quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

(no dia em que as revistas femininas passarem a abordar os mesmos temas que as masculinas eu...

... passarei a comprar também revistas femininas)

Não gosto, admito, aliás, se comprei, no máximo, ao longo de toda a minha vida uma meia dúzia de revistas femininas, não estarei muito longe da verdade. 

A razão é que se acha que as mulheres de hoje, independentemente da idade que tenham, não é uma questão geracional, é talvez muito mais uma questão de mentalidade, de forma de estar  na vida, do que o facto de se ter 20/30/... 70 anos, escrevia eu que se acha que as mulheres continuam a gostar só de romances cor-de-rosa com finais felizes, a história muito actual grita-nos que os príncipes casam-se e entretanto esmurram as princesas com quem casaram, no entanto muitos continuam a chamar-lhes princesa (termo que me deixa com os 'perlicoques' todos desorientados), as princesas esmurradas, pontapeadas, parecem gostar daquilo de os homens lhes chamarem de princesa (mais um 'perlicoque' que acabou de se suicidar), derretem-se em dois segundos, esquecem os murros e acreditam que vão viver felizes para sempre ao lado de um sapo. Puro desperdício, com tanto homem interessante, ainda que sem cavalo branco por aí, e perde-se tempo com um ser viscoso e com a lábia no patamar de princesa e 'mor'. Ninguém merece! Bom, se calhar há quem mereça, pouco ou nada sei da vida das pessoas, também não tenho queda para isso do voyeurismo - a tal curiosidade patológica pela vida privada e intima dos outros. Parecendo que não, existem diferenças entre coisa privada e coisa íntima.

Qual a razão de muitas revistas femininas tratarem uma mulher com um género de linguagem na onda de atrasada mental? Não se trata de linguagem simples, isso é positivo, são mesmo assuntos, linguagem, para mulheres que só aspiram a ser as mais bonitas e, se possível, as menos velhas de todas. Revistas que plantam na cabeça de uma mulher de 30 anos que as rugas estão aí, a flacidez está aí, as dores nas cruzes estão aí, a descalcificação está aí, os cabelos brancos estão aí, e vai de gerar todo um exército de mulheres em pânico, frustradas, tristes, deprimidas, com isso de envelhecer. Desde quando é que envelhecer é uma doença? Qual a razão de uma mulher de 40/50 anos ter de recorrer a cirurgias para ter um rosto de 20? Qual é a intenção disso? É que não entendo. Coisa mais sem sentido do que esta pressão de que uma mãe de 50/60 anos para ser admirada tem de ter um corpo, rosto, semelhante ao da sua filha de 20, 30 ou 40 anos. No pai já não existe essa pressão, não se está à espera que um pai de 40/50/60 anos recorra a cirurgias para ter um aspecto semelhante ao do seu filho. Seria até considerado um pouco ridículo, os homens para serem charmosos - dizem, e nalguns casos até confirmo - precisam de ter alguns cabelos brancos, algumas rugas no canto dos olhos... sem grandes barrigas de preferência, mas isso faz-se com um pé ás costas, é só não entrar em exageros com a comida, não é necessário botox na zona abdominal.

Esta é, cada vez mais, uma sociedade dissimulada, se não pressionam as mulheres de uma forma, pressionam de outra. Continuo a não ver esse tipo de pressão para com os homens. É um facto. Aos homens continua a exigir-se que sejam bons profissionais lá nos seus trabalhos, às mulheres continua a exigir-se que sejam bonitas. Ou antes, a uma mulher também convém ser boa profissional, mas não sei se as pessoas já reparam que primeiro dizem sempre se a pessoa é bonita ou nem por isso. Coisa do género: é muito bonita, ela, e, como se não bastasse, também é boa profissional.

Tudo na mesma, como a lesma...

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Gostava de perguntar às pessoas desse lado se também acham que estas são as 10 maiores qualidades dos portugueses (?)

Primeiro vou beber um pouco de água com limão espremido, não vá de repente a vista ficar meio turva.


Agora entram as tais 10 qualidades que parecem existir por tudo quanto é esquina de rua deste país e, eu aqui, eu que julgava conhecer minimamente o país, mais ou menos as pessoas que por cá habitam, não todas, mas dá para ter uma ideia, de repente apercebo-me que estou errada, que este é o país de pessoas muito fofinhas, boazinhas, pacatazinhas e, quiçá, com os dentes todos. 

Portanto, nada de pessoas dadas a atropelar outros nas filas de supermercado. Nada de insultar os outros no trânsito. Nada de insultar os outros porque são diferentes dos demais naquilo que lhes apetece ser diferentes dos demais. Nada de insultar, de gozar, os outros, ora porque são punks, ora porque são betos, ora porque são surfistas, ora porque são nerds... E a lista seria interminável estivesse eu hoje voltada para listas, não estou, felizmente para mim e também para os outros.

Primeiro entra a letra de uma canção porque isto não vai lá só com água e limão espremido, uma pessoa também precisa de se animar com música: olha o balão, na noite de São João / Para poder dançar bastante com quem tenho à minha espera / ó-i-ó-ai... Ai! Auch! Vamos às tais qualidades que já se faz tarde.

Tudo o que se encontra entre parentesis é da minha autoria, o sublinhado não.
  1. São abertos (a interpretação fica toda desse lado, eu hoje, nicles batatoídes)
  2. Servem muita comida (humpf!)
  3. São transparentes (zeritos de falsidade, entra o cartaz de rir, muito)
  4. São amigos (errr.. quer dizer, tem dias, se as cunhas funcionarem, sim, sem dúvida)
  5. São prestativos (put the cream, versão prestativa de zezé camarinha - património nacional)
  6. Têm as sobrancelhas mais bonitas do mundo (autora do texto consome substâncias estragadas)
  7. São informados (tecla ironia activada: o Correio da Manhã confirma e nunca desmente)
  8. Amam a própria cultura (sim, conhece-se melhor Punta Cana do que Coimbra)
  9. Aceitam seus imigrantes (passo)
  10. Têm riso fácil (apeteceu-me mesmo muito desenvolver esta parte mas a EDP não deixou)

Termino em modo: sem generalizar, porque generalizar provoca azia.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Pudesse eu escolher a canção vencedora do Festival da Canção 2018 e essa canção seria esta:

Gostei muito da interpretação de Catarina Miranda, Catarina que interpretou magnificamente a canção que tem por título "Para Sorrir Eu Não Preciso De Nada", até o título é adequado para os dias que parecem correr para todos os lados menos para o lado que nos ajuda a caminhar menos nervosos, menos stressados, menos ansiosos. Foi a única canção que conseguiu fazer-me sentar por uns minutos, ouvir atentamente e, sem querer, sorrir. Fiquei deliciada não só com a voz melodiosa de Catarina, com a interpretação e por interpretação refiro-me à postura, aos gestos, como também com a forma como foi vestida, maquilhada, (des)penteada. Aquilo foi como que um desarrumar a casa toda. Desarrumar ideias feitas, desarrumar todo um rol de convenções, desarrumar tudo aquilo que está pré-estabelecido.

Diria que herdar o peso de igualar um grande representante do Festival da Canção como foi Salvador Sobral, não é fácil, no entanto Catarina Miranda conseguiu, sem dúvida. Isto na minha opinião, obviamente.

(eis a Catarina que, a representar Portugal, não nos vai deixar ficar, de todo, envergonhados)


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Cada vez mais, entendo menos, frases como: "contribui para a normalização da homossexualidade"

Desde criança que convivo com homossexuais, mais concretamente um, um homossexual de quem a minha mãe era muito amiga. Homem ligado ao mundo das artes plásticas, nesse mundo a homossexualidade é algo dito natural, é um facto que a maioria não se assume mas por vezes dou comigo a perguntar a mim mesma qual a razão de alguém ter de assumir perante o mundo algo que só à própria pessoa diz respeito? Intimidade. Intimidade que nada mais é do que, algo que é nosso e sendo muito nosso, pertencendo a um mundo privado, mundo particular, não entendo a razão de uma pessoa ter de se expor e passar a ser público. Ficar ali para debate também ele público, discutido por todos e mais alguns, pormenores de uma vida que deveria ser apenas, e só, vivida, discutida, pelas pessoas que interessam. As envolvidas. As duas que neste caso serão do mesmo sexo. Até vou mais longe, por que razão as pessoas homossexuais têm de, como que pedir autorização à família em modo desculpem qualquer cosinha, mas, olhem, acontece que não somos tão normais quanto todos os outros. Dão licença ou vão expulsar-nos da família como se se tratasse de uma sujidade qualquer? Uma doença contagiosa, quem sabe!? Têm tempo, não precisam de dar uma resposta já, podem consultar a vizinha, o amigo mais próximo, o colega de trabalho, o senhor da mercearia e, quem sabe, se todos chegarem a um consenso, se fizerem o obséquio de consentir, de não nos condenarem, aí sim, podemos respirar de alívio e seguir com a nossa vida. E acho que para aquilo ficar mesmo nos conformes talvez devesse ser publicado no Diário da República. 

Dizer que não se concorda com a exposição da vida intima de alguém, não é, de todo, enfiar a cabeça na areia e fingir que o assunto da homossexualidade não existe, aliás, para mim é um não assunto. Não assunto porque não me diz respeito. Não assunto porque as pessoas deveriam estar preocupadas com as suas vidas, vidas sexuais também, que por vezes cheira a inexistente e deixarem-se disso de falar do que os outros fazem ou deixam de fazer debaixo de lençóis ou em cima dele. Portugal por vezes parece um pátio a céu aberto. Nunca o sexo foi tão sobrevalorizado como agora. É um género de 8 ou 80. Se lá no tempo dos meus avós falar de sexo era um tabu, agora a coisa chegou a um extremo em que toda a gente quer dar um palpite em relação ao que os outros fazem com as suas vidas íntimas.

Este texto nasceu porque se atravessou na minha frente um texto de Isabel Moreira em que escreve:
«Obrigada, Adolfo Mesquita Nunes»

Bem que eu gostaria de perceber aquele obrigada... E bem que me dava jeito não achar que normalização passa por cada um viver a vida sem ter de dar explicações acerca da sua vida íntima a quem quer que seja. Só que acho. Não me dá jeito nenhum.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A história do José Manuel e do Manuel José na sua ida ao café da esquina (na vida, como nos blogs, as semelhanças existem)

Imagine-se a mesma rua e o mesmo café da esquina. Imagine-se que a esquina onde está arrumado o café ainda conta com alguma distância, distância que não sendo muita, não é de menosprezar. Imaginem-se as mesmíssimas circunstâncias. Imagine-se que a única coisa diferente e não por acaso, é que num o nome é próprio, para no caso seguinte já ser apelido - José Manuel e Manuel José.

Agora imagine-se o José Manuel a quem se perguntou aquando da vinda do café se o dia estava a correr bem (?). Ao que o José Manuel responde de imediato que é sempre a mesma coisa, não há nada de novo, cá vamos indo, é um dia atrás do outro, a vida é mesmo assim e cá se vai vivendo como Deus quer. Pela resposta do José Manuel deduz-se que Deus não deve querer grande coisa para o José, o próprio.

Agora imagine-se um  Manuel José a quem se perguntou aquando da vinda do café se o dia estava a correr bem (?). Ao que o Manuel José responde sem que antes o rosto se lhe ilumine com um sorriso:

Então mas não haveria de estar a correr bem porquê? Está sol, no caminho encontrei a ti Miquelina, esteve-me a contar que a neta finalmente encontrou trabalho lá em Lisboa, está feliz a ti Miquelina pela neta, eu também fiquei feliz por a piquena ter trabalho e dinheiro, a juventude precisa de casar, ter gaiatos, a ver se o mundo anda para a frente, depois encontrei o gato do ti João esparramado ao sol, aquilo é que é vida, tomara eu, depois vi que na berma da estrada antes do café estavam a crescer umas flores amarelas, colhi meia dúzia para oferecer à minha Albertina, vai ficar feliz, e em ela estando feliz em fico mais feliz ainda, se calhar com tanta felicidade sou bem capaz de ter arroz de pato para o jantar, depois no café ainda joguei dominó com os compadres, bebi um bagacito que dias não são dias, olhe, menina, já não me lembro o que é que me perguntou, desculpe, sim, mas que este dia me está a correr bem, está sim, menina. Cá se vai vivendo como Deus quer.

Resumo: tendo o José Manuel e o Manuel José no caminho para o café encontrado exactamente as mesmas coisas, estando reunidas as mesmas circunstâncias, qual a razão de um dizer "que é sempre a mesma coisa" e o outro relatar minuciosamente tudo o que encontrou pelo caminho, sentindo-se feliz?

Será que Deus, isto para quem acredita em algo, tenha a sua fé, quer efectivamente mais para um do que para o outro? Dará óculos para ver a vida, óculos melhores a um do que a outro? Ou somos nós que construímos os nossos próprios óculos porque, a bem dizer, Deus não percebe nada de negócios de óculos.

A vida deverá ser vivida em modo sucinto ou em modo extenso? E a escrita? O que fazemos com a escrita, senhores?!

*
Escolhas.