitação, vão com toda a certeza criar inúmeros postos de trabalho para fiscalizar tal coisa, o que é merecedor de palmas em catadupa, isto sou eu a fumar à força toda pensamentos positivos. 

Um dos argumentos do BE é que a legalização fará com que a criminalidade baixe, não sei se foram estas as palavras exactas, mas foi esta a ideia, sim, até posso concordar com esse ponto, só que  por si só este tipo de ideias, propostas, que à partida estão a escorrer de boas intenções, que parecem ser no sentido de ajudar este mundo a crescer para o lado menos negro, caem automaticamente por terra por falta de consumível para andar. Ou seja, propostas simplistas para situações complexas, não podem de todo ser discutidas como se estivéssemos num jantar lá de casa, só com meia dúzia de amigos a fumar uns charros, a coisa não funciona assim, combater o crime neste sentido não é autorizar o auto-cultivo, isso, parece-me, para além de contraditório, irresponsável. 

(hoje não deixo aqui link directo para a notícia, mas em existindo interesse e acho que os portugueses deveriam cada vez mais discutir este tipo de assuntos, é só dar um salto ao jornal Público, foi lá que li os que os dois partidos propõem)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Depois do trim-trim vem o dling-dlong. O cão de Assunção Cristas bateu à porta de Tininha Ferreira

Isto não é para quem quer, é para quem sabe.
Tininha Ferreira ainda agora chegou à SIC e já tem uma senhora lá de casa.


Rejubilai. Oremos, ámen e essas coisas

A partir de agora, Portugal - agora neste ano que começou a gatinhar, o de dois mil e dezanove - nunca mais será o mesmo. As pessoas deixarão de ser hipócritas, passarão a ser directas, honestas, verdadeiras e nada, mesmo nada, oportunistas. Aleluia! Oremos, irmãos! De pé e de preferência com um copo de água cristalina na mão direita e outro na mão esquerda também, longe de mim querer ferir susceptibilidades. Eu nem sequer sei como é que se escreve susceptibilidades. Parece que as ladroas com muitas aspas nas oas, diz-se ladronas, obviamente, roubaram o ao susce(todo um espaço em branco disfarçado de azul bebé porque sim)tibilidades. Agora escreve-se sus-suster a respiração por um segundo-tibilidades = suscetibilidades. Após este exercício bastante violento a que me propus preciso de mais uma caipirinha que em vez de levar aguardente de cana, é substituída por água cristalina. Tão bom este mundo novo, só faltam mesmo anjos vestidos de encarnado a cantar em modo Gospel o apita o comboio cruzado com o bacalhau quer couves.

E o que é que me deu hoje? Ora, o costume.

Vamos ao...  a partir de agora.

1. Num Curriculum Vitae deixará de existir a pequeníssima partícula, insignificante até, aquela que  obedece àquela parte que diz que só se aceitam candidatos até aos 35 anos de idade. Palmas para a mudança.

2. A partir de agora uma mulher já não precisará de pintar os cabelos brancos que teimam em aparecer a partir de uma determinada idade porque, lá está, a honestidade pintada a oiro prevalecerá, nada disso mais importará, as mulheres serão aceites exactamente como são, com cabelos brancos, com rugas à volta dos olhos, com pele seca e marcada com a passagem do tempo, com pneus à volta da cintura e noutros sítios também, porque a sociedade não fará julgamento algum. Os poucos homens que ainda têm queda por mulheres, também não. O modo fofinho estará sempre activado, quem o desactivar será de imediato enviado para o Tarrafal, se não existir nestes modernos tempos isso do Tafa - tafa para os amigos - outro com aquecimento central incluído erguer-se-à perante o olhar saudoso de todos aqueles que pensaram estar para sempre exterminado.

Bom, coitados dos cabeleireiros que não terão clientes e engordarão, irão contribuir massivamente para as intermináveis filas de desemprego, com cabeleireiras mulheres e cabeleireiros homens e cabeleireiros dos outros, a gritar: queremos o preconceito de volta! queremos o preconceito de volta! queremos que as mulheres sejam chamadas de velhas quando os cabelos brancos começam a aparecer para que precisem de os pintar... queremos uma sociedade que as recrimine... queremos dar de comer aos nossos filhos! queremos o preconceito de volta! - olha, digo eu caladinha a um canto olhando para a manifestação de largos milhares de pessoas vestidas com coletes de todas as cores, agora é tarde, as mulheres devem ser aceites exactamente como são, não é negociável. 

As clínicas de estética também irão todas à falência. Não estejam para aí a acusar-me, de dedo apontado, a rosnar, que eu não tenho nada a ver com isso, eu só vim cá para não ver a bola.

3. O país será transformado num país muito à frente, toda a gente andará para aí de tabuletas na mão, mais uma manifestação de largos milhões de pessoas, não mais do que 10 milhões, mais vírgula, menos vírgula, convém, a lutar pelos heterossexuais. As mães chorarão porque os seus filhos heterossexuais estão a ser discriminados. É necessário que não exista este tipo de preconceito por parte de uma sociedade constituída no seu quase todo de homossexuais. Muitos textos de opinião, muitos comentadores, muita comunicação social, tudo ali bem junto, de mãos dadas, lágrimas verdadeiras daquelas de crocodilo à espreita, a lutar por um mundo mais igual. Aleluia, irmãos! Finalmente, irmãos! Beijemo-nos irmãos, de preferência na boca porque há só uma e evitamos o constrangimento de ficar pendurados pela existência de duas bochechas. Seremos ainda mais modernos, não só beijos na boca entre pais e filhos, mas com o merceeiro porque nos arranjou umas laranjas fresquinhas, com a modista porque nos fez a bainha das calças de forma perfeita, com o motorista do autocarro, ali à entrada logo: como está? bom dia! e beijo na boca... é capaz de demorar mais umas horas a chegar ao emprego, mas que importa isso num mundo pleno de felicidade, igualdade e diversidade que jamais em tempo algum será condenada. Os juízes também estarão feitos, já se vê, fila de desemprego também e o melhorzinho que se arranjará é lavar escadas de prisões que não serão frequentadas por ninguém. A malta arranja umas raves se for preciso, porque a malta é empreendedora.

4. Os políticos, por um decreto-lei afixado em todas as casas de tudo quanto é pessoa e mesmo aqueles que pelos seus actos menos lindinhos serão uma marca branca de pessoas, serão obrigados a andar de trotinette eléctrica. A não gostar de andar de trotinete, só podem optar pela bicicleta ou pelos transportes públicos com assentos que não são lavados há pelo menos 10 anos, com vidros que não abrem só para não terem pensamentos suicidas e queiram num segundo atirar-se da janela só por causa dos assentos cheios de populações de bactérias modernas. Eu aqui a meditar: quem raio é que vai elaborar o tal decreto-lei? É que se for o governo himself, a coisa é capaz de sair lá para o ano 9102, que lido ao contrário é... isso mesmo.

Eu, que continuo para aqui caladinha a observar todas estas mudanças extraordinárias numa sociedade portuguesa que se quer mais justa, penso de mim para mim: e que tal acordares?!? ó Maria! - pronto,  não me batas mais ó sociedade, estava a brincar... desculpa, sim.